domingo, 8 de maio de 2016

Estimulação Mental com a Amanda

Amanda apesar de cega aprende a comer de uma bola de ração. A estimulação mental ajuda o cão a manter o seu bem-estar e ajuda na estimulação da sua mente evitando problemas durante a velhice, como disfunção cognitiva e outros relacionados com o deteriorar do funcionamento do cérebro.


terça-feira, 3 de maio de 2016

O meu cão reage a skates e bicicletas!

O que fazer quando o seu cão reage, ladrando e ou perseguindo objectos em movimento ou que fazem barulho, tais como skates, bicicletas, pessoas a correr, etc?

Estamos a trabalhar isso com o nosso cliente Major, um lindo Weimeraner e com a sua tutora a Beatriz. A Beatriz deixou-nos filmar um pouco do trabalho que temos feito que assenta na premissa de ensinar comportamentos novos. Aqui queremos que quando ele veja o estímulo ele redireccione e olhe para a Beatriz. Ainda temos muito trabalho pela frente, no entanto, estamos certamente no bom caminho.
Vejam o vídeo


domingo, 14 de fevereiro de 2016

CÃES, PRENDAS E ANO NOVO – por Claudia Estanislau

E se de repente na sua meia aparecesse a cabeça de um cachorrinho como prenda? Isso seria amor?

CÃES COMO PRENDAS

Cães não são objectos utilitários que devem ser dados como prenda. O pressuposto da prenda sendo que é uma surpresa, claro está. O problema está mesmo aqui. Um cão sendo um animal senciente que envolve muita responsabilidade em variadas partes da nossa vida (social, financeira, tempo, etc..) não deve ser uma surpresa, porque no final vamos fazer sofrer o cão e potencialmente a pessoa e/ou família a quem o demos.

Eu compreendo o ideal romântico por trás do facto de oferecer um animal fofinho e bebé no natal, mas quando falamos de animais sencientes, como cães e gatos, temos que ser realistas mais do que românticos. A pessoa realmente quer um cão ou gato? Ela pensou cuidadosamente nesta decisão? Ela ponderou todos os factores? Todas as pessoas que irão contactar diariamente com o cão ou gato estão de acordo? Pensaram em todos os cenários que envolve ter um cão, tais como férias, escapadinhas de fim-de-semana e saídas à rua às 22h com uma temperatura de 5 graus e a chover a potes?

Se considera radical a minha visão, visite o canil ou associação de ajuda aos animais mais perto de si e verá que radical é o número de cães que acabam nestes locais pelos mais variados motivos.

Cresceram demais por exemplo é um deles como se o cachorro não tivesse permissão para se tornar adulto. Ladram, destroem, comem cócós e largam pelos, em suma são cães. Muitos cães que acabam na rua, ou em abrigos foram bem-intencionadas mas mal pensadas prendas de natal.

OS MEUS FILHOS NÃO PÁRAM DE PEDIR UM CÃO

Crianças e cães são uma das imagens mais românticas da nossa sociedade. As vantagens de crianças crescerem com cães são inúmeras e mais que comprovadas eu sou totalmente a favor de que beneficia ambas as partes se feito com cabeça, tronco e membros. No entanto, o cão tal como não é uma prenda, nunca pode ser dado a uma criança como se esta fosse ser a única responsável pelo mesmo.

Tinha eu cerca de 10 anos quando os meus pais trouxeram o primeiro cão para casa. Até à data eu tinha pedido todos os natais, aniversários, páscoas, Halloweens e festas da cidade, por um. No entanto, e felizmente, os meus pais sabiam que por mais que eu quisesse seriam eles os verdadeiros responsáveis pelo cão e só quando eu já era mais capaz de entender certas coisas e eles capazes de abraçarem essa responsabilidade é que aconteceu e assim tive a minha primeira cadelita, a Lira.

Apesar de eu ser uma criança que era muito responsável e por gostar tanto dos cães, não me importava nada de a passear, dar-lhe comida, dar-lhe banho quando necessário, etc… Mas os meus pais sempre entenderam que eram verdadeiramente eles, os responsáveis pela Lira.

No final de tudo, se ela precisava de cuidados médicos eram eles que a levavam e pagavam, se ela precisava de ser passeada e eu tinha saído com amigos ou estava no meu submundo adolescente fechada no quarto, eram eles que tinham que ir, se eu me esquecia de lhe dar comida, eram eles que tinham que tratar disso.

