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sábado, 4 de julho de 2009

OS VERDADEIROS DOG WHISPERERS


OS VERDADEIROS DOG WHISPERERS – texto escrito por Denise Luckacs treinadora especialista em comportamento canino EUA, traduzido por Cláudia Estanislau

Os treinadores que são os verdadeiros símbolos do uso de técnicas de reforço positivo usam SEMPRE os métodos e técnicas mais gentis para ensinar os cães. Nós somos mais do que apenas alguém que “teve cães a vida toda” e simplesmente “apanharam” algumas técnicas pelo caminho. Treinadores e comportamentalistas positivos têm centenas de horas de estudos profissionais em psicologia e comportamento animal. Nós estudamos como os humanos processam os seus pensamentos, como os cães processam os seus pensamentos e porquê é que são diferentes. Nós sabemos que o melhor ambiente para aprendizagem é aquele que não envolve medo porque o cérebro absorve informação mais rapidamente e com mais precisão quando não existe medo no processo de aprendizagem. Nós sabemos que existe uma diferença entre liderança e tentar ser o “alpha” – porque compreendemos que não somos cães, mas somos uma espécie completamente diferente, e que não podemos efectuar os mesmos comportamentos que um cão efectua eficazmente….e que, na melhor das hipóteses, apenas podemos superficialmente imitar as suas acções - mas nunca poderemos construir comunicações caninas verdadeiramente idênticas. Não podemos porque somos espécies diferentes com especificidades biológicas diferentes e como tal as nossas tentativas são no melhor artificiais. Não sabemos ladrar, não sabemos rosnar, não nos pegamos uns aos outros pelos cachaços, nem nos atiramos uns aos outros ao chão para comunicarmos poder – a menos que queiramos provocar uma luta.

Sabemos que ferramentas usadas para intimidar resultam num estado chamado “learned helplessness” e que este estado emocional não é o mesmo que uma verdadeira modificação comportamental efectuada com conhecimento adequado. Percebemos o conceito de escolha e como ajudar um animal a escolher com inteligência o caminho que queremos sem medo de ter um castigo atirado na sua direcção. Não usamos estranguladoras, coleiras de choque, coleiras de bicos, garrafas que esguicham água, sacos com moedas, jornais, joelhadas, beliscões, enforcamentos, esticões, bater, gritar, atirar, torcer, ladrar, rosnar, sons estranhos como “tsss”, abanar cachaços ou alpha rollovers.

Nós sabemos que é importante não usar estes técnicas porque sabemos que elas têm o potencial de fisicamente magoar o cão assim como influenciar o nosso sucesso. Sabemos que misturar o castigo ou a intimidação com recompensas, resulta num cão confuso, que recai no estado de “helplessness”, e não num cão que aprendeu qual o comportamento que queremos e que o escolhe voluntariamente. Se um treinador vos disser que usa métodos positivos e depois usar uma das técnicas ou ferramentas descritas acima, não é definitivamente um treinador que usa métodos positivos.

Os treinadores verdadeiramente positivos, têm sido chamados de “treinadores com salsichas”, “treinadores com comida”, “treinadores que põem salsichas nos narizes dos cães” e “treinadores softs” – não para serem levados a sério. No entanto, somos os treinadores que sabem como ensinar um golfinho a detectar uma bomba…ou uma baleia assassina a saltar por um anel de fogo…ou um rato a encontrar uma mina terrestre…ou um poodle a detectar cancro….ou um Golden Retriever que detecta epilepsia…ou um labrador que ligas as luzes quando você não consegue lá chegar…ou um papillon a telefonar para o 112 quando você precisar de assistência…ou um Collie a calmamente ouvir enquanto uma criança com dislexia lê para o cão…ou um Maine Coon a fazer um percurso de agility…ou a ensinar uma abelha a detectar explosivos.

Por favor considere isto: um golfinho ou baleia assassina não irão tolerar uma estranguladora nem irão aceitar a força, medo ou intimidação como técnicas de treino, sem uma reposta agressiva para com o treinador. Se nós conseguimos treinar estes animais com reforço positivo sem estranguladoras, correcções ou coleiras de choque – porque pensamos que estas são necessárias ou apropriadas para usarmos nos cães?
Não são necessárias, porque existem alternativas superiores, mais avançadas que respeitam o bem-estar do animal. Não existe hoje em dia nenhum motivo que justifique o uso de uma ferramenta ou técnica que incite o medo, força ou intimidação no animal. Trabalhe com um treinador que estudou comportamento animal e eles podem-lhe ensinar como você pode treinar o seu cão com a sua inteligência e não com a sua força.

Os verdadeiros treinadores que usam reforço positivo, são os treinadores que usam métodos que são muito idênticos aqueles usados com crianças, usando motivação e recompensas que podem incluir incentivo, brinquedos, brincadeira ou mesmo comida. Nós somos os treinadores que usam marcadores verbais e clickers. Os verdadeiros treinadores que usam reforço positivo, ensinam usando os instintos naturais dos cães e não têm necessidade de constantemente ter um cão numa estranguladora ou administrar choques eléctricos ao mesmo, até que este faça o que queremos. Somos os treinadores que melhor entendem o temperamento do seu cão e que o ensinam sem gerar medo, medo de si, numa tentativa de lhe dar poder. Mas antes, o ensinam a estabelecer uma equipa com o seu cão, para criar nele um desejo natural de fazer tudo o que você quer. Somos os treinadores que conseguem ensinar o seu cão desde os comportamentos mais básicos ao mais complexos, desportos e trabalho policial e de guarda.

Nós somos os verdadeiros “dog whisperers” – encantadores de cães.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Especialistas concordam que "DOG WHISPERING" resulta em cães mais agressivos


Cada vez mais as diferentes entidades chegam à mesma conclusão. Cada vez mais caminhamos para o término do trato dos animais com ignorância e cofinanciado por empresas multimilionárias que pretendem apenas fazer dinheiro!

A notícia vai mesmo em inglês e podem lê-la na totalidade aqui


Halifax, Nova Scotia (PRWEB) May 15, 2009 -- As Dog Bite Prevention week is recognized across the United States, one of the contributing factors to this seeming epidemic may require Americans turn off their TVs.

According to the Centers for Disease Control and Prevention, close to five million Americans are bitten by dogs annually with approximately 1,000 people requiring emergency medical attention every day. A key factor in aggressive dog behavior is the way they are trained. Experts agree the dominance-based techniques often used on popular programs increase the risk of aggression and dog bites.

sexta-feira, 13 de março de 2009

DogTown versus Dog Whisperer

Existe um novo programa de TV cortesia da National Geographic, a mesma estação que transmite o Dog Whisperer “O encantador de cães”.
É chamado DogTown, e baseia-se em cães que foram salvos de situações que vão desde tristes a horríficas. Os cães são trazidos para o santurário da Best Friends no Utah, onde são reabilitados fisica e comportamentalmente por uma equipa de treinadores.

O primeiro episódio de DogTown focou-se em 22 pit bulls confiscados do caso Michael Vick. A maioria deles tinham sido usados em lutas, e alguns tinham sido usados como cães isco. Por entre os novos episódios de Dog Town, a National Geohraphic transmitiu um novo episódio do Encantador de Cães entitulado “Dueling Pit Bulls” ou Pit Bulls à luta. A diferença entre os dois programas na forma como procediam à modificação comportamental dos animais era evidente.

A maioria dos cães em DogTown não tinham qualquer socialização com pessoas, e alguns nunca sequer tinham sido passeados numa trela. Muitos eram agressivos com outros cães, claro, e alguns mostravam comportamentos agressivos a pessoas. Os treinadores no DogTown explicaram que o comportamento aparentemente agressivo era na realidade um baseado no medo, fruto da falta de socialização. Eles nunca corrigiam os cães fisicamente, mas ensinavam os cães que podiam confiar nas pessoas.

O caso do Encantador de Cães involvia duas Pit Bull fêmeas, mais ou menos da mesma idqade, que estavam a começar a lutar em casa. O casal donos das cadelas, já as tinham juntas há algum tempo sem incidentedes. Após terem encontrado um homem no parque, que tinha Rottweilers bem comportados, eles decidiram mandar os seus cães com esse homem que era treinador. Três semanas mais tarde, os vães voltaram com feridas que haviam infligido uma à outra. Depois disso, as cadelas começaram a lutar em casa. Os donos conseguiram lidar com a situação com sucesso mantendo-as separadas, mas estava a colocar todos em stress e no relacionamento de ambos. Entra Cesar. De acordo com os donos, o pit bull chamado Sandi não tinha problemas com outros cães. Trinity, por outro lado, não só atacava a Sandi, mas era também agressiva com outros cães na rua. Foi mencionado que a provocadora de algumas das lutas teria sido a Sandi, que fixava o olhar na Trinity e mostrava linguagem corporal confrontacional. Cesar não hesitou em caracterizar a Trinity um cão “red zone”, ou cão zona vermelha (indicando um perigo muito alto).

De volta a DogTown os treinadores eram confrontados com a difícil tarefa de trabalhar com os cães que tinham sido especificamente usados para lutas e não tinham tido nenhuma socialização com pessoas. Muitos eram medrosos, outros eram agressivos . A aproximação aos problemas destes cães, foi a técnica chamada desensitização gradual. Para os cães que não eram sociáveis com pessoas, para começar, alguém simplesmente passava tempo no canil com o cão, a ler ou apenas sentado, não forçando nenhum tipo de interacção. Os cães progrediam ao seu próprio passo, levando o tempo que eles quisessem até se sentirem confortáveis, e eventualmente começavam a aproximar-se e a cheirar a pessoa, tornando-se gradualmente mais confiantes e arriscando mais na interacção com as pessoas. Com os cães que eram agressivos com outros cães, estes eram apresentados a um outro cão, um de cada vez, com todos os cuidados- As apresentações eram inicialmente feitas caminhando os dois cães lado a lado com trelas longas e quando os treinadores sentiam que era seguro, largavam as rtelas no chão. Os treinadores permaneciam calmos e davam encorajamento verbal de cada vez que os cães agiam de uma forma amigável um para o outro.

