quinta-feira, 30 de junho de 2016

NÃO QUEIRA UM CÃO DE GUARDA Por Claudia Estanislau

As pessoas adquirem uma certa raça ou um certo cão porque acreditam que eles serão bons “cães de guarda” ou porque querem um “cão de guarda”.

Mas o que é afinal um cão de guarda?

Ao longo dos anos tenho ouvido as perspetivas de diferentes pessoas acerca do que acreditam ser um cão de guarda. Algumas descrevem o cão de guarda, como um que vai atacar os ladrões ou pessoas que queiram fazer mal à família humana. Outros esperam que o cão adquira um sentido humano de moralidade e valorize objectos e que saiba protege-los. Outros descrevem um cão de guarda como um cão “mau” para todos os que se aproximem, menos as pessoas que são da família.

Um cão de guarda é, em geral, muitas vezes entendido como um cão que sabe a quem e quando demonstrar comportamentos agressivos – enquanto sabe também ser o cão mais sociável e amigável com todas as outras pessoas.

Aquilo que chamo cães de alerta, são a grande maioria dos cães que temos connosco. A maioria dos cães, ladram quando ouvem um barulho fora do normal dentro ou perto da propriedade. A maioria dos cães alerta, ladrando para algum movimento ou som fora do normal.

Tendo em conta estas duas distinções, garanto que a maioria dos cães (salvo raras exceções) são ótimos a alertar para algo suspeito que aconteça perto da sua casa. O problema está quando o humano pensa na questão da guarda, e essa sim precisa ser esquecida, porque tem implicações perigosas e muitas vezes irresponsáveis.

Objectificação dos cães

Os cães não são objectos que devem ser usados para nossa proteção. Eles são, tal como nós, animais sencientes, que se assustam, sentem medo e insegurança. Muitas vezes, os comportamentos agressivos veem exactamente desses sentimentos de insegurança, e acredito que ninguém queira o seu cão num pátio escuro à noite petrificado de medo a ladrar para todos os sons e movimentos enquanto a isso chamam de um “bom cão de guarda”.

É importante também reconhecermos que vivemos numa sociedade humana que tem pouca ou nenhuma tolerância para o comportamento agressivo de outras espécies, direcionado a pessoas. Na nossa sociedade é perfeitamente “normal” matarmos um animal que demonstre qualquer tipo de comportamento agressivo direcionado a pessoas, mesmo que seja em autodefesa. Portanto, quando adquirimos um cão com o intuito de que o mesmo possa algum dia causar dano a outra pessoa, estamos a brincar com a vida do cão.



Eu protejo os cães pois sou responsável por eles. Os tutores de cães devem estar ali maioritariamente para proteger os seus cães e não o contrário.



Os meus cães nunca ficam fora de casa quando saio. Se eu saio de casa, os meus cães ou cães que estejam comigo são colocados dentro de casa. Dessa forma eu evito que alguém os roube, envenene ou magoe.

Se eles estiverem dentro de casa, sei que estão não só mais seguros como mais confortáveis e sei também que se alguém se aproximar da casa, eles vão ladrar e que a pessoa vai conseguir ouvi-los. É muito mais difícil causar dano, envenenar ou deter um cão que está fechado dentro de casa. Como tal a sua casa e o seu cão, ficam muito mais seguros se o seu cão estiver dentro e não num jardim, preso num canil ou preso numa corrente (cães presos a correntes não protegem absolutamente nada para além de ser uma prática criminosa e abusiva).

Eu sempre aconselho as pessoas que questionam acerca de qual o melhor cão de guarda, a adquirirem a raça alarme. Os alarmes são, sem sombra de dúvida, os melhores detentores de ladrões ou pessoas com más intenções. Um cão, por outro lado, é um amigo, um companheiro, parte da família, um animal com sentimentos, e não deve ser usado como um objeto, como um alarme ou uma pistola.

