quarta-feira, 27 de abril de 2011

O CONCEITO PREVIAMENTE DESCRITO COMO “DOMINÂNCIA”

artigo escrito por Patricia Macconnell Etóloga e Treinadora de cães no seu blog The Other End of the Leash







Ah, lá vou eu saltar para a batalha! De certa forma, eu adoraria evitar este tópico, porque como a maioria de vocês sabe, as conversas acerca da palavra “D” causam discussões que fazem os debates acerca dos sistemas de saúde parecerem um dia no SPA. Mas eu considero o tema importante e merece consideração. Por isso, EEEEE HAH! Cá vamos nós.

Este post será apenas o início, porque o tema da dominância e dos relacionamentos sociais é na realidade longo e eu quero apenas facilitar o pensamento e a discussão saudável acerca deste tema nos cães. Como muitos de vocês sabem, algumas pessoas acham que todos os nossos problemas com os cães estão relacionados com “dominância” e aconselham os donos a “ser o cão alpha”. Do outro lado do espectro, outros argumentam que a “dominância” e até mesmo o conceito de “status social” são completamente irrelevantes para o comportamento do cão, e que o termo deveria ser completamente eliminado do nosso vocabulário. Eu não concordo com nenhum destes extremos (mas estou bem mais do lado de um do que do outro!), portanto segurem-se!

Antes de mais, seria bom começar com uma definição. A simples definição de dominância como é usada pelo público em geral é algo como: “ controlo ou comando sobre outros”. No entanto, (e este é um grande “no entanto”) essa NÃO é a definição usada pelos profissionais que estudam comportamento animal e que cunharam o termo para descrever um tipo de relacionamento social em animais não-humanos. Em termos etológicos, “dominância” refere-se a “acesso prioritário a um recurso limitado”. Por outras palavras, se existir apenas uma mesa livre num restaurante, quem vai ficar com ela? Você, ou a actriz famosa que está à espera?

Se pensarmos nos cães, se alguém largasse uma febra de porco entre dois cães, quem ficaria com ela? Se vocês repetir esta acção muitas vezes e sempre o mesmo cão ficar com a costeleta, esse cão é descrito na literatura como “dominante” sobre o outro, SE ambos os cães quisessem a febra de igual forma. O cão “dominante” poderia ter acesso prioritário à comida de diversas formas; ele podia simplesmente olhar directamente para o outro cão, poderia tentar sem mais rápido que o outro, ou podia lutar para ter acesso ao mesmo. O problema é que as brigas são perigosas e um predador pode rasgar a pele de um veado com a boca. (Para saber o poder dos maxilares de um cão, tente fazer um rasgão com a boca numa carteira de cabedal. Se você conseguir, por favor envie o vídeo…aliás envie o vídeo mesmo que não seja bem sucedido!).

O potencial de dano causado por predadores sociais, é o motivo pelo qual muitos dizem que se desenvolveram hierarquias sociais nos animais, como os lobos. (Sim, eu sei que cães não são lobos. Passo a explicar). Se cada vez que um tivesse que lutar para conseguir o que quer, os genes que predispõe um indivíduo a lutar seriam eliminados do pool genético. Essa é a explicação para a existência de hierarquias sociais: elas permitem que indivíduos tenham acesso prioritário sem ter que lutar pelo recurso sem que este está disponível. Notem que lutas sérias ocorrem nalgumas espécies: em muitos animais ungulados (animais com hastes), os machos lutam todas as épocas de acasalamento pelo acesso prioritário às fêmeas. Estes são continuamente desafiados por outros machos, e despendem tanta energia a proteger as fêmeas que mesmo que não saiam magoados ou sejam mortos numa luta muitas vezes morrem durante o inverno por não terem passado tempo suficiente durante o Outono a comer para produzir suficiente gordura corporal que os suporte durante o Inverno. No entanto, antes de amadurecerem, jovens ungulados passam anos em “grupos de solteiros”, nos quais brincam às lutas, mas nenhum tem acesso prioritário a nada durante esse período. A sua comida está dispersa e o único “recurso” pelo qual competem são as fêmeas durante o período de acasalamento. Tal como este exemplo dos Veados mostra, um “recurso” pode ser muitas coisas, desde uma costeleta de porco, a um local onde dormir, a uma fêmea em cio. Mas, lembrem-se que a palavra “D” refere-se “ao acesso prioritário a um recurso” e a nada mais.






