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sábado, 8 de agosto de 2009

Chega de Segredos - No more Whispering

Por todo o mundo continuasse a falar abertamente dos problemas graves que usar métodos ultrapassados, coercivos e afectos a aspectos como dominância e whispering desenvolvem nos nossos cães.
Porque temos que ser a voz dos cães, porque eles não podem defender-se a eles mesmos, continuaremos a educar o público.

Lista de algumas das associações mundiais e treinadores, veterinários e/ou etólogos que falam contra o uso de técnicas punitivas nomeadamente coleiras estranguladoras, de bicos, coleiras de choque, métodos de whispering (alpha roll, intimidação e medo como visto no programa The Dog Whisperer), teoria da dominância, uso de reforço negativo e castigos positivos.

1. Associação de Comportamentalistas e Treinadores de Animais - Inglesa -
http://dacvb.org
3. CAPBT - Association of Pet Behaviourists and Trainers - http://www.coape.co.uk/
7. AVSAB American Veterinary Society for Animal Behaviour - http://caosciencia.blogspot.com/2009/03/tecnicas-de-modificacao-comportamental.html
9. Dra Sophia Yin veterinária, treinadora - http://www.askdryin.com/dominance.php

10. Dr Rachel Casey,Senior Lecturer in Companion Animal Behaviour and Welfare at Bristol University - http://www.physorg.com/news162132911.html

12. Carmen Buitrago, CPDT, CTC - http://www.4pawsu.com/DebunkingDomMyth.pdf

14. American College of Veterinary Behaviorists - http://dacvb.org/

15. James O'Heare, CABC, CDBC, PABC Certified Animal Behavior Consultant / Professional Animal Behavior Consultant - http://www.jamesoheare.com/

16. Society of Veterinary Behaviour Technicians - http://www.svbt.org/index.php

17. AABP - Association of Animal Behavior Professionals -

20. Dr. Nicholas Dodman - Professor and Head, Section of Animal BehaviorDirector of Behavior Clinic,
Tufts University - Cummings School of Veterinary Medicine -

21. Instructor at The San Franciso SPCA Academy for Dog TrainersAuthor of the book, "Dogs Bite" -

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

AGRESSÃO EM CÃES



AGRESSÃO EM CÃES - parte 1 de 4 traduzido do site da ASPCA
A agressão é o mais comum e mais sério problema comportamental nos cães. É também a razão nº1 pelo qual os donos procuram ajuda profissional de treinadores, comportamentalistas e veterinários.

O QUE É AGRESSÃO?

O termo agressão refere-se a uma grande variedade de comportamentos que ocorrem por diversos motivos e em circunstâncias variadas. Virtualmente todos os animais selvagens são agressivos quando defendem os seus territórios, as suas crias e a eles próprios. Espécies que vivem em grupos, incluindo pessoas e cães, também usam agressão e a ameaça de agressão para manter a paz e negociar interacções sociais.


Dizer que um cão é agressivo pode dizer muitas coisas. Agressão engloba uma grande variedade de comportamentos, que começa usualmente com avisos e podem culminar num ataque. Os cães podem desistir dos seus intentos a qualquer ponto durante um encontro “agressivo”. Um cão que mostra agressão a pessoas, usualmente exibe alguma parte da seguinte sequência de comportamentos intensos:

• Ficar muito quieto e rígido (tenso)
• Ladrar gutural que soa ameaçador
• Atirar-se para a frente em direcção à pessoa mas tocar nela
• Mordiscar, com intenção de mover a pessoa, sem no entanto aplicar pressão extrema
• Bater com o focinho na pessoa
• Rosnar
• Mostrar os dentes
• Arreganhar os dentes, mistura de mostrar os dentes e rosnar ao mesmo tempo
• Morder o ar
• Mordida rápida que não deixa marca
• Mordida rápida que rasga a pele
• Morder com pressão suficiente para causar dano
• Mordida que deixa marcas dos dentes
• Mordidas repetidas em sucessão rápida
• Morder e abanar

Os cães nem sempre seguem esta sequência, e muitas vezes fazem muitos dos comportamentos acima citados ao mesmo tempo.

Muitas vezes, donos de cães, não reconhecem os avisos antes de uma mordida, e como tal entendem a agressão como súbita.

No entanto, isso é raro, podem ocorrer apenas segundos entre um aviso e uma mordida, mas os cães raramente mordem sem dar um qualquer tipo de aviso antes.


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Treinos, treinadores e técnicas


Treinos, treinadores e técnicas é um texto escrito por Sara Favinha no seu blog Tudo de Cão e que eu "roubei" e postei aqui por ser um texto que considero importante que se leia. Espero que gostem tanto de o ler como eu. Em cima uma foto do Leo da Sara e do sua cadela linda a Meg.


Não encontrei um título melhor para esse post. Parar e lembrar da época em que comecei a treinar animais se tornou algo motivador. Muitas pessoas nos procuram para iniciar nessa área. Algumas delas já possuem algum conhecimento, outras não. Algumas já treinaram diversos cães, com outros métodos, e nos olham surpresas treinando os nossos.


Eu e Leo somos muito parecidos em alguns aspectos, mas dois chamam a atenção. Nossa necessidade de aprender e nosso aperfeiçoamento constante. Parecemos dois malucos, daqueles bem esquisitos e cheios de manias, testando e experimentando constantemente. Qualquer comportamento diferente é motivo para uma conversa de pelo menos meia hora. E isso minha gente, enriquece demais uma pessoa.



Quando comecei, eu não sabia ler os cães e achava que treinar era só aprender a ensinar os comandos. Não imaginava que treinar estava intimamente ligado à compreensão do comportamento animal, da aprendizagem, da linguagem, das técnicas e suas nuances. Hoje enxergo um mundo tão complexo com um simples "Senta". Nos primeiros 5 min de um primeiro encontro com um novo aluninho, já se torna óbvia a relaçao que o cão tem com o dono e qual seu grau de socialização, o quão confiante ele é, e enquanto o dono vai falando, pergunto sobre alguns sintomas e comportamentos, o que faz parecer que sou vidente. Quando percebi isso compreendi: o primeiro degrau já foi alcançado.



Se compararmos a mudança do nível técnico do treinamento de animais no Brasil há 10 anos e hoje, ficamos assustados. Logicamente existem pessoas que treinam da mesma forma, mas há outras, principalmente as mais novas, que estão realmente interessadas em algo diferente.


Meu próprio treino mudou muito, nas técnicas, na abordagem, na dinâmica, na sequência, nas coisas novas que fui aprendendo e incorporando, na habilidade de conversar com os donos, etc. E espero que daqui a 10 anos, eu olhe prá trás e veja novamente outra Sara, muito diferente.



Um exemplo prático é quando uma pessoa me procura e conta todo o histórico de punições que aplicou no cãozinho. Saímos na rua e ela dá um tranco atrás do outro no pobre coitado. Quando eu explico para ela que punição não é a maneira mais eficaz de ensinar, sou olhada com espanto. 'Mas foi assim que aprendi Sara, é assim que vejo na televisão, em diversos canais!' Aí eu faço duas perguntas bem simples: - Como você gosta de aprender? Como você aprende melhor?
É necessário que os treinadores entendam que:



1. Trancos realmente machucam os cães. Eles são absolutamente desnecessários. Não busque resultados rápidos, se forem prejudiciais aos cães. Busque resultados eficientes e duradouros. Um cão pode ficar paraplégico por receber sucessivos trancos.


2. Punição só extingue comportamento quando é aplicada 100% das vezes em que o comportamento ocorre e/ou se for traumática (o que significa que gerará diversos efeitos colaterais e medo ou fobia).


3. Qualquer animal (estamos incluídos, amigos!), aprende de forma muito mais eficaz e consistente quando não está com medo.


Eu senti isso na pele e essa experiência foi ótima para que eu pudesse entender o mecanismo da coisa. Quando quebrei o joelho, além de toda a dor que tive, passei por alguns exames físicos de patela dolorosos. Era entrar no consultório eu já começava a suar.
Depois, tive um episódio de pedra no rim, em que passei por exames de ultrassom traumatizantes para qualquer ser humano. Quando voltei para o médico (olha a associação negativa), nem me lembro se era do joelho ou do rim, meu corpo começou a tremer. Eu até que estava tranquila, mas a memória das associações foi tão forte que meu corpo simplesmente respondeu. Eu tremia muito, até a boca, a ponto de quase não conseguir falar com a pessoa, que perguntou se eu estava com frio.


Eu tentava me controlar e sabia na minha cabecinha inocente, que não iria passar por nenhum procedimento tão doloroso naquele momento. Fui até o banheiro e fiz uma 'respiração de grávida', mas o resultado não foi imediato. Senti realmente a adrenalina e as reações corporais ao simples estímulo de estar no local e com a pessoa que antes havia associado negativamente. Na hora lembrei dos pobres cachorrinhos no veterinário ou no banho e tosa. E entendi na prática porque muitos deles não aceitam comida nessas situações. Bem, eu realmente não iria conseguir comer uma torta de chocolate naquela hora, e até me forcei a imaginar a sensação, para entender a incompatibilidade da coisa. Esperei para ver quanto tempo depois eu sentiria fome, e demorou umas 3 horas. O mecanismo do meu sistema digestivo estava totalmente suprimido.