Infelizmente a história fala de cães que foram usados durante séculos como cães de guarda, claro que falamos de centenas de anos atrás, quando quase todos os cães tinham uma tarefa dentro da nossa sociedade e onde o companheirismo era raro.
A “guarda” de que tantos falam, era muitas vezes ligada à guarda de animais que eram transportados para as feiras, por exemplo, guarda de gado, de ovelhas, de animais que eram a subsistência da família. Este historial infelizmente, ainda é extrapolado para o presente, apesar de nada do passado ter referência hoje em dia, nem o que fazemos, nem o papel que os cães desempenham na nossa vida. Muitos treinadores e criadores tentam vender aos tutores a ideia bizarra de que certas raças serão óptimas para proteger os seus filhos e propriedade e isso deveria ser proibido num país onde existem leis que têm como intuito evitar acidentes de mordidas entre cães e pessoas. É um contrassenso e uma boa e gorda mentira.

Hoje em dia, os cães dormem perto de nós, passeiam connosco, brincam com os nossos filhos, adormecem no sofá connosco e acompanham-nos nos passeios em dias de sol. Hoje em dia os cães são vistos como amigos e companheiros e não como animais com um propósito único de guardar gado, ou neste caso no nosso Porsche, por exemplo.

Portanto, a ideia de que certas raças de cães darão bons cães de guarda, não é verdade. Nenhum cão nasce com sentido de moralidade e mesmo que o fizesse essa moralidade não era certamente igual à humana.

Os cães não vão conseguir distinguir um amigo de um inimigo nos mesmos termos do seu tutor, eles irão fazê-lo nos seus termos, o que quer dizer que se você não sociabilizar o seu cão e educa-lo e optar por treiná-lo com métodos aversivos, conseguirá criar um cão medroso e inseguro que rapidamente aprenderá a usar comportamentos agressivos para afastar as pessoas das quais tem tanto receio e a isso muitas pessoas chamam guarda. Na lei isso denomina-se um cão perigoso.

Claro, já todos ouvimos e lemos histórias de cães que apanharam ladrões, morderam pessoas mal-intencionadas que invadiram uma propriedade, protegeram os seus tutores durante um passeio. Não há muito tempo ouvi uma história de um gato que atacou um ladrão que entrou na casa dos tutores enquanto estes dormiam e conseguiu que ele fosse apanhado e preso.

A parte romântica destas histórias leva-nos a esquecer o facto de que o tal cão atacava qualquer pessoa que se aproximasse do tutor, e apenas calhou que naquele dia era um ladrão, e que o gato não tolerava estranhos dentro de casa, e que qualquer uma destas histórias ao invés de heróicas poderiam ter sido desastrosas se fossem com a criança que vive na casa ao lado, o entregador de pizzas ou qualquer outra pessoa que viesse por bem.

Algumas pessoas podem estar a interrogar-se se não será verosímil entretermos a ideia de que os cães podem de facto compreender de alguma forma quando uma pessoa que lhes é próxima esteja em perigo. Apesar de não existirem estudos, eu sou uma das pessoas que considera essa ideia uma bastante provável de ser verdadeira. No entanto, isto não muda em nada a forma como eu vejo os cães e como vejo que somos nós que devemos protegê-los e não ao contrário.

Se algum dia acontecesse alguma coisa e os meus cães me protegessem eu iria ficar muito agradecida mas não seria algo que eu esperaria e muito menos algo que treinaria para que fosse feito. Eu jamais quereria colocar a vida dos meus cães em perigo.

Cães polícia são muitas vezes usados como exemplo, no entanto, estes não são exemplo para ninguém, a não ser para os polícias e o que fazem lá. Os cães usados pelos polícias, são cães com treino diário e muito específico. Manuseado por uma ou duas pessoas, que vivem uma vida muito específica. Nunca vemos cães polícia a correrem livremente num parque ou a cumprimentar pessoas com a cauda a abanar enquanto passeiam na rua. Cães polícia, são cães que vivem extremamente controlados e que são usados para um propósito específico. A maioria vive em canis e só sai para treinar ou trabalhar. E não policias não fazem bons treinadores do seu cãozinho de companhia!

