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sábado, 8 de agosto de 2009

Chega de Segredos - No more Whispering

Por todo o mundo continuasse a falar abertamente dos problemas graves que usar métodos ultrapassados, coercivos e afectos a aspectos como dominância e whispering desenvolvem nos nossos cães.
Porque temos que ser a voz dos cães, porque eles não podem defender-se a eles mesmos, continuaremos a educar o público.

Lista de algumas das associações mundiais e treinadores, veterinários e/ou etólogos que falam contra o uso de técnicas punitivas nomeadamente coleiras estranguladoras, de bicos, coleiras de choque, métodos de whispering (alpha roll, intimidação e medo como visto no programa The Dog Whisperer), teoria da dominância, uso de reforço negativo e castigos positivos.

1. Associação de Comportamentalistas e Treinadores de Animais - Inglesa -
http://dacvb.org
3. CAPBT - Association of Pet Behaviourists and Trainers - http://www.coape.co.uk/
7. AVSAB American Veterinary Society for Animal Behaviour - http://caosciencia.blogspot.com/2009/03/tecnicas-de-modificacao-comportamental.html
9. Dra Sophia Yin veterinária, treinadora - http://www.askdryin.com/dominance.php

10. Dr Rachel Casey,Senior Lecturer in Companion Animal Behaviour and Welfare at Bristol University - http://www.physorg.com/news162132911.html

12. Carmen Buitrago, CPDT, CTC - http://www.4pawsu.com/DebunkingDomMyth.pdf

14. American College of Veterinary Behaviorists - http://dacvb.org/

15. James O'Heare, CABC, CDBC, PABC Certified Animal Behavior Consultant / Professional Animal Behavior Consultant - http://www.jamesoheare.com/

16. Society of Veterinary Behaviour Technicians - http://www.svbt.org/index.php

17. AABP - Association of Animal Behavior Professionals -

20. Dr. Nicholas Dodman - Professor and Head, Section of Animal BehaviorDirector of Behavior Clinic,
Tufts University - Cummings School of Veterinary Medicine -

21. Instructor at The San Franciso SPCA Academy for Dog TrainersAuthor of the book, "Dogs Bite" -

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

COLEIRAS DE ENGASGO: TREINO DE OBEDIÊNCIA OU CASTIGO FÍSICO?

As coleiras de engasgo estão indicadas para impedir os cães de puxar a trela ou de ladrar através do uso de dor. Os cães deixam de puxar a trela ou de ladrar por uma única razão - porque dói!


Dado que existem estas alternativas mais amigáveis e com melhores resultados, o papel das coleiras de engasgo e de choque é, no mínimo, questionável. Na realidade, o seu uso é desnecessário e, muitas vezes, pouco eficaz. E pode ser considerado, de muitos modos, como cruel.

Ensinar o seu cão a comportar-se fará com que ele se torne mais agradável de ter por perto, mas também ajudará a protegê-lo num mundo dominado por perigos produzidos pelo homem, tais como estradas movimentadas. Mas esta ideia simples deu lugar à ficção de termos de controlar os nossos cães, qualquer que seja o meio utilizado.

As coleiras de engasgo e de choque são um exemplo desta crença, e são um modo popular de controlar os cães.

As coleiras de engasgo e de choque estão indicadas para impedir os cães de puxar a trela ou de ladrar através do uso de dor. Os cães deixam de puxar a trela ou de ladrar por uma única razão - porque dói!

No entanto, em alguns casos, os cães não respondem a estas coleiras – mas apenas porque elas não os magoam o suficiente! Como resultado, o dono ou o tratador podem aumentar a severidade puxão ou mudar para a ainda mais dolorosa coleira de espigões (uma coleira com picos). Alguns cães poderão tornar-se tão insensíveis à dor que apenas responderão a uma perigosamente alta intensidade de dor.

Um cão que tenha sido ensinado a não puxar com uma coleira de engasgo tem de continuar a usá-la – normalmente durante meses ou anos, e às vezes durante toda a vida, uma vez que puxar a trela é facilmente reaprendido logo que a coleira lhe é tirada. E, se o tratador for inconsistente, o cão provavelmente aprenderá que é perigoso puxar quando tem a coleira, mas é seguro fazê-lo quando não a tem, e consequentemente ajustará o seu comportamento a esse facto. Uma vez que os cães aprendem em contextos muito específicos, esta mudança de comportamento faz todo o sentido.