A criança pode muito querer compartilhar a vida com um cão e isso é óptimo, mas colocar nas mãos das crianças, a responsabilidade inerente a ter um cão é uma receita para desastre, e quando a criança falhar, e vai falhar porque é, pois claro, uma criança, os adultos não podem levantar as mãos e dizer “foste tu que quiseste” esquecendo-se que pelo meio existe um animal que sente fome, frio, precisa de carinho, amor, atenção e não pode ser negligenciado porque a criança é uma criança e as adultos “nem queriam o cão”.

Por isso, ter cães porque as crianças querem é uma péssima ideia. Devemos adoptar um cão porque nós queremos, e com isto a criança pode também beneficiar desta interacção e vivência, mas somos nós como família e em especial os adultos que devem arcar com esta decisão e responsabilidade.

COMPRAR OU NÃO COMPRAR

Agora que ficou claro que cães ou animais, dados como prendas não são a melhor ideia, festeje o natal e depois pense cuidadosamente em adquirir um amigo novo.

Antes de decidir que raça adquirir, deixe-me dar-lhe a perspectiva de alguém que trabalha há 10 anos com cães de todas as raças possíveis e imagináveis.

A raça de um cão, cada vez menos determina a personalidade do mesmo. O que quero dizer com isto é que, a raça de um cão dá-nos informação sobre aspectos como a cor, tamanho que cresce, tipo de pelo, etc… mas não exactamente vem de encontro com a ideia do que um (coloque aqui a raça) é.

Labradores não são todos pacatos e sabem não puxar na trela, nem todos os Golden Retrievers adoram crianças e vão buscar bolas, se acha que todos os chihuahuas ladram sem parar a tudo engana-se e não, nem todos gostam de andar sempre dentro de carteiras. Os Grand Danois, não são todos lentos e mexem-se pouco, nem todos os Pastores Alemães vão comer ladrões e lamber a vizinha, alguns lambem todas as pessoas de tão amigáveis que são, e os Border Collies, não são todos cães fáceis de ensinar.

Isto são tudo rótulos que nos levam a uma ideia errada dos cães, porque o que nos esquecemos é que cada cão tem a sua personalidade, e que o que fazemos depois com ele a nível de treino e educação vai ter a maior influência de todas, na forma como o cão se comporta e se relaciona connosco. Por isso seja lá a ideia que tenha de uma determinada raça, pense de novo, pode sair totalmente ao lado daquilo que espera.

Cães de raça definida se adquiridos em criadores responsáveis são também caros. Custa-me pessoalmente, pensar que podemos estar a gastar tanto dinheiro num cão específico, quando existem tantos fantásticos a precisar de uma casa.

Eu mesma tenho um Border Collie, e apesar de o amar profundamente foi o primeiro e ultimo cão que alguma vez comprei. Ele é um cão fantástico, mas tem Border Collie Collapse Syndrome e Displasia da Anca grau D e garanto-vos que procurei afincadamente e só em criadores responsáveis e conscientes. Mesmo assim não me livrei de pagar muito por ele, ver a saúde dele deteriorar-se e sentir-me algo culpada pela decisão que tomei.

Se mesmo depois de ler isto, pensar, “mas eu quero mesmo um cão da raça x” deixo alguns conselhos:

- Tente saber se não existe nenhum da raça x disponível para adopção, iria ficar surpreendido que hoje em dia quase qualquer raça pode ser adoptada.

- NUNCA compre esse cão numa loja, na internet.

- Procure extensivamente por criadores se quer evitar dar muito dinheiro e acabar com um cão com problemas de saúde graves que diminuirão a qualidade de vida do seu companheiro, lhe partirão o coração e esvaziarão a sua carteira. Conheça os pais do cão, interaja com eles, pergunte tudo o que quiser sobre a saúde eles, e o comportamento deles. Exija ver testes médicos, informe-se sobre as doenças mais comuns dentro da raça, etc.. conheça vários da mesma raça e fale com os tutores, pergunte como eles são, para perceber se é realmente o que procura. É um trabalho de casa extenso, mas do qual nunca se vai arrepender.