Existem treinadores que treinam cães de guarda, e a irresponsabilidade de tal acto é quase absurda! 

Num mundo que lança leis de cães potencialmente perigosos e/ou perigosos, com o intuito de proteger a população de mordidas e acidentes com cães, é no mínimo estranho que treinadores que na sua grande maioria usa métodos antiquados e ultrapassados, sejam permitidos a treinar cães a morderem indiscriminadamente e os coloquem nas mãos de tutores comuns que nada entendem de como lidar com cães.

Onde fica a segurança das pessoas nestas alturas?

A maioria dos acidentes dos cães que saem dos portões das propriedades e atacam a primeira pessoa que veem à frente, advêm de cães isolados e treinados para serem cães de guarda. É inadmissível que usemos os cães desta forma apenas para que sejam eles e outras pessoas, vitimas desta cultura egocentrista e ultrapassada.

Vamos portanto, como comunidade, reflectir sobre o tema. Não existe lugar no século XXI para tratarmos cães como objectos que podem ser descartados e usados unicamente para benefício humano e dos seus pertences. Cães merecem mais e melhor, se as ultimas décadas nos deram algo sobre os cães, foi o entendimento do relacionamento estreito e tão unido que temos com estes animais, está na hora de começarmos a honrar este relacionamento.

Claudia Estanislau -IAAD – Its All About Dogs
DTBC, IAABC, LLA, PPG

domingo, 26 de junho de 2016

Quando a mentira incomoda muita gente a verdade incomoda muito mais

Não gostando de perder tempo com estas coisas, e como me foi indicado terei que escrever isto, algo que me custa muito porque é perda de tempo e cusciçe no seu melhor algo que detesto fazer.
Lamento esta lavagem de roupa suja mas por vezes ficar calado é simplesmente impossível e contrapodutivo.
O meu ex-aluno Patrick Rocha, acusou-me copiar os temas dos artigos dele. Colocou esta acusação com os nomes dos artigos escritos por mim e como tal a difamar o meu nome, o que merece resposta directa.
Senhor Patrick o senhor foi meu aluno por mais de 3 anos e quando começou o curso de treinadores, não sabia nada sobre cães nem tinha formação anterior nenhuma. Tudo o que aprendeu começou por aquilo que EU ensinei, que ouviu de mim, que ouviu nas minhas aulas, leu na matéria do meu curso, nos livros aconselhados por mim, traduzidos por mim, nos meu blogs, etc.. etc.. por isso e só isto já deveria ser estranhíssimo dizer que EU estou a roubar seja o que for seu. Eu estou neste negócio há mais de 11 anos o sr. chegou há pouquíssimo tempo!
Em resposta directa às suas acusações em público:
1. O Patrick afirma que escreveu um artigo sobre andar de trela em Janeiro de 2016 e que eu lhe roubei a ideia publicando acerca do mesmo tema em Abril. Pois olhe, só assim sem procurar muito os artigos "O que fazer se vir um cão sem trela vir em direcção ao meu" publicado em 2011, e outro "Extraordinário ou uma insconsciência" publicado em 2013 ambos falam deste tema em extenso. Mais 5 publicações minhas só em 2015 no FB da IAAD falavam sobre este tema e mais não procuro por falta de paciência e tempo.
2. O artigo "O meu cão sabe que fez mal" perdi a conta quantas vezes publiquei sobre este tema no FB e escrevi textos sobre isso e não vou procurar, mas posso dizer-lhe que fui eu que lhe falei disto no curso onde este tema é falado, e um texto foi publicado na Cães e Companhia com o nome "O meu cão sabe que fez mal" em 2011 e publicado nas notas do FB no mesmo ano.
3. "Cães acorrentados" que o sr. diz ter escrito já em 2015? Por favor, eu tenho desde 2009 um blog com o nome "Diário de um cão acorrentado" onde escrevo sobre esse tema unicamente. O artigo foi tirado desse blog (está lá mas já sabe certamente de onde foi você tirar a ideia).
