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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O QUE A CIÊNCIA TEM A DIZER ACERCA DA MELHOR FORMA DE TREINAR O SEU CÃO




Por Lynne Peeples Novembro 12, 2009

Treinadores de cães debatem se carinho e atenção são formas melhores de controlar a sua matilha do que a força e dominância

CONSEQUÊNCIAS DO USO DO MÉTODO POSITIVO

Antes de se tornar uma treinadora profissional, Jolanta Bental de Brooklyn NY aprendeu a diferença entre métodos positivos e puntivos pessoalmente.

O seu cão Mugsy, tinha uma “atracção” especial por homens de uniforme. Quer estivessem com o uniforme da UPS ou dos correios nacionais, o cruzado de pitbull da Benal atirava-se a eles se os visse na rua. Então ela contratou um treinador altamente recomendado para que o comportamento fosse corrigido.

“Ele colocava o Mugsy na situação que iria provocar o comportamento, e depois atirava uma lata cheia de moedas na direcção do cão” ela conta. “Era uma técnica da velha guarda, uma técnica tradicional e resultou para suprimir o comportamento problemático – pelo menos no momento”. A obsessão do Mugsy pelos homens de uniforme no entanto não se alterou. Mesmo que ele nem sempre saltasse em direcção a um homem de uniforme na rua, ele continuava a detestá-los.


Benal então contactou um outro treinador que trocou a lata das moedas por pedaços de galinha. Quando os homens de uniforme se aproximavam, o treinador disse a Benal para distrair o cão com um pedaço de galinha. E funcionava. Após várias sessões, o cão começou a olhar para ela expectante ao invés de olhar para os homens de uniforme. “Durante o último ano da sua vida, Mugsy era um anjo”, diz Benal, “a mudança era incrível”.

Millan diz que usar comida para treinar cães é pouco prático: “Pode resultar num cão viciado em comida ou num cão gordo” ele diz num email. No entanto, o professsor Dodman da Universidade de Tufts diz que os treinadores apenas usam comida no início do treino. Após o início do treino o reforço deverá ser intermitente. “ Se cada vez que você jogasse a lotaria lhe saísse dinheiro, a expectativa desapareceria”, diz Dodman, “a excitação para o cão é, será que é desta que irei ter uma recompensa? . Dores nas costas de se agachar para dar pedaçinhos de comida ao cão, ou o gasto extra em pedaços de galinha ou guloseimas para o cão, são, segundo Dodman, muito menos pesados do que a ansiedade e relacionamento deterioriados resultantes do uso da alternativa, que são os métodos punitivos.

Dodman também tem factos que o apoiam nestas afirmações. Em Fevereiro de 2004, foi publicado um estudo na revista Animal Wellfare por Elly Hilby e os seus colegas da universidade de Bristol, que comparava pela primeira vez a eficácia no uso de métodos positivos vs métodos punitivos. Os resultados indicaram que os cães eram mais obedientes quando treinados com recompensas. Quando, por outro lado, eram punidos, a única diferença residia no número de comportamento inadequados que os cãe apresentavam.


Uma série de estudos mais recentes também apoiam a teoria de Dodmann e os resultados de Hilby. Um outro estudo publicado em 2008 no Journal of Veterinary Behaviour determinou que o uso de reforço positivo correspondia ao menor número de respostas relacionadas com medo e com comportamentos de procura de atenção, enquanto que comportamentos agressivos eram signficativamente maiores nos cães dos donos que usavam punições. Outro estudo de 2008, este publicado no Applied Animal Behaviour Science, mostra que o uso de métodos positivos obtém melhores performances nos cães do que aqueles treinados com métodos punitivos, por treinadores da escola militar Belga.

AS DIFERENÇAS

É difícil imaginar que os mais lentos e pacientes métodos positivos obtivessem o mesmo tipo de dramatismo visto nos shows de Cesar Millan. Existe uma diferença enorme entre ver um comportamento como um “Pára isso” versus um “Isto é o que eu quero”, diz Bruce Blumberg, um professor de ”psicologia canina” na universidade de Harvard. “Reforço positivo é todo um estado mental diferente. E um que não resulta muito bem para programas televisivos de entretenimento”.