Aqui está o que a “dominância” NÃO É:

Não está relacionada com o poder de decisão acerca das acções do grupo ou de um indivíduo. Não existe na literatura nenhuma relação entre quem decide para onde vão, quando vão e o que fazem.

Não está relacionada com “quem vai à frente” (nos predadores, o membro “dominante” do grupo está muitas vezes no meio da manada se o grupo está a circular por zonas perigosas).

Não é fixa nem imutável: quem “tem dominância” pode variar conforme o tempo (à medida que um indivíduo envelhece por exemplo), conforme o espaço (um indivíduo pode tê-la num local e não noutro) e conforme o contexto (talvez um indivíduo dominante não goste de febras de porco). Em algumas espécies parece ser linear (como nas galinhas, por exemplo, onde a A está acima da B, a B acima de C e A sempre acima das C). Na maioria das sociedades dos animais mamíferos, a hierarquia é não-linear e muito, muito mais fluida e complicada.

É extremamente influenciada pela distribuição de recursos: “amontoados de recursos de alta qualidade” tendem a exagerar hierarquias sociais, o que provavelmente vem explicar porque é que lobos em cativeiro vivem obcecados por hierarquias, enquanto que lobos no seu ambiente natural parecem ser mais relaxados com os assuntos relacionados com status social (tenha isto em mente quando falarmos de cães ferais versos cães com dono).

É usualmente mantida através de displays visuais e químicos que são inatos e são específicos à própria espécie. Pode ser adquirida numa luta inicial na qual um indivíduo ganha e outro perde, ou, mais comum, por um conjunto de displays específicos da espécie. (Pense na cauda alta, orelhas erectas e postura corporal dianteira num lobo em cativeiro). Se o indivíduo continuar a lutar pelo recurso, então é estabelecida uma hierarquia.

Não é um relacionamento desejado por todos os indivíduos da mesma forma. Em sociedades sociais complexas, nem todos querem ser os primeiros da linha. Na nossa espécie, por exemplo, algumas pessoas adoram obter o status associado à fama, enquanto outros iriam considerar a possibilidade de ter acesso a uma mesa num restaurante uma troca pobre pela sua privacidade e iriam evita-la a todo o custo. Nalgumas espécies, um status alto esta associado com um aumento de responsabilidade, que pode ser um fardo pesado.

No meu próximo post, vou escrever como este termo se relaciona com os cães domésticos. Mas digo já que o termo “dominância” no treino de cães, está tão disseminado que causam etólogos como eu querer espetar lápis nos olhos. Os exemplo são intermináveis: “O seu cão não vem enquanto não o aceitar como alpha!” (Uh, não é relevante, ver acima). “Ensine ao seu cão um “deita dominante” e ele irá respeitá-lo de manhã!” (Uh, não é relevante, ver acima). Eu suspeito que muito disto vem das duas diferentes definições de dominância usada pelos biólogos e pelo público em geral. Eu também penso, embora admita estar a adivinhar, que a nossa espécie ama a ideia de controlo e algo que sugira que podemos fazê-lo de forma rápido é sedutor. Seja qual for o motivo, o uso errado do conceito de dominância está disseminado.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

DOMINÂNCIA CANINA: SERÁ O CONCEITO DE CÃO ALFA VÁLIDO??

Artigo traduzido com autorização daqui escrito pelo Dr. Stanley Coren publicado no website Psychology Today

Estudos actuais, desafiam a ideia do cão alfa


Para que quase todas as discussões acerca de treino de cães e de comportamento de cães acabam no tema da dominância. Aos donos de cães é dito que devem ser “os líderes da matilha” e “os alfas na sua casa”. Um motivo pelo qual este assunto se tornou tão comum deve-se à recente popularidade de Cesar Millan que se auto-entitulou de “Encantador de Cães” e que popularizou o uso de métodos baseados na força para exercer dominância em cães “difíceis”.