Se a raça e ou proveniência não é o principal, então parabéns! Acabou de salvar a vida de um cão

ADOPTAR É TUDO DE BOM

Adoptar um cão é outra decisão importante, mas extremamente satisfatória, sabermos que salvamos um cão de uma vida miserável ou até mesmo da morte, e que estamos a dar muitas vezes uma nova oportunidade a um cão é algo difícil de descrever por palavras.

Procure nas associações ou canis perto de si, e faça perguntas sobre os cães. Muitas vezes as pessoas que lá trabalham, conhecem melhor os cães que têm dentro das associações do que nós, por isso ouça-as e não seja movido apenas por um determinado aspecto como: aquele é lindo, aquele é sossegado, etc.. tente saber mais sobre a personalidade do cão e se ele será um bom companheiro para si.

Para cada adoptante existe mais do que um cão perfeito, pode não ser aquele que está ali mas pode ser o outro ao lado e muitas vezes as pessoas que estão na associação são as melhores a responder às suas dúvidas. Não se apresse, leve o seu tempo a decidir. Peça para passear com o cão, pode mesmo fazer isso mais do que uma vez caso esteja com dúvidas. Passar algum tempo com o cão vai apenas dar-lhe certezas e evitar surpresas.

Se decidir por um cachorro, saiba que por vezes é difícil saber o tamanho que vai ter em adulto ou o aspecto físico exacto, eu pessoalmente gosto do factor surpresa e das características únicas, mas caso isso não o motive, tente perguntar às pessoas mais experientes dentro da associação quais os cachorros mais fáceis de identificar em termos de aspecto físico, etc.

Se decidir por um cão adulto as coisas facilitam-se em termos do aspecto físico. Ali está o que é, peludo, carequinha, pretinho ou colorido, barbudo ou com orelhas espetadas. Dali questione o comportamento do cão, saiba que nem sempre as pessoas da associação podem garantir nada em termos de comportamento, pois os cães comportam-se de forma diferente em ambiente de canil do que em casa individuais.

Se decidir adoptar um idoso, terá uma agradável surpresa. Eles usualmente são cães que surpreendem pela sua capacidade de adaptação, procuram coisas que nunca, raramente ou já não têm à muito tempo, contacto humano, cama seca e quente e comidinha sem falta. Cães idosos têm o maior defeito de todos, uma vida mais curta que um cachorro, mas as vantagens são infindáveis, a começar pela carga de trabalhos que os cachorros dão e que os cães idosos não vos vão dar. Usualmente cães idosos são mais previsíveis no seu comportamento pelo que é mais fácil saber lidar com um. Um cão idoso apesar de ter uma vida mais limitada, continua a ser um cão que irá passar vários anos ao seu lado, e por experiência estes cães rejuvenescem sempre que são adoptados e acabam por viver bastante mais tempo que o esperado.

Quando adopta um cão, seja de que idade for, está sem dúvida a dar a um patudo que merece uma nova casa. Estes cães muitas vezes vêm acoplados a um sentimento de “agradecimento eterno”, difícil de explicar, impossível de provar, mas que quem adopta, acaba sempre por descrever e reconhecer como existente, quase como se “eles soubessem que os ajudamos”.

Pondere adoptar um cão para si, no caso de ter pensado em ter um, e esse será verdadeiramente um bom começo de ano!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Manuseamento de cachorros

Manuseamento de cachorros é sem dúvida um dos exercícios mais importantes a praticar com os cachorros, pois estes são durante toda a sua vida manuseados pelos mais diversos motivos e é importante que estes momentos sejam o menos invasivos e stressantes possíveis.
Ninguém gosta de ver o seu cão tentar morder o veterinário, ter que ser agarrado por 4 enfermeiros, equanto lhe tentam cortar as unhas, ou administrar uma vacina.
A maioria dos tutores fica horrorizada quando vê o estado em que o seu cão fica quando tentam dar-lhe banho e as pessoas têm que estrangular, bater e ameaçar o cão para que ele fique quieto. Existem pessoas que chegam a sedar os seus cães para poderem dar-lhe banho!
Manuseamento, o acto de podermos tocar nas variadas partes do corpo de um cão, sem que ele se sinta ameaçado, com necessidade de usar comportamentos agressivos para afastar as pessoas, sem que ele fique nervoso, ansioso é uma das coisas mais apetecíveis para qualquer tutor.
Ver um companheiro patudo sofrer e ser ameaçador coloca um stress emocional muito grande em todos.
Por isso veja o vídeo. Assim que o cachorro chegue a sua casa, comece a praticar. Use comida em troca de manuseamento. Eu toco, tu deixas, eu dou-te comida. Siga este processo durante toda a vida do cão, diminuindo a frequência, mas sempre fazendo de vez em quando. Eles não vão importar-se de ser relembrados de como pode ser bom ser tocado. Não se esqueça de generalizar e fazer visitas constantes ao veterinário para que o seu cão se acostume a ser manuseado nesse local. Peça ajuda e eles ajudarão. Enfermeiros, veterinários e recepcionistas podem dar 3 pedaços de salsicha ao seu cão numa visita com o único intuito de receber miminhos de toda a gente lá, e verá a diferença que é.