No programa do Encantador de Cães, com os donos presentes, foi colocada um mordaça na Trinity e esta foi levada para um canil enorme que continham o largo e “bem estabelecido pack” de cães do César. Este “pack” continha cães desde outros pit bulls, a cachorros e até chihuhuas. Imediatamente começamos a ouvir muitas rosnadelas dos dois lados da vedação antes da apresentação, mas quando se pensou que os cães estavam mais calmos, a Trinity foi levada para dentro do canil. Ela estava visivilmente nervosa, e em determinada altura, recebeu um correção na trela pelo que o que eu apenas posso assumir ter rosnado a outro cão (era difícil ouvir). Não houve quaisquer incidentes, e a Trinity foi lá deixada para treino.

Quando os donos vieram visitar, a Trinity estava à solta em sem mordaça com um número de cães à solta (ceerca de 10). Nenhum dos cães tinha coleiras ou trelas. Uma luta começou entre a Trinity e um outro Pit Bull, e outros cães, que também ficaram excitados, começaram a lutar. A Trinity e o outro Pit Bull prenderam-se um ao outro (no final disto os dois precisaram de 5 pontos cada). Algumas pessoas (que penso estivessem associados ao programa) entraram no canil. A dona da Trinity agarrou um chihuhuha pequeno que estava no canil de forma a protegê-lo. Após algum esforço, Cesar e um outro homem conseguiram que os Pit Bulls se largassem enquanto os donos olhavam horrificados (isto foi conseguido com Cesar e um outro homem a agarrarem um cão cada e a conselho do Cesar, “a esperarem”). De seguida o Cesar colocou-se imediatamente a ele, à Trinity e ao cão com quem ela tinha lutado num canil mais pequeno, para que os cães pudessem experienciar “recuperação” – estarem na companhia um do outro duma forma calma.

Em DogTown progresso era visível. O bonito, mas tímido pitbull preto de nome Cherry estava a fazer progressos fantásticos em criar laços com as pessoas. O cão anteriormente agressivo, estava enquanto preso a uma coleira para segurança, a ser apresentado a novas pessoas. Nem tudo era caudas a abanar e progresso. Dois dos cães foram apresentados enquanto estavam com trelas longas e começaram a lutar. Mas graças às trelas longas os treinadores, conseguiram rapidamente separá-los e depois calmamente separaram os cães. Eles decidiram deixar que os cães se acalmassem e tentarem noutro dia.

O Encantador de Cães informou os donos que o prognóstico da Trinity não era bom. Ele sugeriu que eles trocassem cães, ou sejam que eles deixassem a Trinity com ele e levassem um cão dele com eles. Claro esta sugestão não foi bem aceite, especialmente a dona que já tinha desenvolvido uma grande afeição por Trinity. Durante a discussão, onde todos estavam sentados na roloutte do Cesar, Trinity, o cão red zone que tinha sido identificado como muito perigoso que nem sequer podia ser trabalhada na sua própria casa, estava presente, sem mordaça, junto com um outro grande Pit Bull de nome “Daddy” que pertence ao Cesar. Os dois cães começaram a lutar (A Trinity estava a ter muitas oportunidades de praticar!). Imediatamente a seguir, quando alguém tentou tirar o Daddy da rouloutte o Cesar disse que não, que queria ambos juntos para -mais “recuperação”.

De volta a DogTown, dois dos Pit bulls que tinham tido problemas com outros cães continuavam a ter progressos. Após uma apresentação cuidadosa com trelas longas, e depois de um ou dois momentos mais tensos, eles acabaram a brincare. Os treinadores estavam felicíssimos. Aliás, muitos dos cães anterioramente não socializados estavam a ter progressos fantásticos, mas outros não. Eles continuariam a trabalhar com estes, devagar e com cuidado. A mensagem é que estes cães que tiveram um passado muito triste, conseguiam com amor, paciência um com gestão e técnicas graduais e cuidadas modificar o seu comportamento.

A mensagem do Cesar aos donos da Trinity e da Sandi foi de que eles não eram bons líderes (esta mensagem é passada a todos os donos em todos os episódios que eu vi). Eles simplesmente precisam de energia calma e assertiva, ele explicava, de forma a que os cães pudessem dar-se bem em casa. (a “energia” dos donos não podia ser assim tão má uma vez que as cadelas já tinham vivido juntas muito tempo sem incidentes antes de serem enviadas para aquele dito treinador). Cesar devolveu a Trinity a casa dela. Assim que foi tirá-la da mala do seu carro, ele mencionou que ela tinha estado a usar uma coleira de choques enquanto esteve com ele, e que seria mais uma coisa que os donos também deviam ter. Em casa, quando a dona perguntou ao Cesar se podiam deixar os cães juntos sem supervisão dentro de casa (uma vez que seria difícil tê-las debaixo do olho 24/7) o Cesar asssegurou-lhes que não haveria problema. Eles fizeram um update no final do programa a dizer que as cadela estavam a viver em casa sem problemas.

As diferenças entre estes dois programas eram óbvias, tanto na aproximação dada à forma como se modifica comportamento, como nas medidas de segurança tomadas quando lidando com estes cães. Claro, sendo televisão, existem edições e relatos em voz off e nós na realidade não sabemos a realidade em nenhum dos programas. Mas existem algumas observações.

1. Foi óptimo ouvir treinadores em ambos os programas dizer que os problemas mostrados não estavam relacionados com a raça mas sim com o cão individual em si.

2. Infelizmente, no Encantador de Cães, o público recebe muita má informação através dos comentários de Cesar aos donos. Por exemplo, ele diz-lhes que a Trinity ao levantar a pata da frente do chão quando os donos caminham é um sinal de que ela se está a tornar agressiva (ele diz que ela está a ser protectiva com os donos). Uma pata levantada pode de facto ser um sinal de apaziguamento ou ansieade, mas agressão? Não.

3. Em DogTown enquanto que não era perfeito (por exemplo não é aconselhável que uma pessoa se agache quando é apresentado a um cão que mostra sinais de agressão com pessoas) não apresenta os sinais de aviso ou cuidado apresentados ao público. Os métodos que eles usam não pedem esses avisos. No encantador de cães o programa está repleto de avisos de cuidado e não tentem isto em caso, porque os seus métodos são na realidade perigosos.

4. Colocar dois cães que estão excitados porque acabaram de lutar um com o outro, num espaço pequeno juntos é uma péssima ideia, e pode facilmente levar a mais lutas. Por favor não façam isto em casa!

5. Quanto á técnica de colocar um cão que é agressivo com outros, no meio de um “pack” de cães: se você levasse um adolescente que tinha tendências para ser agressivo com o seu irmão mais novo em casa, para o meio de um gang de miúdos da rua, como é que você acha que ele reagiria? O instinto de sobrevivência é fortíssimo quer em cães quer em humanos, e tal como os cães, a maioria dos humanos não faria absolutamente nada; Eles tentariam não sair magoados da situação. Você pode apostar que aquele adolescente não começaria uma luta. Então como é que um “pack” de cães resolve o problema que uma cadela tem em casa com outra com a qual vive? O tal adolescente que você colocou no meio do gang, acha que o facto dele não ter agido com violência nesse caso, quereria dizer que ele já não ia bater mais no irmão mais novo em casa? Duvido, e também não estou convencida, apesar do tal “follow-up” que aquelas duas cadelas viveram felizes para sempre. Teria sido bom explorar a linguagem corporal e sinais que a Sandi estava a dar e que começavam as lutas, e ensinar os donos a reconhecer esses mesmos sinais e evitar o início das lutas. É claro que isso apenas, não iria resolver o problema, mas seria um componente essencial. Claro, isso não teria feito um espectáculo de televisão cintilante.


6. Existe uma cena no Encantador de Cães no qual o casal está no jardim com as duas pitbulls. Os cães iniciam uma luta. O casal, que estava perto, imediatamente agarram as cadelas pelas patas de trás e tentam separá-las. Isto demora longos e horriveis segundos. A mulher está claramente em pânico, como qualquer outro pessoa ficaria. Eles conseguem separar os cães. Agora pensem, isto está a ser filmado! Não sera que eles provocaram aquela situação com o intuito de provocar uma luta? Eu não tenho certezas de nada, mas esta cena teria que ser filmada e incluída no programa para mostrar o problema. Como é que ambos os donos estavam precisamente perto dos cães e souberam agarrar nas patas traseiras dos cães, e porque é que quem é que estava a filmar não ajudou os donos que estavam obviamente aflitos? Claro, a cena tem um rating de audiências espectacular - é o sensacionalismo no seu melhor. Mas será ético colocar dois cães numa posição em que têm tendência para lutar, apenas para nosso entertenimento? Que ironia que este episódio foi “ensandwichado” entre episódios de um programa que reabilita cães de luta. E claro, tudo isto deu à Trinity apenas mais uma chance de praticar a sua agressão.


É óptimo que mais programas acerca de comportamento canino estão a chegar ao grande público- E quer seja o Encantador de Cães, o It’s Me or the Dog, estes certamente encorajaram mais pessas a exercitar os seus cães e a chamar treinadores para ajudarem. Mas com um espectro de audiências tão grande e com tanto potencial em influenciar a forma como as pessoas entendem comportamento canino, como abordá-lo e modificá-lo, apenas posso esperar que o programa DogTown seja aquele que dita a nova maré do que estará para vir.



sábado, 10 de janeiro de 2009

Entrevista com Cesar Millan

Esta entrevista foi feita na rádio, nos EUA, num programa chamado Pet Central conduzido por Steve Dale (biografia de Steve no final do artigo), tem a duração de48 minutos aproximadamente à qual vou deixar um link e está toda em inglês.

Infelizmente não tenho disponibilidade para traduzir a entrevista toda, mas gostaria de citar algumas da respostas dadas por Cesar Millan às questões colocadas e tecer alguns comentários. Podem ouvir a totalidade da entrevista no link

http://wgnradio.com/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=150&Itemid=265

é logo o primeiro link basta clicar no nome do Cesar Millan com o botão direito do rato e fazer “save as” e fazer o download em mp3 da entrevista.

O facto de que Cesar Millan usa métodos antiquados, que cairam em desuso pela grande maioria dos treinadores a nível mundial e que podem prejudicar, mais do que ajudar donos de cãs, não é segredo nem para a maioria das pessoas, nem para ele mesmo, que coloca anúncios enormes nos seus programas a pedir às pessoas para NÃO TENTAREM aquilo em casa.