Dodman é um de muitos que pediram à National Geographic para descontinuarem o programa “ O Encantador de Cães”, um dos programas televisivos nacionais com maior audiência a nível nacional. A
American Humane Association publicou uma declaração pública em 2006 pedindo o cancelamento do programa alegando o uso de técnicas consideradas abusivas por Millan. Mais recentemente, a American Veterinary Society of Animal Behaviour também publicou uma declaração pública declarando as suas preocupações “ com a crescente reemergência da teoria da dominância e o forçar de cães e outros animais à submissão como forma de prevenir e corrigir comportamentos”.

Millan defende os seus métodos, dizendo que “usa apenas a força necessária para corrigir ou prevenir um comportamento”.De acordo com o “reabilitador” de cães, ele consegue “ redireccionar o comportamento da sua matilha apenas com a sua linguagem corporal, contacto visual e energia”. Ele fala das milhares e milhares de cartas que recebe de pessoas que falam no milagre de cães reabilitados e “salvos”. O que eu quero é apenas o melhor para o cão, diz Millan.

Apesar da controvérsia existem muitos pontos com os quais todos concordam. Ambos espectros de treino concordam que a falta de disciplina ou estrutura não é indicada para um cão “bem comportado”. “Cães precisam de regras e limites, tal como nas relações humanas”, afirma Haggerty treinador com escola própria em Manhattan, que usa a teoria da dominância. “ Se os cães não souberem onde estão os limites ele criarão caos”.

Como os donos de cães projectam esses limites é importante. “Você tem que ser calmo e claro, tem que ser consistente e tem que se assegurar que vai encontro às necessidades do seu cão: exercício, brincadeira e contacto social”, diz Herron da Universidade do estado de Ohio.

Mas então o que deve fazer um dono, cujo ambiente estruturado e calmo mesmo assim cria um cão como o Jonbee? Deverá ser a trela e mão, ou a galinha e paciência que mudam este cão? A ciência defende a galinha e paciência. Mas seja lá qual fôr a estratégia que decidir usar todos concordam que o timing tem de ser perfeito. É muito dificil para um cão fazer a associação correcta seja com uma recompensa ou com um castigo quando o timing é incorrecto.

Claro, se fôr a uma aula na universidade de Harvard para o curso de comportamento canino, o professor Blumberg dir-lhe-á “ Se o se timing fôr mau e você estiver a usar métodos positivos, o pior que pode acontecer é ter um cão mais gordo”.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

De que me serve o clicker se o meu cão é agressivo?

" E se eu tenho um cão agressivo de que me serve o clicker?

Clicker? Para quê? Se o cão é agressivo não lhe vou atirar pedaços de comida!
"

Se é usado até com linces e tigres, deve ser suficiente para um cão, digo eu ... basta saber como!

E sim, ela usa um clicker e comida!!

terça-feira, 3 de março de 2009

Técnicas de modificação comportamental antiquadas pela AVSAB - American Veterinary Society for Animal Behaviour

COMO LIDAR COM RECOMENDAÇÕES DE COMPORTAMENTO ANTIQUADAS

por Dr. Sophia Yin, DVM,MS (Ciência Animal) – escrito para veterinários

Está você ou o seu pessoal a recomendar que clientes aprendam mais observando programas tais como “O Encantador de Cães”. Se sim, você poderá estar a prejudicá-los mais do que a ajudá-los.
O “Encantador de Cães” e outros programas de cães que se baseiam em castigos e teorias da dominância, têm alguns benefícios, diz Debra Horwitz, DVM, DACVB, presidente do Colégio Americano para Veterinários Comportamentalistas. “Estes programas mostram aos donos que outras pessoas também têm problemas com os seus cães e que não estão portanto sós. Os protagonistas dos shows também falam da necessidade de exercitar o seu cão e de lhe impôr regras, ambos são bons conselhos”.

Mas, Horwitz também diz que estes programas têm grandes falhas. “Estes treinadores usualmente atribuem problemas comportamentais a dominância, quando o comportamento do cão pode estar a ser exibido porque este está anseoso ou medroso”.
Uma permissa errada

Na realidade, treinadores que se baseiam na teoria da dominância falham redondamente em reconhecer que dominância implica o relacionamento entre dois indivíduos que se estabelece através da força, agressão e submissão, ao invés da prioridade de acesso aos recursos, tais como comida, local de descanso preferencial e companheiro para procriar. Nestes relacionamentos, uma posição mais alta na hierarquia só é conseguida quando um indivíduo decide deferir regularmente. Treinadores tendem a considerar dominância como uma característica individual de um animal e atribuem a maioria dos comportamentos, ao desejo do animal de obter um ranking maior.