Pratique e ajude o seu carro






quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Who is a good boy?

When our dogs do something different, fun, nice or unexpectedly nice, we tend to have one, two or a whole bunch of nice things to say to them.

If you are anything like me you are prone to give them full motivational speeches when you see them do something we consider great.

Just the other day, Joel, my BC, caught a ball that bounced in a weird way on the wall and did a strange turn; he managed to turn his body just in time to grab the ball in the air. I was so amazed, even though I have seen similar moves done by him by the hundreds, I instantly shouted a “Nice one, you are such a smart boy” followed by a stupid grin and several “who is the good boy?” whilst rubbing his back. Then back to tossing balls.

My pitbull X Safira is drowned in cuddles, back rubs and words of love, when she falls asleep next to me and starts making cute noises. I cannot resist her at all, she is old, with white hairs all over her face and incredibly cute in ways I cannot describe.

I do admit I might be “too” cuddly with my dogs – but I know from working with hundreds of people and their dogs, that, it is fortunately very common for owners to be proud and express joyful emotions verbally and physically to their dogs.

I personally think it is great. As long as your dog enjoys and appreciates physical contact , by all means enjoy! I always respond to owners who say: “I give him too much love” – “There is no such thing as too much love especially for a dog”.
It is not about the amount of love and cuddles you give your dog that drives him to show undesirable behaviours and don’t believe anyone who says otherwise.

Dogs are driven to perform more often behaviours which will allow them to maintain or access something they want. So when we try to teach our four paws friends something new, or if we are just hoping to strengthen behaviour, usually we quickly offer the dog something he wants at that time in exchange.

Food is a handy, quick and incredibly effective primary reinforce, because dogs eat every day, and if they eat 200 pieces of kibble a day, then you have 200 behaviours you can now exchange for them.
So if a dog is hungry, he will sit in front of you with a wagging tail, he will drop into downs all over the house, he will nudge in the arm. He will offer whatever behaviour he learnt that is likely to make you drop a bunch of kibbles on the floor.

Understanding this might shine a new light on why verbal praising or a pat on the dog’s head might not be working as expected in terms of strengthening or teaching new behaviours.

Lets put it this way, if you never touched your dog, and never ever said anything nice to him or talked to him at all, the talking to him and patting on the head could work better, however even that would have a limit to what you could teach reinforced merely by cuddles and words.

So when I usually train my dogs I am very verbal.

I get happy with their successes and express them with my words “Awesome, you are so smart, great stuff! good boy! yey!, etc..” and sometimes I even cuddle them where they are likely to enjoy it, like a good scratch on the rump.

However this is not my primary reinforcer to train behaviours.

I realize the limits of those actions in terms of teaching and strengthening behaviours, and so I always have other reinforcers, such as play (tug playing, ball tossing, running with them), food, or environmental (letting them access the garden, letting them run off lead on the beach, etc...) at hand to exchange for those behaviours. I give them access to some food, play or environmental reinforcer, and usually after I celebrate with lots of verbal praising.

The best way to train is by using positive reinforcement and rewards, but patting your dog on the head and or saying “good boy” will be extremely limitative, you need to up your game in terms of rewards if you want it to be effective.


Dogs do love when we are happy with them, but that should not be the only reward offered, after all most times we offer them love, cuddles and verbal praise, just because they exist and are there! Let’s continue offering them all the love we want, and trust me, they relish and deserve it, but never forget to use other resources to train and strengthen behaviours, that way you will have a happy, loving an fulfilled relationship and an well trained companion as well.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Clicar sem recompensar sim ou não?