Todas as vezes que provocamos medo nos animais, uma associação negativa é criada. Mesmo que a pessoa 'finja' que ela não foi a causadora do susto ou da dor, o cão é suficientemente esperto para relacionar a presença da pessoa à situação. Quando se monta armadilhas, um dos efeitos colaterais é o medo generalizado do ambiente. Em outras situações, que deveriam ser normais para os cães, como passeio na rua, visita ao veterinário, andar de carro, encontrar outros cães, receber visitas, podem ocorrer associações negativas sem que a gente nem perceba.


Quando começamos a expor o filhote, dentro e fora de casa, as associações estão sendo imediatamente criadas, à medida que o cãozinho conhece pela primeira vez a grande variedade de estímulos a que estamos expostos em um dia normal. Estas associações vão sendo reforçadas na segunda, terceira, quarta vez. Em alguns casos ocorre um imprinting imediato, ou seja, a associação é criada na primeira exposição ao estímulo. Geralmente ocorre de forma mais intensa com associações negativas, pois disso depende a 'sobrevivência' do cãozinho, pelo menos na cabeça dele (fugir, se esconder, paralisar, atacar).



Por isso, é muito importante:


4. Criar associações positivas com os mais variados estímulos, o máximo que conseguirmos, em diversas sessões consecutivas.


Voltando aos tempos em que comecei a aprender como ensinar o cãozinho a Sentar*, eu também não compreendia que tudo isso leva tempo. Não adianta entupir um aspirante super entusiasmado com o montante de informação e experiência que temos. Isso precisa ser digerido, aplicado pouco a pouco, associado com experiências e conclusões próprias, e um desenvolvimento do feeling e da capacidade de percepção na observação dos comportamentos, que é gradual, e cada um tem seu tempo. Foi exatamente isso que ocorreu comigo*. Por isso acho que essa leva de novos adestradores ainda pode render muitos bons frutos.


* O comando Senta pode não ser tão simples como parece. Pense no seu cão, há 15 metros de distância de você, na Avenida Paulista, respondendo ao seu comando para sentar, com latência zero e foco 100%. Simples não?


* Ficamos extremamente felizes quando vemos alguém que fez nossos cursos ou estágio, conseguindo resolver sozinha um problema, criando novas soluções (e nos ensinando também).


domingo, 26 de abril de 2009

Conversa entre dois cães


O Max encontra o Brutus que está solto num pátio. O Brutus rosna quando vê o Max aproximar-se do portão


Max - “Calma companheiro, eu não vou invadir o teu território só venho conversar!”Sou pacífico!”

Brutus - “GRRRRRR! Também eu, mas o meu dono é que não gosta de outros cães, por isso é melhor ires embora senão sobra para mim..: GRRRRR!”

Max - “Como assim ele não gosta de outros cães?”

Brutus - “Não vez? De cada vez que um cão se aproxima ele puxa na coleira e estes espigões cravam-se no meu pescoço! Sai daqui! GRRRRRRR! Ele pode sair de casa e vem cá e fecha-me na garagem! Vai embora! GRRRRRR”

Max – “Credo nem tinha reparado, eu afasto-me então”

Max vira-se e cheira o chão afastando-se. Já longe...

Max - “Como te chamas?.”

Brutus – “O meu nome é Brutus Não. E tu?

Max – “Eu sou o Max Muito Bem”

Brutus – “Porque é que não tens uma destas coleiras como a minha?”

Max – “Não sei... se calhar o meu dono não tem medo de cães ..”

Brutus – “Pois, mas sem a coleira como é que sabes o que podes fazer?”

Max – “Como assim? “

Brutus – “Bom, o meu dono quando não quer que cães se cheguem perto ele puxa na coleira, mas por exemplo, quando quer que eu me sente também puxa na coleira para trás e quando quer que eu me deite também. Mas eu sou muito inteligente e já percebi, e antes que ele puxe, eu já faço o que ele quer quando ele diz aqueles sons altos, Platz por exemplo é quando ele quer que eu me deite. Eu deito-me antes dele ter que usar a coleira, assim poupo o meu pescoço”.

Max – “O meu dono diz o som deita quando quer que eu me deite. Eu também faço esse truque! Mas ele não usa a coleira.”

Brutus – “Mas sabes sempre que ele quer? No outro dia estavamos num sítio com muitos cães e eu fiquei preocupado e queria estar de pé para poder ver o que se passava e quem vinha lá, e o meu dono disse o som Platz, mas eu não sabia se ele queria mesmo que eu me deitasse, porque ele nunca me pediu isso antes quando estamos com tantos cães à volta e havia lá alguns cães não muito amigáveis, eu bem vi..:”

Max – “ que horror! Mas tentaste dizer-lhe que te sentias desconfortável a deitares-te à volta de tantos cães?”

Brutus – “Sim mas foi pior!”

Max – “Como assim?”

Brutus – “Bom eu, lambi os lábios e baixei a cabeça, mas ele ficou muito chateado comigo e ainda puxou mais na trela enquanto gritava Platz!. Depois disse que eu era “desobediente”. Sabes o que é isso?”

Max – Não...

Brutus – “Nem eu.... Mas deitei-me porque me dóia muito o pescoço dos esticões. Se tu não tens coleira como é que fazes?”

Max – “Bom o meu dono dá-me sempre uma recompensa quando eu me deito.”

Brutus – “Recompensa? Que é isso?”

Max – “Bom ele dá-me sempre um petisco, às vezes dá-me galinha ou então atira-me a bola, outras vezes joga ao tug comigo, é muito divertido”

Brutus – “Sempre que ele diz aquele som e tu fazes o deita ele dá-te isso?”

Max – “Bom nem sempre, mas quase sempre. Eu por via das dúvidas faço sempre porque quando menos espero ele dá-me algo e não custa nada fazer não é?”

Brutus – “Pois... assim é”

Max – “Já tentas-te dizer ao teu dono que os outros cães não fazem mal?”

Brutus – “Não sei como. Tudo começou quando ele me levou ao treinador. Eu não percebi nada do que ele diziam, mas o meu dono pôs-me esta coleira e o treinador disse que eu não ia puxar mais na trela. Eu senti-me muito desconfortável com esta coisa no pescoço e tinha que caminhar muito devagar, mas lá me fui habituando. Um dia quando passeavamos vi a Carlota sabes quem é?”

Max – “A Labradora do quarteirão de cima? Aquela com a coleira verde?”

Brutus – “Essa mesmo. Eu quando era pequenino brincava com ela, e então eu vi-a e chamei por ela. Ladrei e tentei caminhar para perto dela, para podermos brincar outra vez. Mas o meu dono começou a dar-me muitos esticões na coleira e começou a doer muito, e foi aí que eu me apercebi que ele tinha começado a não gostar de cães. A partir daí começei a dizer aos outros cães à distância para sairem do caminho do meu dono. Ladro alto para eles ouvirem bem e mostro que estou a falar a sério, mas o meu dono fica mesmo zangado..:”

Max – “Coitado do teu dono ele se calhar teve algum trauma quando tu não estavas lá”

Brutus – “Pois, mas eu por mais que ladre aos outros cães e os avise para se afastarem o meu dono continua a não gostar muito... Perdi todos os meus amigos e sinceramente deixei de gostar de falar com outros cães, nem gosto de os ver perto”.

Max – “Pois assim é complicado. Espero que o teu dono ultrapasse esse medo e te liberte dessa coleira feia. Nem sei porque é que a tens ao pescoço se estás no teu pátio solto”.

Brutus – “Ele nunca me tira isto. Diz que eu me porto mal quando não a tenho e que preciso de o respeitar. Sabes o que é isso?”

Max – “Não... desculpa não sei o que é”

Max aqui anda vamos embora companheiro! – chama o dono do Max

Max – “Tenho que ir o dono tem algo para mim! Boa sorte Brutus Não...se te vir a passear com o teu dono afasto-me não te preocupes..:”

Brutus – “Ó pá obrigada... Xau, foi bom conversar, mas não venhas mais por aqui.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Como habituar o seu cão à Crate

Joel na Crate enquanto rói um osso

A habituação à crate deve ser feito passo a passo assegurando-nos que o cão vai aprender a apreciar o tempo que está lá dentro, se não o fizermos correctamente o cão associa o tempo que passa dentro da crate como um castigo ou um enclausuramento e pode desenvolver problemas comportamentais sérios como ladrar incessantemente, ansiedade, etc.

A crate deverá ser suficientemente grande para garantir que o seu cão consegue pôr-se em pé e dar a volta lá dentro, assim como ter as patas esticadas. A crate nunca deverá ser pequena demais, porque isto poderá causar problemas sérios nas articulações e ossos do seu cão, portanto assegure-se que obtém o tamanho correcto.

Durante a primeira semana

- Após ter comprado a crate e durante as primeiras duas semanas a crate deverá ter a porta sempre aberta.Se fôr necessário mantenha a porta aberta prendendo-a com um fio ou algo que a mantenha segura.


- Coloque um cobertor ou algo fofo que o seu cão goste para fazer a cama dele dentro da crate.


- Todas as refeições deverão ser dadas dentro da crate.


- Deverá de quando em quando, colocar pedaçinhos da ração dentro da crate para que o seu cão seja agradavelmente surpreendido quando lá fôr.


- Brinque com o seu cão atirando uma bola ou brinquedo para dentro da crate e deixando-o ir lá buscar.