Horwitz, que se encontra no quadro editorial do Fórum de veterinários explica que a atribuição de tal característica está errada. “Muitos comportamento nem se encaixam no paradigma das relações dominantes-submissas. Por exemplo, se um cão ladra a pessoas quando estas passam e se o dono grita ao cão para parar, o cão provavelmente não irá perceber que os gritos do dono significam que ele se cale. Ao invés disso, o cão pode estar a “pensar” que é o seu trabalho guardar o seu território”. Normalmente quer apenas dizer que o cão não foi ensinado a calar-se por comando.

Mas então, qual o problema de designarmos as motivações erradas para estes comportamentos? “O problema com a dominância” ela diz “ é que se os donos dos cães, pensam que todos os comportamentos errados que o cão exibe são causados porque o cão os está a tentar controlar, na vez de se aperceberem que muitos dos problemas comportamentais graves são causados por medo e ansiedade, os donos podem sentir que têm que controlar o cão o tempo todo, na vez de o ensiná-lo uma resposta mais apropriada”.

Um exemplo dos pobres e fracos resultados obtidos através do uso de castigos é quando um cão ladra a crianças. Um cão que tem medo de crianças muitas vezes é um que aprendeu que a melhor defesa é o ataque. Poderá ladrar, rosnar ou até atirar-se a crianças que se aproximem de forma a mantê-las longe. Ao invés de ir ao cerne da questão, o medo, os treinadores que se baseiam na força ou no paradigma da dominância ensinarão os donos a usarem correcções verbais, coleiras estranguladoras ou de bicos para parar o ladrar. Usualmente, o problema fica pior.

Disfarçando o problema
John Ciribassi, Presidente da Sociedade Veterinária Americana de Comportamento Animal (AVSAB) explica como o castigo pode eventualmente deteriorar ou piorar um já comportamento problemático de um cão. “O senão de se usarem castigos é que tudo aquilo que o dono do cão está a conseguir é suprimir o comportamento temporariamente sem modificar a verdadeira causa do comportamento”. No caso do cão que ladra, técnicas baseadas no castigo, poderão suprimir o ladrar mas falha em resolver a questão do cão que tem medo.

Para além disso, Ciribassi diz “ O cão pode ainda associar o castigo com a criança, aumentado a probabilidade do cão se tornar ainda mais agressivo com crianças no futuro”. Esta combinação de disfarçar a expressão exterior do medo enquanto expondo o cão ao estímulo que lhe causa o medo – as crianças – pode levar a uma situação na qual um cão eventualmente ataca sem aviso”.
De acordo com Ciribassi, mesmo quando o medo não está involvido o castigo pode ter efeitos adversos “O castigo interfere com a relacionamento e laço que existe entre dono e o animal. Um problema pode surgir quando um cão deixa de confiar no dono porque é incapaz de antecipar o que o dono irá fazer em determinadas situações”. Isto ocorre, quando donos castigam inconsistentemente. Por vezes os donos reforçam o cão pelo mesmo comportamento pelo qual o castigam outras vezes. Pior que isso, porque o castigo, é muitas vezes consequência da ira do dono, este pode surgir apenas após o comportamento ter ocorrido na vez de enquanto o cão o está a exibir. O castigo também pode ser intenso demais ou prolongar-se por demasiado tempo.
Podemos pensar que estes efeitos adversos são raros, mas são suficientemente comuns e suficientemente detrimentais que as condutas da AVSAB acerca do “Uso do castigo para lidar com problemas comportamentais” dá enfâse ao facto que “ veterinários especializados em comportamento não deverão usar o castigo como solução no tratamento de problemas comportamentais. Consequentemente, a AVSAB recomenda que todos os veterinários (mesmo os não especiliazados) sigam esta recomendação”.
Por outro lado, Horwitz e Ciribassi e a AVSAB dizem que o castigo nãod everá ser banido. Ao invés eles colocam enfâse no facto de que o maior problema com o castigo é que apenas diz ao animal o que não deve fazer e falha em direccionar o animal para comportamentos mais apropriados.
Howitz e Ciribassi dizem que modificação comportamental deverá focar-se no reforço positivo de comportamentos desejáveis, removendo o reforço para comportamentos indesejáveis e focando-se nos factores emocionais e ambientais que originam o comportamento problemático. Esta aproximação fornece uma melhor entendimento do comportamento do animal.
Mais ainda, as condutas da AVSAB recomendam que o castigo deverá ser supervisionado apenas por indivíduos que conseguem entender todos os efeitos e consequências que o castigo pode originar, de forma a que o dono do cão possa observar se estes efeitos ocorrem ao longo de um curto ou longo período de tempo, e lhes possa explicar como pode reverter esses mesmo efeitos, caso eles surjam.