E realmente se gostam dos vossos cães, se prezam o vosso relacionamento e se têm um problema que precisa de ser resolvido, não tentem imitar o Cesar Millan, como ele próprio diz,

”os meus programas não são para ensinar as pessoas em como lidar com os seus cães”.Se tem um problema com o seu cão, contrate um profissional.” - É de longe o melhor conselho que Cesar Millan vos poderá alguma vez dar.

Cesar Millan é sem dúvida um dos melhores entretainers que existe na televisão americana e quiça internacional. Toda a gente gosta de uma história de sucesso! O mexicano que veio para os estados unidos á procura do sonho americano e que o encontrou no mundo dos cães. Toda a gente adora o dramatismo, as música sensacionalistas, os relatos mediáticos e os aparentes finais felizes que caracterizam todos os programas do CM.

Este produto, Cesar Millan entrega sem qualquer sombra de dúvida. Ele é um homem bem parecido, bem falante, bom comunicador, e com quem facilmente nos conseguimos identificar. É nitidamente calmo e nunca parece perder a postura e isto é algo extremamente apetecível quando lidamos com algo tão emotivo como termos o nosso próprio cão exibindo um problema de agressão Não haja dúvida que ele é um conquistador de grandes massas.

Para além disso Cesar dá óptimos conselhos aos donos de cães. Façam exercício com eles, não os prendam a correntes ou deixem-nos fechados em quintais o dia todo. Interajam com os vossos cães, deixem que eles façam parte da vossa família, etc.. Muitos destes conselhos são excelentes, embora à priori sejam apenas senso comum.

Não obstante, considerar o Cesar Millan um bom treinador de cães já não é realista. Ele próprio não se considera um treinador e admite saber pouco ou nada de treino canino. O que ele admite é ter um método criado por ele, que é tão vago que nem ele próprio consegue explicar. No entanto, milhares de pessoas, “bebem” o seu programa sem questionar absolutamente nada do que ele faz.

Quem acredita que Cesar é um bom treinador infelizmente deixou-se iludir pela formula mágica apresentada no quadrado (tv). No entanto existirão sempre pessoas que são atraídas pelo mediatismo e o sucesso de outras. Estas são as mesmas pessoas que vão seguir o Cesar, não porque ele é bom treinador, conhecedor, instruído e na realidade nada tem haver com os cães, mas sim porque ele é famoso e aparece na televisão. Isso basta, mas bastará para os nossos cães?

As pessoas têm o direito de se deixarem “encantar” por quem quiserem, mas são os seus cães, que inadvertidamente acabarão por sofrer as consequências dessa ilusão, quando estas pessoas, mesmo contra todos os avisos, tentarem as técnicas dele em casa. Porque afinal de contas, e como muitos dizem, os anúncios são apenas para as pessoas que não entendem e que não sabem o que fazem, ou que têm poucas capacidades de “liderança” o que obviamente não abrange ninguém que visiona os seus programas (quem é que voluntariamente se inclui nesse grupo?). Praticamente toda a gente diz gostar de Cesar Millan, afirma que tentou as suas técnicas, que vai contra aquilo que ele pede aos seus fãs.

Na entrevista, Steve Dale, coloca questões como:

SD: “Quando entra em casa de alguém, você consegue dizer qual o estado do cão imediatamente? E se sim, como?”

CM: “...se o cão vem ter comigo e cheira-me, partilhando comigo uma postura com cabeça baixa e orelhas para trás, rabo entre as pernas a abanar gentilmente, isso para mim é a imagem de um cão em estado calmo submisso. Agora se eu não sei como esse cão está, eu chamo o meu cão -Daddy, para que ele venha e me ajude a dizer, se este cão está medroso, tenso, o que seja...:”

Comentário: Para além do pobre conhecimento de linguagem canina (sobre linguagem canina pesquisar: Turid Rugraas - http://www.canis.no/rugaas/ - e Jean Donaldson - http://www.youtube.com/watch?v=0VmWizZueFQ&feature=related ) o Cesar explica como pergunta ao seu cão Daddy em que estado estão os outros cães! Cesar Millan afirma cabalmente ter um poder que ninguém tem! “Falar” com o seu cão, não só falar ele pergunta-lhe como o outro cão está e obtem uma resposta. Ele fala com os cães!?!?
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SD: “Imagine que está a caminhar com o seu cão pela rua e na direcção oposta a si vem uma pessoa com outro cão. O seu cão sabe que quem vem lá é uma pessoa com um cão? Que são diferentes um do outro? Acho que o que quero perguntar (e o que eu não entendo) é essa mentalidade de matilha da qual você fala e que nós nos fazemos parte dela ....será que os cães sabem que nós não somos cães?

CM:”Sim, os cães sabem que não somos cães...mas alguns cães controlam as vidas das pessoas.... Algumas pessoas não deixam ninguém entrar em casa delas, porque o cão pode morder. Para mim e na minha linguagem, nesse cenário o cão é líder e as pessoas são as seguidoras..”

SD: “Mas e se esse cão quiser morder porque tem medo ou porque teve uma pobre socialização? Acha que se o dono disser – Eu vou ser o líder e tomar controlo da situação! – vai ajudar nalguma coisa?”

CM:Não....As pessoas precisam entender que é necessário o conhecimento dealguém, por isso digo contratem um profissional, porque nem tudo o que resulta para uma pessoa resulta para si. As pessoas não devem fazer nada que não estejam 100% certas, não é porque viu na televisão, ou leu num livro, que devem fazer. A melhor forma que tenho de dizer isto é, consultem um profissional.”

Comentário: Como já indiquei acima, o próprio CM parece confuso em relação aquilo que ele próprio diz. Em todos os seus programas, ele afirma que somos membros da matilha, que temos que nos assertivar como dominantes sobre um cão e que para fazer isso temos que implantar as suas tácticas, nomeadamente pôr a mão em forma de “garra” e fingir que a nossa mão são os dentes de outro cão a morder, ou rolarmos o nosso cão no chão à força enquanto este nos tentar morder, porque outros cães fazem isto (isto é mentira, nenhum cão faz isto, artigos neste blogue explicam mais detalhadamente). No entanto ele afirma que não somos cães e que os cães sabem isso. Também afirma que as pessoas não devem fazer nada do que ele faz, mas devem contactar um profissional, mas ele não é supostamente um treinador profissional de cães? E de que serve um programa de treino de cães, que constantemente aconselha a que ninguém fala aquilo, incluindo o próprio protagonista?
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SD: “Cesar antes de prosseguirmos, pergunto quem é que o Cesar lê? Não pergunto romances, mas sim livros relacionados com cães. De quem é o Cesar Millan fã?”

CM: Leon F. Whitney (autor em 1972 do livro “As Bases da psicologia canina”)...

SD: “E alguém que seja mais contemporâneo?”

CM: “AH! Todos os livros que são publicados, é bom mantermos uma mente aberta, estar num estado submisso e aprender com toda a gente...”

SD: ”Então é fá de quem?”

CM: “Neste momento sou fã de....(longo silêncio e suspiro) Meu Deus....são tantos...”

Comentário: Se ler um livro de treino canino escrito no nosso século, por um treinador que se baseia em métodos validado na actualidade, vai verificar que todos eles referem bibliografia extensa.Treinadores acutais não se baseiam em si mesmos para ditar nada. A aprendizagem tem que vir de várias fontes para ser correcta, não podemos ter uma visão unitária de um assunto. Um treinador que apenas consegue nomear UM treinador no mundo todo, cujo livro no qual ele baseia todo o seu trabalho foi escrito antes de eu nascer, é no mínimo caricato. Cesar Millan afirma ler todos os livros que saem mas não consegue nomear um unico autor, na realidade ele apenas aprende consigo próprio.
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SD: ”Se o Cesar tivesse uma orca , como é que a treinaria?” outra questão colocada por um ouvinte através de e-mail.

CM: “Bem...certamente iria ao SeaWorld e aprenderia com eles, porque não conheço a psicologia das orcas... sei que comem peixe, mas é só isso que sei..”

Comentário: Karen Pryor a “criadora” do clicker, começou por ser treinadora de golfinhos no SeaWorld de onde ela adaptou o método positivo usado para treinar golfinhos, baleias, orcas, focas, etc e o adaptou aos cães. Os treinadores do SeaWorld usam nos seus animais os mesmos métodos que todos os treinadores positivos que contestam os métodos de CM usam diariamente com cães.
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SD: “Você escreve no seu livro, - se você se apresentar ao seu gato como líder você domina o gato e o cão dará espaço ao gato. Não separe o cão e o gato, o seu objectivo é criar uma matilha familiar...A minha questão é, se eu tentasse com o meu gato, ou qualquer gato, assertivar-me como líder como você aconselha, o meu gato iria perder toda a confiança em mim e ignorar-me provavelmente durante meses seguidos ou talvez para sempre. Gatos não percepcionam o mundo da mesma forma que os cães. Cesar você está a dizer no seu livro que nós devemos ser dominantes com os nossos gatos??”

CM: “Bom Steve, eu não percebo nada de gatos.”

SD: “... mas então o que é que você quer dizer com isto, é tirado do seu livro!”

CM: “Mas eu não percebo a psicologia dos gatos. O que o livro diz é... que num relacionamento entre um cão e um gato, quando é muito saudável, na maioria das vezes o gato está em controle da casa, ele domina a casa. Se ele quiser ir à cozinha, o cão sai da cozinha. Dominância você vê mais como um acto físico eu vejo mais como um acto mental,...se o toque físico é preciso então eu faço-o mas se não, eu prefiro fazê-lo com a minha mente, tal como o gato! Ele não está sempre a tocar no cão! Mas o gato estabelece as regras, limites e limitações a partir do momento que o cão entra em casa Mal o cão entra em casa o gato dá-lhe uma unhada e a partir daí é tudo mental. O gato toca no cão fisicamente não para o magoar, mas apenas para que ele saiba quem é que manda na casa e a quem é que aquele humano pertence.”

Comentário: Ele afirma não perceber nada de gatos mas dá conselhos às pessoas e analisa o que o gato está a fazer. “Ensina” que o líder da matilha deve ser o humano,mas remata com o facto de que as pessoas pertencem aos gatos e que estes mandam na casa?? O mais caricato desta afirmação é dizer que dominância para ele é um acto mental, no entanto, em todos os programas de Cesar vemos ele manejar fisicamente todos os cães, ou com as próprias mãos ou com a ajuda de uma trela.