- NUNCA force o seu cão a permanecer dentro da crate, a regra é ter a porta SEMPRE aberta.
Se o seu cão entrar dentro da crate e se deitar lá dentro voluntariamente, recompense-o dando-lhe um pedaçinho de comida e dando-lhe atenção.


- É importante que o cão associe o estar dentro da crate a muitas situações positivas e vantajosas acontecem. Para onde fôr possível, leve a crate consigo para o local onde passa mais tempo, para que ele tenha sempre a possibilidade de ir para lá, mas permanecer perto de si e mantendo contacto visual consigo.


Durante a segunda semana


- A porta da crate deverá manter-se aberta durante todo o tempo.


- Continue a reforçar todos os momentos que o cão voluntariamente escolher estar dentro da crate.


- Se o seu cão adormecer dentro da crate,feche a porta mas permaneça no mesmo local (onde ele o possa ver). Nesta fase ele já deverá ter dormido dentro da crate algumas vezes por escolha dele. Se fôr a primeira vez que ele adormece na crate, não feche a porta.


- Todas as refeições deverão ser dadas dentro da crate, mas desta vez feche a porta enquanto ele come. Certifique-se que abre a porta da crate alguns segundos ANTES do cão terminar a refeição.


- Continue a brincar com ele e a atirar ou brincar com os seus brinquedos favoritos dentro da crate.


- Continue a mudar a crate de local para onde você passa mais tempo.


Durante a terceira semana


O cão já deverá estar muito mais ambientado com a crate.


- Feche a porta durante as refeições e não abra logo. Espere algum tempo antes de abrir a porta.


- Enquanto o cão come, saia do mesmo compartimento deixando o cão só e dentro da crate.


- Dê Kong ou osso de roer ao seu cão dentro da crate e feche a porta. Saia do local e volte assim que ele terminar. Pratique durante a semana e vá aumentando o tempo que ele permanece lá dentro depois de ter terminado o Kong ou osso.


- Se o seu cão adormecer dentro da crate, feche a porta. Pode ausentar-se, mas fique atento e solte-o assim que ele acordar (só e apenas se ele não estiver a ladrar ou a pedir para sair, só se pode abrir a porta se o cão estiver calmo, senão ele aprende a ladrar para que lhe abram a porta).

Seguindo o esquema da terceira semana, vá aumentando o tempo que o cão permanece dentro da crate gradualmente e devagar, assim como aumentando o tempo que ele fica só enquanto está lá dentro.


Dicas Importantes


* NUNCA deixe o seu cão dentro de uma crate mais do que 4 horas seguidas. 4 horas é o tempo máximo de enclausuramento em crate para um cão.


* Leve-o sempre à rua ou ao local para urinar depois de lhe abrir a porta da crate, para que ele tenha a oportunidade de ir à casa-de-banho no local correcto.


* Cachorros não devem permanecer dentro de crates por mais do que 1h se cada vez e sempre supervisionados.


* NUNCA abra a porta da crate ao seu cão se ele estiver a ladrar, esgravatar ou a tentar sair. Se isso acontecer, espere pacientemente que ele se acalme, leve o tempo que levar. Não fale com o cão nem estabeleça contacto visual. Quando ele se acalmar, abra a porta e deixe-o sair.


* Se o seu cão estiver muito aflito para sair, quer dizer que você andou depressa demais. Volte a pensar nos passos acima citados e comece do início. As crates são extremamente úteis e normalmente os cães aprendem a adorar estar dentro das mesmas, mas o processo de habituação deverá ser gradual e feito com tempo.


* A crate permite dar ao seu cão um local seguro e calmo e seguro. Respeite a crate do seu cão, não deixe que crianças incomodem o seu cão se ele estiver na crate. Quando um cão escolhe ir para a crate um cão está a escolher recolher ao seu “ninho”.


* Certifique-se que a crate está num local da casa onde ele possa observar o que se passa e não totalmente isolado, porque isso far-lo-á sentir que está isolado da família.


* O sistema de treino com crate é extremamente útil para resolver problemas que vão desde destruição em casa, ensinar a ir à casa-de-banho no sítio certo, poder separar dois cães, mantendo-os seguros até casos mais complexos como ansiedade de separação, agressividade e outros. Todos estes problemas deverão seguir um protocolo de modificação comportamental acompanhado por um comportamentalista/treinador.


* Normalmente leva muito menos tempo do que 3 semanas a ambientar um cão a uma crate, no entanto, é melhor não arriscar e perder algum tempo na habituação e ter um cão completamente confortável e seguro dentro da crate.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Entrevista


A Sara do Blog Meu Cão Meu Amigo fez-me uma entrevista e publicou no seu blog. As questões que ela colocou são muito interessantes, dêem uma vista de olhos.

domingo, 5 de abril de 2009

Chega de ignorância e abuso animal!

Diga NÃO ao abuso animal. Se alguém lhe pedir dinheiro para maltratar o seu cão, recuse e procure outra alternativa. Elas existem!

Bater num cão, tirar-lhe o ar, literalmente causar dor ou magoar um animal NÃO é treino!



Isto não é treinar cães!





Um bom treinador não fala com os seus clientes desta forma! Isto não é treinar cães, nem é profissionalismo.



Dominância NÃO é a explicação para TODOS os comportamentos de um cão.
Maltratar um cão atirando-o ao chão NÃO é treinar um cão.
"Dominar" através do medo não é treino.
Respeito não se obtem através do medo.

Um cão não DOMINA AS LUZES! Quem acredita nisto?




Um cão não DOMINA OS GATOS! Quem acredita nisto??




Isto é ridículo, quem paga a alguém para segurar o rabo do cão? E se fosse um cão com o rabo cortado qual seria a solução??




"In a new, year-long University of Pennsylvania survey of dog owners who use confrontational or aversive methods to train aggressive pets, veterinary researchers have found that most of these animals will continue to be aggressive unless training techniques are modified."

“Nationwide, the No. 1 reason why dog owners take their pet to a veterinary behaviorist is to manage aggressive behavior,” Meghan E. Herron, lead author of the study, said. “Our study demonstrated that many confrontational training methods, whether staring down dogs, striking them or intimidating them with physical manipulation does little to correct improper behavior and can elicit aggressive responses.”

sexta-feira, 13 de março de 2009

DogTown versus Dog Whisperer

Existe um novo programa de TV cortesia da National Geographic, a mesma estação que transmite o Dog Whisperer “O encantador de cães”.
É chamado DogTown, e baseia-se em cães que foram salvos de situações que vão desde tristes a horríficas. Os cães são trazidos para o santurário da Best Friends no Utah, onde são reabilitados fisica e comportamentalmente por uma equipa de treinadores.

O primeiro episódio de DogTown focou-se em 22 pit bulls confiscados do caso Michael Vick. A maioria deles tinham sido usados em lutas, e alguns tinham sido usados como cães isco. Por entre os novos episódios de Dog Town, a National Geohraphic transmitiu um novo episódio do Encantador de Cães entitulado “Dueling Pit Bulls” ou Pit Bulls à luta. A diferença entre os dois programas na forma como procediam à modificação comportamental dos animais era evidente.

A maioria dos cães em DogTown não tinham qualquer socialização com pessoas, e alguns nunca sequer tinham sido passeados numa trela. Muitos eram agressivos com outros cães, claro, e alguns mostravam comportamentos agressivos a pessoas. Os treinadores no DogTown explicaram que o comportamento aparentemente agressivo era na realidade um baseado no medo, fruto da falta de socialização. Eles nunca corrigiam os cães fisicamente, mas ensinavam os cães que podiam confiar nas pessoas.

O caso do Encantador de Cães involvia duas Pit Bull fêmeas, mais ou menos da mesma idqade, que estavam a começar a lutar em casa. O casal donos das cadelas, já as tinham juntas há algum tempo sem incidentedes. Após terem encontrado um homem no parque, que tinha Rottweilers bem comportados, eles decidiram mandar os seus cães com esse homem que era treinador. Três semanas mais tarde, os vães voltaram com feridas que haviam infligido uma à outra. Depois disso, as cadelas começaram a lutar em casa. Os donos conseguiram lidar com a situação com sucesso mantendo-as separadas, mas estava a colocar todos em stress e no relacionamento de ambos. Entra Cesar. De acordo com os donos, o pit bull chamado Sandi não tinha problemas com outros cães. Trinity, por outro lado, não só atacava a Sandi, mas era também agressiva com outros cães na rua. Foi mencionado que a provocadora de algumas das lutas teria sido a Sandi, que fixava o olhar na Trinity e mostrava linguagem corporal confrontacional. Cesar não hesitou em caracterizar a Trinity um cão “red zone”, ou cão zona vermelha (indicando um perigo muito alto).

De volta a DogTown os treinadores eram confrontados com a difícil tarefa de trabalhar com os cães que tinham sido especificamente usados para lutas e não tinham tido nenhuma socialização com pessoas. Muitos eram medrosos, outros eram agressivos . A aproximação aos problemas destes cães, foi a técnica chamada desensitização gradual. Para os cães que não eram sociáveis com pessoas, para começar, alguém simplesmente passava tempo no canil com o cão, a ler ou apenas sentado, não forçando nenhum tipo de interacção. Os cães progrediam ao seu próprio passo, levando o tempo que eles quisessem até se sentirem confortáveis, e eventualmente começavam a aproximar-se e a cheirar a pessoa, tornando-se gradualmente mais confiantes e arriscando mais na interacção com as pessoas. Com os cães que eram agressivos com outros cães, estes eram apresentados a um outro cão, um de cada vez, com todos os cuidados- As apresentações eram inicialmente feitas caminhando os dois cães lado a lado com trelas longas e quando os treinadores sentiam que era seguro, largavam as rtelas no chão. Os treinadores permaneciam calmos e davam encorajamento verbal de cada vez que os cães agiam de uma forma amigável um para o outro.