E pronto e agora digo a minha verdade. O sr. tem textos plagiados meu, frases inteiras e parágrafos plagiados da matéria do curso, crime, fique sabendo que nunca falei porque ao contrário de si não me quero aborrecer ou perder tempo a falar de outros como me obriga agora.
Em 2015 tentou roubar-me o orador Steve Mann e quando foi confrontado negou e ainda ficou ofendido (faz sentido!) eu soube disso através do próprio Steve durante a clicker expo que me mostrou a conversa toda e diz ter testado o Patrick para saber se este queria mesmo rouba-lo levando-o ele mesmo ou se era com minha autorização. Para azar dele o Steve foi fiel a quem tinha falado primeiro e achou por bem contar-me. Nessa altura você disse ao Steve que estava disposto a pagar a ida dele a Portugal para falar de outro tema diferente do que ele já tinha preparado comigo.
Este é o verdadeiro motivo pelo qual eu cortei contacto consigo e pelo qual o sr. devia ter vergonha na cara ao invés de se mostrar ofendido e falar de mim nas costas.
Quanto às acusações acima saiba que quem copiou ideias é o sr. e todinhas. Mas sabe que mais, saia da sua caixa de sabão que para sua surpresa nem eu nem o sr. escrevemos nada que ainda não tenha sido escrito por outras pessoas noutra local qualquer. Somos dois grãos de areia pequenos numa praia de treinadores a nível mundial, muitos tão maiores que nós que nem vale a pena.
Seja humilde, seja honesto e pare de ser pequenino. O sr. é uma vergoha para o treino de cães em Portugal e a minha profissão com estas atitudes publicas, você veio aprender tudo comigo, tomou más decisões e agora anda emburrado. Sr. Patrick Rocha, relaxe, desemburre e não se preocupe com o que eu escrevo, você tem 10 anos para andar e eu estarei sempre 10 anos à sua frente. Não tem como escapar.
Agora deixe-me em paz que eu não quero perder mais tempo com pessoas negativas . Eu quero o que sempre quis, fazer o meu trabalho, dedicar-me ao que faço e que pessoas como o sr. esqueçam que eu existo, porque insiste em gastar tempo comigo se me tem tanto desdém? Faça o seu trabalho e dedique-se mais a ele não se ridicularize que lhe fica mal a si e a toda a profissão. Não procure conflitos que isso não faz bem a ninguém. Para o bem de todos, esqueça que eu existo que por mim está optimo.
Espero que seja o fim desta palhaçada que tenho mais que fazer, amanhã parto para Inglaterra para dar uns seminários e em Novembro para o Brasil, local onde o sr. começou a se imiscuir e se eu fosse amarga como você é, imagine o que eu não pensaria.
Beijinho no ombro ‪#‎ficaadica‬ ‪#‎plagioécrime‬

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Cães Acorrentados

Colocando de parte todas as considerações éticas e morais acerca do facto de mantermos um cão atado a uma corrente, o que torna este acto não só detestável como extremamente perigoso é o facto de que a grande maioria dos cães acorrentados desenvolvem comportamentos agressivos ou reactivos.

Cães presos a correntes sabem que estão presos, logo sabem que estão em perigo! Tudo o que os cães presos a correntes veêm que os assusta, é imediatamente confrontado com demonstrações veementes e claras de afastamento, ou sejam comportamentos agressivos.

O cão defende-se, afinal ele está preso não pode fugir e tem que evitar a todo custo que aquilo que ele não conhece, ou que o assusta, se aproxime dele. Se alguém se aproxima de um cão preso e este por qualquer motivo percebe esta aproximação como perigosa para si, ele irá usar comportamentos agressivos como forma de aumentar a distância e afastar o estímulo causador do perigo. A este tipo de comportamento agressivo chamamos de agressividade defensiva.