A Dr. Yin tem um website http://www.behavior4veterinarians.com

sábado, 10 de janeiro de 2009

Entrevista com Cesar Millan

Esta entrevista foi feita na rádio, nos EUA, num programa chamado Pet Central conduzido por Steve Dale (biografia de Steve no final do artigo), tem a duração de48 minutos aproximadamente à qual vou deixar um link e está toda em inglês.

Infelizmente não tenho disponibilidade para traduzir a entrevista toda, mas gostaria de citar algumas da respostas dadas por Cesar Millan às questões colocadas e tecer alguns comentários. Podem ouvir a totalidade da entrevista no link

http://wgnradio.com/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=150&Itemid=265

é logo o primeiro link basta clicar no nome do Cesar Millan com o botão direito do rato e fazer “save as” e fazer o download em mp3 da entrevista.

O facto de que Cesar Millan usa métodos antiquados, que cairam em desuso pela grande maioria dos treinadores a nível mundial e que podem prejudicar, mais do que ajudar donos de cãs, não é segredo nem para a maioria das pessoas, nem para ele mesmo, que coloca anúncios enormes nos seus programas a pedir às pessoas para NÃO TENTAREM aquilo em casa.

E realmente se gostam dos vossos cães, se prezam o vosso relacionamento e se têm um problema que precisa de ser resolvido, não tentem imitar o Cesar Millan, como ele próprio diz,

”os meus programas não são para ensinar as pessoas em como lidar com os seus cães”.Se tem um problema com o seu cão, contrate um profissional.” - É de longe o melhor conselho que Cesar Millan vos poderá alguma vez dar.

Cesar Millan é sem dúvida um dos melhores entretainers que existe na televisão americana e quiça internacional. Toda a gente gosta de uma história de sucesso! O mexicano que veio para os estados unidos á procura do sonho americano e que o encontrou no mundo dos cães. Toda a gente adora o dramatismo, as música sensacionalistas, os relatos mediáticos e os aparentes finais felizes que caracterizam todos os programas do CM.

Este produto, Cesar Millan entrega sem qualquer sombra de dúvida. Ele é um homem bem parecido, bem falante, bom comunicador, e com quem facilmente nos conseguimos identificar. É nitidamente calmo e nunca parece perder a postura e isto é algo extremamente apetecível quando lidamos com algo tão emotivo como termos o nosso próprio cão exibindo um problema de agressão Não haja dúvida que ele é um conquistador de grandes massas.

Para além disso Cesar dá óptimos conselhos aos donos de cães. Façam exercício com eles, não os prendam a correntes ou deixem-nos fechados em quintais o dia todo. Interajam com os vossos cães, deixem que eles façam parte da vossa família, etc.. Muitos destes conselhos são excelentes, embora à priori sejam apenas senso comum.

Não obstante, considerar o Cesar Millan um bom treinador de cães já não é realista. Ele próprio não se considera um treinador e admite saber pouco ou nada de treino canino. O que ele admite é ter um método criado por ele, que é tão vago que nem ele próprio consegue explicar. No entanto, milhares de pessoas, “bebem” o seu programa sem questionar absolutamente nada do que ele faz.

Quem acredita que Cesar é um bom treinador infelizmente deixou-se iludir pela formula mágica apresentada no quadrado (tv). No entanto existirão sempre pessoas que são atraídas pelo mediatismo e o sucesso de outras. Estas são as mesmas pessoas que vão seguir o Cesar, não porque ele é bom treinador, conhecedor, instruído e na realidade nada tem haver com os cães, mas sim porque ele é famoso e aparece na televisão. Isso basta, mas bastará para os nossos cães?