No programa do Encantador de Cães, com os donos presentes, foi colocada um mordaça na Trinity e esta foi levada para um canil enorme que continham o largo e “bem estabelecido pack” de cães do César. Este “pack” continha cães desde outros pit bulls, a cachorros e até chihuhuas. Imediatamente começamos a ouvir muitas rosnadelas dos dois lados da vedação antes da apresentação, mas quando se pensou que os cães estavam mais calmos, a Trinity foi levada para dentro do canil. Ela estava visivilmente nervosa, e em determinada altura, recebeu um correção na trela pelo que o que eu apenas posso assumir ter rosnado a outro cão (era difícil ouvir). Não houve quaisquer incidentes, e a Trinity foi lá deixada para treino.

Quando os donos vieram visitar, a Trinity estava à solta em sem mordaça com um número de cães à solta (ceerca de 10). Nenhum dos cães tinha coleiras ou trelas. Uma luta começou entre a Trinity e um outro Pit Bull, e outros cães, que também ficaram excitados, começaram a lutar. A Trinity e o outro Pit Bull prenderam-se um ao outro (no final disto os dois precisaram de 5 pontos cada). Algumas pessoas (que penso estivessem associados ao programa) entraram no canil. A dona da Trinity agarrou um chihuhuha pequeno que estava no canil de forma a protegê-lo. Após algum esforço, Cesar e um outro homem conseguiram que os Pit Bulls se largassem enquanto os donos olhavam horrificados (isto foi conseguido com Cesar e um outro homem a agarrarem um cão cada e a conselho do Cesar, “a esperarem”). De seguida o Cesar colocou-se imediatamente a ele, à Trinity e ao cão com quem ela tinha lutado num canil mais pequeno, para que os cães pudessem experienciar “recuperação” – estarem na companhia um do outro duma forma calma.

Em DogTown progresso era visível. O bonito, mas tímido pitbull preto de nome Cherry estava a fazer progressos fantásticos em criar laços com as pessoas. O cão anteriormente agressivo, estava enquanto preso a uma coleira para segurança, a ser apresentado a novas pessoas. Nem tudo era caudas a abanar e progresso. Dois dos cães foram apresentados enquanto estavam com trelas longas e começaram a lutar. Mas graças às trelas longas os treinadores, conseguiram rapidamente separá-los e depois calmamente separaram os cães. Eles decidiram deixar que os cães se acalmassem e tentarem noutro dia.

O Encantador de Cães informou os donos que o prognóstico da Trinity não era bom. Ele sugeriu que eles trocassem cães, ou sejam que eles deixassem a Trinity com ele e levassem um cão dele com eles. Claro esta sugestão não foi bem aceite, especialmente a dona que já tinha desenvolvido uma grande afeição por Trinity. Durante a discussão, onde todos estavam sentados na roloutte do Cesar, Trinity, o cão red zone que tinha sido identificado como muito perigoso que nem sequer podia ser trabalhada na sua própria casa, estava presente, sem mordaça, junto com um outro grande Pit Bull de nome “Daddy” que pertence ao Cesar. Os dois cães começaram a lutar (A Trinity estava a ter muitas oportunidades de praticar!). Imediatamente a seguir, quando alguém tentou tirar o Daddy da rouloutte o Cesar disse que não, que queria ambos juntos para -mais “recuperação”.

De volta a DogTown, dois dos Pit bulls que tinham tido problemas com outros cães continuavam a ter progressos. Após uma apresentação cuidadosa com trelas longas, e depois de um ou dois momentos mais tensos, eles acabaram a brincare. Os treinadores estavam felicíssimos. Aliás, muitos dos cães anterioramente não socializados estavam a ter progressos fantásticos, mas outros não. Eles continuariam a trabalhar com estes, devagar e com cuidado. A mensagem é que estes cães que tiveram um passado muito triste, conseguiam com amor, paciência um com gestão e técnicas graduais e cuidadas modificar o seu comportamento.

A mensagem do Cesar aos donos da Trinity e da Sandi foi de que eles não eram bons líderes (esta mensagem é passada a todos os donos em todos os episódios que eu vi). Eles simplesmente precisam de energia calma e assertiva, ele explicava, de forma a que os cães pudessem dar-se bem em casa. (a “energia” dos donos não podia ser assim tão má uma vez que as cadelas já tinham vivido juntas muito tempo sem incidentes antes de serem enviadas para aquele dito treinador). Cesar devolveu a Trinity a casa dela. Assim que foi tirá-la da mala do seu carro, ele mencionou que ela tinha estado a usar uma coleira de choques enquanto esteve com ele, e que seria mais uma coisa que os donos também deviam ter. Em casa, quando a dona perguntou ao Cesar se podiam deixar os cães juntos sem supervisão dentro de casa (uma vez que seria difícil tê-las debaixo do olho 24/7) o Cesar asssegurou-lhes que não haveria problema. Eles fizeram um update no final do programa a dizer que as cadela estavam a viver em casa sem problemas.

As diferenças entre estes dois programas eram óbvias, tanto na aproximação dada à forma como se modifica comportamento, como nas medidas de segurança tomadas quando lidando com estes cães. Claro, sendo televisão, existem edições e relatos em voz off e nós na realidade não sabemos a realidade em nenhum dos programas. Mas existem algumas observações.

1. Foi óptimo ouvir treinadores em ambos os programas dizer que os problemas mostrados não estavam relacionados com a raça mas sim com o cão individual em si.

2. Infelizmente, no Encantador de Cães, o público recebe muita má informação através dos comentários de Cesar aos donos. Por exemplo, ele diz-lhes que a Trinity ao levantar a pata da frente do chão quando os donos caminham é um sinal de que ela se está a tornar agressiva (ele diz que ela está a ser protectiva com os donos). Uma pata levantada pode de facto ser um sinal de apaziguamento ou ansieade, mas agressão? Não.

3. Em DogTown enquanto que não era perfeito (por exemplo não é aconselhável que uma pessoa se agache quando é apresentado a um cão que mostra sinais de agressão com pessoas) não apresenta os sinais de aviso ou cuidado apresentados ao público. Os métodos que eles usam não pedem esses avisos. No encantador de cães o programa está repleto de avisos de cuidado e não tentem isto em caso, porque os seus métodos são na realidade perigosos.

4. Colocar dois cães que estão excitados porque acabaram de lutar um com o outro, num espaço pequeno juntos é uma péssima ideia, e pode facilmente levar a mais lutas. Por favor não façam isto em casa!

5. Quanto á técnica de colocar um cão que é agressivo com outros, no meio de um “pack” de cães: se você levasse um adolescente que tinha tendências para ser agressivo com o seu irmão mais novo em casa, para o meio de um gang de miúdos da rua, como é que você acha que ele reagiria? O instinto de sobrevivência é fortíssimo quer em cães quer em humanos, e tal como os cães, a maioria dos humanos não faria absolutamente nada; Eles tentariam não sair magoados da situação. Você pode apostar que aquele adolescente não começaria uma luta. Então como é que um “pack” de cães resolve o problema que uma cadela tem em casa com outra com a qual vive? O tal adolescente que você colocou no meio do gang, acha que o facto dele não ter agido com violência nesse caso, quereria dizer que ele já não ia bater mais no irmão mais novo em casa? Duvido, e também não estou convencida, apesar do tal “follow-up” que aquelas duas cadelas viveram felizes para sempre. Teria sido bom explorar a linguagem corporal e sinais que a Sandi estava a dar e que começavam as lutas, e ensinar os donos a reconhecer esses mesmos sinais e evitar o início das lutas. É claro que isso apenas, não iria resolver o problema, mas seria um componente essencial. Claro, isso não teria feito um espectáculo de televisão cintilante.


6. Existe uma cena no Encantador de Cães no qual o casal está no jardim com as duas pitbulls. Os cães iniciam uma luta. O casal, que estava perto, imediatamente agarram as cadelas pelas patas de trás e tentam separá-las. Isto demora longos e horriveis segundos. A mulher está claramente em pânico, como qualquer outro pessoa ficaria. Eles conseguem separar os cães. Agora pensem, isto está a ser filmado! Não sera que eles provocaram aquela situação com o intuito de provocar uma luta? Eu não tenho certezas de nada, mas esta cena teria que ser filmada e incluída no programa para mostrar o problema. Como é que ambos os donos estavam precisamente perto dos cães e souberam agarrar nas patas traseiras dos cães, e porque é que quem é que estava a filmar não ajudou os donos que estavam obviamente aflitos? Claro, a cena tem um rating de audiências espectacular - é o sensacionalismo no seu melhor. Mas será ético colocar dois cães numa posição em que têm tendência para lutar, apenas para nosso entertenimento? Que ironia que este episódio foi “ensandwichado” entre episódios de um programa que reabilita cães de luta. E claro, tudo isto deu à Trinity apenas mais uma chance de praticar a sua agressão.