Tenho uma pitbull que adoptei recentemente (menos de 1 mês) e dois gatos, um que está connosco há 6 meses, o Jaime extremamente confiante e seguro de si e outra adoptada e extremamente medrosa, a Sofia, e nenhum deles mandou unhadas na Safira nem a Safira tentou morder nenhum. Mantivemos os três separados enquanto pusemos em prática um plano de desensitização e contra condicionamento para apresentar a Safira aos meus gatos e vice-versa (http://www.youtube.com/watch?v=wnlfrRVMPOQ&feature=channel_page). Hoje em dia (menos de 1 mês) passeiam todos pela casa em harmonia e sem nunca terem tido conflitos.
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Um ouvinte coloca uma questão a CM:

Ouvinte: “Estou a olhar para o seu web site “Sessões com o Cesar”. E vejo aqui que você propõe resolver problemas tais como ansiedade, agressão, medo, etc... e tem todos estes materiais de curso. Claro eu tendo uma graduação em Etologia e sendo um etólogo, a minha questão é: como é que você vai explicar a estas pessoas como podem encontrar a função, como é que elas vão estabelecer a chave para a motivação,estabelecerem o estímulo e entenderem o comportamento e as suas consequências para solucionarem este tipo de problemas comportamentais?”

CM: “As pessoas têm que ter 100% de certeza que estes cursos as vão ajudar. Só assim é que os cursos as vão ajudar....”

Comentário: Durante esta entrevista duas ouvintes colocaram uma questão pedindo conselhos práticos. Cesar não deu nenhuma dica válida que as ajudasse dizendo que sem ver o cão e sem estar lá não poderia ajudar. No entanto ele vende na internet cursos pré-feitos para resolver problemas comportamentais tão graves como agressão. Cursos pré-feitos que são válidos para todos os cães, isto é, todos os cães com medo vão ter o mesma solução, todos os cães agressivos têm a mesma solução, etc.. etc.. Para além disso a validad e sucesso desses cursos não depende dele, nem dos conselhos que ele dá mas sim do facto da pessoa acreditar que o curso ajuda (não se esqueça de pagar primeiro!). Já imaginou ir ao veterinário e este dizer que o tratamento que ele dá ao seu cão só irá resultar se você acreditar que ele pode resultar, doutra forma, se você não tem a certeza não o faça.
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Esta entrevista mostra a natureza de um homem que é um verdadeiro entretainer. O que Steve Dale nos proporcionou foi a oportunidade de colocar questões importantes e directas e avaliarmos por nós mesmos as repostas que CM dá. A incoerência, incapacidade de ser directo e em explicar aquilo que ele faz e a falta de conhecimento acerca de cães e do seu comportamento, está patente.

Convido-vos a não se deixarem influenciar por ninguém, nem por Cesar,nem por mim, nem pelo Steve, nem mesmo pelo etólogo ao telefone.

Ouçam vocês mesmos e usem o vosso sentido crítico para encontrarem as respostas. Não aceitem nada como universalmente correcto, questionem e procurem saber todas as versões.
Se tiverem um problema com o vosso cão, continuem fãs do Cesar, mas sigam o seu conselho desliguem a TV, não façam o que ele faz e contratem um profissional.

Quem é Steve Dale:

Steve Dale é um especialista certificado em comportamento canino e felino.
Escreve uma coluna semanal no jornal (Tribune Media Services), é editor da revista USA Weekend e correspondente especial na revista Cat Fancy, sendo locutor de dois programas de rádio nacional, Steve Dale’s Pet World e The Pet Minute assim como locutor do famoso programa na rádio WNG de Chicacago Pet Central.


Steve foi convidado no programa da Opra Winfrey, na National Geographic Explore, na Fox News e vários programas no Animal Planet. Já apresentou vários programas de animais na televisão e rádio nacional.

É um convidado regular em conferências veterinárias e humanas e é frequentemente citado em publicações tais como USA Today, Los Angeles Times e Redbook.
Steve é editor da revista PawPrints uma revista para veterinários. Ele pertence ao quadro de directores de várias associações de renome incluindo a Associação Americana Humana que protege os direitos dos animais e das crianças contra a crueldade
(http://www.americanhumane.org/). Escreveu livros que incluem American Zoos e DogGone Chicago.

Os vários prémios recebidos por Steve incluem o distinto prémio por feitos humanitários da AVMA – Associação Médica Veterinária Americana (http://www.avma.org/).

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Cesar Millan - Reabilita cães ou Suprime comportamentos??

Modificação comportamental é o processo de mudar as emoções do cão, através de gradualmente expôr o cão (desensitização) ao estímulo (outros cães, pessoas, carros, etc..) e ensinar comportamentos alternativos (contra condicionamento). Este processo mantém o cão abaixo do nível de reacção (normalmente referido como “threshold”) e gradualmente ensina o cão resposta de comportamento mais adequadas em situações de stress. Existe uma diferença entre suprimir um comportamento e modificar um comportamento.

Supressão é tipicamente feita através do uso da força e castigos e do “flooding”.
Supressão de um comportamento, consiste em colocar o cão numa situação extrema, de forma a que ele não tenha chance de escape, mas tenha que lidar com o problema, e o cão fá-lo através da supressão dos seus comportamentos, para evitar os castigos que este originam. Por exemplo, se o cão ladra para outro cão porque tem medo, e o treinador, estrangula o cão e usa a força para ele pare de ladrar, o cão poderá escolher parar de ladrar para evitar os castigos, mas será que perdeu dessa forma o medo?

Vou usar um exemplo humano, para ser mais simples entender o que é a supressão e o flooding:

Eu sofro de aracnofobia, e grito sempre que vejo uma. Segundo o Cesar Millan, a forma de solucionar o meu comportamento (gritar quando vejo aranhas) seria colocar-me num local com aranhas á minha volta e sempre que eu gritasse eu levava uma estalada, por exemplo. Ao fim de algum tempo, eu poderia escolher não gritar para evitar as estaladas, mas certamente este exercício não me resolveria o medo que tenho das aranhas, aliás segundo os princípios de aprendizagem e psicologia eu provavelmente passaria a ter mais medo das aranhas, porque as minhas reacções ao medo, podiam agora também provocar outros castigos (as estaladas). Assim sempre que eu visse uma aranha no futuro eu iria evitar gritar, para evitar o castigo, mas iria sentir medo na mesma.

Este exemplo acima é um típico da supressão de um comportamento e da técnica de flooding. Esta técnica é tida por cientistas por todo o mundo como cruel, cravejada de riscos e completamente desnecessária.

Um cão com um comportamento realmente modificado através de desensitização e contra condicionamento é ensinado a oferecer ao dono voluntariamente comportamentos alternativos, como olhar olhar para o dono, quando vê outro cão, o que permite ao dono reforçar esses mesmos comportamentos, na vez de constantemente castigar o cão pelos comportamentos indesejados, e permite modificar o estado emocional do cão, na vez de apenas suprimir respostas.

A força inclui castigos tais como correções verbais, esticões na trela, bater no cão com os dedos, ou com a perna. Também inclui atirar os cães para o chão e rola-los de costas, por exemplo. Enquanto que técnicas como estas podem suprimir os sintomas do problema comportamental (se não provocarem uma resposta agressiva – o que se vê repetidamente acontecer nos programas de Cesar), o uso da força muitas vezes torna o problema pior, uma vez que o cão forma a associação do problema com o estímulo (tal qual em cima o exemplo das aranhas e das estaladas).
Muitas vezes também ao fim de algum tempo a frequência e força do castigos terão que ser aumentados de forma a manter a supressão do comportamento em si.

Flooding é expor de uma forma prolongada e forçada alguém a algo desagradável ou que causa medo. Isto inclui puxar um cão com medo de água para dentro da piscina, ou colocar um cão com medo de outros cães, no meio de centenas de cães. Inclui também apresentar qualquer estímulo que cause medo no cão de forma forçada e exagerada (como ligar uma mota ao lado de um cão que tem pavor a motas).

Quando um cão é “flooded” (inundado) estes podem “desligar”/“desactivar” qualquer e todo o comportamento, dado o stress e pavor da situação. O Cesar Millan repetidamente usa esta técnica porque é a forma mais rápida de “fazer crer” que o problema está solucionado uma vez que o cão deixa de exibir o comportamento problemático, aliás o cão deixa de exibir o que quer que seja, ele simplesmente não se mexe!

Isto não é resolver o problema, é sim simular uma solução rápida para enganar quem vê e pior que tudo é colocar em risco as pessoas que possam tentar estas técnicas, colocar em risco os cães, e usar métodos desumanos e completamente desactualizados.

Deixo um vídeo do CM típico de uma situação de Flooding, na qual ele justifica os tremores do pobre do cão, os gritos do mesmo e a reacção como um factor de dominância (????. Coisas a notar:

1. como o cão está a tremer e a querer evitar a situação mesmo antes do Cesar ligar a mota.

2. Como o cão está a usar uma coleira de bicos (de forma a que Cesar possa através do castigo suprimir as reacções do cão - as tais estaladas)

3. Como ele tacticamente aplica esticões na coleira de bicos exactamente quando o cão está a "gritar", de forma a suprimir esse comportamento

4. Como o Cesar justifica o cão tremer ao lado da moto como o cão estando a aceitar a submissão (????)

5. a linguagem que o cão oferece no final, a arfar, olhos com as pupilas extremamente dilatadas e a tremer (ou seja, completamente apavorado) ao que Cesar diz que aquele é o cão no estado normal


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cesar Millan - Toda a verdade


A National Geographic submeteu ao Dr. Andrew 4 cassetes do programa "O encantador de cães" antes deste ir para o ar, para que fosse analisado e eles tivessem uma opinião acerca do mesmo. Está aqui a carta escrita pelo conceituado veterinário à National Geographic que como todos sabemos foi ignorada. O texto foi retirado na íntegra daqui!

Por Andrew Luescher, DVM, Veterinário especialista em Comportamento Canino
Clínica de Comportamento Animal
Universidade de Purdue


Eu revi as 4 cassetes enviadas para mim pela National Geographic. Agradeço a oportunidade de poder visioná-las antes do programa ser transmitido na televisão. Eu terei muito prazer em rever quaisquer programas que lidem com comportamento de animais domésticos e acredito que esta é uma das responsabilidades da nossa profissão.