Outro tipo de agressividade recorrente em cães acorrentados provém da frustração. A frustração de não poderem sair dali e interagir. Á medida que passam os dias, veêm cães a passar, ouvem-nos, cheiram-nos mas nunca se podem aproximar. O mesmo com pessoas, carros, crianças, etc.. Esta frustração leva inadvertidamente ao desenvolvimento de comportamentos agressivos gerados por frustração. Este tipo de comportamento escala a um ritmo enorme com o tempo e generaliza-se a todos os que se tentam aproximar levando a que os únicos comportamentos que os cães sabem exibir a partir de determinado ponto são agressivos e reactivos.

Cães que estão presos a correntes uma vida inteira, são animais que vivem num vazio social e mental. Não se exercitam fisicamente, nem mentalmente, e não detêm contacto social com pessoas e ou membros da própria espécie. Esta inactividade mental e física e este vazio social, leva a que determinados cães (principalmente os mais activos) desenvolvam muitas actividades para se distrairem. Alguns cães desenvolvem comportamentos obsessivo-compulsivos de andar à roda, perseguir a cauda, cavar buracos ou ladra incessantemente, como se o próprio som da sua voz fosse uma distracção para o vazio em que se encontram.

Alguns cães sobrevivem toda uma vida neste estado catatónico. A exploração de um animal nestes termos não só é éticamente reprovável como é produtor de muitos cães que podem vir a representar para a nossa sociedade um perigo gravíssimo. Muitos acidentes de mordidas reportadas pelo mundo fora, advém de cães que viviam presos e por algum motivo se soltaram.

O governo se pretende proteger a sua sociedade e a comunidade do perigo de mordidas deveria começar por proibir que as pessoas mantenham cães atados a correntes. Atar cães a correntes é um acto reprovável a todos os níveis e por nós considerado abusivo.

Outros problema grave é o desenvolvimento do que chamamos estado de learned helplessness, que é um estado que leva a que um animal desista. Estes cães normalmente sucubem, muitos morrem precocemente, entram em depressões graves, ficam doentes com facilidade e por falta de palavras melhores para descrever este estado, simplesmente deixam de lutar pela vida.

domingo, 8 de maio de 2016

Estimulação Mental com a Amanda

Amanda apesar de cega aprende a comer de uma bola de ração. A estimulação mental ajuda o cão a manter o seu bem-estar e ajuda na estimulação da sua mente evitando problemas durante a velhice, como disfunção cognitiva e outros relacionados com o deteriorar do funcionamento do cérebro.


terça-feira, 3 de maio de 2016

O meu cão reage a skates e bicicletas!

O que fazer quando o seu cão reage, ladrando e ou perseguindo objectos em movimento ou que fazem barulho, tais como skates, bicicletas, pessoas a correr, etc?

Estamos a trabalhar isso com o nosso cliente Major, um lindo Weimeraner e com a sua tutora a Beatriz. A Beatriz deixou-nos filmar um pouco do trabalho que temos feito que assenta na premissa de ensinar comportamentos novos. Aqui queremos que quando ele veja o estímulo ele redireccione e olhe para a Beatriz. Ainda temos muito trabalho pela frente, no entanto, estamos certamente no bom caminho.
Vejam o vídeo


domingo, 14 de fevereiro de 2016

CÃES, PRENDAS E ANO NOVO – por Claudia Estanislau

E se de repente na sua meia aparecesse a cabeça de um cachorrinho como prenda? Isso seria amor?

CÃES COMO PRENDAS

Cães não são objectos utilitários que devem ser dados como prenda. O pressuposto da prenda sendo que é uma surpresa, claro está. O problema está mesmo aqui. Um cão sendo um animal senciente que envolve muita responsabilidade em variadas partes da nossa vida (social, financeira, tempo, etc..) não deve ser uma surpresa, porque no final vamos fazer sofrer o cão e potencialmente a pessoa e/ou família a quem o demos.