Os métodos usados por Millan são motivo de controvérsia no mundo dos treinadores, comportamentalistas e pesquisadores caninos. Para começar, o uso do nome “encantador de cães” parece estranho, uma vez que é uma adaptação do termo “encantador de cavalos” que foi usado para descrever pessoas como Willis J. Powell e Monty Roberts. Eles eram apelidados de “encantadores” porque abandonaram o uso da força que era a forma mais comum de lidar com cavalos difíceis e agressivos e usavam métodos muito mais gentis.


As técnicas usadas por Cesar Millan fizeram com que profissionais tais como Jean Donaldson, directora da ASPCA academia para treinadores de cães de São Francisco, comentarem que: “ uma profissão que tem feito constante evoluções a nível de profissionalismo, sofisticação tecnológica e standards humanos foi empurrada para trás… Usar uma palavra como “encantador” para usar métodos arcaicos, violentos e tecnicamente fracos é uma falta de consciência”. Ela estava suficientemente aborrecida para em colaboração com o Dr. Dunbar, que é um respeitado comportamentalista canino, graduado em medicina veterinária e mestrado em psicologia, produzirem um DVD intitulado “Fighting Dominance in a Dog Whispering World” que ataca especificamente os métodos usados no programa de Millan.
No entanto, ao invés de nos focarmos no Cesar Millan e nas suas técnicas de treino, existe uma questão fundamental que deve ser abordada, nomeadamente, será o conceito de dominância canina – especificamente a ideia de que o lobo alfa é o líder da matilha – válido?

A explicação original da diferença básica entre dominância e submissão nos cães vem de Konrad Lorenz no seu livro “king’s Solomon Ring” (1949). Lorenz, que foi um etólogo vencedor de um prémio Nobel e comportamentalista animal, baseou a sua ideia nas observações dos seus próprios cães. Se um cão se tornava agressivo e poderoso (dominante) o outro cão reconhecia esse poder rolando de barriga para cima (submissão). Lorenz achou que os humanos também tinham que ter um relacionamento dominante com os cães, porque ele quando agredia ou ameaçava um dos seus cães eles agiam de forma semelhante à submissão perante ele.


O pensamento dos cientista reflecte sempre a cultura e crenças da era histórica e do local onde se enquadram. Lorenz nasceu na Austria em 1903. O seu pensamento acerca dos cães, era sem dúvida influenciado pelos métodos de treino comuns na altura, muitos dos quais desenvolvidos pelos militares alemães para ensinar cães de guerra. Os métodos usados para treinar esses cães reflectiam as atitudes dos militares da altura e era baseadas em disciplina rígida suportada por força quando necessário. Algumas ferramentas que na altura foram desenvolvidas para treino reflectem esta atitude, como uma trela entrançada e rígida no final que era virada do avesso e usada como chicote se o cão não obedecia.


O Coronel Konrad Lorenz sumarizou a filosofia germânica quando escreveu: “ Na ausência de compulsão nem a educação humana nem o treino canino são possíveis. Até o dono de cão mais gentil não poderá chegar a termo com o seu companheiro sem alguma forma de compulsão”. Por outra palavras, é necessário usar força para estabelecer dominância e depois usar essa dominância para controlar o comportamento do cão.
A primeira pesquisa acerca de comportamento de lobos, parecia apoiar a ideia de uma hierarquia social rígida do tipo militar, usualmente apoiada nos confrontamentos físicos que iriam estabelecer o líder – “ lobo alfa” – que mantinha a sua liderança através da força e da intimidação. Infelizmente, pesquisas posteriores demonstram que esta é uma visão errada e artificial da organização social canina.

David L. Mech, cientista Sénior para o departamento do Interior Americano, foi uma das primeiras pessoas a estudar o comportamento dos lobos no ambiente natural. No seu livro em 1970, ele foi influenciado pelos conceitos antigos, tais como os de Lorenz e referiu-se ao líder da matilha de lobos como o “alfa”. Olhando para trás, e passados 40 anos, ele chegou à conclusão da dubiedade deste conceito. Ele agora duvida da utilidade de tal conceito simplesmente porque implica que o lobo lutou para determinar dominância.