Eu estou envolvido na formação contínua de treinadores de cães nos últimos 10 anos, primeiramente através do programa universitário “Como os cães aprendem” na Universidade de Guelph (Colégio Veterinário de Ontário) e posteriormente através do curso DOGS! na Universidade de Purdue. Como tal, estou bem ciente onde se situa o treino canino hoje em dia, e devo dizer que as técnicas usadas por Millan são ultrapassadas e inaceitáveis não só para a comunidade veterinária, mas também para muitos treinadores de cães. A primeira questão no que toca às cassetes enviadas que eu coloco é: O programa repetidamente avisa as pessoas para não tentarem aquelas técnicas em casa. Então qual é o porpósito deste show? Penso que temos que ser realistas: as pessoas vão tentar estas técnicas em casa, infelizmente para detrimento do seus animais.

As técnicas de Millan são quase exclusivamente baseadas em duas técnicas apenas. “Flooding” e castigo positivo. No “flooding” o animal é exposto ao estímuloa que lhe causam medo (ou agressão) e impedido de evitar e sair da situação, até que pare de ter uma reacção. Para usar um exemplo humano: aracnofobia, sera tratada, fechando um indivíduo num armário, libertando centenas de aranhas lá dentro e mantendo a porta fechada até que a pessoa parasse de reagir. A pessoa talvez se curasse com tal método, mas poderá também ficar severamente perturbada e terá sofrido uma grande quantidade de stress. “Flooding” tem, como tal, desde sempre sido considerado um método de tratamento cruel e que incorre muitos riscos.

Castigo positivo refere-se à aplicação de um estímulo aversivo ou correcção como consequência de um comportamento. Existem muitas preocupações acerca do uso do castigo, que vão para além do próprio desconforto do mesmo.

Castigos são extremamente inapropriados para o tratamento da maioria de agressões e para o tratamento de qualquer comportamento que involva ansiedade. O castigo pode suprimir a maioria do comportamento, mas não resolve o problema que o originou, isto é, o medo ou a ansiedade. Mesmo em casos onde a aplicação do castigo é correcta, esta pode ser considerada inapropriada, muitas são as condições que têm que ser reunidas para que isto aconteceça, e que a maioria dos donos de cães não conseguem fazer. O castigo deverá ser aplicado cada vez que o comportamento é demonstrado, dentro de meio segundo do comportamento ser demonstrado e à intensidade correcta.
A maioria das explicações teóricas que Millan fornece como causas para os problemas comportamentais estão erradas. Nem um único destes cães tem um problema de dominância. Nem um só destes cães queria controlar a família. A única coisa na qual ele tem razão é que calma e consistência são extremamente importantes, mas estes factores não justificam os métodos presentemente usados por ele como apropriados ou justificáveis.


O último episódio (problema obsessivo compulsivo) é particularmente preocupante, porque este problema está directamente relacionado com um desiquilíbrio nos níveis e receptores neurotransmissores e é como tal uma condição médica. Seria apropriado tratar uma pessoa com um problema de obsessão-compulsiva através de castigos? Ou ter um leigo a tratar tais casos?

Eu e os meus colegas e um sem número de líderes na comunidade de treino canino temos trabalhado durante anos para eliminar precisamente tal crueldade, ineficácia (em termos de cura) e técnicas inapropriadas como as apresentadas neste programa.

domingo, 20 de julho de 2008

Revisão do livro Cesar’s Way por Pat Miller


Uma revisão do livro feita por Pat Miller


Quase todos os livros de treino canino têm algo a oferecer ao leitor, e o livro Cesar’s Way não é excepção. O ponto forte do livro é ser a autobiografia do treinador de cães, estrela de um programa da televisão da National Geographic, Cesar Millan. Se estiver curioso em saber como é que Millan chegou onde chegou hoje, este livro dir-lhe-á. Se está à procura de ajuda para treinar o seu cão, nesse caso, procure outro livro.
Muitos na comunidade científica comportamental vêm as consequências da “forma” do Cesar copm trepidação. Numa entrevista publicada no New York Times em Fevereiro deste ano, o Dr. Nicholas Dodman, director da Clínica de Comportamento Animal na Universidade de Tuft’s, escola de Medicina Veterinária, observou, “O meu colégio acha que é um travesti. Nós escrevemos ao canal National Geographic e dissemos-lhe que arrastaram o treino canino 20 anos para trás”.
Millan prova ter muito pouco ou nada no que toca a informação relativa a treino, oferecendo em vez disso generalizações acerca de como se projectar “energia calma-assertiva” – uma frase chave usada por Millan – e em instigar essa “energia, calma e submissa” no seu cão. Por exemplo, no capítulo 8 ele oferece “Dicas Simples para viver feliz com o seu cão”. As suas “regras da casa” incluem:


“Acorde nos seus termos, não nos do seu cão... condicione-o a sair da cama com calma se acordar antes de si.”
“Não permita posessão sob brinquedos e comida!”
“Não permita que ladre fora de controle”.


Bons conselhos, talvez, mas, em nenhuma parte do livro ele explica como se consegue estas coisas, para além de se usar uma energia calma e assertiva.
Millan é confiante. Ele assume a sua “politicamente incorrecta” dependência na já ultrapssada teoria da dominância, dizendo “ Para os cães existem apenas duas posições num relacionamento: líder ou liderado. Dominante ou submissivo. Ou é preto ou é branco.”
No mundo de Millan, todos os comportamentos são abordados em termos de dominância e submissão. Ele até usa o alpha roll como parte do seu “ritual de dominância”; esta técnica – forçar um cão a colocar-se de lado ou de costas e segurá-lo nessa posição – é considerado por muitos uma prática perigosa baseada em interpretações erradas de comportamentos dos lobos. Já hà muito tempo esta teoria caiu em descrédito juntos dos treinadores que usam métodos baseados na ciência do comportamento e aprendizagem animal.
Quando Millan fala de “energia”, os treinadores que se baseiam na ciência falam de comportamento e geralmente concordam que o status social dos grupos é fluído e contextual, não branco e preto. Modificação comportamental realmente efectiva e com efeitos a longo termo, requer uma aproximação muito mais estudada e complexa do que simplesmente impôr dominância.
A interpretação da linguagem canina diverge também grandemente. Millan refere-se no seu livro a Kane, um Dogue Alemão que apareceu no seu programa de TV e que tinha medo de caminhar em chão de linóleo. Millan afirma que em menos de 30 minutos da sua influência calma e assertiva, Kane passeava confiante pelo chão de linoleo. Todos os treinadores que eu conheço e que viram aquele segmento do programa notas os sinais constantes de stress após a intervenção de Millan: cabeça e cauda baixa, abraçando a parede e arfando.
Millan refere os benefícios do exercício físico na modificação do comportamento canino, um conceito com o qual eu mesmo concordo. No entanto, o seu livro começa com uma descrição da sessão de 4 horas com a qual ele começa o seu dia com o seu pack de cães todas as manhãs nas montanhas de Santa Mónica no Sudeste da Califórnia, seguido de tardes passadas a andar de patins com esses mesmos cães, 10 de cada vez, nas ruas à volta do seu centro de treino.
Uma das chaves de um programa de treino bem sucedido é que dê ao dono comum de cão ferramentas que ele possa aplicar. E quantos donos de cães poderão passar seis horas por dia a exercitar os seus cães? Quantos é que poderão projectar “energia calma e assertiva”? O perigo do livro Cesar’s Way é que ilude as pessoas na idea que soluções rápidas e respostas rápidas existem e estão nas mãos de um homem sorridente naturalmente dotado de uma ilusiva energia calma e assertiva.
Na realudade, respostas são melhor encontradas na bonita complexidade da vida, onde as soluções não são muitas vezes rápidas e fáceis, mas são solidamente construídas com fundações fortes num entendimento de como o comportamento realmente opera.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A CONTROVÉRSIA DO “DOG WHISPERER” CESAR MILLAN - Parte 2

Aos que lerem este artigo por favor cliquem neste link para acederem a outro que complementa este. obrigada a todos. CLIQUE AQUI

Ao visionar vários programas do Cesar Millan, muitas são as questão que se colocam. Quando confrontados com a verdade sob os métodos de Cesar muitas pessoas contestam. Espero aqui poder esclarecer algumas dessas questões de uma forma clara.
NUNCA O VI MAGOAR UM CÃO

A maioria dos críticos não se referem a um abuso físico, embora alguns dos métodos usados no seu programa poderão ser classificados como tal. No episódio Fondue, Chip, Hope & JoyJoy, cães pequenos são agarrados e içados do chão pelo cachaço. No episódio de Teddy, os pés de um Labrador são levantados do chão içados pela coleira. A maioria dos donos de cães não iria permitir que uma pessoa no parque tratasse o seu cão dessa forma, independentemente do comportamento do seu cão.

JonBee, amordaçado, é levantado do chão com uma coleira de engasgo (parece uma inofensiva fita amarela), um procedimento conhecido por “stringing up”. Antes disto, o cão não só não demonstrou nenhum sinal de agressão como tentou várias vezes evitar qualquer tipo de interacção com Cesar Milan.

Ruby mostra multiplos sinais de stress durante este episódio. Pouco depois disto, é-lhe oferecido um pedaço de comida que ela recusa. A recusa de comida num cão saudável é um sinal comum que o sistema nervoso simpatético do cão foi activado, desactivando o sistema digestivo do cão e preparando-o para um situação de fuga ou de luta.
Aquilo que realmente preocupa os críticos é o stress psicológico no qual são colocados os cães durante o programa. Muitos cães que oferecem comportamentos de evitação no início do programa são na sua maioria “empurrados” para uma situação de agressão e luta.
Um exemplo bastante perturbante é o de JonBee, um Jinbo que é forçado a deitar-se de lado. Após uma luta significante e perigosa (durante a qual o cão parece ter urinado), o cão finalmente desiste e permite-se a ser deitado de lado. No entanto, o cão não está relaxado. Muito pelo contrário, o cão exibe todos os sinais de stress e exibe um fenómeno chamado de “learned helplessness”, ou muitas vezes chamado também por treinadores de “shut down” ou em português uma situação de desamparo em que o cão “desliga” e deixa de oferecer qualquer tipo de comportamento a fim de terminar o confronto.