Eu compreendo o ideal romântico por trás do facto de oferecer um animal fofinho e bebé no natal, mas quando falamos de animais sencientes, como cães e gatos, temos que ser realistas mais do que românticos. A pessoa realmente quer um cão ou gato? Ela pensou cuidadosamente nesta decisão? Ela ponderou todos os factores? Todas as pessoas que irão contactar diariamente com o cão ou gato estão de acordo? Pensaram em todos os cenários que envolve ter um cão, tais como férias, escapadinhas de fim-de-semana e saídas à rua às 22h com uma temperatura de 5 graus e a chover a potes?

Se considera radical a minha visão, visite o canil ou associação de ajuda aos animais mais perto de si e verá que radical é o número de cães que acabam nestes locais pelos mais variados motivos.

Cresceram demais por exemplo é um deles como se o cachorro não tivesse permissão para se tornar adulto. Ladram, destroem, comem cócós e largam pelos, em suma são cães. Muitos cães que acabam na rua, ou em abrigos foram bem-intencionadas mas mal pensadas prendas de natal.

OS MEUS FILHOS NÃO PÁRAM DE PEDIR UM CÃO

Crianças e cães são uma das imagens mais românticas da nossa sociedade. As vantagens de crianças crescerem com cães são inúmeras e mais que comprovadas eu sou totalmente a favor de que beneficia ambas as partes se feito com cabeça, tronco e membros. No entanto, o cão tal como não é uma prenda, nunca pode ser dado a uma criança como se esta fosse ser a única responsável pelo mesmo.

Tinha eu cerca de 10 anos quando os meus pais trouxeram o primeiro cão para casa. Até à data eu tinha pedido todos os natais, aniversários, páscoas, Halloweens e festas da cidade, por um. No entanto, e felizmente, os meus pais sabiam que por mais que eu quisesse seriam eles os verdadeiros responsáveis pelo cão e só quando eu já era mais capaz de entender certas coisas e eles capazes de abraçarem essa responsabilidade é que aconteceu e assim tive a minha primeira cadelita, a Lira.

Apesar de eu ser uma criança que era muito responsável e por gostar tanto dos cães, não me importava nada de a passear, dar-lhe comida, dar-lhe banho quando necessário, etc… Mas os meus pais sempre entenderam que eram verdadeiramente eles, os responsáveis pela Lira.

No final de tudo, se ela precisava de cuidados médicos eram eles que a levavam e pagavam, se ela precisava de ser passeada e eu tinha saído com amigos ou estava no meu submundo adolescente fechada no quarto, eram eles que tinham que ir, se eu me esquecia de lhe dar comida, eram eles que tinham que tratar disso.

A criança pode muito querer compartilhar a vida com um cão e isso é óptimo, mas colocar nas mãos das crianças, a responsabilidade inerente a ter um cão é uma receita para desastre, e quando a criança falhar, e vai falhar porque é, pois claro, uma criança, os adultos não podem levantar as mãos e dizer “foste tu que quiseste” esquecendo-se que pelo meio existe um animal que sente fome, frio, precisa de carinho, amor, atenção e não pode ser negligenciado porque a criança é uma criança e as adultos “nem queriam o cão”.

Por isso, ter cães porque as crianças querem é uma péssima ideia. Devemos adoptar um cão porque nós queremos, e com isto a criança pode também beneficiar desta interacção e vivência, mas somos nós como família e em especial os adultos que devem arcar com esta decisão e responsabilidade.

COMPRAR OU NÃO COMPRAR

Agora que ficou claro que cães ou animais, dados como prendas não são a melhor ideia, festeje o natal e depois pense cuidadosamente em adquirir um amigo novo.

Antes de decidir que raça adquirir, deixe-me dar-lhe a perspectiva de alguém que trabalha há 10 anos com cães de todas as raças possíveis e imagináveis.

A raça de um cão, cada vez menos determina a personalidade do mesmo. O que quero dizer com isto é que, a raça de um cão dá-nos informação sobre aspectos como a cor, tamanho que cresce, tipo de pelo, etc… mas não exactamente vem de encontro com a ideia do que um (coloque aqui a raça) é.