Na realidade, quando chegam à idade matura, os lobos deixam a sua matilha natural para procriar e ter ninhadas que depois se irão transformar na nova matilha. A dominância existe da mesma forma que os pais humanos dominam os seus filhos, pelo menos enquanto estes vivem na família. Tal como nas famílias humanas, os pais estabelecem regras e os filhos entendem-se entre eles. Por causa desta descoberta, o Dr. David Mech prefere não usar o termo alfa e usar o termo “macho ou fêmea que procria” ou simplesmente o lobo pai e a loba mãe. A ideia do alfa parece ser real apenas em matilhas artificiais quando vários indivíduos não relacionados, são colocados numa mesma matilha, em cativeiro, e onde existem vários lobos em idade de procriar. Nestes grupos artificiais, os animais costestam uma liderança e um lobo alfa irá surgir.

Claro que lobos não são cães, por isso vamos olhar para a mais recente pesquisa (2010) efectuada por Roberto Bonanni na Universidade de Parma. Eles observaram matilhas de cães ferais em Itália e descobriram que a liderança era algo muito fluente. Por exemplo, numa matilha com 27 membros, 6 dos cães habitualmente lideravam à vez. Os cães que habitualmente lideravam o grupo eram usualmente os mais velhos, os mais experiente, mas não necessariamente os mais dominantes. A matilha parecia permitir a liderança a cães que em alturas particulares poderiam contribuir para o bem-estar geral do grupo através do seu conhecimento em aceder a recursos de interesse.

O motivo pelo qual tudo isto é importante, é porque nos diz (independentemente das preocupações acerca do uso excessivo da força) que as técnicas usadas pelo Cesar Millan, e por muitos outros treinadores que usam conceitos do tipo militar da hierarquia social dos cães como base para o treino e resolução de comportamentos, é baseada numa premissa falsa. É uma ideia que originou do treino de cães pelos militares germânicos na viragem do século passado e da generalização das pesquisas acerca de lobos antigas elaboradas em lobos de matilhas artificiais.

Talvez esteja na altura de rever os nossos conceitos de treino e obediência e pensar nas linhas propostas pelos treinadores que advocam o treino com reforço positivo. Nessa perspectiva, o controlo do comportamento do cão é obtido através do controlo de tudo aquilo que o cão quer e precisa, tal como comida, interacção social, ao invés de se basear na força para atingir aquilo que a ciência hoje em dia chama de uma dominância artificial sobre o cão. Se você controlar os recursos, o cão irá responder por interesse próprio. Como tal esta aproximação à modificação comportamental tem o mesmo efeito que uma dominância imposta através da força para controlar o comportamento do cão. No entanto, ao invés duma “dominância” baseada na força, intimidação e ameaças, o reforço positivo aproxima-se mais do estabelecimento do status social. Qualquer um pode responder ao controlo imposto por alguém de status mais elevado, mas é feito não por medo, mas por respeito e antecipação de recompensas que podem ser esperadas se o fizerem.

Stanley Coren é o autor de muitos livros incluindo: The Modern Dog, Why Do Dogs Have Wet Noses? The Pawprints of History, How Dogs Think, How To Speak Dog, Why We Love the Dogs We Do, What Do Dogs Know? The Intelligence of Dogs, Why Does My Dog Act That Way? Understanding Dogs for Dummies, Sleep Thieves, The Left-hander Syndrome

segunda-feira, 21 de março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Porquê? Sim porquê Cesar Millan?

Porque é que alguém deixa que o seu cão seja tratado de forma agressiva e irracional? Bater (seja com muita força ou com pouca força, usualmente a suficiente para incomodar o cão) não é sinónimo do uso da inteligência que temos, é apenas uso da força bruta.

Porquê acreditar em alguém que diz uma coisa e CLARAMENTE faz o oposto?