Este vídeo está sem som propositadamente. Para observar o video na totalidade e com som, clique aqui


“Learned helplessness” foi originalmente observado por cientistas que colocavam cães numa caixa fechada sem saída e lhes administravam choques através do chão. Os cães inicialmente tentavam escapar e depois, já exaustos e não encontrando uma saída, simplesmente se deitavam no chão, apesar de continuarem a receber choques. Os cães não estavam a “gostar” dos choques ou não se habituaram aos mesmos, simplesmente desistiram.

Não é necessária uma lesão física para traumatizar um cão. Enquanto alguns cães recuperam de experiências traumáticas com mais facilidade, outros terão como consequência problemas comportamentais para o resto da vida.
Tal como nos humanos, o stress crónico causa sérios problemas médicos em cães, que vão desde sistemas imunitários fragilizados, doenças digestivas, a problemas de coração. O stress agudo pode tornar um cão sensível a determinados ambientes e pessoas, criando uma associação ainda mais negativa do que antes e consequentemente levando a outros problemas no futuro.
Como tal, repetidamente colocar um cão numa situação de stress, na realidade, causa-lhe dano.

JÁ ALGUMA VEZ VIU O PROGRAMA?
Na realidade, a maioria dos profissionais que levantaram a voz contra os programas de Cesar Milan, veêm o show com regularidade. Andrew Luescher, um Veterinário Comportamentalista na Universidade de Purdue, viu Dvds do programa que lhe foram enviados pela própria National Geographic antes estes irem para o ar. Ele na altura, exprimiu as suas preocupações à produção do programa.

Eu regularmente observo o programa e faço downloads dos videos podcasts. Primeiro observo-os sem som, para que possa observar os comportamentos do cão e as acções de Milan, assim como as respostas do cão aos métodos usados. Eu considero a música dramática, o narrador e as explicações da estrela do programa frequentemente contraditórias com o que realmente está a acontecer no ecrã.

NÃO ESTARÃO OS CRÍTICOS APENAS INVEJOSOS DO SEU SUCESSO??
Muitos do profissionais que falaram contra o programa são extremamente bem sucedidos. Têm o respeito dos seus colegas, são professores em universidades, locutores e autores famosos. Outros incluem treinadores profissionais e consultores de comportamento canino que ajudam com sucesso cães com problemas comportamentais sérios através de associações de animais e outras organizações sem lucro dedicadas à melhoria do bem-estar dos cães e de outros animais.
A popularidade do programa de tv não criou uma perda de negócio para treinadores e especialistas em comportamento canino. De facto, o oposto aconteceu. Vemos um aumento impressionante de chamadas de donos de cães que se apercebem que os problemas dos seus cães não são algo com o qual eles têm que viver, que é o que o programa anuncia. No entanto, mais de metade das casas que visitamos vê o programa com certa regularidade e já tentaram os métodos sem sucesso ou com resultados negativos.
Se o programa atingisse o mesmo sucesso, com métodos humanos e positivos, baseados no conhecimento cada vez mais crescente da ciência e do comportamento canino, e não baseado numa interpretação individual do comportamento, a maioria dos profissionais estaria a glorificar o programa e a estrela. Não é inveja que motiva os protestos de outros colegas da profissão mas sim a falta de segurança e bem-estar dos cães e dos seus donos.

MAS ELE NÃO TREINA CÃES, ELE REABILITA-OS
Enquanto que treino de obediência e modificação comportamental não são a mesma coisa, eles não estão completamente separados um do outro. Para se treinar um cão com sucesso, é necessário um conhecimento complexo de como os cães aprendem e do que os motiva a repetirem comportamentos. Essa compreensão também é essencial para poder modificar comportamentos.

Cães que não detêm um fundamento básico de obediência são mais difíceis de controlar e respondem menos aos seus donos, o que torna a modificação comportamental (ou reabilitação) muito mais difícil. Uma das coisas que eu observo frequentemente no programa é que enquanto o cão não responde ao que despoleta o comportamento (outros cães, pessoas, skates, etc...), também não responde ou olha para os seus donos. Na realidade, a presença de uma trela curta e a frequência de esticões dados na trela sugere que o cão não seria tão “submisso” se o dono largasse a trela.

É difícil imaginar como é que alguém consegue reabilitar um cão sem um conhecimento básico de como os cães aprendem, ou porque é que alguém iria ignorar este passo tão importante que encoraja a cooperação e coloca o dono numa posição de “liderança”.

MAS NÃO EXISTE APENAS UMA FORMA DE TREINAR CÃES
Claro que não. No entanto, o que poucas pessoas sabem é que muitos dos treinadores “positivos” de topo (incluindo os treinadores de “clicker”) começaram exactamente como treinadores hà 20-30 anos atrás e mudaram de métodos após se aperceberem dos benefícios deste tipo de treino para obediência, competição e modificação comportamental. Portanto não só estão estes treinadores cientes de que existe mais do que uma forma de se treinar um cão, como têm uma experiência extensa em variados métodos, incluindo os métodos aversivos usados neste programa.

Sim, existem muitas formas de se treinar um cão. Eu penso que o que os donos de cães deveriam perguntar-se é porque é que deverão escolher um método que causa stress ou magoa o seu cão sem tentarem primeiro métodos menos aversivos.

OUVIR DIZER QUE TREINADORES “POSITIVOS” PREFEREM EUTANAZIAR CÃES

Dado o extenso número de livros escritos por treinadores “positivos” em como modificar problemas comportamentais sérios, incluindo agressão, já para não mencionar a contínua educação através de seminários e conferências referentes ao tema da modificação comportamental nomeadamente de agressão, é claro que treinadores “positivos” não escolhem a eutanásia em vez da modificação do comportamento problemático.

Um treinador com ética profissional, seja ele “positivo” ou não, sabe que a eutanásia é uma opção que não deverá ser recomendada de ânimo leve, e nunca por telefone ou pela internet. A decisão final deverá ser feita pelo dono do cão, após considerar todos os factores incluindo possíveis doenças que possam ser a causa ou contribuam para o comportamento, a extensão do problema, as opções de modificação disponíveis, a habilidade de gerir a situação em segurança enquanto se implementa o plano de modificação comportamental e o empenho de todos os membros da família.

Se o dono de um cão é aconselhado a eutanásia como uma opção pelo telefone ou pela internet ou sem serem dadas opções ou alternativas ou por apenas um profissional, o conselho é que procure ajude noutro local.

MAS RESULTA
Eu nunca vi um comportamento ser realmente modificado em nenhum dos programas. O que vejo são cães com comportamentos suprimidos; cães a caminhar com trelas curtas, cães hirtos e imóveis após serem rolados ou atirados á força para o lado, cães que em quase todas as instâncias estão presos de uma forma ou de outra.

Para mim, como para muitos outros treinadores que trabalham com cães diariamente, se o cão tem que estar preso por uma trela curta para poder passar por outro cão, para ser penteado ou para outra coisa qualquer, o comportamento não foi alterado.

RESULTOU NO MEU CÃO

Se os métodos usados no programa o ajudaram a si e ao seu cão nalguma forma e não criaram problemas comportamentais adicionais então consigo compreender porque é que é difícil ver o mal neles.
No entanto, em comparação ao número limitado de cães que uma só pessoa poderá ter durante toda a sua vida, comparado com os milhares de cães cujos profissionais que falam contra estes métodos, encontram e que desenvolvem problemas muito graves como consequência directa de métodos punitivos, prova o contrário.
Também se deve definir “resultou”. O que normalmente ouço é algo parecido com isto:
“Resultou no meu cão. Sempre que ele (inclua aqui o comportamento), eu dou-lhe uma correcção, digo “Tssssht” e ele pára”.
Note as palavras, “Sempre que ele ladra”. Isto indica que o cão continua a repetir o comportamento. A ideia por trás da modificação comportamental não é que o cão pare de demonstrar o comportamento momentaneamente mas que o comportamento mude de forma a que as reacções do cão naquele ambiente sejam diferentes, tal como olhar para si, na vez de ladrar. A supressão de um comportamento não é a modificação do mesmo. Se o dono tem que continuamente repetir a “correcção” o comportamento não está a ser mudado.

E DEPOIS SE ELE NÃO TEM EDUCAÇÃO FORMAL? ELE NÃO ESTUDA SÓ OS CÃES NOS LABORATÓRIOS, ELE TRABALHA COM ELES DIARIAMENTE

Existem muito treinadores profissionais e consultores de comportamento que não têm educação formal ou cursos universitários. No entanto, estes treinadores, educam-se e continuam a educar-se, mantendo-se sempre a par das últimas descobertas no mundo do treino e comportamento canino.

Enquanto possa ser verdade que os cientistas que trabalham em laboratórios e estudam o comportamento nem sempre trabalham com cães que detêm problemas comportamentais, a informação que eles nos dão com os seus estudos, é importantíssima para todos os que realmente trabalham com esses cães.

Ignorar mais de um século de estudos científicos em comportamento animal aumenta a ignorância dos donos de cães, que é a verdadeira causa dos problemas comportamentais nos cães.



ENTÃO DEVEMOS TRATAR OS NOSSOS CÃES COM PANINHOS QUENTES? COMO CRIANÇAS?

Cuidados parentais, incluem dar aos filhos nutrição, educação e regras sem o uso da violência e/ou abuso físico ou psicológico. Todos estes princípios são consistentes com a criação de um cão saudável e bem comportado. Como tal se os donos de cães tratassem os seus cães como são esperados tratar os seus filhos existiriam muitos menos problemas, não mais.

Em 1992, O Jornal de Ciências Aplicadas ao Bem-Estar Animal publicou um estudo feito com mais de 700 cães, no qual tentaram determinar se atitudes ou actividades antropomórficas estavam directamente relacionadas com problemas comportamentais:

“... cães que eram lidados pelos seus donos de uma forma antropomorfica, eram “mimados” em certas formas e não detinham treino de obediência mas não demonstravam mais comportamentos problemáticos dos que os cães cujos donos não os tratavam de uma forma antropomórfica...”