As pessoas têm o direito de se deixarem “encantar” por quem quiserem, mas são os seus cães, que inadvertidamente acabarão por sofrer as consequências dessa ilusão, quando estas pessoas, mesmo contra todos os avisos, tentarem as técnicas dele em casa. Porque afinal de contas, e como muitos dizem, os anúncios são apenas para as pessoas que não entendem e que não sabem o que fazem, ou que têm poucas capacidades de “liderança” o que obviamente não abrange ninguém que visiona os seus programas (quem é que voluntariamente se inclui nesse grupo?). Praticamente toda a gente diz gostar de Cesar Millan, afirma que tentou as suas técnicas, que vai contra aquilo que ele pede aos seus fãs.

Na entrevista, Steve Dale, coloca questões como:

SD: “Quando entra em casa de alguém, você consegue dizer qual o estado do cão imediatamente? E se sim, como?”

CM: “...se o cão vem ter comigo e cheira-me, partilhando comigo uma postura com cabeça baixa e orelhas para trás, rabo entre as pernas a abanar gentilmente, isso para mim é a imagem de um cão em estado calmo submisso. Agora se eu não sei como esse cão está, eu chamo o meu cão -Daddy, para que ele venha e me ajude a dizer, se este cão está medroso, tenso, o que seja...:”

Comentário: Para além do pobre conhecimento de linguagem canina (sobre linguagem canina pesquisar: Turid Rugraas - http://www.canis.no/rugaas/ - e Jean Donaldson - http://www.youtube.com/watch?v=0VmWizZueFQ&feature=related ) o Cesar explica como pergunta ao seu cão Daddy em que estado estão os outros cães! Cesar Millan afirma cabalmente ter um poder que ninguém tem! “Falar” com o seu cão, não só falar ele pergunta-lhe como o outro cão está e obtem uma resposta. Ele fala com os cães!?!?
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SD: “Imagine que está a caminhar com o seu cão pela rua e na direcção oposta a si vem uma pessoa com outro cão. O seu cão sabe que quem vem lá é uma pessoa com um cão? Que são diferentes um do outro? Acho que o que quero perguntar (e o que eu não entendo) é essa mentalidade de matilha da qual você fala e que nós nos fazemos parte dela ....será que os cães sabem que nós não somos cães?

CM:”Sim, os cães sabem que não somos cães...mas alguns cães controlam as vidas das pessoas.... Algumas pessoas não deixam ninguém entrar em casa delas, porque o cão pode morder. Para mim e na minha linguagem, nesse cenário o cão é líder e as pessoas são as seguidoras..”

SD: “Mas e se esse cão quiser morder porque tem medo ou porque teve uma pobre socialização? Acha que se o dono disser – Eu vou ser o líder e tomar controlo da situação! – vai ajudar nalguma coisa?”

CM:Não....As pessoas precisam entender que é necessário o conhecimento dealguém, por isso digo contratem um profissional, porque nem tudo o que resulta para uma pessoa resulta para si. As pessoas não devem fazer nada que não estejam 100% certas, não é porque viu na televisão, ou leu num livro, que devem fazer. A melhor forma que tenho de dizer isto é, consultem um profissional.”

Comentário: Como já indiquei acima, o próprio CM parece confuso em relação aquilo que ele próprio diz. Em todos os seus programas, ele afirma que somos membros da matilha, que temos que nos assertivar como dominantes sobre um cão e que para fazer isso temos que implantar as suas tácticas, nomeadamente pôr a mão em forma de “garra” e fingir que a nossa mão são os dentes de outro cão a morder, ou rolarmos o nosso cão no chão à força enquanto este nos tentar morder, porque outros cães fazem isto (isto é mentira, nenhum cão faz isto, artigos neste blogue explicam mais detalhadamente). No entanto ele afirma que não somos cães e que os cães sabem isso. Também afirma que as pessoas não devem fazer nada do que ele faz, mas devem contactar um profissional, mas ele não é supostamente um treinador profissional de cães? E de que serve um programa de treino de cães, que constantemente aconselha a que ninguém fala aquilo, incluindo o próprio protagonista?
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SD: “Cesar antes de prosseguirmos, pergunto quem é que o Cesar lê? Não pergunto romances, mas sim livros relacionados com cães. De quem é o Cesar Millan fã?”

CM: Leon F. Whitney (autor em 1972 do livro “As Bases da psicologia canina”)...

SD: “E alguém que seja mais contemporâneo?”

CM: “AH! Todos os livros que são publicados, é bom mantermos uma mente aberta, estar num estado submisso e aprender com toda a gente...”