É óptimo que mais programas acerca de comportamento canino estão a chegar ao grande público- E quer seja o Encantador de Cães, o It’s Me or the Dog, estes certamente encorajaram mais pessas a exercitar os seus cães e a chamar treinadores para ajudarem. Mas com um espectro de audiências tão grande e com tanto potencial em influenciar a forma como as pessoas entendem comportamento canino, como abordá-lo e modificá-lo, apenas posso esperar que o programa DogTown seja aquele que dita a nova maré do que estará para vir.



domingo, 15 de fevereiro de 2009

O QUE SÃO EXERCÍCIOS DE AUTO CONTROLE E PARA QUE SERVEM

Exercícios de auto controle são exercícios que ensinam o cão a controlar-se e amnter os seus níveis de excitamento e ansiedade sob controle. Muitos cães não são ensinados a controlar os seus níveis de excitamento e quando ultrapassam os seus limites oferecem comportamentos que chamamos de “displacement behaviours” tais como correr pela sala, ladrar, movimentos copulatórios, mordiscar a roupa, braços ou pernas, agredir outros cães ou animais que estejam presentes, etc..
Todos estes comportamentos normalmente são confundidos com agressão, mas na realidade não passam de comportamentos típicos de cães que quando confrontados com uma situação que lhes sucita muita excitação e ansiedade, não sabem o que fazer.
Treinar um cão com métodos positivos ajuda o mesmo a lidar com esses níveis de frustração e excitação, mas não é o suficiente. É necessário que integremos estes exercícios de auto controle no dia-a-dia e aproveitemos as situações diárias e que normalmente são muito excitantes para um cão, em oportunidades de ensinar o cão a controlar-se.
Este ensino faz-se com o uso de castigo negativo, isto é, algo que o cão quer é-lhe retirado ou impedido o acesso até que ele ofereça um comportamento apetecível. Não existe necessidade nenhuma de usar castigos físicos ou punições.
Exercícios de auto controle podem ser praticados por exemplo na altura de levar o cão à rua para um passeio. Normalmente o simples facto de pegarmos na trela já faz com que o cão desate num arrail de comportamentos excitáveis, tais como ladrar, pular, arranhar a porta, etc.. Uma forma de treinar auto controle é esperar pacientemente que o cão se acalme antes de lhe colocarmos a trela. É possível que das primeiras vezes que façamos este exercício não consigamos nem colocar a trela. Se assim fôr e o cão não acalmar, pouse a trela e tente mais tarde. A chave para este tipo de treino é consistência e o seu próprio controle sob a situação.

Estabeleça o critério que pedirá ao seu cão. Algumas pessoas apenas querem que o cão não ladre nem salte antes de ir à rua, outras quererão que o cão se sente e permaneça sentado até que digamos um OK, que é o meu caso. Depois de estabelecer o que espera do seu cão, seja consistente. Até que ele lhe ofereça aquilo que espera dele, não ceda. Ele rapidamente vai aprender que permanecer sentado e quieto em frente à porta enquanto pegamos na chave e colocamos a trela e coleira é a forma mais rápida que ele tem de aceder à rua. Se ele se levantar, então esse acesso ser-lhe–á negado.

Pratique este exercício diariamente até que seja automático. Estes exercícios são muito importantes e extremamente úteis para a nossa convivência com os nossos cães.
Em baixo deixo dois vídeos de exemplos de auto controle, um à porta antes de ir passear e outro a colocar a comida no chão.

Bons treinos!




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O que é preciso para treinar o seu cão


“O treino obediência já não é aquilo que era. Eu lembro-me à muito tempo atrás costumavamos caminhar horas à volta estrangulando os nossos cães com estranguladoras e sendo monitorados por um instructor ao estilo militar. Hoje em dia, os princípios de como os animais aprendem e um maior fluxo do número de pessoas que realmente sabem como ensinar outras, tornou a actividade muito mais agradável e eficaz.” – Jean Donaldson

Hoje em dia, o treino positivo permite que as oportunidades de treino se estendam às situações do dia a dia. Basta inserir o treino durante os anúncios da sua série favorita à noite, antes de colocar a tigela da comida do seu cão no chão, na esquina de uma rua durante o passeio, quando chega a casa do trabalho à porta de casa, etc. Para a maioria dos donos de cão se não todos, este tipo de treino é o mais realista.

O que você precisa

“A primeira coisa é estar alerta. Tempo seria melhor, mas uma vez que a maioria de nós tem o tempo contado, estar alerta éa primeira coisa do que precisa na sua lista. Precisa de estar alerta para perceber todas as oportunidades de treino fantásticas que se apresentam durante o dia. Os cães estão sempre a aprender, quer estejamos activamente a treiná-los ou não Eles são autênticas máquinas de aprendizagem. O que nos leva ao tema dos motivadores.

Você irá precisar uma lista dos maiores motivadores para o seu cão: os motivadores de ouro, prata e bronze. Este provavelmente serão coisas tais como conhecer e brincar com outros cães, algum tipo de comida apetitosa tal como queijo ou fígado cozido, ir dar um passeio, cheirar determinados locais como postes ou apanhar uma bola ou Frisbee.
Os cães viciados em bolas ou Frisbees são os chamados pelos treinadores de “high drive dogs”, o que quer dizer, especificamente, que têm um alto sentido predatório – a bola ou Frisbee para eles tal como um bicho a correr e isso despoleta algo dentro deles. Este tipo de cães são fáceis de motivar mas têm tendência a serem cães muito muito muito energéticos.
Cães como Border Collies, Malinois, Goldens e Labs de linhagem de trabalho, Pastores Alemães de linhagem de trabalho, Jack Russel Terriers e alguns Australianos de pastoreio veêm-me à cabeça. Cães que não têm um sentido elevado de drive, também podem ser treinados – também eles terão os seus motivadores de ouro, prata e bronze e em geral é muito mais fácil viver com este tipo de cães.”




O seu cão também pode adorar passear de carro, que lhe abram a porta para ganhar acesso ao jardim, ou que a abram para voltar a entrar em casa, por exemplo. Pode adorar festas, que lhe atirem a bola ou que o deixem ir dizer olá ao cão da vizinha. Estas situações também são usadas como motivadores.

Você tem que parar de dar todas estas “coisas” de graça. A partir de hoje peça sempre ao seu cão, que faça algo antes de lhe dar acesso às suas coisas favoritas. O treino positivo opera muito sob a permissa de que "eu dou-te o que tu queres, se tu me deres o que eu quero", portanto se a Safira quer subir para o sofá, tem que fazer um deita primeiro. Se quer ir á rua, tem que me oferecer um senta e espera primeiro, etc....
Se o seu cão estiver a saltar que nem um tolo em frente ao corredor antes de ir passear, por favor, não coloque a trela e leve-o a passear! Aquilo que o cão aprende é que comportamentos de histeria fazem com que tenha acesso ao que ele mais quer.
Peça que se sente e espere antes para ter acesso ao passeio. Se ele não se sentar, simplesmente vá embora e tente de novo dali a uns minutos. Talvez você tenha que se contentar apenas com um cão mais calmo no início, antes de pedir um senta e fica, mas assim que conseguir que ele esteja mais calmo, algumas vezes depois peça o tal senta e fica.
Dentro de poucas semanas o cão irá provavelmente estar imóvel, sentado enquanto você vai buscar a trela, veste o casaco , pega nas chaves e abre a porta. Ele não se atreve a mexer, com medo que você cancele o passeio nem que seja temporariamente.


Lembra-se quando falei das oportunidades que surgem no dia-a-dia? Você irá tê-las, portanto quando as tiver, não as ignore.

A seguir é uma lista de comportamentos que você quer do seu cão. Isto pode incluir sentar-se em frente às pessoas para dizer olá, na vez de saltar para cima delas, deitar-se na cama na vez de pedir comida à mesa, vir quando é chamado. A lista é sua, escolha!

Se o seu cão puxa na trela que corra à loja de animais mais próxima e compre um halti harness. Estas novas trelas não ensinam o seu cão a não puxar mas tornam os seus passeios bem mais fáceis, na medida em que é mais fácil segurar e manter o cão perto de si, sem que este lhe arranque o braço! Depois peça ajuda a um treinador positivo para lhe dar as técnicas de como pode ensinar o seu cão a andar sem puxar, na trela. Mas esta trela permite-o ter passeios mais relaxados e focar-se entretanto noutras coisas como brincar, treinar sentas ou simplesmente gozar dos passeios.

Outro objecto essencial é o clicker. Porquê? Porque o clicker irá permitir que comunique eficaz e rapidamente com o seu cão. Permite moldar comportamentos tão complexos como levantar a pata traseira ou tão simples como deita. Mas acima de tudo torna o processo de aprendizagem muito mais rápido. Para quem não quer usar o clicker, uma palavra que marque o momento certo também serve, embora esta pode deter uma carga emocional ou ser desfasada do comportamento em si. O clicker é um objecto barato, e fácil de se usar e deverá ser usado apenas no início para ensinar comportamentos novos. Quando o cão já souber esses comportamentos não há necessidade de usá-lo mais.

Outra vantagem do clicker é poder ser usado por qualquer pessoa. Facilmente uma pessoa de idade, uma criança ou até uma pessoa comdeficiência física e numa cadeira de rodas pode treinar o seu cão. Não há necessidade de usar força física e o treino torna-se parte da vida de todos os que têm um cão, e não só daqueles que têm força ou carácter autoritário.