Os cães não desenolvem problemas comportamentais porque os seus donos os veêm ou tratam como subsitutos de crianças. Muitos outros factores tais como genética, sociabilização (ou falta de) e traumas contribuem para o desenvolvimento de comportamentos problemáticos em cães.
Enquanto que não é aconselhável ver um cão ou tratá-lo como um humano, também não é aconselhável vê-los ou tratá-los através de uma interpretação defeituosa e errada do comportamento de lobos.
MÉTODOS POSITIVOS NÃO RESULTAM EM CÃES DE “ZONA VERMELHA”
Mais uma vez, muitos dos profissionais que se baseiam em métodos livres de força e coerção física começaram por usar métodos semelhantes àqueles usados no programa de tv, há 30 anos atrás. Com o tempo, estes concluiram que métodos compulsivos apresentavam um risco de aumentar comportamentos problemáticos em muitos cães.

Quando um cão se encontra numa situação dentro da qual o sistema nervoso automático é activado (também chamado de fuga ou luta), o sistema digestivo “desliga” para dirigir toda a energia para os músculos para sobrevivência. Isto é o que é conhecido por “over-treshold” ou ultrapasse do limite.
Portanto, se alguém tentar dar comida a um cão quando esse limite foi ultrapassado, o cão não irá comer. Isto quer dizer que o dono ou o treinador, avançou demasiado depressa num determinado ambiente no qual o cão reage e está incapaz de aprender.

Usar métodos positivos eficazmente de forma a modificar um comportamento, é necessário o conhecimento de como o cão aprende. Se esse conhecimento não existe, o sucesso não existirá. No entanto, quando alguém não é bem sucedido no uso de métodos positivos, não ocorrerá nenhuma modificação no comportamento. Quando alguém não é bem sucedido no uso de métodos punitivos, muitas vezes existe um escalar do problema ou o aparecimento de outros.


CONCLUSÃO
Lá porque alguém não entende um método não quer dizer que este não resulte. Lá porque alguém não segue o treino em casa não quer dizer que este seja um falhanço. Lá porque um método contradiz as longas crenças pessoais acerca de comportamento não quer dizer que este esteja errado. Lá porque alguém teve algum sucesso com um certo método não quer dizer que outros sejam ineficazes.

Houve um tempo em que, também eu acreditei, através de informação que adquiri de amigos e amantes de cães bem-intencionados, que a agressão em cães era resultado duma personalidade dominante e que a única solução era o uso de meios físicos e aversivos. Quinze anos atrás eu próprio seria um fã deste programa de tv.

Para alívio e paz do meu cão Mac um cão cujo programa provavelmente consideraria um cão de “zona vermelha”, eu descobri os muitos benefícios do uso de métodos positivos. Desde esse dia, a coleira de choque e de picos estão no armazém com teias de aranha, enquanto nós gozamos passeios longos sem trela.

Quando falamos em trabalhar com cães, a alternativa ao uso de métodos aversivo não é o uso de métodos permissivos. O abuso de métodos permissivos causam tanto dano como os métodos aversivos.
Treinadores “positivos” e especialistas em comportamento canino glorificam há mais de uma década os benifícios do exercício físico e de regras. A diferença não está no que fazemos nem nos resultados que obtemos, mas sim na forma como os obtemos.

domingo, 8 de junho de 2008

A CONTROVÉRSIA DO “DOG WHISPERER” CESAR MILLAN parte 1


A CONTROVÉRSIA DO “DOG WHISPERER” CESAR MILLAN - texto retirado na íntegra do website http://www.4pawsu.com

Com a recente popularidade de um programa de televisão acerca de cães com problemas, a controvérsia acerca de que métodos são os mais humanos e efectivos para se abordar estes problemas nos cães tem sido renovado e divide amantes de cães por todo o mundo.
Enquanto especialista de comportamento, treinadores e outros profissionais do mundo canino reconhecem que o programa expõe os donos de cães á possibilidade de modificar o comportamento dos seus cães, o programa dá a falsa impressão que o comportamento pode ser modificado numa questão de horas. Profissionais estão também preocupados com os métodos usados, uma vez que muitos dos métodos são conhecidos por incentivar comportamentos agressivos.
Este artigo irá explorar os temas controversos e tentará separar os factos do marketing. Sempre que possível, links adicionais ou recomendações de livros serão dadas como referência ou como forma de desenvolver um determinado assunto.

PSICOLOGIA CANINA OU PSICOLOGIA POP?
Mesmo antes das experiências de Ivan Pavlov com cães, cientistas estudavam o comportamento animal em laboratórios e no campo, onde o comportamento poderia ser estudado no ambiente natural do animal, sem intervenção humana. É a combinação destes estudos que nos dá o conhecimento acerca do comportamento canino que temos actualmente e continua a fornecer-nos com descobertas fantásticas. Para alguém dizer que já sabem tudo, quando o nosso conhecimento de genética e do cérebro (humano e canino) está incompleto, é ridículo.
A psicologia canina, ou mais correctamente, o estudo do comportamento animal, não é um completo mistério deixado à interpretação de alguns indivíduos. Enquanto que ainda existem muitas áreas onde o nosso entendimento ainda se encontra incompleto, existe um sem fim de informação cientificamente já provada à nossa disposição .
Muitos dos conceitos dogmáticos apresentados no programa de TV apelam a pessoas que, elas mesmo, acreditam ou repetem as mesmas frases acerca dos cães. No entanto, apenas porque algo é repetido frequentemente não o torna um facto científico. Os conceitos no programa de TV não correspondem de todo à realidade da natureza quando examinada de perto.

TEORIA DA DOMINÂNCIA: CÃES

Cães não são lobos domesticados. O cão doméstico é uma espécie separada que desenvolveu dos lobos à cerca de 14,000 anos atrás e exibem comportamentos que os lobos não têm. Também não demonstram comportamentos que lobos exibem, tais como regurgitar comida para os seus cachorros.

Em “Dogs: A Startling New Understanding of Canine Origin and Behaviour and Evolution” por Ray e Lorna Coppinger diz-se:

“Hoje em dia, a imprensa popular canina parece acreditar que se os cães descenderam dos lobos devem ter qualidades de lobos. Mas o modela de selecção natural aponta que as características dos lobos foram severamente modificadas. Os cães não pensam como lobos, nem se comportam como lobos.”

Observações feitas de cães em liberdade por todo o mundo revelam que enquanto os cães são animais sociais, são primariamente as manifestações de submissão que mantêm a paz, não as manifestações de dominância. Estes cães, muitas vezes referido com cães pariah, são mais necrófagos que predadores e como tal vivem vidas mais solitárias que os lobos, uma vez que não é do benefício de um necrófago partilhar os recursos limitados com um grupo grande de animais. Estes cães raramente formam matilhas, e quando o fazem, as matilhas têm estruturas livres e flexíveis com animais que entram e saem frequentemente, uma característica nunca vista em alcateias de lobos.

Para além do mais, muitas formas domesticadas de animais selvagens revertem, em regra geral, ás sua formas originais após serem selvagens de novo durante algumas gerações. Os cães, dos quais existem inúmeros exemplo pelo mundo fora, de tipos selvagens, nunca reverteram aos lobos nem em aparência nem em comportamento.
Todas estas evidências desmentem fortemente a noção romântica que os cães são versões fracas dos lobos.


Cesar Millan no seu programa de TV diz:

“ Se estudar o comportamento de uma matilha de cães, a primeira figura autoritária é a mãe, e a mãe imobiliza os cachorros no chão”.

Se alguém realmente estudar uma matilha de cães, assumindo que o que foi dito acima se refere a uma cadela com uma ninhada de cachorros, o que alguém veria é que a cadela na realidade usa muito pouco contacto com os cachorros para os disciplinar. Quanto mais física se torna a mãe, maior será o risco de magoar os seus cachorros. Na vez disso, ela levantasse e sai, removendo toda a sua atenção. Quando os cachorros são mais velhos e mais moveis, ela poderá usar sinais comunicativos como o arreganhar dos dentes e vocalizações para para o comportamento não desejados de um cachorro, mas assim que o cachorro pára, também pára a “correcção”.
Líderes em todos os animais, controlam recursos mais vezes do que controlam indivíduos através da força. Como foi dito por Myrna Milani, DVM, autora e veterinária etologista:

“...a marca de um verdadeiro líder é a habilidade de controlar sem o uso da força. E na realidade, animais selvagens que dependem da força bruta para manter o seu status são tipicamente eliminados do conjunto genético precisamente porque esta aproximação requer demasiada energia.”

Lutas de poder entre cães comunicam tanta liderança como um adulto a lutar com uma criança ou um ladrão de bancos armado a lutar com os seus reféns.

A realidade é a seguinte, através de um golpe de sorte evolucionaria, fomos abençoados com polegares o que nos dá acesso prioritário à maioria se não a todos os recursos que os cães querem. Ao manter o controlo desses recursos, incluindo comida, acesso e atenção e não lhes dar acesso às coisas gratuitamente ou só porque eles pedem, não é necessário entrar em lutas de poder com os cães. Nós já temos á partida tudo aquilo que os cães querem. Nos já somos à partida “dominantes”.

Métodos de treino baseados na dominância exigem do humano muita energia e são muito intensivos. Requerem que o humano reaja constantemente ás acções do cão, como por exemplo esticões da trela por rosnar, o que de qualquer forma coloca o cão na mesma à frente. Esta não é a forma como indivíduos “dominantes” se comportam – é no entanto, como se comportam indivíduos inseguros. Como tal, estes métodos comunicam insegurança, na vez de liderança.

Humanos não são nem cães nem lobos. Como tal quando tentamos imitar o seu comportamento, estamos geneticamente condenados a falhar. Falta-nos a fisiologia e a precisão para comunicar os mesmos sinais e correcções que os lobos ou cães usam uns com os outros.
Não somos cães e os nossos cães sabem disso. Também não somos lobos e os nossos cães também sabem disso. Despender energia a tentar sermos algo que não somos não vai comunicar liderança. No melhor, diverte os nossos cães. No pior, faz-nos perigosos e imprevisíveis aos seus olhos o que mais uma vez não comunica de forma nenhuma liderança.

Os que trabalham com lobos, incluindo lobos criados por homens, e raças de cães misturadas com lobos, sabem que os lobos não toleram serem manejados com força por humanos. Se a razão pela qual temos usado estes métodos nos nossos cães é por causa do comportamento dos lobos, e estes provocam respostas agressivas nos lobos, porque é que então continuamos a usar estes métodos nos lobos? Simplesmente porque eles nos deixam.
Existem formas não frontais de estabelecer regras e fronteiras para os cães, que não envolvem nem a força nem a intimidação. A maioria dos cães cede controle, necessitando para tal uma simples regras como as usadas nos programas NILIF (Nothing In Life Is Free), especialmente se não existiam regras nenhumas para começar.