Labradores não são todos pacatos e sabem não puxar na trela, nem todos os Golden Retrievers adoram crianças e vão buscar bolas, se acha que todos os chihuahuas ladram sem parar a tudo engana-se e não, nem todos gostam de andar sempre dentro de carteiras. Os Grand Danois, não são todos lentos e mexem-se pouco, nem todos os Pastores Alemães vão comer ladrões e lamber a vizinha, alguns lambem todas as pessoas de tão amigáveis que são, e os Border Collies, não são todos cães fáceis de ensinar.

Isto são tudo rótulos que nos levam a uma ideia errada dos cães, porque o que nos esquecemos é que cada cão tem a sua personalidade, e que o que fazemos depois com ele a nível de treino e educação vai ter a maior influência de todas, na forma como o cão se comporta e se relaciona connosco. Por isso seja lá a ideia que tenha de uma determinada raça, pense de novo, pode sair totalmente ao lado daquilo que espera.

Cães de raça definida se adquiridos em criadores responsáveis são também caros. Custa-me pessoalmente, pensar que podemos estar a gastar tanto dinheiro num cão específico, quando existem tantos fantásticos a precisar de uma casa.

Eu mesma tenho um Border Collie, e apesar de o amar profundamente foi o primeiro e ultimo cão que alguma vez comprei. Ele é um cão fantástico, mas tem Border Collie Collapse Syndrome e Displasia da Anca grau D e garanto-vos que procurei afincadamente e só em criadores responsáveis e conscientes. Mesmo assim não me livrei de pagar muito por ele, ver a saúde dele deteriorar-se e sentir-me algo culpada pela decisão que tomei.

Se mesmo depois de ler isto, pensar, “mas eu quero mesmo um cão da raça x” deixo alguns conselhos:

- Tente saber se não existe nenhum da raça x disponível para adopção, iria ficar surpreendido que hoje em dia quase qualquer raça pode ser adoptada.

- NUNCA compre esse cão numa loja, na internet.

- Procure extensivamente por criadores se quer evitar dar muito dinheiro e acabar com um cão com problemas de saúde graves que diminuirão a qualidade de vida do seu companheiro, lhe partirão o coração e esvaziarão a sua carteira. Conheça os pais do cão, interaja com eles, pergunte tudo o que quiser sobre a saúde eles, e o comportamento deles. Exija ver testes médicos, informe-se sobre as doenças mais comuns dentro da raça, etc.. conheça vários da mesma raça e fale com os tutores, pergunte como eles são, para perceber se é realmente o que procura. É um trabalho de casa extenso, mas do qual nunca se vai arrepender.

Se a raça e ou proveniência não é o principal, então parabéns! Acabou de salvar a vida de um cão

ADOPTAR É TUDO DE BOM

Adoptar um cão é outra decisão importante, mas extremamente satisfatória, sabermos que salvamos um cão de uma vida miserável ou até mesmo da morte, e que estamos a dar muitas vezes uma nova oportunidade a um cão é algo difícil de descrever por palavras.

Procure nas associações ou canis perto de si, e faça perguntas sobre os cães. Muitas vezes as pessoas que lá trabalham, conhecem melhor os cães que têm dentro das associações do que nós, por isso ouça-as e não seja movido apenas por um determinado aspecto como: aquele é lindo, aquele é sossegado, etc.. tente saber mais sobre a personalidade do cão e se ele será um bom companheiro para si.

Para cada adoptante existe mais do que um cão perfeito, pode não ser aquele que está ali mas pode ser o outro ao lado e muitas vezes as pessoas que estão na associação são as melhores a responder às suas dúvidas. Não se apresse, leve o seu tempo a decidir. Peça para passear com o cão, pode mesmo fazer isso mais do que uma vez caso esteja com dúvidas. Passar algum tempo com o cão vai apenas dar-lhe certezas e evitar surpresas.