Blazing Clickers - Drª Susan Friedman


Blazing Clickers - Tradução por Claudia Estanislau de IAAD e revista por Pedro Lopes com autorização da autora e encontra-se no link do site dela:

http://www.behaviorworks.org/files/translations/Blazing%20Clickers%20-%20Portugese%20Translation.pdf


Marian Kruse e Keller Breland estão entre os primeiros treinadores a usar clickers há cerca de setenta anos atrás. Desde então, este aparelho transformou-se num instrumento popular entre os treinadores de animais de todo o mundo. Usado correctamente,o clicker é um marcador preciso, de um evento que leva a uma comunicação clara,acerca da contingência entre o comportamento e a sua consequência, reforçando o comportamento que lhe segue. No entanto, alguns treinadores fazem um mau uso dos clickers, fazendo-os soar repetidamente sem uma entrega contígua de um primário ou de qualquer outro reforço para além do próprio som do clicker. Nós chamamos a esta prática blazing clickers. Sem um historial forte e obrigatório de click-comida e sem um plano sistemático, esta prática de apenas clicar sem a entrega de um reforço primário, leva à extinção clássica da força que o clicker detém como reforço,assim como a um progresso muito fraco na aprendizagem ou mesmo a agressão.
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Uma comunicação clara e bilateral é a base de um treino animal bem sucedido.Através de uma comunicação clara, treinadores experientes, moldam com fluidez as respostas de um animal de uma aproximação para a outra, resultando num comportamento complexo e novo em minutos ao invés de semanas. Uma das ferramentas de comunicação mais importantes é o reforço condicionado, também conhecido por reforço secundário, marcador de eventos, marcador, estímulo quefaz ponte e ponte. Reforços condicionados melhoram a comunicação bilateral porque podem ser entregues no instante em que o comportamento correcto ocorre.Esta associação temporal próxima entre o comportamento e o reforço é uma característica essencial para um reforço eficaz conhecida por contiguidade.

Marian Kruse e Keller Breland estiveram entre os primeiros treinadores de animais a usar clickers para melhorar o resultado dos treinos há mais de setenta anos.Junto com Bob Bailey e outros, eles exploraram uma grande variedade de outros reforços condicionados, tais como apitos, luzes, toque e palavras. Estes reforços condicionados são hoje em dia comuns nas nossas caixas de ferramentas de treino.
O que é interessante, é que a função precisa dos reforços condicionados ainda está a ser investigada (para uma boa discussão dos diferentes pontos de vista ver Pierce e Sheney, 2008).

No entanto, a um nível prático, nós já temos a informação de que precisamos acercados reforços condicionados:

1. Como fazê-los - associar um estímulo neutro repetidamente com um reforço bem estabelecido, isto é condicionamento clássico ou respondente.

2. Como desfazê-los - parar de associar um reforço condicionado com outro reforço, isto é extinção respondente.

À medida que trabalhamos em vários jardins zoológicos pelo mundo fora, observamos treinadores que inadvertidamente desfazem ou diminuem a força dos seus reforços condicionados ao não associá-los com outro reforço bem estabelecido. A esta forma de treinar chamamos blazing clickers. Blazing clickers é definido pelo click aleatório e rápido de cada resposta correcta dentro de uma série de respostas correctas, sem seguir cada click com o seu reforço antecipadamente bem estabelecido (isto é, clicar sem recompensar).

Acercadas muitas discussões que tivemos com treinadores que clicam sem recompensar,acreditamos que esta forma de trabalhar resulta de diferentes conceitos errados acerca de processos básicos de comportamento relacionados com os reforços condicionados. O propósito deste artigo é melhorar a eficácia do seu treino falando dos cinco conceitos errados mais comuns associados aos blazing clickers, e adicionar as nossas vozes às dos treinadores que recomendam associar todos, ou quase todos os cliques a uma recompensa (ver por exemplo, Fernandez 2001; Ramirez 1999; Bob Bailey,comunicação pessoal 17 de Abril 2011, Karen Prior comunicação pessoal em 16 deAbril de 2011).

