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Dominância nos cães: um mito perigoso

Dominância ainda é hoje em dia um meme que perdura no mundo dos cães. O motivo para a subsistência de um meme, é desconhecida, mas certamente que no mundo do treino e comportamento de cães, este perdura porque “se ouve falar disso” e porque “toda a gente diz”. A grande maioria das pessoas que fala da dominância dos seus cães, ou de cães dominantes, não sabe ao certo de onde essa informação veio, nem reflectiu activamente sobre a veracidade deste conceito. Felizmente, hoje em dia já sabemos que este conceito é completamente errado e inútil, não tem expressão nenhuma no relacionamento que temos com os nossos cães nem existe de acordo com a ciência do comportamento canino. De onde vem o conceito de dominância? A ideia de que o cão é dominante vem da extrapolação de um conceito que foi primariamente estruturado no estudo dos lobos – que hoje em dia está em desuso para estes animais. Na altura em que estudaram lobos á dezenas de anos atrás, o conceito de lobo dominante ou alfa foi aprese…

Como apresentar um gato aos cães lá de casa?

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Esta pergunta é muito frequente, muitas pessoas que têm cães adorariam ter um gato, mas temem que o relacionamento entre ambos seja difícil no mínimo e até perigoso no máximo. Estes medos não são de todo infundados. Um cão que nunca foi sociabilizado a gatos antes e gatos que nunca antes tenham sido sociabilizados a cães podem demonstrar comportamentos problemáticos e reactivos quando vêem um pela primeira vez.
Lembre-se portanto, quando adquirir um cão ou um gato que deverá sempre tentar sociabiliza-lo a esses animais, para no futuro ter a vida facilitada. Mas agora tem o cão, e quer o gato e não sabem como fazer.
O maior erro que as pessoas cometem é terem pressa.
As pessoas querem que o cão e o gato se dêem bem logo à primeira ou rapidamente. Por vezes isso surpreendentemente acontece, no entanto, essas excepções não ditam a regra, e a regra diz que a segurança de ambos os animais está nas nossas mãos, e como tal devemos fazer tudo com calma, segurança e paciência dando a oportun…

Estranguladoras ou Enforcadoras de bicos, são eficazes?

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A eficácia de um determinado instrumento de treino, nunca deveria ser o motivo pelo qual o usamos. Tentar chegar a um objectivo, sem olhar a meios é não só eticamente errado na aplicação desses meios em seres sencientes, como absolutamente desnecessário.
A pergunta, portanto, está errada, mas vamos responder. Sim, estranguladoras e ou enforcadoras de bicos, resultam e isto é um facto científico. Isto, claro, se forem bem usadas. Ao contrário, do que muitos pensam, estas coleiras, para serem bem usadas significa que se devem tornar aversivas.
Mas o que é um aversivo? Um aversivo é um evento ou estímulo que causa medo, desconforto ou dor de forma a que o animal o queira evitar.



Assim para que estas coleiras resultem, é imperativo que as coleiras e o seu uso seja aversivo, ou então, não funcionam e tornam-se inócuas. Precisamente o oposto daquilo anunciado por muitos, que anunciam que o uso destas coleiras, “se bem feito não dói”, elas têm que causar dano ou dor para funcionarem e isto é …

Os cães não sentem culpa

A antropomorfizarão é o fenómeno que nos leva a ver “culpa” no comportamento dos nossos cães. Esta perspectiva é extremamente prejudicial para um bom entendimento daquilo que os nossos cães nos tentam comunicar, e da interpretação que fazemos desses sinais comunicativos. Um exemplo ocorre quando adquirimos um cachorro pela primeira vez. Por norma, a maioria das pessoas vai buscar o cão ao fim-de-semana para ter tempo para dedicar ao novo companheiro. Passados os primeiros dias de atenção constante, o cão é deixado em casa por um período entre 7 e 9 horas sozinho. Isto pode é difícil para o cachorro, que não entende porque é que está só. Durante esse tempo, ele vai tentar encontrar algo com que se distrair, e, normalmente, acaba por descobrir o ambiente que o rodeia através da boca e dos dentes, roendo e explorando. Durante o dia, também terá necessidade de ir à casa de banho, e escolhe sempre os locais que mais se assemelham a uma casa de banho para eliminar, como os tapetes. Quando o t…

São só 2 minutos!

O carinho e a vontade de estar com os nossos patudos é sem dúvida cada vez maior. Num mundo que nos obriga a deixar o cão em casa durante horas a fio enquanto trabalhamos e nos dedicamos à rotina diária da vida, são os momentos de lazer que nos restam em casa para podermos deleitar-nos e apreciarmos a companhia destes animais tão especiais.
Quem tem amigos de 4 patas sofre com a distância e falta de tempo para lhes dedicar e tenta colmatar isso nos tempos livres. Grandes passeios na praia no Inverno, grandes caminhadas na serra, ir à esplanada apanhar sol, relaxar e ver o mar, só se o patudo for connosco!
O mundo dos tutores dos cães muda à medida que melhoramos através do treino e educação a forma como lidamos com eles e eles cada mais adaptam-se melhor à nossa forma de estar e viver e às nossas sociedades com todas as regras rígidas e inóspitas que desenhamos para eles.
Está a resultar. Cada vez vejo mais cães serem passeados pelos seus tutores, cada vez se vê mais tutores a brincarem …

5 mitos do cão "agressivo"

Comportamentos agressivos fazem parte do portefólio de comportamentos dos cães e são comportamentos completamente normais e naturais para a espécie. Este artigo pretende abordar 5 mitos que rodeiam a apresentação de comportamentos agressivos por parte dos cães
“O meu cão é agressivo”
“Agressividade” não é uma característica da personalidade. O seu cão não é agressivo, ele apresenta, consoantes determinados estímulos, comportamentos considerados agressivos. Estes comportamentos são demonstrados em certas situações e noutras não. O seu cão pode demonstrar comportamentos agressivos direcionados a cães, mas ser muito sociável com pessoas. Todas estas variantes deveriam ser suficientes para entendermos que comportamentos agressivos não fazem parte da personalidade de um cão. Ele não nasceu assim, ele começou a demonstrar comportamentos agressivos simplesmente porque a sua experiência e aprendizagem de alguma forma o levou a apresentar esses comportamentos em determinados contextos.
“O meu cão…

NÃO QUEIRA UM CÃO DE GUARDA Por Claudia Estanislau

As pessoas adquirem uma certa raça ou um certo cão porque acreditam que eles serão bons “cães de guarda” ou porque querem um “cão de guarda”.
Mas o que é afinal um cão de guarda?
Ao longo dos anos tenho ouvido as perspetivas de diferentes pessoas acerca do que acreditam ser um cão de guarda. Algumas descrevem o cão de guarda, como um que vai atacar os ladrões ou pessoas que queiram fazer mal à família humana. Outros esperam que o cão adquira um sentido humano de moralidade e valorize objectos e que saiba protege-los. Outros descrevem um cão de guarda como um cão “mau” para todos os que se aproximem, menos as pessoas que são da família.
Um cão de guarda é, em geral, muitas vezes entendido como um cão que sabe a quem e quando demonstrar comportamentos agressivos – enquanto sabe também ser o cão mais sociável e amigável com todas as outras pessoas.
Aquilo que chamo cães de alerta, são a grande maioria dos cães que temos connosco. A maioria dos cães, ladram quando ouvem um barulho fora do nor…