  • Controlo psicológico não se faz estrangulando cães com trelas ou dando pontapés na barriga dos cães.
  • Cães calmos não se defendem com os dentes, não arfam, esperneiam, lutam, tentam fugir ou demonstram pânico, logo dizer que se quer instituir calma num cão agarrando-o em pleno ar pelo cachaço é anedótico.
  • Não se alcança a confiança de um animal através do medo e da intimidação, temer alguém não é respeitar alguém.
  • Uma mão em forma de garra não se assemelha a dentes e os cães sabem a diferença algumas pessoas pensam ser a mesma coisa.
  • Bater com a mão em forma de uma garra no lombo de um cão não se assemelha em nada a uma mordida de um cão, assemelha-se a bater com a mão em forma de garra repetidas vezes no lombo do cão.
  • Dominância não é a explicação para TODOS os problemas dos cães, desde agressividade, a medo de motas ou compulsões por luzes. Os cães não querem “mandar” em si! Eles dependem de si para comer, ir ao veterinário, brincar, terem segurança e muitas vezes até para procriar. Se um cão quisesse estar acima de si na hierarquia ele teria que fazer tudo isso, e isso simplesmente não é possível.
  • Atar o rabo de um cão a uma trela e puxá-lo para cima não o faz milagrosamente ficar confiante. Estampar um sorriso falso na cara de alguém infeliz, não o faz feliz.
  • Obrigar um cão com compulsões por luzes a olhar para cima com uma estranguladora apertada à volta das vias respiratórias não resolve nenhuma obsessão compulsão, o problema persiste até se retirar a coleira do pescoço do cão e ele poder respirar de novo.

Porquê acreditar em alguém que não tem qualificações nenhumas? Nunca estudou nada acerca de cães, nunca fez nada que o tornasse mais informado acerca de cães do que você! Você provavelmente sabe mais do que ele acerca de cães, já pensou nisso? Apenas não tem uma equipe de TV e uma gigantesca máquina de marketing chamada National Geographic atrás de si!

Porquê acreditar numa pessoa cujos métodos estão comprovadamente ultrapassados? Quando milhares de outros treinadores resolvem os mesmos problemas com métodos não agressivos e bem mais eficazes, porquê achar que o que ele faz é melhor, porque está na televisão, ou porque ele diz?

Estarão milhares de treinadores, biólogos, etólogos, veterinários e donos de cães completamente enganados quando fazem vídeos, escrevem artigos e comentam com as suas experiências, estudos, prática que estes métodos são errados, detrimentais e abusivos?

Estarão todas as pessoas que falam das consequências do uso de métodos antiquados, punitivos e abusivos a inventá-las? Será uma mentira que tantas pessoas se movam para informar o público?

Estarão todos com ciúmes? Ciúmes de quê exactamente?

Ian Dunbar Médico Veterinário, especialista em comportamento animal – Protagonista de vários programas de treino de cães na televisão, mais de 4 livros e DVDs publicados, lecciona seminários por todo o mundo, citado nos jornais mais conceituados de veterinária e comportamento do mundo, titular de um estudo feitos com cães durante cerca de 30 anos. Tem ciúmes?

Karen Pryor Bióloga mestrada, treinadora no Sea World de golfinhos e orcas durante vários anos, promotora do Clicker e do desenvolvimento do treino baseado no reforço positivo, mais de 4 livros e vários Dvds publicados, o último deles em 2009, proprietária da sua própria editora. Proprietária do website e cadeia clickertraining.com, e proprietária individual da marca e nome Clicker! Lecciona cursos de treino online e presenciais; convidada para leccionar seminários por todo o mundo anualmente; conceituada pelos seus pares nos temas de comportamento animal e treino canino, citada regularmente em variadas universidades de etologia e comportamento animal. Tem ciúmes?

Susan Garrett e Sylvia Trkman ambas campeãs mundiais de Agility, treinadoras conceituadas pelos seus pares, com medalhas em variados campeonatos pelo mundo fora. Proprietárias de escolas de treino, ambas escritoras publicadas de livros e Dvds sobre treino canino com clicker e reforço positivo. Leccionam seminários pelo mundo fora a convite, os seus métodos são inovadores e seguidos por milhares de pessoas. Têm ciúmes?

São apenas 4 no meio de milhares, mas estarão estas 4 pessoas com ciumes? A mentir? Enganadas?