Também precisa de brinquedos. Bolas, frisbees ou o tipo de brinquedos que ganham vida nas suas mãos. Cordas de puxar são óptimas e são óptimos jogos de cooperação. Deverão ser jogados com regras restritas e o cão deve ser ensinado a pegar e largar sob comando tal qual neste vídeo aqui. Mas depois do cão estar ciente do que as palavras pega e larga significam este jogo é óptimo para cansar o seu cão, criar um laço maior entre vocês e tornar-se-á um motivador de ouro para treinar outros comportamentos.

Uma coisa que necessitam q.b. é consistência e paciência. Lembrem-se que não existem treinos milagrosos. Nenhum cão aprende do dia para a noite, com método nenhum! Isso só mesmo na televisão e nos shows editados de 45 minutos. Os cães que vemos na vida real a ganharem medalhas de obediência, a correrem agility, a salvarem vidas de pessoas, a detectarem bombas ou a assistirem cegos ou pessoas com deficiências, são treinados durante muito tempo. Não espere que o seu cão seja diferente. Muna-se de paciência e divirta-se com o seu amigo, afinal de contas o treino é um jogo para ele, torne-o um jogo para si também!


O que não precisa


Não precisa de coleiras de choque, estranguladoras ou coleiras de bicos. Não precisa de berrar, usar força física ou assustar o seu cão para conseguir treiná-lo. Estas coisas são algo que fazem parte de um passado onde nada melhor havia. Hoje em dia temos sorte! Porque podemos obter resultados sem termos que aceder a esses instrumentos de treino antiquados.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Treinadores de Clicker, com clicker e "balançeados"



O tema que quero abordar hoje é o dos chamados treinadores com clickers, versus os treinadores de clicker.


Primeiro começo por fazer a distinção do que é um treinador de clicker. Um treinador de clicker é um que usa o clicker como instrumento de ensino, sabe aplicar as técnicas nas quais se baseiam o clicker e consegue obter resultados tão simples como ensinar um cão a sentar, ou até mais complexos como ensinar um cão a detectar ataques de epilepsia.


Treinadores com clicker são aqueles que pegam na caixinha com a patilha de metal, ou até numa tampa de uma lata de sumol, atiram pedaços de comida aleatoriamente ao cão, e desistem antes de tentar. O clicker em si, o objecto de plástico, tem pouco ou nenhum valor se quem pegar nele não souber a mecânica do método que está por trás do mesmo. Se a pessoa que usa o clicker não sabe como fazer com que o cão trabalhe sem comida ou clicker à vista, a falta não está no método, mas sim no treinador que o usa e não sabe o que faz.


Como treinadora que usa métodos positivos e de clicker, fico fascinada quando algum “treinador” afirma que o método positivo ou do clicker não funciona. Aqui em Portugal a informação é escassa, e a maioria da informação ainda prevalece nos métodos tradicionais, mas cada vez mais os métodos positivos são usados e escolhidos por muitos.


A maioria dos cães que veêm nos anúncios das vossas televisões como este famoso anúncio da União Zoófila (http://www.youtube.com/watch?v=F1xqSmnsSXg&feature=channel_page ), este anúncio da galinha com o Bruno Nogueira lembram-se? http://www.youtube.com/watch?v=cDhT3B4R56E ou até este anúncio com um porcoa andar de bicicleta para o IKEA (http://www.youtube.com/watch?v=8mXVcx2bJxU ) foram treinados com o clicker pelo treinador Fernando Silva, monitor da fundação Bocalán em Espanha, três vezes campeão Nacional de Obediência e treinador de cães para descriminação para cancro pulmonar da escola Educacão em Cascais.


Maria Eduarda Pires, antropóloga, campeã de obediência 2006/ Juíza de Obediência pelo Clube Português de Canicultura, treina com método de clicker e promove vários seminários pelo país e no estrangeiro.


Em Agility o nosso bi-campeão Nacional de Agility STD e vencedor da taça de Portugal 2007/2008 e 2005/2006, o Sérgio Sousa, treina os seus cães com métodos positivos.


Alexandra Santos, com vários cursos e diplomas tirados no CASI Institute e Animal Care College no Reino Unido treina diariamente cães para companhia, ensinando obediência básica e resolvendo problemas de comportamento com métodos positivos e de clicker.
Estes são apenas alguns entre muitos outros que aplicam com eficácia, métodos positivos e constroem relações com os seus cães através do respeito, sem conflitos, castigos ou aversão, apenas o ensino através docompanheirismo e cooperação.


Hoje em dia a crescente procura por parte de donos de cães, de métodos positivos e que respeitam o cão, fez com que uma nova onda de treinadores tenha aparecido. Os chamados treinadores “balançeados” ou seja os que sam métodos aversivos e positivos ao mesmo tempo. Na realidad estes treinadores anunciam-se como treinadores de métodos positivos, quando na realidade limitam-se a ter comida numa mão e uma estranguladora, coleira de bicos, ou até mesmo controle remoto para coleira de choques na outra.


Apesar das imensas justificações que esses treinadores possam fornecer acerca do facto de que os cães aprendem melhor com punições e recompensas, porque é assim que acontece na natureza, isto não é verdade. Aliás um treinador de clicker não necessita usar castigos para obter os melhores resultados, como tal o único motivo pelo qual estes treinadores “balançeados” o fazem, é simplesmente porque não sabem usar o clicker para ensinar e trabalhar o cão.


Sim os cães todos os dias estão sujeitos a situações desagradáveis. Quando encontram outro cão que lhes rosna, quando se picam nas roseiras que estavam a cheirar, quando prendem a pata num buraco e se magoam, por exemplo. Assim como as nossas crianças caem enquanto brincam nos recreios das escolas, esmurram os joelhos, partem um braço a andar de bicicleta, queimam-se quando não esperam e bebem o leite quente. Mas isto não quer dizer que vamos para a sala de aulas ensiná-los com reguadas e castigos. Isto não tem nenhuma razão de ser.


E o que é que colocar uma estranguladora ou coleira de bicos à volta do pescoço do nosso cão e cortar-lhe as vias respiratórias ou causar-lhe propositadamente dor tem de natural?? Estes instrumentos foram desenhados por nós e de natural não têm nada. Natural será deixar o cão aprender por si, aplicando os quadrantes de ensino que respeitam a capacidade individual e personalidade de cada cão.


Portanto aqui deixo uma lista que pode ajudar a distinguir um treinador de clicker de um treinador com clicker na mão:


- Se o treinador usa clicker mas advoca também o uso de coleiras estranguladoras, de bicos ou coleiras de choque.


- Se o treinador alia o clicker apenas à comida , sem saber a mecânica que está por trás do mesmo.


- Se o treinador acha que para motivar um cão tem que o encerrar dentro de uma transportadora durante 5 horas ou mais seguidas.


- Se o treinador não sabe ensinar o cão a trabalhar sem o clicker e a comida após o ensino de novos comportamentos


- Se o treinador acredita que só se pode treinar um cão após os 6 meses de idade (isto normalmente prende-se com a coerção física usada em métodos tradicionais. No métodos do clicker um cachorro com 8 semanas pode começar a aprender imediatamente comportamentos tais como sentar, deitar, ficar, etc..)


- Se o treinador usa o clicker aleatoriamente e em conjunto com correcções


- Se o treinador acha que o clicker só pode ser usado com cachorros ou raças pequenas


- Se o treinador faz treino de internato (deixe cá o se cão durante 1 mês e venha buscá-lo no fim). Treino de clicker é acerca de ensiná-lo a si a comunicar com o seu cão e vice-versa.


- Se o treinador acha que o clicker é uma moderniçe


Se procura um treinador que use métodos positivos, que o ensina a si a comunicar eficazmente com o seu cãom respeitando o vosso relacionamento, que usa métodos verdadeiramente actuais, então faça questões e seja exigente. Peça para ver vídeos de como o treinador ensina algo e vá ver uma aula. Se procura um treinador com métodos positivos, não se deixe enganar.


Faça uma pesquisa e veja mais do que um treinador a trabalhar para poder entender quais as diferenças.


Bom treinos!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Apport Forçado por Dogsenjoy.blogspot.com

Este artigo foi retirado na íntegra do blog Dogs Enjoy e foi escrito pelos nosso colegas espanhóis.

É complementado por dois vídeos, peço que leiam primeiro o artigo antes de verem os vídeos, para entenderem o que estão a ver. Eu pouco ou nada tenho a acrescentar ao artigo e faço minhas as palavras dos nosso colegas na Dogs Enjoy. Mas vou deixar para complementar, um vídeo no final da sensacional treinadora Pere Saavedra a ensinar precisamente o mesmo exercício, mas com o método do clicker, para poderem comparar.

Muitos já ouviram falar (infelizmente...) do famoso apport (fazer com que um cão transporte algo na boca), assim como das técnicas de ensino através de evitamento, isto é o mesmo que dizer que o cão faz algo para evitar uma correcção (choque, puxão, etc..) ou um castigo. Muitos de nós vivemos esta realidade (não queiram imaginar os ganidos de um cão quando lhe é provocado medo ou dor) e tivemos a sorte de evoluir e deixar para trás estas técnicas pré-históricas e desumanas...graças a Deus, que não têm nem a desculpa da “eficácia” uma vez que são muitos poucos, mas mesmo muitos poucos, os cães que suportam a “carga” física e psicológica que este tipo de treino acarreta.