Se decidir por um cachorro, saiba que por vezes é difícil saber o tamanho que vai ter em adulto ou o aspecto físico exacto, eu pessoalmente gosto do factor surpresa e das características únicas, mas caso isso não o motive, tente perguntar às pessoas mais experientes dentro da associação quais os cachorros mais fáceis de identificar em termos de aspecto físico, etc.

Se decidir por um cão adulto as coisas facilitam-se em termos do aspecto físico. Ali está o que é, peludo, carequinha, pretinho ou colorido, barbudo ou com orelhas espetadas. Dali questione o comportamento do cão, saiba que nem sempre as pessoas da associação podem garantir nada em termos de comportamento, pois os cães comportam-se de forma diferente em ambiente de canil do que em casa individuais.

Se decidir adoptar um idoso, terá uma agradável surpresa. Eles usualmente são cães que surpreendem pela sua capacidade de adaptação, procuram coisas que nunca, raramente ou já não têm à muito tempo, contacto humano, cama seca e quente e comidinha sem falta. Cães idosos têm o maior defeito de todos, uma vida mais curta que um cachorro, mas as vantagens são infindáveis, a começar pela carga de trabalhos que os cachorros dão e que os cães idosos não vos vão dar. Usualmente cães idosos são mais previsíveis no seu comportamento pelo que é mais fácil saber lidar com um. Um cão idoso apesar de ter uma vida mais limitada, continua a ser um cão que irá passar vários anos ao seu lado, e por experiência estes cães rejuvenescem sempre que são adoptados e acabam por viver bastante mais tempo que o esperado.

Quando adopta um cão, seja de que idade for, está sem dúvida a dar a um patudo que merece uma nova casa. Estes cães muitas vezes vêm acoplados a um sentimento de “agradecimento eterno”, difícil de explicar, impossível de provar, mas que quem adopta, acaba sempre por descrever e reconhecer como existente, quase como se “eles soubessem que os ajudamos”.

Pondere adoptar um cão para si, no caso de ter pensado em ter um, e esse será verdadeiramente um bom começo de ano!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Manuseamento de cachorros

Manuseamento de cachorros é sem dúvida um dos exercícios mais importantes a praticar com os cachorros, pois estes são durante toda a sua vida manuseados pelos mais diversos motivos e é importante que estes momentos sejam o menos invasivos e stressantes possíveis.
Ninguém gosta de ver o seu cão tentar morder o veterinário, ter que ser agarrado por 4 enfermeiros, equanto lhe tentam cortar as unhas, ou administrar uma vacina.
A maioria dos tutores fica horrorizada quando vê o estado em que o seu cão fica quando tentam dar-lhe banho e as pessoas têm que estrangular, bater e ameaçar o cão para que ele fique quieto. Existem pessoas que chegam a sedar os seus cães para poderem dar-lhe banho!
Manuseamento, o acto de podermos tocar nas variadas partes do corpo de um cão, sem que ele se sinta ameaçado, com necessidade de usar comportamentos agressivos para afastar as pessoas, sem que ele fique nervoso, ansioso é uma das coisas mais apetecíveis para qualquer tutor.
Ver um companheiro patudo sofrer e ser ameaçador coloca um stress emocional muito grande em todos.
Por isso veja o vídeo. Assim que o cachorro chegue a sua casa, comece a praticar. Use comida em troca de manuseamento. Eu toco, tu deixas, eu dou-te comida. Siga este processo durante toda a vida do cão, diminuindo a frequência, mas sempre fazendo de vez em quando. Eles não vão importar-se de ser relembrados de como pode ser bom ser tocado. Não se esqueça de generalizar e fazer visitas constantes ao veterinário para que o seu cão se acostume a ser manuseado nesse local. Peça ajuda e eles ajudarão. Enfermeiros, veterinários e recepcionistas podem dar 3 pedaços de salsicha ao seu cão numa visita com o único intuito de receber miminhos de toda a gente lá, e verá a diferença que é.

Pratique e ajude o seu carro