Porquê acreditar que todos os cães que passam pelo Cesar Millan são salvos por ele ou eutanasiados? Porque é que nunca vemos veterinários clarificar que os cães foram devidamente vistos e não apresentam problemas médicos? Se sabemos que os programas são editados de forma a salvar dois cães em 45 minutos porque não pensamos que por trás de tanto editar se esconde muita coisa?

Porquê acreditar na pessoa sem qualificações, que não se contradiz a ele mesmo, que não se baseia em nada factual para o que faz, que tem uma máquina de marketing gigantesca atrás dele interessada em vender o programa dele custe o que custar, que não sabe explicar o que faz, que escapa às entrevistas, que é obrigado a colocar nos seus programas que ninguém deve imitá-lo? Porquê?

Porquê criticar e não apresentar opções? Porque quem quer procurar opções encontra em todas as esquinas (Internet, livros, Youtube, artigos, estudos científicos....). Porque existem sempre alternativas. Porque diariamente milhares de pessoas praticam outros métodos e técnicas, fazem vídeos, esclarecem dúvidas, se prontificam a mostrar outras formas. É só procurar e lembre-se espero que não bata no seu cão por nada! Não é necessário fazê-lo!



quarta-feira, 9 de março de 2011

Acerca dos Border Collies !!

A Sara da Tudo de Cão, fez referência a um artigo traduzido no blog da Ana Corina em Mãe de Cachorro também é mãe aqui fica um excerto dos pensamento da Sara acerca do artigo e um outro excerto acerca do artigo que nos fala dos Border Collies. Leiam se gostam ou se interessam pela raça!


"Já treinei cães de diversas raças, idades, históricos, etc. O Border Collie é um cão que precisa trabalhar, e desta necessidade nasce o interesse dele em tudo o que fazemos. Digamos que é um dos cães mais motivado para aprender, mas não necessariamente mais inteligente. Eles observam o tempo todo e por conseguinte, aprendem mais coisas. Conheci alguns cães que seriam Einsteins Caninos e que não eram Border Collies."



"Um Border Collie pode ser bom para você.
Se você não quer lidar com...

•Um atleta intenso que pode deixar você maluco com comportamentos obsessivos e destrutivos se você não providenciar muito exercício e saídas criativas para que ele gaste sua imensa energia
•Comportamento compulsivo de caçada/pastoreio e mordidinhas direcionados a qualquer coisa que se mexa: crianças, pessoas praticando corrida, outros animais, bicicletas, carros etc.
•Ansiedade de separação (expressada através de destruição e latidos excessivos) ao ser deixado sozinho por muito tempo
•Timidez se não for socializado de maneira intensa e correta
•Troca de pelo"

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Argue your standpoint regarding the domestic dog as an inherently pack oriented animal for training purposes.

Artigo por Olwen Turns traduzido na totalidade e retirado da sua página de Facebook aqui

A primeira questão a ser respondida é se os cães são ou não animais orientados a formarem matilhas.

O comportamento canino não comprova que os cães têm o mesmo comportamento social de matilha como os lobos e que este mudaram e evoluíram para um nicho diferente (Coppinger 2001). É também sugerido que os cães e os lobos são dois ramos do mesmo antecessor e que um não descende do outro como temos as raposas de Belyaev para provar o quão rápido a diversificação ocorre (O’Heare). A formação de matilhas nos cães domésticos parece ser uma excepção e não uma regra (Eaton and Van Kerkhove and O’Heare). Cães são animais sociais, eles brincam uns com os outros, com outros animais e com humanos, eles podem sofrer de ansiedade por separação se deixados sózinhos (O’Heare). Os cães domésticos não têm necessidade de formar matilhas uma vez que as suas necessidades são colmatadas mas têm a capacidade de viver em grupos sociais enquanto se ocupam das suas tarefas individualmente. Se não existe, no entanto, motivo para os cães formarem matilhas, também não existe um motivo para tentarmos ser o “alpha”. Enquanto aceitarmos os cães na nossa família humana eles nunca poderão relacionar-se com os humanos como se estes formassem parte do seu grupo por causa do processo chamado imprinting que ocorre durante as primeiras semanas de vida de um cachorro. Matilhas tendem a ser conspecíficas (Eaton). Por outro lado, dizem-nos que os cães anseiam ter um líder na sua matilha e aceitam um ser humano nesse papel (Holmes).