Termos

Para uma maior facilidade de comunicação durante este artigo, usaremos os seguintes termos:

1. A palavra click refere-se a qualquer reforço condicionado usado no treino para reforçar um comportamento com super contiguidade. É sinónimo de reforço condicionado ou secundário, estímulo que faz ponte, ponte, marcador de eventos e marcador.

2. A palavra recompensa refere-se a qualquer reforço bem estabelecido, condicionado ou não, usado para condicionar e manter a força do clicker. Recompensa é sinónimo de reforço bem estabelecido que, no caso do treino de animais, a maioria das vezes é comida.

3. O termo blazing clickers refere-se à prática de repetidamente clicar sem sistematicamente entregar o reforço, também conhecido por cliques isolados ou clicar sem recompensar.

Conceitos Errado mais comuns

Conceito Errado #1 – Blazing Clickers é uma boa aproximação porque o clicker é umreforço (um reforço secundário), por isso o animal não precisa de outro(recompensa).

Alguns treinadores afirmam que não precisam de seguir o click por uma recompensa porque o clicker é não só um marcador ou uma ponte, mas um genuíno reforço secundário. Porquê entregar dois reforços, quando apenas um é suficiente? É verdade que um reforço secundário bem condicionado pode ser tão forte, ou até mais forte, do que um reforço primário desde que exista um historial de condicionamento longo e forte. No entanto, uma diferença crítica entre um reforço primário e um reforço secundário é que um reforço primário é automaticamente reforçante – isto é, pré-programado; os reforços secundários,por sua vez, dependem da experiência, especificamente da associação repetida e seguida com outros reforços previamente bem estabelecidos, para adquirirem e manterem a sua força como reforços. Na verdade, o procedimento de tornar um reforço secundário ao seu estado neutro é desfazer a associação, isto é,repetidamente entregar o reforço secundário sem o reforço que o apoia, processo conhecido por extinção respondente (um estímulo condicionado, CS, é apresentado sem o subsequente estímulo não condicionado US).

Algures entre a associação consistente e a não associação, existirá o progressivo enfraquecimento do reforço secundário. Enquanto que os reforços secundários têm um “tempo de vida” esse tempo não é conhecido e aqueles reforços secundários que têm um “tempo de vida” longo, são resultado de um historial constituído por dezenas, se não centenas de associações (Pierce & Cheney, 2008). Cada vez que um click ocorre sem um reforço de apoio, é literalmente o mesmo que uma exposição a uma extinção respondente, e reforços secundários podem perder a sua força de reforço muito rapidamente, um problema que já observámos muitas vezes.À medida que o click deixa de garantidamente antecipar uma recompensa, os animais começam a investigar o ambiente para tentar encontrar pistas que lhes indiquem que o reforço (comida) está a caminho, tal como o movimento subtil do braço do treinador em direcção à bolsa ou balde de comida. Na verdade, no caso dos treinadores que trabalham fisicamente perto dos animais, muitas vezes vemos animais responderem à linguagem corporal do treinador, segundos antes do mesmo soar o clicker. Pode ser que ao trabalhar em proximidade, muitos animais respondem com muito maior rapidez ao que vêem do que àquilo que ouvem.

Conceito Errado #2 – Blazing Clickers tornam o treino mais interessante para o animal.Se você recompensar sempre que clicar, a sessão torna-se muito previsível e os animais ficam aborrecidos com o treino.

Alguns treinadores explicaram-nos que o uso do Blazing Clickers é uma boa forma de manter os animais interessados no treino, de evitar o aborrecimento produzido pela sequência click recompensa. É verdade que variedade apimenta a vida, mas nós acreditamos que a pimenta deve vir da variedade e quantidade de reforços que você providencia, dos comportamentos que você treina e do ritmo que você imprime ao treino, ao invés dos blazing clickers.

Imagine o que é encontrar o seu frigorífico trancado 3 a 4 vezes por semana só para que as coisas se tornem mais interessantes para si. Uma outra hipótese para o porquê de um animal se pode tornar menos atento durante uma sessão de treino,pode ser aquilo que chamamos de “blazing behaviours”. Isso é o sinalizar seguido de respostas mundanas, respostas essas que não levam ao desenvolvimento de nenhuma habilidade específica ou que não melhoram de forma nenhuma a qualidade de vida do animal. Por exemplo, rotineiramente vemos sessões de treino que se limitam a pedir rapidamente ao animal múltiplos comportamentos de target com diferentes partes do corpo, cada uma durando apenas uma fracção de um segundo.É mais ou menos como isto:

“Gracie,braço-click,dedo-click,ombro-click,orelha-click,pé-click,joelho-click,costas-click, boooooooooooom, recompensa, recompensa, recompensa”.

