Marido de veterinária - II por Alice no País das Maravilhas




Este post foi escrito pela Alice uma veterinária no Brasil cujo blog eu sigo. Ela tem uma forma de escrever óptima e o blog dela tanto fala de coisas sérias, como brinca com outros assuntos, quando é sério pode contar que vai aprender muito, quando é a brincar pode contar que vai rir a valer, não acredita? Leia o post abaixo e aguçe a sua curiosidade e depois visite o blog dela AQUI para ler mais!


Acabo de chegar de um atendimento emergencial.
Há cerca de 2 horas me liga uma cliente, dona de gato. Quem conhece o dono de gato sabe muito bem que ele tem duas características principais, segundo Dr Achivaldo:

1- Ele não cria gatos, ele os coleciona. O prazer do dono do gato é adicionar gatos à sua gataria particular;
2- Ele trabalha incessantemente com o objetivo de engordar seus gatos.

Esse gato não era diferente. Chefe de uma quadrilha felina que envolvia outros quatro gatos, o SRD Júlio pesava exatos 9,8 kg de mimos.
Nesta noite o felino em questão quebrou um vaso, cortou a pata e sangrou pela casa inteira.

Um adendo especial nesse atendimento, ao me ver me arrumar para a emergência, o digníssimo esposo logo se prontificou: Quer que eu vá contigo?
Eu estranhei tamanha bondade e logo pensei: ou está com ciúmes, ou sem sono.
Nada comentei, afinal, poderia afugentar o prince charming que me acompanharia.
Após 20 minutos da ligação recebida, exatamente às 23:20, chega a proprietária esbaforida:

- Bom dia doutora... ops!.

Eu respondo: Ainda não senhora, mas daqui a algumas horas!

Ela sorri e entra consultório adentro.

Ao ver o digníssimo, o dona do gato logo diz: Vixe, doutora, achei que estivesse sozinha, vim bem à vontade.

A senhora vestia uma camisola mais curta que meu salário, carregando o gato com cara de susto, dedos abertos e uma pata toda suja de sangue. Atrás vinha sua filha, suando e respirando com dificuldade.

- Não tem problemas, senhora, vamos ver o que temos aqui.

A hemorragia já havia estancado e após limpar a lesão com água oxigenada eu localizei corte em questão. Tive um pouco de dificuldade, era minúsculo e estava compromentendo apenas pele.
Realizei tricotomia ao redor e passei uma pomada com antibiótico.

Enquanto isso a mãe dizia: Minha filha, segure um pouco o Júlio.

Ela respondia: Não mãe, você não fala para todo mundo que carregou esse gato na barriga nove meses? Então agora segure a senhora. É verdade doutora, ela fala isso para todo mundo. O gato não pode ter nada que ela fica maluca. Eu estou aqui, com febre, acabei de tomar a vacina contra H1N1 e .... olha aqui, doutora, estou suando. Esse gato faz o que quer, ele entra no meu carro e mija no painel e...

Nesse momento meu marido se sentiu no direito de fazer um comentário que muito lhe custará nos dias que estão por vir...

"Se fosse meu gato eu dava um tiro"

Eu quis entrar no minúsculo corte na pata do gato de tanta vergonha.. comecei a rir como uma abestalhada:

"Como assim um tiro.. ahaha, você está hilário essa noite!" E lhe lancei um olhar mortal que toda mulher sabe fazer e congela o peito de qualquer homem.. mas ele não olhava para mim.

"Um gato mijar no painel do meu carro?? Tomava um tiro"

A proprietária sorriu e eu acrescentei: Dava tiro nada, vocês sabem porque que eu tenho 5 gatos? Ele que os pegou na rua, os gatos fazem o que querem com ele..
Não satisfeito ele completou: Mijo de gato fede demais.

E eu aproveitei: Fede, fede mesmo, mas você não liga quando os cinco dormem com você.. ahaha, ele adora gatos.

Claro que os únicos 3 gatos que temos não dormem com ele, mas ele entendeu na hora.
"Sim, sim, ehehe adoro gatos.. por mim criava mais... mas esse Júlio é lindo mesmo"
A proprietária voltou a sorrir e abraçar seu felino enquanto meu digníssimo o enchia de elogios.

Ao final do atendimento, ela agradeceu, pediu para ver minha tatuagem de gato e eu logo acrescentei que o digníssimo também possuía uma, de tanto amá-los, mas estava por baixo da roupa.

Ela saiu feliz, eu saí feliz e o único que não estará feliz, pelo menos essa noite, será o meu acompanhante especial.

Colegas veterinárias: nunca levem seus maridos para um atendimentos a não ser que seja muito necessário ou se os mesmos forem mudos.

Comentários

Obrigada pelo link Cláudia... é bom demais escrever para quem nos entende,. são tantas experiências inusitadas.
ehehe

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