Lamentavelmente estes vídeos que podem ver não são nenhuma obra cinematográfica de Tarantino (apesar de que poderiam ser) mas sim o reflexo do que continua a ser hoje em dia o treino com métodos “TRADICIONAIS” com as consequências muito conhecidas, ou seja, cães destroçados e danificados psicologicamente, com níveis de stress levados ao limite, problemas de agressividade, etc.,e também todo o deterioramento no relacionamento entre treinador e cão.

Isto, para não falar das questões ÉTICAS que cada um de nós poderia fazer sobre esta forma de tratar os nossos “fiéis e amigos peludos”. O treinador que usa estas técnicas, entra num espiral de frustração (descarregando as suas tensões no cão), chegando mesmo a ver no seu cão um “aluno desobediente” o qual há que castigar e corrigir continuamente...uma vez que se não faz as coisas é porque não quer obedecer (a mesma e velha forma de ensinar as crianças com reguadas essa felizmente há muito por nós ultrapassada).

Aliás muito recentemente num fórum de treino canino alguém chamava isto de “treino formal”, diferençiando-se do treino positivo, o qual comparam frequentemente como um tipo de treino inútil que se usa para criar “cães de circo” (isto é literal). Enfim, a ignorância leva até a este tipo de comentários.
E com tudo isto, o que se vê nestes vídeos não é o mais terrível que se pode ver, infelizmente existe pior, mesmo que vos custe a crer. Não é agradável ver estas coisas, porém não se pode estar constantemente a virar a cara como se nada se passasse.

Fixem-se na linguagem corporal do cão nos vídeos... incrível como ainda existem “especialistas” que não veêm absolutamente nada de mal, quando o que se pode ver no cão é mais do que evidente.
Se por outro lado, nos focarmos nas questões “PARA QUÊ? QUAL É O OBJECTIVO” a resposta é... GANHAR uma competição, medalha, ou seja... um troféu (que ironicamente só dele desfruta quem não recebe a dor, isto é o treinador) a aberração moral é máxima e apenas superada por um “egocentrismo desmesurado”, demonstrado naquilo que sempre ouviremos como “... mas ganhei o prémio, estou em primeiro lugar” e coisas semelhantes, enquanto que se algo corre mal a resposta já é “o cão falhou, desobedeceu, etc..” para nem falar de outras “lindezas” verbais que seguramente o pobre cão terá que ouvir.

Na vez do que deveria ser entendido como um “trabalho de equipa”, afinal trata-se de um “trabalho de escravidão” de onde apenas um leva os prémios e honras e o outro os castigos sendo que o único prémio que recebe é se fizer “bem” não ser castigado.
Provavelmente se perguntassemos aos indivíduos destes vídeos, acerca da legitimidade das suas técnicas, seguramente nos responderiam, como muitos, que eles mesmos sofrem mais do que os cães e que os amam profundamente... mas que não existe outro forma de ensinar, que tem que ser assim senão isto ou aquilo, que a obrigação do cão é fazer o que lhe mandam, que tem que “agradar o dono” e bla bla bla... tentando justificar o injustificável, tanto moral como didacticamente falando.
Há uns tempos atrás lemos onde um dos grandes “maestros” do treino em Espanha explicava na teoria como se deve realizar passo a passo o Apport Forçado... o que me soou mais insultuoso foi quando no final de tudo ele acaba a dizer “...isto tudo respeitando o cão”.

Esperemos que não tarde em impor-se o bom senso do Homem uma vez mais, e estes “supostos método de ensino” passem onde deveriam já estar.. à História. Lembram-se dos “administrativos” que se negaram a vida toda a aprender a mexer num computador? O seu argumento era que isso da informática era uma “moda passageira”. Por sorte, a inteligência humana soube superar o atraso provocado pela ignorância. Neste caso, também é apenas uma questão de tempo.

Por favor, aprendamos com os nossos erros... não nos vamos agarrar a eles.






Agora o mesmo com o clicker e em positivo:



Um vídeo do ensino do Junto pela Equipa Leo e Meg da Tudo de Cão no Brasil

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Dominância - o Mito


A teoria da dominância e o facto de que a mesma à luz de muitos treinadores, cientistas, comportamentalistas, etólogos e biólogos e donos de cães é na realidade uma teoria ultrapassada, sem fundamento científico actual, não é segredo. A questão surge para alguns como controversa e polêmica, mas não é nova, nem revolucionária.

Alexandra Semyonova (2003) autora do estudo acerca da organização social canina afirma no seu estudo:

"A teoria da dominância está desesperadamente a necessitar de uma substituição. Schenkel protestou no instante que a teoria foi usada para explicar a organização social de lobos, mas por algum motivo, as pessoas ignoraram-no. Não demorou muito a que o mesmo mito fosse aplicado aos cães. Nem sequer podemos chamar a isto má aplicação da ciência, porque na realidade não é sequer ciência."

Só porque algo desafia aquilo que sempre ouvimos dizer e como tal tomamos como certo, não quer dizer que isso seja a verdade imutável. Aliás não existe tal coisa. A ciência e o conhecimento estão em constante mutação. O que é tomado como certo pode ser provado diferente no futuro. No entanto, o que está provado cientificamente é tido como correcto, até prova em contrário.

Porque é que os treinadores positivos “enchem a boca” com a palavra ciência?

Porque esta é a única que pode dar-nos a informação correcta e actualizada. Num mundo cada vez mais pequeno, em que opiniões se dividem em tantos assuntos, como podemos discernir o certo do errado?
Em séculos passados acreditava-se que a terra era plana e o sol girava em torno da Terra. Tal era a certeza desses conhecimentos que quem disesse o contrário era tido como louco. No entanto, com o desenvolver dos estudos, da ciência e do desenvolvimento de novas teorias, ficou provado que a Terra era redonda e que esta rodava em volta do Sol e não o contrário. E até hoje assim é. Como sabemos? Porque a ciência nos dá essa certeza.

Patrick Hurley escreveu:

"Chamamos, no entanto, a atenção para que dizer que uma crença está justificada não é dizer que é de certeza absoluta verdadeira. Como vimos todas as crenças que têm origem na ciência são na melhor das hipóteses tentativas. Mas essas crenças são as melhores que por agora podemos ter. Do mesmo modo, dizer que uma crença não está justificada não é dizer que é absolutamente falsa. É muito possível que uma crença que se funda hoje na superstição possa amanhã fundar-se na ciência. Mas essa crença não merece aquiescência hoje."


Distinguir ciência da superstição não é preocupação fútil de filósofos de poltrona, como alguns sugeriram, mas uma questão vital para o futuro da civilização."


A teoria da dominância, foi colocada em causa, quando foram feitos estudos acerca da interacção social entre cães e entre lobos. Os vários estudos demonstraram que não só os lobos não detêm uma hierarquia linear, como outros estudos demonstraram que a hierarquia ou organização social entre os cães se diferenciava totalmente da dos lobos.

Surgiu uma nova teroria. A teoria de que os cães, não se relacionam com os humanos da mesma forma que se relacionam entre si, muito menos, que estes se comportam como os lobos.

A capacidade dos lobos prociarem com os cães (coisa que só acontece em ambientes extremamente controlados e artificiais) ou o DNA do cão ser idêntico ao de um lobo, não justifica, nem prova que os cães se comportam como lobos. Muito menos vem justificar o porquê de algumas pessoas teimarem em imitar cães e lobos para conseguirem conviver com os seus animais.

Breno Esposito no seu website acerca da origem do cão doméstico escreve:

“Na verdade, todos os membros do gênero Canis (lobos, coiotes, chacais e o cão selvagem africano) podem cruzar entre si, em cativeiro, gerando descendência fértil. Portanto, se poderia perguntar, "Então, todos eles são da mesma espécie?". A resposta, entretanto, é não. Eu perguntei isso ao corpo técnico do National Museum of Natural History, e a resposta que me deram era mais ou menos a seguinte: "Embora animais silvestres possam cruzar entre si em cativeiro, isso não implica que o façam na natureza. Portanto, não se aceitam registros de intercruzamento em cativeiro para estabelecer a "sinonimização" das espécies. Ou seja, o conceito de "espécie" leva em conta apenas àqueles cruzamentos que ocorrem na natureza, devidamente comprovados, e não em cativeiro.”

A genética por si só, não dita o comportamento de um animal e este é o facto mais importante de todos.

A genética não é um factor totalitário e único no desenvolvimento comportamental de nenhum animal. Obviamente que a genética desempenha um papel no carácter e temperamento de um cão. Por isso sabemos que os Border Collies podem ser óptimos cães de pastoreio, ou que os Rottweilers, podem ser bons cães de guarda. Tudo isto é resultado de características inerentes à raça e que são passadas de geração em geração. No entanto,quem já não se deparou com um Border Collie que não consegue pastorear, ou quem não conhece um Rottweiler que quer é lamber os visitantes todos? Porque é que isto acontece? Se a genética ditasse o comportamento estes casos não seriam possíveis....

Para além do factor genético existe uma lista de outros factores que em conjunto vão determinar que tipo de cão vamos ter. Factores como treino, socialização, educação, regras, etc. Se formos buscar um Border Collie e nunca oa treinarmos ou socializarmos este certamente não irá pastorear ovelha nenhuma, poderá querer atacar uma, ou fugir dela. A sua predisposição genética para o pastoreio s, não irá tornar um BC num óptimo cão de pastoreio, algo mais tem que existir.