Isto sim é aborrecido! Quando observamos este tipo de treino a ser efectuado,encontramo-nos a questionar qual o objectivo de ensinar o animal a fazer “target”com tantas partes do corpo numa rápida sucessão de menos de 20 segundos? “Targetting”é extremamente útil quando o toque tem alguma duração. Quanto mais o comportamento tiver duração, mais fácil é levar o target a uma base para um bom tratamento médico ou “grooming”.

Conceito Errado #3 – Blazing Clickers constroem comportamentos mais fortes do que consistentemente associar o click com recompensa porque a associação inconsistente é um esquema de reforço variável como uma máquina de casino.

Alguns treinadores acreditam que blazing clickers é um esquema de reforço variável que levará a comportamentos mais fortes uma vez que a entrega do reforço que o apoia é retida. Um esquema variável é um de muitos esquemas de reforço onde o número de respostas (com intervalo de tempo, duração, etc.) requeridas para adquirir o reforço, varia de acordo com uma média pré-estabelecida. É realmente verdade, que esquemas de reforço variáveis criam comportamentos mais persistentes naqueles comportamentos já fluentes, isto é, o comportamento torna-se mais lento a ser extinto. Existem,no entanto, dois erros neste raciocínio dos blazing clickers. Primeiro, se o clicker é realmente um reforço condicionado eficaz, não oferecer a recompensa não vai mudar o facto que você continua a usar um esquema de reforço contínuo de clicks. Se o click não é um reforço condicionado eficaz, então estamos perante a possibilidade real que o click é,para o animal, apenas um som sem sentido que o animal tem que discernir para perceber a contingência entre comportamento-consequência.

Também vale a pena considerar que não existe nenhum valor inerente ou absoluto em construir persistência num comportamento quando este não é necessário.Comportamentos contingentes de sinais são um desses casos: você tem que pedir o comportamento, então, porquê perder uma oportunidade em aumentar a quantidade diária de reforço ao usar um esquema variável? Casos em que a persistência seja necessária, a melhor forma de o conseguir, é primeiro ensinar o comportamento novo através de um esquema de reforço contínuo (click-recompensa) para uma comunicação clara entre a contingência comportamento- consequência. Depois,gradualmente tornar os reforços mais escassos (conhecido como esticar o rácio de reforço) até chegarmos ao esquema de reforço desejável, tornando dessa forma a quantidade oferecida de comportamento imprevisível, enquanto aumentando a quantidade de comportamento desejado em vista do reforço. Por exemplo, se um treinador quer que um leão faça várias visitas à área com vista para o público durante o dia, um esquema de reforço variável seria a ferramenta ideal (isto é,clicar e recompensar nunca clicar sem recompensar!). Começando com um esquema de reforço contínuo, pedindo gradualmente um aumento variável no número de vezes que o leão passa pelo local, para adquirir reforço. Implementar este tipo de estratégia de treino leva tempo e um plano cuidadoso para manter a quantidade de reforço suficientemente alta para que o leão continue a querer trabalhar. Um esquema de duração variável pode ser usado para aumentar o tempo que o leão fica em frente à janela.

Conceito Errado #4 – Blazing clickers diminuem a agressão por frustração porque o animal aprende a não esperar uma recompensa de cada vez que ouve o clicker. Tudo pode correr mal se você fica sem comida antes da sessão terminar.

Alguns treinadores expressaram a sua preocupação que os animais treinados com consistência no click e entrega da recompensa, tornarão-se-ão agressivos quando a recompensa não for apresentada. Uma forma de resolver este problema é assegurarmo-nos que a recompensa é sempre apresentada depois do click. Isto requer planear a quantidade certa de reforços primários e espaça-los cuidadosamente durante cada sessão de treino, ou terminar uma sessão de treino mais cedo antes de acabar o reforço primário (algo que só deveria acontecer uma vez). Você também pode planear uma sessão mais curta com maiores quantidades de reforço ou menos repetições de cada comportamento. Isto tudo pode melhorar a motivação do seu aluno e ajudá-lo a evitar a repetição mundana de comportamentos descrita no número 2 acima falado.