Também temos que responder à questão em que consiste a teoria da matilha, quais são as regras, de onde vieram? Na sua apresentação no simposium realizado pela UKCRB em 2009 o Dr. David Montgomery afirma que ele nunca encontrou ninguém que possa confirmar de onde originou a teoria da matilha, onde está publicada ou em que factos se baseia.

Sugere-se que a teoria origina dos estudos feitos a lobos em cativeiro por Rudolph Schenkel referenciados no livro “The Wolf: Ecology and Behaviour of an endangered species” escrito por David Mech (Mech 2008). Semyonova acredita que a teoria da matilha é resultado da crença de que os cães fazem tudo igual aos lobos (Semyonova 2009), outra proposição é que a teoria da matilha tem sido usada como justificação para uso de aversivos no treino e que qualquer desobediência por parte do cão acontece apenas porque o humano não é o alpha da matilha (Donaldson 2005).

David Sands diz num artigo na Dogs Monthly Magazine (Dezembro 2009) que existem muitos factores que influenciam o comportamento canno, incluindo a personalidade da mãe, a procriação, genética, dieta, sociabilização e saúde. Sue Hull na conferência da UKRCB em 1998 conta a sua experiência aquando da criação de um lobo bebé durante a qual ela mencionou que os lobos e cães são muitos parecido e muito diferentes. Ela afirmou que um lobo para se tornar apto a estar perto de pessoas precisa de ser retirado da mãe antes dos 21 dias de idade. Ela comentou que a maior diferença entre os cães e os lobos é que os primeiros nascem com os conhecimento de como se comportar perto de pessoas, algo que os lobos não detêm.

Durante os anos 80 e 90 a literatura acerca dos cães e dos programas de redução de status tornaram-se populares; assumindo que o cão queria ser dominante causava problemas (Eaton). A dominância nos lobos consiste em eliminar a ameaça que outro lobo possa apresentar no que toca à prioridade de procriar e incorpora uma série de rituais (Abrantes 1997), o conceito de dominância nos lobos nunca poderia ser aplicado aos animais de companhia que temos em casa e as pessoas não estão anatomicamente equipadas para imitar os rituais nomeados anteriormente (Eaton).

Muitas pessoas afirmam que a dominância nos cães trata-se do controlo de recursos, para entender esta afirmação, temos que pensar que recursos são esses; comida, água, refúgio e outras coisas dependendo do cão, do ambiente que o rodeia e se o cão pode na realidade controlá-los (Eaton).

A lista de regras da matilha é inconsistente mas geralmente inclui, não permitir o cão na mobília, não deixar que se deite em frente às portas, não deixar que começe ou termine brincadeiras ou não deixar que puxe na trela; comer sempre antes do seu cão, passar nas portas, conseguir mexer na comida enquanto o cão come e colocar o seu cão deitado (alpha roll) (Eaton e Semyonova).

Se analisarmos as regras uma a uma, é possível analisar como nenhuma delas está relacionada com lobos ou cães e como os humanos não conseguem imitar comportamento canino (Eaton e Semyonova). Por exemplo, comer sempre antes do seu cão não é prático nem possível e envia mensagens confusas se você não o fizer sempre (Eaton).

As pessoas podem ensinar os cães a comportarem-se como querem usando condicionamento operando e reforço positivo e os cães podem aprender como usar o condicionamento operante para manipular o seu ambiente e obterem o que dele querem (O’Heare).

Concluindo, os cães não são por natureza animais de matilhas, as regras de matilha são baseadas em comportamentos caninos que não conseguimos imitar; cães têm relacionamento conspecíficos, e nós damos aos cães tudo o que eles precisam, estes adaptam-se a viver numa estrutura social e fazer o que consideram recompensador; é possível ensinar os cães a comportarem-se usando métodos motivacionais, condicionamento operante e reforço positivo (Eaton) o uso desta teoria é na sua essência nada razoável.

Preconceitos

- Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. (Albert Einstein )