Como tal, afirmar que porque a genética do cão e do lobo são idênticas, nós temos que olhar para o comportamentos dos lobos e aplicá-lo aos cães, está completamente errado, e só levará a problemas graves no relacionamento que detemos com os nossos animais de estimação.

Alguns defendem que o comportamento dos cães se assemelha ao dos lobos, mas apenas em alguns aspectos. As diferenças entre lobos e cães são imensas. Desde diferenças físicas desde diferenças comportamentais.

Pessoas como a Dra Patricia Macconnell - etóloga e a Dra. Sophia Yin - Veterinária doutorada em comportamento animal, ambas presentemente trabalham como treinadoras e especialistas em comportamento canino com grande reconhecimento mundial, estudaram e treinaram lobos e referem que os comportamentos do lobo em cativeiro são totalmente diferentes dos comportamentos dos nossos cães.


A maioria das pessoas que têm um cão em casa, pouco ou nada percebe realmente de cães. Ao dono de cão comum, pouco lhe interessa quem foi Konrad Lorenz ou e muitas poucas pessoas sabem ou precisam de saber quem é Thorleif Schjelderup-Ebbe o cientista que, em 1921 ao estudar galinhas, cunhou o termo hierarquia linear e que depois foi erradamente aplicada aos lobos e que incrivelmente ainda é defendida hoje em dia por muitos (apesar das evidentes provas em contrário).




No entanto a esses donos de cães é muitas vezes dito, que têm que lidar com o cachorro como se fossem líderes da matilha, á imagem dos lobos. Isto é tão rebuscado que toca o ridículo. A pessoa que tem dificuldades em ensinar o cachorro a fazer as necessidades no local correcto, tem que subitamente saber imitar o comportamento de um lobo alpha dentro de uma matilha???

Eu entraria em pânico se a minha convivência e relacionamento com os meus cães, dependesse unicamente da minha capacidade de copiar o comportamento de lobos, nem vou tão longe, se me disessem que teria que imitar a mãe do meu cachorro para ser bem sucedida a educá-lo e treiná-lo eu iria entrar em parafuso! Eu não tenho os reflexos, capacidades , sentidos apurados nem destreza comunicacional de um cão, e sinceramente nem prentendo ter, não preciso.

Dominância e desobediência estão de mãos dadas na boca de muitos treinadores tradicionais.
O cachorro que mordisca as mãos, está a fazer aquilo que é normalíssimo para ele, brincar, pois é assim que eles brincam, mordiscando tudo e usando a boca para explorar o mundo. Já os humanos nao brincam a morderem-se uns aos outros e a não ser que ensinemos ao cachorro como ele pode brincar connosco ele continuará a fazer aquilo que lhe é natural e saudável.

Agarrar no cachaço de um cachorro e berrar-lhe aos ouvidos, morder-lhe os beiços ou bater-lhe no lombo, para nomear algumas das sugestões que ouço e leio por aí, pode até fazer com que o cachorro pare o comportamento (temporrariamente e apenas porque o magoamos), mas também ensina o cachorro que brincar com os donos é má ideia, isto é acabamos de ensinar ao cão que não é permitido brincar com os donos – eu não consigo pensar em nada mais detrimental para o relacionamento e algo que eu pessoalmente odiaria, incutir a ideia ao meu cão que não pode brincar comigo.

Inibimos e castigamos um comportamento natural num cão. Ao castigarmos o cão não lhe estamos a ensinar nada. Estamos apenas a castigá-lo. O cão aprendeu que mordiscar nas mãos do dono resulta em algo desagradável e aversivo, mas não aprendeu o que fazer se quiser brincar com o dono.

Já para não falar nos cães que não vão tolerar este tipo de ameaça física e desenvolvem problemas comportamentais. Uns ladram aos donos, outros rosnam e outros mordem. O cão reage assim porque se está a defender, nos olhos do dono, confirma-se a dominância do cão, que não se deixa castigar silenciosamente.


Então porque será que tantas pessoas acreditam piamente que devemos imitar lobos e cães, quando o nosso relacionamento com os nossos cães, está tão longe daquele de um matilha de lobos ou cães?


Somos nós na realidade que controlamos os recursos todos. Nós é que damos de comer, abrigo, segurança, providenciamos interacções sociais, passeios, segurança, visitas ao veterinário, etc. O que tudo isto tem haver com lobos está para lá da compreensão lógica de qualquer um.

Eu NUNCA vi uma cadela a agarrar um cachorro pelo cachaço e abanar de um lado para o outro como forma de o ensinar nada. Isto não está documentado em lado nenhum! Nem faz sentido que assim seja, essa manobra, implica um perigo grande em magoar o cachorro que vai contra a natura da procriação e da perservação da própria espécie.

A única ocasião na qual podemos presenciar uma cadela a pegar num cachorro pelo cachaço é para transportá-lo de um local para o outro e isto normalmente ocorre quando os cachorros são muito pequeninos e o seu peso permite que a cadela faça isso, sem os magoar. Pegar no cachaço de um cachorro de 5 meses não é educação, é abuso.

As cadelas quando os cachorros magoam, muitas vezes “zangam-se” com eles. Dão uma rosnadela, e abocanham o ar, virando o focinho na sua direacção. Mas NUNCA nenhuma cadela (excluindo casos raros nos quais as cadelas maltratam e matam as crias) sequer tocam neles, porque mais uma vez isto seria um conflito com a preservação e protecção dos cachorros. Basta um “chega para lá”. Muitas cadelas, simplesmente levantam-se e saem do local.

Isto comparado com o nosso manuseamento físico e agressivos dos cachorros é uma diferença abismal. Para além de que não somos nem cães, nem as mães dos cachorros, nem temos as mesmas capacidades comunicacionais, reflexos e nem sabemos interpretar os sinais comunicativos caninos da mesma forma que os cães o fazem.

Estes comportamentos estão documentados em estudos feitos por pessoas que passaram as suas vidas a observar os cães e lobos a recolher dados concretos - David L. Mech efectuou um estudo de 30 anos a observar grupos de lobos no seu ambiente natural e vem colocar muitos mitos por terra. Continuar a basear as nossas interpretações dos lobos em estudos desactualizados e desacreditados é ignorância (no sentido de falta de conhecimento).

Qual o melhor animal para observarmos que nos dará uma compreensão correcta de como interagem e vivem os cães, do que observarmos os próprios cães? Se temos tantos cães para observar porque olhamos para os lobos??? Porque esta obsessão por um animal tão diferente do nosso cão? E que papel desempenha o ser humano como espécie diferente no meio disto tudo?

Somos espécies diferentes, e somos dotados de uma inteligência muito superior, que felizmente nos permitiu desenvolver métodos e técnicas de como educar e treinar os nossos cães, que funcionam e respeitam os mesmos. Dizer que a melhor forma de educar um cão é imitar uma espécie inferior à nossa é negar a nossa inteligência e a nossa superioridade.

Todos os dias milhares de pessoas lidam com os seus cães, usando estas técnicas. Nunca imitam nem cães, nem lobos e obtêm resultados melhores, na medida em que se abstêm de tentar ser aquilo que não são. Não correm o risco de serem mal interpretadas, apenas aplicam aquilo que resulta e constroem uma relação de amizade e cooperação com os seus cães. Afinal de contas temos cães em casa porque os domesticamos e porque estes são nossos companheiros, o fiel e melhor amigo do homem. Está na altura de começarmos também nós a retribuir e agirmos como se fossemos o melhor amigo do cão.

Esqueçamos os relacionamentos antagonísticos, controversos e as guerrilhas hierárquicas. Os nossos cães não passam o tempo a conjurar uma forma de subirem numa estrutura hierárquica que não existe.

Mesmo que existisse que interesse teria um cão em ser dominante sobre nós? A não ser que ele aprenda a ir ao supermercado comprar a ração e cozinhar para nós, a levar os nossos filhos à escola e a levar-nos ao médico quando estamos doentes, o maior conforto que o cão pode ter é precisamente saber que nós inadvertidamente e por defeito controlamos TODOS os recursos que realmente importam.

Os meus cães quando dormem no sofá fazem-no para estarem mais perto de mim e eu gosto, ou simplesmente porque é mais quente ou fofo que o chão. No verão o meu cão, acha que o melhor sítio para dormir é o chão fresco de azulejo da cozinha e eu não vou expulsá-lo do chão da cozinha e vou dormir para lá apenas porque o meu cão acha que é o local preferível!

Na realidade a extrapolação destes comportamentos é tal que a maioria nem vale a pena discutir ou argumentar.

A minha mensagem do ano de 2009 é apenas uma, nas palavras de B.F.Skinner:

"Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite a verdade eterna. Experimente."


Fontes e recursos:


- Patrick J. Hurley, A Concise Introduction to Logic, Wadsworth, Belmont, 2000, pp. 588-606. http://www.filedu.com/pjhurleycienciaesupersticao.html






- Drª Patricia Macconnell - http://www.dogstardaily.com/blogger/1385


- Alexandra Semyonova, The Social Organization of the Domestic Dog; A Longitudinal Study of Domestic Canine Behavior and the Ontogeny of Domestic Canine Social Systems, - http://www.nonlineardogs.com/embed-SocOrg.html