Infelizmente em vez de compreendermos que é assim que o cão aprende, muitos tratadores erradamente presumem que o cão sabe o que faz e está somente a ser “mau”. O resultado é muitas vezes, o uso de correcções ainda mais dolorosas através da coleira.

Estas técnicas não são somente desnecessárias, como também quando combinadas com a altura errada do seu emprego (o que é frequentemente o caso) se tornam ineficazes – e podem ser realmente cruéis. O cão experimenta assim, não só o castigo mental e físico mas também não sabe como evitá-lo.

Quer se trate de coleiras de engasgo, coleiras de choque ou pior, o castigo físico dos cães disfarçado com o nome de “treino do cão para o seu próprio bem” é não só desapropriado como desnecessário. Um treinador que acredite que o momentâneo estrangulamento do cão para ensiná-lo a não puxar na trela, é necessário, dificilmente será um amigo dos cães – e certamente não merece os seus honorários.

Felizmente para os cães, a discussão acerca das coleiras de engasgo, de espigões ou de choque está, cada vez mais, a tornar-se uma discussão académica, uma vez que firmemente estão a ganhar cada vez mais popularidade os processos de treino alternativos e os processos de lidar com os cães, mesmo os de maior porte. Os halters para os cães – baseados nos mesmos princípios que os halters para os cavalos e póneis – atingem resultados mecânicos extraordinários, i.e. através da mudança dos pontos de leverage e não do uso de dor. Há ainda processos de ensinar o cão a não puxar a trela ou a não ladrar através do uso de recompensas.

Na verdade durante os anos 90 verificou-se uma explosão no interesse e no desenvolvimento de técnicas de modificação comportamental tendo como base o reforço positivo e não o castigo físico, como a sua principal motivação. Estas técnicas estão já bem alargadas, bem compreendidas, são fáceis de utilizar, amigas dos cães e podem ser utilizadas virtualmente para todas as tarefas de treino e problemas de comportamento.

A SPCA de S. Francisco usa estes métodos no treino de todos os seus cães de acolhimento , nas nossas aulas de treino de cães para o público em geral e na nossa Academia para Treinadores de Cães. E os resultados têm sido espectaculares - os cães mostram progressos muito mais rapidamente e muitos estão já bastante bem treinados quando são adoptados. Talvez o mais importante de tudo seja o facto de, em S. Francisco, a taxa de eutanásia de cães, devido a problemas comportamentais graves, ter descido cerca de 12% em toda a cidade, durante o ano passado.


A SPCA de S. Francisco acredita que:
Os cães têm o direito de ser treinados e ajudados a ajustar-se à nossa sociedade com os métodos disponíveis não aversivos. E que os cães têm o direito a estar livres de castigos físicos e mentais.


terça-feira, 7 de outubro de 2008

O castigo resulta?



O castigo pode ser eficaz em casos específicos, mas deverá ser usado com cuidado dadas as dificuldades que existem em pô-lo na prática, comparado com técnicas de reforço positivo e dados os potenciais efeitos adversos. O que se segue é uma descrição das dificuldades e efeitos adversos que podemos esperar aquando do uso de castigo (aversivos).