Então,é possível ensinar um animal a oferecer muitos comportamentos maioritariamente em troca de reforços secundários, veja por exemplo, Alferink, Crossman & Cheney,1973, que descreve o processo através do qual um reforço condicionado, neste caso uma luz, conseguiu manter um pássaro a dar 300 bicadas na ausência total de comida. No entanto, condicionar um reforço secundário tão forte requer a implementação de um plano sistemático que inclui centenas de bicadas sempre seguidas por luz e recompensa, um reforço primário muito forte e eventualmente esquemas de reforço variáveis cuidadosamente implementados para que a diminuição do ritmo de entrega de reforço não seja muito abrupto ou escasso(conhecido como “ratio strain”). Uma aproximação destas tão estruturada é muito diferente da escolha casual de não seguir o clique por uma recompensa baseando-se num relacionamento hipotético de que clicar e recompensar sempre seguido pode causar agressão. Por outro lado, existe uma abundância de factos de que um esquema de extinção pode provocar agressão (chamado de extinção induzida ou agressão induzida por frustração). Isso é uma preocupação quando um click perde a força de reforço por causa do click ser soado e a recompensa ser retida.

Conceito Errado #5 – Blazing clicker é bom para dizer ao animal que o que ele fez está certo e que ele deve continuar. Eles são suficientemente espertos para aprender que o click significa coisas diferentes.

Claro que não existe problema nenhum em ensinar a um animal um sinal de continuação(Keep going signal – KGS). É certamente emocionante ver um leão-marinho responder ao KGS e nadar mais uma volta, uma ave a dar mais voltas ao local, ou ver um elefante a manter a posição da pata para se poder limar as unhas. O que é problemático, no entanto, é quando um sinal, no caso o click, é usado para comunicar duas coisas completamente distintas. Um sinal de trânsito vermelho comunica aos condutores para colocarem o pé no travão e também para acelerarem.Ainda bem que temos luzes vermelhas e verdes!

É uma comunicação muito fraca ter um mesmo click significar duas coisas completamente distintas e opostas tais como, vem aí comida e continua a fazer esse comportamento. Já observamos animais a abandonar as sessões de treino (e isso sim é comunicar claramente com o treinador) quando o mesmo som é usado para as duas coisas.

Um click bem condicionado pode ter mais do que uma função para um dado comportamento. Pode marcar o comportamento correcto para que o animal entenda o que deve repetir para obter reforço de novo, pode servir de ponte entre o comportamento e o reforço e pode ser um estímulo discriminativo para terminar o comportamento e preparar-se para a comida que aí vem. Um KGS bem condicionado,por definição, nunca interrompe o comportamento. Quando usamos um KGS um sinal diferente deve ser usado para significar “comida vem aí!”.

Conclusão

Clicker,apitos e outros reforços condicionados são ferramentas valiosas para ajudar treinadores a comunicar com os animais a resposta precisa que este necessitam efectuar para obter uma recompensa. Quando um reforço condicionado é consistentemente associado com outro reforço de apoio ou primário, então a comunicação torna-se clara, a motivação permanece alta e os comportamentos são rapidamente aprendidos. No entanto, quando o som do clicker não é consistentemente associado a um reforço primário, a comunicação torna-se confusa, como provado pela diminuição da motivação, aumento da agressão e enfraquecimento da performance.

Quando o click começa a perder o seu significado por causa do seu uso repetido sem associação a uma recompensa, os animais começam a procurar por outros sinais que prevêem a consequência das suas acções. Muitas vezes eles observam a linguagem corporal que lhes diga que uma recompensa está iminente e isto vem dar força à contingência comportamento-consequência e tornar o click apenas num som. Enquanto é verdade que um reforço secundário não perde a sua capacidade de reforçar comportamento logo da primeira vez que é usado sem reforço primário, o número de vezes que clicamos sem recompensa que levarão à extinção não podem ser previstos e isto pode acontecer muito rapidamente. Portanto enquanto um click sem recompensa esporádico pode passar incólume, blazing clickers não são uma boa prática de treino. Quando o click não transporta nenhuma informação da qual o animal possa depender o resultado é comportamento errático.

REFERÊNCIAS

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