SD: ”Então é fá de quem?”

CM: “Neste momento sou fã de....(longo silêncio e suspiro) Meu Deus....são tantos...”

Comentário: Se ler um livro de treino canino escrito no nosso século, por um treinador que se baseia em métodos validado na actualidade, vai verificar que todos eles referem bibliografia extensa.Treinadores acutais não se baseiam em si mesmos para ditar nada. A aprendizagem tem que vir de várias fontes para ser correcta, não podemos ter uma visão unitária de um assunto. Um treinador que apenas consegue nomear UM treinador no mundo todo, cujo livro no qual ele baseia todo o seu trabalho foi escrito antes de eu nascer, é no mínimo caricato. Cesar Millan afirma ler todos os livros que saem mas não consegue nomear um unico autor, na realidade ele apenas aprende consigo próprio.
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SD: ”Se o Cesar tivesse uma orca , como é que a treinaria?” outra questão colocada por um ouvinte através de e-mail.

CM: “Bem...certamente iria ao SeaWorld e aprenderia com eles, porque não conheço a psicologia das orcas... sei que comem peixe, mas é só isso que sei..”

Comentário: Karen Pryor a “criadora” do clicker, começou por ser treinadora de golfinhos no SeaWorld de onde ela adaptou o método positivo usado para treinar golfinhos, baleias, orcas, focas, etc e o adaptou aos cães. Os treinadores do SeaWorld usam nos seus animais os mesmos métodos que todos os treinadores positivos que contestam os métodos de CM usam diariamente com cães.
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SD: “Você escreve no seu livro, - se você se apresentar ao seu gato como líder você domina o gato e o cão dará espaço ao gato. Não separe o cão e o gato, o seu objectivo é criar uma matilha familiar...A minha questão é, se eu tentasse com o meu gato, ou qualquer gato, assertivar-me como líder como você aconselha, o meu gato iria perder toda a confiança em mim e ignorar-me provavelmente durante meses seguidos ou talvez para sempre. Gatos não percepcionam o mundo da mesma forma que os cães. Cesar você está a dizer no seu livro que nós devemos ser dominantes com os nossos gatos??”

CM: “Bom Steve, eu não percebo nada de gatos.”

SD: “... mas então o que é que você quer dizer com isto, é tirado do seu livro!”

CM: “Mas eu não percebo a psicologia dos gatos. O que o livro diz é... que num relacionamento entre um cão e um gato, quando é muito saudável, na maioria das vezes o gato está em controle da casa, ele domina a casa. Se ele quiser ir à cozinha, o cão sai da cozinha. Dominância você vê mais como um acto físico eu vejo mais como um acto mental,...se o toque físico é preciso então eu faço-o mas se não, eu prefiro fazê-lo com a minha mente, tal como o gato! Ele não está sempre a tocar no cão! Mas o gato estabelece as regras, limites e limitações a partir do momento que o cão entra em casa Mal o cão entra em casa o gato dá-lhe uma unhada e a partir daí é tudo mental. O gato toca no cão fisicamente não para o magoar, mas apenas para que ele saiba quem é que manda na casa e a quem é que aquele humano pertence.”

Comentário: Ele afirma não perceber nada de gatos mas dá conselhos às pessoas e analisa o que o gato está a fazer. “Ensina” que o líder da matilha deve ser o humano,mas remata com o facto de que as pessoas pertencem aos gatos e que estes mandam na casa?? O mais caricato desta afirmação é dizer que dominância para ele é um acto mental, no entanto, em todos os programas de Cesar vemos ele manejar fisicamente todos os cães, ou com as próprias mãos ou com a ajuda de uma trela.

Tenho uma pitbull que adoptei recentemente (menos de 1 mês) e dois gatos, um que está connosco há 6 meses, o Jaime extremamente confiante e seguro de si e outra adoptada e extremamente medrosa, a Sofia, e nenhum deles mandou unhadas na Safira nem a Safira tentou morder nenhum. Mantivemos os três separados enquanto pusemos em prática um plano de desensitização e contra condicionamento para apresentar a Safira aos meus gatos e vice-versa (http://www.youtube.com/watch?v=wnlfrRVMPOQ&feature=channel_page). Hoje em dia (menos de 1 mês) passeiam todos pela casa em harmonia e sem nunca terem tido conflitos.
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Um ouvinte coloca uma questão a CM:

Ouvinte: “Estou a olhar para o seu web site “Sessões com o Cesar”. E vejo aqui que você propõe resolver problemas tais como ansiedade, agressão, medo, etc... e tem todos estes materiais de curso. Claro eu tendo uma graduação em Etologia e sendo um etólogo, a minha questão é: como é que você vai explicar a estas pessoas como podem encontrar a função, como é que elas vão estabelecer a chave para a motivação,estabelecerem o estímulo e entenderem o comportamento e as suas consequências para solucionarem este tipo de problemas comportamentais?”