É muito difícil exercer o castigo na altura correcta. De modo a que o animal compreenda o que é que está a fazer de errado, o castigo deverá ser efectuado: enquanto o comportamento ainda está a ocorrer, ou no segundo a seguir.
O castigo pode reforçar comportamentos indesejados. De modo a que o castigo exerca uma mudança a longo prazo, deverá ocorrer sempre que o comportamento indesejado é demonstrado. Se o animal não écastigado às vezes e outras vezes não, está de facto a ser reforçado. Estes reforços estão também num esquema de reforço intermitente (ou seja, castigo inconsistente) que pode na realidade tornar o comportamento mais forte. O reforço intermitente é uma variável de reforço extremamente poderosa usada para manter comportamentos ensinados com métodos de treino positivos. Os animais sabem que a recompensa é dada algumas vezes, mas como não sabem quando, e como tal continuam a exercer o comportamento na expectativa dessa recompensa. Os animais transformam-se em jogadores nas máquinas dos casinos.
A intensidade do castigo deverá ser suficientemente forte.para que este seja eficaz. Se a intensidade não é suficientemente forte, o animal poderá habituar-se ao mesmo, sendo que a mesma intensidade não irá mais resultar. Depois o dono terá que mudar a intensidade do castigo (torná-lo mais forte ainda) para que o castigo seja eficaz. Independentemente de quando é administrado o castigo pode causar dano físico ou medo, quando usado à intensidade adequada para que aprendizagem ocorra.
O castigo pode causar dano físico quando administrado a intensidades altas. Muitos castigos podem causar danos físicos aos animal. Coleiras de engasgo danificam a traqueia, especialmente nos muitos cães com traqueias hipoplásticas ou colapsadas. Também pode ocasionalmente causar o sindrome de Horner (dano no nervo do olho). Alguns cães, especialmente as raças bracicefálicas, desenvolvem edemas pulmonares possivelmente dada à obstrução da caixa de ar superior e à pressão intratorácica. Os cães que têm tendência a terem galucomas podem estar também maus susceptíveis a esta desordem uma vez que estes colare sá volta dos seus pescoços podem aumentar a pressão introcular.

Independentemente da força usada, o castigo pode levar a que certos cães se tornem extremamente medrosos e este medo pode generalizar-se para outros contextos. Por exemplo, alguns cães nos quais são usados colares de citronella ou coleiras de choque com um tom precedente, podem reair com medo a alarmes, detectores de fumo,etc...
O castigo pode facilitar ou até mesmo ser a causa de comportamentos agressivos. O castigo aumenta a probabilidade do aumento de agressão em muitas espécies. Animais nos quais o castigo não suprime o comportamento imediatamente, pode levar a esforços pelo cão de evitar o castigo, ao ponto de se tornarem agressivos. Aqueles que já demonstram comportamentos agressivos, podem exibir comportamentos agressivos mais intensos.
O castigo pode suprimir comportamentos, incluindo aqueles comportamentos que avisam que o cão pode morder. Quando usado eficazmente, o castigo pode suprimir o comportamento medroso ou agressivo em animais, mas não modifica o comportamento que origina esses comportamentos. Por exemplo se um animal é medroso e rosna e é usado o castigo, este pode suprimir o comportamento de rosnar, mas tornar o cão mais medroso e capaz de morder semaviso prévio.

O castigo pode levar a associações erradas. Independentemente da força do castigo, este pode levar a que o animal desenvolva uma associação negativa com a pessoa que está a exercer o castigo ou ao ambiente no qual o castigo é efectuado. Por exemplo, quando o castigo é usado para chamar os cães, os animais podem aprender a vir caminhando rápido ou até mesmo agachar-se quando se aproximam na vez de voltarem ao dono o mais rápido possível e a apreciar voltar para junto dos donos. Ou quando o castigo é usado durante competições de obediência ou treinos de agilidade, os cães podem efectuar os exercícios com falta de entusiasmo. Esta associação negativa é particularmente clara quando o cão se torna imediatamente energético quando o exercício termina.

Os animais de estimação não são os únicos que criam associações negativas deste processo. Os donos dos cães podem também criar uma associação negativa. Quando os donos usam castigos, estão muitas vezes zangados, e como tala o castigo ao oferecer uma forma de libertar essa raiva, torna-se um reforço para eles mesmos. Eles podem desenvolver o hábito de frequentemente se zangarem com os seus animais porque se “portam mal” apesar dos castigos. Isto é extremamente prejudicial para o relacionamento com os seus animais.

O castigo não ensina comportamentos apropriados. Um dos maiores problemas com o castigo é que não considera o facto de que um comportamento indesejado está a ocorrer porque foi reforçado – intencionalmente ou não. O dono pode castigar o comportamento indesejado algumas vezes, enquanto outras vezes sem querer estáa reforça-lo. Da perspectiva do cão o dono é inconsistente e imprevisivelmente coercivo. Estas características danificam o relacionamento humano/canino. Uma outra forma de se resolver problemas comportamentais é focarmo-nos em reforçar comportamentos adequados. Os donos devem determinar o que é que está a reforçar o comportamento indesejado, remover esse reforço e refoçar comportamentos alternativos. Isto leva a um melhor entendimento de porque é que os animias se comportam da forma que o fazem e leva a um melhor relacionamento com o animal.