EXERCÍCIO FÍSICO

No programa de televisão, é dada uma grande importância ao exercício como uma necessidade primária. Cães precisam de exercício. O seguinte não é uma tentativa de minimizar em nenhuma maneira a importância de exercício físico regular. No entanto, a maioria das raças de cães foram desenvolvidas para um trabalho particular que requer tanto exercício físico como exercício mental. Cães precisam de exercício mental tanto, e nalguns casos mesmo mais, do que exercício físico.

Estimulação mental, através da obediência, truques, agilidade ou outras actividades de trabalho satisfazem a necessidade de exercício físico e mental. Caminhar um cão numa trela curta poderá ser mais agradável para o humano, mas não dá ao cão grande exercício físico (uma vez que os cães caminham a um ritmo muito mais rápido que o nosso) e não permite ao cão estimulação mental através da exploração do ambiente através de actividades sem trela.
Exercícios de estimulação mental também satisfazem as necessidades físicas dos cães que são incapazes de se exercitar dados problemas médicos tais como artrite, displasia da anca ou outros.

Exercício Forçado tal como colocar um cão numa passadeira de correr, poderá satisfazer uma necessidade de correr, mas não fornece ao cão a opção de correr, nem dá ao cão estimulação mental, socialização ou interacção com o dono.

Falácia Comportamental. Você acabou de ter a pior semana da sua vida. Qual dos dois reduziria o seu stress e lhe daria um maior sentido de bem-estar? Um longo passeio pela praia ou uma longa correria a fugir de um urso?

Cães que são reactivos com outros cães, pessoas ou outros estímulos encontrados na rua, normalmente podem piorar de forem continuamente expostos a esses mesmos estímulos. Os níveis de stress do cão, incluindo cortisol e adrenalina, são elevados com cada passeio dado e cada exposição ao/s estímulo/s. Não só estes níveis elevados de hormonas levam a problemas comportamentais, como os níveis de cortisol diminuem as repostas de imunidade do sistema, deixando o cão mais susceptível a ficar doente.

Por isto é que programas de modificação comportamental começam por ensinar exercícios de controle próprio em ambientes com poucos estímulos, antes de lentamente introduzir o cão e níveis de estímulos mais elevados.

Uma necessidade primária? Uma necessidade primária para a sobrevivência de um cão, não é de facto o exercício. Se um cão passasse todo o seu tempo e energia a exercitar-se, não teria energia suficiente para estabelecer e proteger território, caçar ou criar os seus cachorros. Exercício é feito através destas acções e não na vez delas.
Para mais caminhar um cão de trela curta ao passo do dono (que é muito mais lento que o passo natural do cão) e sem a possibilidade de cheirar e explorar o ambiente, fornece ao cão muito pouco exercício. Mesmo que a necessidade primária de um cão fosse de facto exercício físico, este tipo de passeio não iria satisfazer as suas necessidades.
Treino e outras actividades fornecem os cães com ambas estimulação mental e física necessárias para o seu bem-estar. Um cão bem treinador é também um mais livre de poder desfrutar de actividades sem estar de trela.

DISCIPLINA E AFECTO: POSITIVO NÃO QUER DIZER PERMISSIVO

Com uma maior compreensão do comportamento, os especialistas de comportamento e treinadores usam, hoje em dia, métodos positivos para modificar mesmo o comportamento mais extremo em cães com resultados fantásticos. Isto inclui cães com problemas de agressão severa que podem estar a um passo da eutanásia ou cães em “zona vermelha”.
Isto não quer dizer, no entanto, que ao cão não são dadas regras nem limites ou que este só responde quando comida está presente. Treino positivo e métodos de modificação comportamental começam com o estabelecimento de limites e o controle dos recursos da vida de um cão, incluindo o afecto e a brincadeira que não são dadas ao cão gratuitamente. Isto é feito de uma forma que coloca o dono numa situação de sucesso, de forma a que este possa controlar a atenção do cão, mas continuar a gozar da sua companhia e afecto.

STRESS NOS CÃES

Uma das maiores preocupações que os especialistas têm em relação os programas de TV de Cesar Millan é que muitos dos cães mostram sinais claros de muito stress, alguns mesmo chegando ao ponto de morder a estrela do programa. Enquanto que a maioria das pessoas consegue reconhecer sinais de stress óbvios tais como ladrar, rosnar, mostrar os dentes, os cães demonstram muitos outros sinais de stress que são bem mais subtis antes de recorrerem aos sinais comunicativos mais óbvios. Alguns deste sinais incluem:


. Bocejar
· Aumento da respiração após quase nenhuma actividade/esforço físico
· Orelhas puxadas para trás
· Lamber repetido dos lábios e/ou nariz
· Aumento da perda de pelo
· Cauda baixa e corpo rente ao chão
· Movimentos tensos e lentos
· Virar da cabeça e olhos



Se um cão exibe repetidamente estes sinais durante o treino, está na altura de reavaliar ou os métodos de treino, ou o ambiente ou o comportamento do dono/treinador. Será o ambiente muito estimulante? Serão os métodos ou o equipamento dolorosos? Será que estamos a exigir muito do cão ou cedo demais?

Todos nós precisamos de stress para sobreviver. A fome é uma forma de stress. Se não sentíssemos fome, não comeríamos. No entanto, métodos humanos e amigáveis não representam apenas a ausência de dor, também representam a ausência de stress desnecessário. Um cão que é stressado até ao ponto da agressão, medo ou “learned helplessness” torna-se fisicamente incapacitado de aprender e qualquer tentativa de treino feito enquanto o cão está neste estado, é uma perda de tempo.

REABILITAÇÃO OU SUPRESSÃO?

Modificação comportamental é o processo de modificar as emoções do cão, gradualmente expondo-o (desensitização) ao estímulo (cão, pessoa, carro, etc.), e depois ensinando um comportamento alternativo (contra-condicionamento). Este processo mantém o cão a um nível abaixo do qual ele reage e gradualmente ensina o cão uma resposta mais desejável em situações de stress. Existe uma diferença entre suprimir um comportamento e modificar um comportamento.

Supressão é tipicamente feita através do uso da força ou “flooding” (inundação). Supressão do comportamento, cessa o comportamento no momento, mas requer que o dono do cão esteja constantemente a repetir os passos necessários vezes sem conta. Porque tantos donos de cães querem saber “o que faço quando o meu cão....” isto parece uma solução. No entanto, não está de facto a modificar a causa do comportamento.

Força inclui castigos tais como correcções verbais, correcções de trela, enterrar os dedos nas costas do cão, ou agarrar o seu cachaço. Também inclui forçar um cão a colocar-se de costas ou a deitar-se de lado. Enquanto que técnicas destas podem momentaneamente suprimir os sintomas (se não provocar uma resposta agressiva), o uso da força pode muitas vezes tornar o problema pior porque o cão forma um associação entre o castigo e o que o provoca (a pessoa, o local ou a coisa) e que provoca por sua vez a agressão ou um comportamento problemático. Em muitos casos, a frequência ou forma de castigo deve ser aumentado para manter a supressão.
Enquanto que existem formas de castigo que podem ser usadas de forma humana e efectiva para modificar problemas comportamentais de baixo nível, o uso de aversivos como vistos no programa de TV, suprimem os sintomas do comportamento por um período de tempo curto. A consequência deste tipo de técnica pode demorar meses ou anos a demonstrar-se.

Flooding (Inundação) Se tiver medo de aranhas, será que o seu medo delas diminuirá se eu lhe der uma massagem com um par de tarântulas? Flooding é a exposição forçada e prolongada a algo que não é ou que se tornou desagradável. Isto inclui empurrar um cão para uma piscina ou levar um cão que tem medo de cães para um local com dezenas de outros cães. Quando um cão é exposto a esta técnica eles podem desligar e não exibir nenhum comportamento (incluindo o que era um problema). Isto não é resolver o comportamento, embora assim o pareça porque o cão não demonstra sinais nem de agressão nem de nada, aliás o cão está praticamente inactivo.
Enquanto que a verdadeira modificação comportamental não é um processo rápido, e certamente não fornece programas televisivos mediáticos e sensacionalistas, os efeitos são mais permanentes do que aqueles ganhos ao suprimir o comportamento através do uso da força e do “flooding”.

CAUSAS MÉDICAS PARA PROBLEMAS COMPORTAMENTAIS

Nem todos os problemas comportamentais são o resultado de falta de treino, exercício, liderança ou disciplina. Existem muitas causas médicas para problemas comportamentais. Problemas em ensinar os cães a fazerem as necessidades na rua podem ser causa de infecções no trato urinário e agressão pode ser uma reacção à dor causada por uma doença. Agressão pode ser accionada por um fertimento ou doença como o hipertiroidismo.

Num episódio recente de “I’ts Me or the Dog”um Bulldog americano que estava a exibir comportamentos agressivos a visitantes foi diagnosticado com hipertiroidismo após o treinador aconselhar um check-up veterinário. Antes disso os donos deste cão não faziam ideia que ele sofria de uma doença que estava a contribuir para este comportamento.

Também existem comportamentos que não têm causas físicas, mas mentais, tais como desordens compulsivas. Um vídeo muito popular no You Tube mostra um cão a atacar o seu próprio pé. Este é um exemplo excelente de um problema compulsivo. Problemas como estes não são modificados com exercício , liderança ou disciplina.
Um profissional qualificado reconhece quando um problema comportamental poderá ter uma causa médica e irá referir um veterinário antes de tentar qualquer tipo de modificação comportamental.
Qualquer modificação comportamental súbita num cão deverá ser sempre discutida com um veterinário.

CONCLUSÃO
Será o exercício físico importante? Sem dúvida! Os cães precisam de limites? Certamente! Será que as pessoas precisam de parar de tratar os seus cães como humanos e tornarem-se menos permissivos? Claro que sim! Mas COMO atingimos estes objectivos é que é importante.
Uma compreensão básica de comportamento canino poderá dar aos donos de um cão o conhecimento que estes precisam para determinar os métodos de treino que melhor se adequam a e evitar aqueles métodos que não são baseados na ciência da aprendizagem e comportamento e que usam frases sonantes para vender métodos antiquados e potencialmente perigosos em pacotes apelativos ao grande público.