CM: “As pessoas têm que ter 100% de certeza que estes cursos as vão ajudar. Só assim é que os cursos as vão ajudar....”

Comentário: Durante esta entrevista duas ouvintes colocaram uma questão pedindo conselhos práticos. Cesar não deu nenhuma dica válida que as ajudasse dizendo que sem ver o cão e sem estar lá não poderia ajudar. No entanto ele vende na internet cursos pré-feitos para resolver problemas comportamentais tão graves como agressão. Cursos pré-feitos que são válidos para todos os cães, isto é, todos os cães com medo vão ter o mesma solução, todos os cães agressivos têm a mesma solução, etc.. etc.. Para além disso a validad e sucesso desses cursos não depende dele, nem dos conselhos que ele dá mas sim do facto da pessoa acreditar que o curso ajuda (não se esqueça de pagar primeiro!). Já imaginou ir ao veterinário e este dizer que o tratamento que ele dá ao seu cão só irá resultar se você acreditar que ele pode resultar, doutra forma, se você não tem a certeza não o faça.
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Esta entrevista mostra a natureza de um homem que é um verdadeiro entretainer. O que Steve Dale nos proporcionou foi a oportunidade de colocar questões importantes e directas e avaliarmos por nós mesmos as repostas que CM dá. A incoerência, incapacidade de ser directo e em explicar aquilo que ele faz e a falta de conhecimento acerca de cães e do seu comportamento, está patente.

Convido-vos a não se deixarem influenciar por ninguém, nem por Cesar,nem por mim, nem pelo Steve, nem mesmo pelo etólogo ao telefone.

Ouçam vocês mesmos e usem o vosso sentido crítico para encontrarem as respostas. Não aceitem nada como universalmente correcto, questionem e procurem saber todas as versões.
Se tiverem um problema com o vosso cão, continuem fãs do Cesar, mas sigam o seu conselho desliguem a TV, não façam o que ele faz e contratem um profissional.

Quem é Steve Dale:

Steve Dale é um especialista certificado em comportamento canino e felino.
Escreve uma coluna semanal no jornal (Tribune Media Services), é editor da revista USA Weekend e correspondente especial na revista Cat Fancy, sendo locutor de dois programas de rádio nacional, Steve Dale’s Pet World e The Pet Minute assim como locutor do famoso programa na rádio WNG de Chicacago Pet Central.


Steve foi convidado no programa da Opra Winfrey, na National Geographic Explore, na Fox News e vários programas no Animal Planet. Já apresentou vários programas de animais na televisão e rádio nacional.

É um convidado regular em conferências veterinárias e humanas e é frequentemente citado em publicações tais como USA Today, Los Angeles Times e Redbook.
Steve é editor da revista PawPrints uma revista para veterinários. Ele pertence ao quadro de directores de várias associações de renome incluindo a Associação Americana Humana que protege os direitos dos animais e das crianças contra a crueldade
(http://www.americanhumane.org/). Escreveu livros que incluem American Zoos e DogGone Chicago.

Os vários prémios recebidos por Steve incluem o distinto prémio por feitos humanitários da AVMA – Associação Médica Veterinária Americana (http://www.avma.org/).

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Chamaram-me Safira

A Safira é o novo membro da nossa família cá em casa, que não pára de crescer. A Safira tem uma história especial e fantástica e é uma cadela única. Por isso fizemos um blog só para ela, e tencionamos seguir o dia a dia dela, e a forma com tencionamos treiná-la para cão de assistência.

O link para o blog é:

http://chamaram-mesafira.blogspot.com

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Thorndike - Puzzle box

A caixa de Thorndike, as suas experiências com gatos e como ele chegou á "Lei do Efeito", na qual as consequências de um comportamento ditam a frequência do mesmo.

Está em inglês: