segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Não podemos salvar todos

Os incêndios de Santo Tirso vieram mostrar como a lei de defesa dos direitos dos animais é redundante, ineficaz, uma farsa. Como instituições como a DGAV são uma anedota paga por nós, como veterinários municipais não agem quando devem, como a GNR e polícia são impassíveis ao sofrimento de outros animais, e depois disso tudo, como se passam culpas de uns para os outros, sem que ninguém seja devidamente responsabilizado. Mas também abriu uma outra caixa de pandora, a dos “canis ilegais” mas eu diria mais, será que são apenas os ilegais com os quais nos devemos preocupar?
Há muitos anos que me dedico ao estudo dos cães resgatados. Tenho inúmeros cursos, alguns online e vários presenciais, e variadas experiências de trabalhar em associações internacionais como a Royal Society for Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA) em Inglaterra, a Battersea Dog’s Home em Londres, e a Dogs Trust na Escócia. Em Portugal já dei vários cursos sobre treino e educação de cães resgatados, assim como gestão de canis. Já fiz consultoria em variados canis e inclusive trabalho de treino, consultoria e acompanhamento em projectos em CROAs. Já fiz variados seminários sobre treino e gestão de canis de cães resgatados.
A minha vontade de falar de tanta coisa que está errada desde que assisti em estado de choque aos incêndios é avassaladora, mas não é desde esse dia, que a minha angústia me acompanha.
Há cerca de 12 anos atrás, propus-me a ser voluntária numa associação cá em Portugal, depois de ter trabalhado com a RSPCA e a Battersea Dogs Home durante alguns anos em Inglaterra achei que tinha adquirido algum conhecimento e experiência que pudesse ajudar os cães e associações. Aceitaram-me de braços abertos, mas não queriam que eu visitasse o canil. Eu insisti porque tinha que saber como ia aplicar as minhas capacidades naquele local e ajudar os cães. Quando fui visita-la o que vi foi um depositário de cães e nem 5 minutos passaram antes que entendesse o porquê não quererem que eu visse.
Eram mais de 500 cães num espaço onde garantidamente não deviam estar mais de 100 pelas minhas contas. Vi cachorros mortos em baldes, cães à luta por um único espaço seco porque não se via o chão, este era feito de fezes, urina, vomitado e sangue. Vi cães que estavam naquele local de horror, qual inferno de dante, há mais de 13 anos! Vi cães a morrer doentes, cães encostados a paredes a tremer, cadelas e cães a procriar, vi baldes gigantes carregados de comida e cães em cima dos mesmos. Não vi uma única taça de água limpa, nem me lembro de ver água embora tudo estivesse molhado. Não me lembro de ver nenhum cão bem. Nem um. Eu não poria nenhum animal, ou nenhum ser vivo senciente naquele local, mas ali estavam cerca de 700.
Aquilo era no seu melhor hoarding e no seu pior, fruto da mentalidade tacanha e fechada de muitas pessoas que querem “salvar” todos os cãezinhos e vão acumulando os mesmos e perdem o controlo.
Nessa noite chorei até me secarem as lágrimas e pensava que todos aqueles cães estariam melhor mortos e garanto-vos que quando se pensa assim, o horror que te encheu os olhos e a alma é inexplicável. Eu tenho o cheiro e as imagens daquela “associação” até hoje gravadas, não como tatuagens, mas como cicatrizes.
Essa experiência, mal eu sabia, seria apenas o começo de um pesadelo e uma jornada que foi tentar trabalhar com canis e associações em Portugal, porque mal eu sabia que aquele horror era recorrente e continua a ser ao fim de mais de uma década, e porquê? Porque as pessoas podem. Qualquer pessoa em Portugal pode abrir uma “associação”, “canil”, seja o que for e colecionar cães ou depositar cães. Os canis “legalizados” não são melhores dos que não estão “legalizados”. Legalizar um canil não oferece garantia de nada, zero.
Associações e canis são locais que têm como objectivo ser um local de passagem até se conseguir um lar permanente e adequado para o cão. Este processo de recolha, tratamento, avaliação, educação e adopção de um cão demora tempo, requer competências específicas e custa dinheiro.
Mas nas associações falar de dinheiro é tabú e por isso a maioria não sabe gerir o dinheiro que têm de forma eficaz e sustentável e por isso continuamos em 2020 a ver associações gigantes e com dezenas de anos, subitamente a fazerem pedidos recorrentes de comida. Quando uma associação tem que pedir comida tudo está mal. Se uma associação não tem fundos para garantir que os cães comam, então que tipo de tratamento e condições estarão os cães a ter no local? Se não existe comida, existirão tratamentos médicos? Acompanhamento emocional e comportamental? Não, óbvio que não. Mas quando existe um pedido de ração porque os cães estão a morrer à fome, ninguém levanta a questão de como isso pode ser possível.
Eu vou simplificar, a questão é colocada em termos pragmáticos e isto requer mente clara, conhecimento, experiência e uma dose grandiosa de sangue frio. A primeira coisa que temos que aprender neste “trabalho” de cuidar pelos indesejáveis é “não podemos salvar todos.” Simplesmente impossível. Enquanto este pensamento prevalecer acabamos com canis como os de Santo Tirso, que são locais pavorosos e sem condições.
Vou colocar aqui um exemplo de um post que vi há um par de semanas, mas que são recorrentes diariamente:

domingo, 29 de janeiro de 2017

Dominância nos cães: um mito perigoso

Dominância ainda é hoje em dia um meme que perdura no mundo dos cães. O motivo para a subsistência de um meme, é desconhecida, mas certamente que no mundo do treino e comportamento de cães, este perdura porque “se ouve falar disso” e porque “toda a gente diz”. A grande maioria das pessoas que fala da dominância dos seus cães, ou de cães dominantes, não sabe ao certo de onde essa informação veio, nem reflectiu activamente sobre a veracidade deste conceito. Felizmente, hoje em dia já sabemos que este conceito é completamente errado e inútil, não tem expressão nenhuma no relacionamento que temos com os nossos cães nem existe de acordo com a ciência do comportamento canino.
De onde vem o conceito de dominância?
A ideia de que o cão é dominante vem da extrapolação de um conceito que foi primariamente estruturado no estudo dos lobos – que hoje em dia está em desuso para estes animais. Na altura em que estudaram lobos á dezenas de anos atrás, o conceito de lobo dominante ou alfa foi apresentado pelo Dr. David Mech biólogo e estudioso do comportamento de lobos e as primeiras pessoas a escreverem um livro sobre treino de cães, os monges de New Sketee usaram esse conceito tentando imitar o que viram descrito como comportamentos demonstrados por lobos alfa. Hoje em dia o próprio Dr. Mech já provou que a ideia por ele mesmo difundida sobre os lobos não tem aplicabilidade nos relacionamentos entre lobos. Infelizmente a extrapolação feita pelos Monges de New Sketee no seu livro de treino aos cães, perpetuou durante os anos como um meme, e perdura até hoje em centros de treino e junto de pessoas que estão desactualizadas ou mal informadas.
O meu cão é dominante!
Os cães detêm algumas características morfológicas que podemos afirmar como “quase” certas. O cão é preto, grande, focinho achatado ou longo, orelhas caídas, peludo ou pelo curto, etc…. Apenas estas características deveriam ser usadas na frase “o meu cão é…”, tudo o resto não faz sentido pois não é fixo. Vamos dar um exemplo. O seu cão pode demonstrar medo ao som dos trovões, mas isso não faz dele um cão medroso. O seu cão seu cão não tem medo de tudo! Ele tem medo de algo específico. O mesmo com comportamentos como por exemplo agressão. O seu cão pode demonstrar comportamentos agressivos quando vê cães de porte muito grande, mas adorar brincar com outros cães. Logo, não faz sentido dizer o meu cão é agressivo porque ele não acorda agressivo e deita-se agressivo, ele simplesmente demonstra um determinado comportamento a um estímulo específico. A dominância se existisse, também nunca poderia ser tida como uma característica da personalidade do seu cão. Visto que a suposta dominância do cão implica, conforme o conceito popular, uma interacção com outros (cães ou pessoas) o seu cão não seria dominante, ele poderia na melhor das hipóteses demonstrar comportamentos que você considera dominantes em algumas alturas e em relação a alguns estímulos.
Dominância e Agressão
Muitas vezes o mito do cão dominante vem de mãos dadas com o conceito de “agressão”. Mas a palavra dominante é usada neste contexto como uma explicação simplista e completamente errada para um comportamento complexo como são os comportamentos agressivos. Os cães demonstram comportamentos agressivos para se defenderem ou afastarem estímulos que os assustam ou dos quais desconfiam por algum motivo, também podem fazê-lo para proteger um recurso ou território mas o afastamento do estímulo indesejado é sempre o motivo que está por trás. Já a aquisição de status social não tem absolutamente nada haver com isto. Em que é que “mandar” ou “não mandar” está relacionado com o cão que rosna ou mostra os dentes quando o veterinário lhe tenta mexer numa pata partida? Em que é que ser aquele que “manda lá em casa” está relacionado com o cão que morde o cão da vizinha, que lhe ladra da janela todos os dias? Em que medida o “querer estar acima de nós”, está relacionado com o cão que arreganha os dentes quando tentamos força-lo a largar o papel que tem na boca? A explicação correcta é exactamente a verdadeira. O cão não gosta de ser forçado a abrir a boca e da interacção conflituosa desencadeada quando tem um papel na boca, ele criou um relacionamento conflituoso com o cão da vizinha por causa do historial de interacções com ele pela janela, ele demonstra comportamentos agressivos ao veterinário porque lhe dói e porque as interacções dele no veterinário lhe trazem más memórias. Querer justificar comportamentos que não entendemos com ideias antiquadas e erróneas como “porque ele é dominante” chega mesmo a ser perigoso.
Uma ideia perigosa
A ideia ultrapassada de que existem cães dominantes e que estes “querem mandar” e que fazem isso usando comportamentos agressivos e que temos que lhes mostrar que quem manda somos nós, é muito perigosa. Se essa ideia fosse inócua, a grande maioria dos treinadores não despenderia um segundo do seu tempo a tentar desmistificar esta ideia ou a informar as pessoas acerca do tema. No entanto, este mito é de facto perigoso, e porquê? Porque enquanto lhe dizem que o seu cão é dominante e que para resolver o problema deve mostrar-lhe quem manda, o seu cão vai continuar a demonstrar o comportamento problemático porque ninguém o está realmente a resolvê-lo. Enquanto o mandam passar à frente dele, caminhar à frente dele, comer bolachas Maria antes dele porque ele só pode comer depois, enquanto o mandam empurrar fisicamente o seu cão de 30kg ao chão e segurá-lo lá, o seu cão vai continuar a ladrar ao cão da vizinha, a reagir quando for tirar papéis da boca dele à força, e a rosnar ao veterinário. Nenhum problema fica resolvido com a aplicação daquilo que são um monte de besteiras que em nada estão relacionadas com o comportamento, ou com o treino de cães, muito menos com a exibição de comportamentos agressivos.
Se você tiver força e estômago para forçar o seu cão a rolar no chão e mantê-lo lá, vai ter sorte se conseguir fazê-lo sem levar uma mordida durante esse processo, e além disso será a única pessoa a conseguir fazê-lo. Enquanto isso os seus filhos, os avós idosos e os estranhos continuam a ter que supostamente lidar com o seu cão “dominante” pois nenhum deles vai fazer tal façanha. No final disto tudo quando o comportamento do seu cão continuar igual ou piorar, o “treinador” vai dizer que a culpa é sua que “não sabe ser o alfa” ou “não sabe mandar” ou “não se sabe impor”.

Seja cuidadoso em seguir conselhos, dicas ou informações ultrapassadas e erradas mesmo que lhe pareçam fiáveis e venham da fonte que mais lhe parece verdadeira. Muitas pessoas andam enganadas e estudar o comportamento dos cães é imperativo para podermos estar a par do que se sabe hoje em dia sobre os cães.
Nunca faça a manobra chamada alfa rollover que consiste em forçar o seu cão a deitar-se de lado e ficar lá. Se alguém lhe disser para fazer isso ao seu cão, procure ajude noutro local. Essa pessoa claramente está enganada e está a dar-lhe um terrível conselho que irá na melhor das hipóteses piorar o comportamento do seu cão e na pior das hipóteses causar ainda mais comportamentos problemáticos.
É preciso ter mão no cão! Infelizmente para muitos cães e os seus tutores este mito propaga-se pelos meios menos informados e conhecedores do verdadeiro comportamento e treino actualizado de cães. Muitos tutores adquirem um cão e mal o têm já estão a ser aconselhados a “terem mão no cão” ou “pulso forte” e “mandar quem manda”, principalmente se o cão for de determinada raça ou raças grandes. O absurdo desta ideia, faz com que as pessoas se esqueçam que elas já mandam em tudo no seu cão. Quando trazemos um cachorrinho ou cão adulto para casa, ele passa a depender de nós para tudo, inclusive para se manter vivo. Se quer comer, somos nós que compramos e damos, água, cuidados médicos, abrigo, carinho, companhia, amizade, oportunidade de sair, passear, estar com outros cães, ou seja literalmente tudo o que faz com que este cão possa viver a sua vida esta literalmente nas suas mãos. Que mais temos que mandar? Nós já controlamos todos, mesmo TODOS os recursos da vida do cão, não me parece sequer lógico pensar que temos que ser “mais firmes” porque senão ele pensa que manda. Ele manda em quê necessariamente?
O que está por trás destas ideias antiquadas é a justificação do uso de métodos antiquados e baseados em aversivos. Desde uso de enforcadoras, coleiras de bicos, de choques, morder o cão, bater-lhe, enforca-lo com a trela, atirá-lo ao chão, manuseá-lo de forma invasiva, tudo isto pode ser justificado com “porque tens que deixar de ser mole com o teu cão e tens que mostrar quem manda”. Educar não é sinónimo de severidade, assim como treino positivo não é treino permissivo. Uma não tem nada haver com a outra.
Educar e treinar o seu cão? Sempre. Como? Sem uso de mitos e ideias do século passado, mas sim com métodos comprovadamente eficazes, paciência e nunca desistindo do cão e do objectivo em vista. Alguns comportamentos podem ser mais complicados de mudar, levarem mais dedicação, tempo ou treino, podem exigir mais técnica ou menos técnica, mas sempre se consegue desde que estejamos motivados e dedicados. Remédios rápidos e fáceis não existem, se existissem ninguém precisava de ajuda profissional e seria simples até para si.
Espero que com este artigo, muitas pessoas reflitam sobre um mito que hoje em dia está desgastado entre a grande maioria da comunidade de profissionais actualizados. Tenha cuidado a quem entrega a educação e treino do seu cão, e a quem dá ouvidos. Já está na hora de deixarmos de papaguear mitos como se fossem realidades e colocar os nossos cães nas mãos de pessoas que não sabem o que fazem. Seja exigente, exija para si e para o seu cão o melhor sempre, porque vocês merecem e porque só assim, vão ser verdadeiramente ajudados.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Como apresentar um gato aos cães lá de casa?


Esta pergunta é muito frequente, muitas pessoas que têm cães adorariam ter um gato, mas temem que o relacionamento entre ambos seja difícil no mínimo e até perigoso no máximo. Estes medos não são de todo infundados. Um cão que nunca foi sociabilizado a gatos antes e gatos que nunca antes tenham sido sociabilizados a cães podem demonstrar comportamentos problemáticos e reactivos quando vêem um pela primeira vez.

Lembre-se portanto, quando adquirir um cão ou um gato que deverá sempre tentar sociabiliza-lo a esses animais, para no futuro ter a vida facilitada. Mas agora tem o cão, e quer o gato e não sabem como fazer.

O maior erro que as pessoas cometem é terem pressa.

As pessoas querem que o cão e o gato se dêem bem logo à primeira ou rapidamente. Por vezes isso surpreendentemente acontece, no entanto, essas excepções não ditam a regra, e a regra diz que a segurança de ambos os animais está nas nossas mãos, e como tal devemos fazer tudo com calma, segurança e paciência dando a oportunidade a ambos os animais de se sentirem seguros, confiantes e imprimirem o seu ritmo.

Vamos então por passos:

*      Primeiro leve o gato para sua casa e mantenha-o num local seguro, de onde ele não possa ver os cães, nem vice-versa. Neste local deve ter a caixa de areia sempre limpa diariamente, uma cama confortável de preferência num local mais alto (mas suficientemente baixo para o gato conseguir chegar à mesma, dependendo da idade do gato), comida e água. Deve dar tempo ao gato para se ambientar ao local, não apresente o gato a todos os locais da casa de uma só vez, eles ficam intimidados e estranham com facilidade. Deixe que ele se acostume a um dos locais primeiro, que será o local primário onde ele passará mais tempo e depois à medida que os dias passam e que o gato fica mais confortável deixe-o explorar outro cómodo, depois outro, etc.. um de cada vez.

*      Durante este tempo, leve mantas, cobertas ou simplesmente quando estiver com o gato, vá depois ter com os cães e vice-versa. Levar objectos com o cheiro específico ou deixá-los ambos gatos e cães absorverem o cheiro, ajuda bastante a um encontro posterior. O cheiro é muito importante para estes animais adquirirem informações específicas acerca uns dos outros.

*      Quando o gato estiver ambientado e os cães já tiverem tido tempo de se aperceberem que existe em casa um novo membro, pode preparar para que se vejam em segurança. A melhor forma de fazer isto, será através de um vidro, varanda, janela, etc. Lembre-se, no entanto, que é muito importante não deixar os cães ladrarem ou agitarem-se quando veem o gato, portanto vá munido de salsicha, frango cozido ou algo muito apetitoso como queijo, e vá dando ao seu cão assim que ele vir o gato, e de forma a mantê-lo calmo entregue a comida num ritmo bastante alto. Estas pequenas sessões em que o cão vê o gato e vice-versa e são recompensados com comida apetitosa devem ser curtas e muito bem reforçadas (muita comida apetitosa e única aparece quando um vê o outro). Pode repetir este exercício várias vezes durante um dia, sempre da mesma forma.

*      Não se esqueça que durante esse exercício e se possível dê também ao gato algo extremamente apetitoso. Pode ser comida húmida, ou queijo ou fiambre ou algo que eles gostem muito mas que, tal como os cães, só têm direito a comer na presença um do outro. O intuito é criar uma associação positiva entre os dois animais. Queremos que o cão pense “Boa! Está ali o gato vou comer galinha! Eu gosto de ver o gato” e o gato pense “Boa! Está ali aquele cão, vou comer queijo! Eu gosto de ver o cão”.

*      Depois de vários dias, ou semanas conforme o caso, a fazer este exercício começar a perceber que tanto o cão como o gato já entenderam que quando se veem um ao outro coisas boas acontecem – como acesso a comida especial – pode começar a fazer com que o gato se movimente. Lembre-se que usualmente o que provoca as maiores reacções no cão é exactamente o movimento dos gatos. A maioria dos cães aprendem por erro e tentativa que quando ladram em direcção a gatos, estes tendem a começar a correr que nem loucos e que isto instiga o instinto de presa no cão e é uma óptima forma de brincar. Muitos cães veem gatos como brinquedos activados a voz. Como tal vamos treinar também o movimento e como queremos que o cão reaja quando o gato se move.

*      Comece por colocar a comida do gato dois ou três passos à frente dele e deixe que ele se mexa. Enquanto antes estaria a dar a comida na boca do gato, assim como na boca do cão, agora comece a atirar a comida a dois ou três passos do gato. O cão deverá manter-se quieto e alimentado à boca. Se conseguir manter o seu cão deitado melhor, já que é uma posição mais estável e menos invasiva para o gato. Treine e repita este exercício várias vezes até ter o gato a caminhar de um lado para o outro, 4 a 6 passos de cada vez e devagar.

*      A seguinte etapa pode começar a movimentar mais o gato, brincando com ele com algum brinquedo que o gato goste. Uma bolinha, uma caninha de pesca, algo que faça com que ele se movimente mais. Enquanto isto acontece, alguém está com o seu cão a dar-lhe comida por observar o gato a movimentar-se cada vez mais. Pode ser que nesta fase tenha que aumentar novamente o ritmo com que dá comida ao cão para o manter calmo e atento, mas se fizer tudo com calma, sessões curtas e ao ritmo de ambos, o cão deverá mesmo que fique curioso, calmo e deverá ser relativamente fácil mantê-lo calmo.

*      Se chegou a esta etapa e consegue mover o gato e manter o seu cão quieto, passe à fase seguinte, retire a barreira (abra a janela, varanda, etc…) e recomece o exercício de dar comida ao gato e ao cão enquanto o gato se aproxima. No início é boa ideia manter o cão quieto e deixar o gato movimentar-se. Lembre-se que se o cão se mover subitamente ou algo acontecer e o gato estiver inseguro ele pode subitamente correr, e isso pode provocar uma reacção no cão, portanto tente preparar bem o ambiente onde vai fazer isto e esteja preparado para dar comida ao cão e segurar na trela dele caso ele se levante.

*      Quando após várias repetições da fase anterior, tanto o gato como o cão se mostrarem calmos, pode deixar que ambos se cheirem ou se aproximem. Esta fase deve ser feita com muita calma, não deixe o cão dar focinhadas ou meter a pata em cima do gato porque isto pode assustar o gato ou fazer com que ele tenha movimentos bruscos ou queria fugir. Não segure o gato, para evitar que ele não tenha como fugir. Ambos o cão e o gato podem estar seguros (com trela, dentro de transportadora, etc..) mas esteja constantemente atenta à linguagem de ambos os animais, se eles mostrarem algum desconforto, pare imediatamente e aumente a distância ou tire o animal da situação.

Este processo é lento mas garante resultados imbatíveis. No meu caso com uma X de Pitbull que persegue gatos e procura gatos debaixo dos carros e com um Border Collie que adora perseguir e pastorear tudo, foi um desafio, mas desde que os tenho, que os acostumei ao Jaime, depois à Emília e agora ao Mancha Moe Joe Puminha.  

Todos passaram por este processo e fomos sempre bem sucedidos e até hoje conseguimos ter os 4 numa sala juntos e a dormir juntos sem problemas.  O gato mais velho o Jaime, inclusive diz olá aos meus dois cães roçando-se neles e oferecendo comportamentos de conforto e bem-estar perto deles. A Emília ignora a Safira mas cheira e diz muitas vezes olá ao Joel.

A lentidão do processo garante que tudo corre bem, com segurança e que os resultados são para sempre. Requer paciência e trabalho e algum conhecimento e todos os cães e gatos são diferentes, pelo que se estiver com dificuldades entre em contacto com um dos nossos treinadores para que possamos ajudar. Mas se estiver preparado para colocar o trabalho em prático que é necessário os resultados são inconstestáveis.


Veja o vídeo de um pouco do processo que temos feito. 


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Estranguladoras ou Enforcadoras de bicos, são eficazes?

A eficácia de um determinado instrumento de treino, nunca deveria ser o motivo pelo qual o usamos. Tentar chegar a um objectivo, sem olhar a meios é não só eticamente errado na aplicação desses meios em seres sencientes, como absolutamente desnecessário.

A pergunta, portanto, está errada, mas vamos responder. Sim, estranguladoras e ou enforcadoras de bicos, resultam e isto é um facto científico. Isto, claro, se forem bem usadas. Ao contrário, do que muitos pensam, estas coleiras, para serem bem usadas significa que se devem tornar aversivas.

Mas o que é um aversivo? Um aversivo é um evento ou estímulo que causa medo, desconforto ou dor de forma a que o animal o queira evitar.



Assim para que estas coleiras resultem, é imperativo que as coleiras e o seu uso seja aversivo, ou então, não funcionam e tornam-se inócuas. Precisamente o oposto daquilo anunciado por muitos, que anunciam que o uso destas coleiras, “se bem feito não dói”, elas têm que causar dano ou dor para funcionarem e isto é um facto científico.

Analisemos um exemplo prático. Estas coleiras são usadas, infelizmente, para muitos propósitos, mas o mais visto é para impedirem que os cães puxem quando andam de trela. Assim que o cão puxa, os tutores são aconselhados a darem um esticão na trela de forma a “dizer ao cão que não deve puxar”.
Muitos treinadores, vendedores de lojas, vizinhos, conhecidos, artigos de internet etc. afirmam que as coleiras simplesmente “chamam a atenção” do cão e que não doem.  Existem muitas falhas nessa afirmação, se o cão não sentir dor ou desconforto, ele continuará a puxar, porquê parar?

O cão puxa e no momento em que puxa sente uma dor que pára no momento em que ele alivia a marcha. Ao fim de algumas repetições o cão começa a perceber que para evitar sentir a dor, basta caminhar mais devagar e evitar chegar ao fim da trela. O uso destas coleiras trazem outras complicações, cientificamente provadas entre estas: medo, comportamentos agressivos, comportamentos obsessivo compulsivos, deterioramento do relacionamento com a pessoa, fobia ambiental, etc..

Podem existir pessoas que não se importem de causar dano ou dor aos seus cães para atingir resultados, a escolha é de cada um, mas será importante que entendam que existem outras formas que não causam nem dano, nem dor, e que atingem o mesmíssimo objectivo, para além de evitarem os danos colaterais descritos acima.

Portanto a pergunta certa é sem dúvida, coleiras estranguladoras ou enforcadoras de bicos são necessárias? A resposta é simples. Não.

Qualquer treinador que sabe como aprendem os cães e que tenha experiencia no uso de reforço positivo, saberá ensinar com facilidade o seu cão a não puxar na trela e andar bem de trela, sem nunca magoa-lo, causar-lhe dano e também sem nunca ter que usar aversão.

Para tal basta que criemos o comportamento desejado no cão – que ele ande sem puxar – e que tornemos esse comportamento o preferencial e mais comum e habitual. Não é difícil, é até muito mais fácil do que o oposto, que é esperar que o cão puxe e ter que administrar esticões que sejam suficientemente dolorosos para que o cão pare. A escolha está, portanto, entre causar ou não dano físico ou dor ao seu cão.

Métodos aversivos pertencem ao passado, a um passado onde a senciência dos cães era colocada em causa, onde se consideravam os cães como autómatos, e animais pouco sensíveis que respondiam como robots aos estímulos. O uso de métodos aversivos pertence ao passado, e aqueles que não estão actualizados ou que têm dificuldade em mudar.


Não tenha receio em mudar principalmente se a mudança significa uma melhoria na vida do seu cão e na sua vida também. Aprenda com métodos que vê o treino como algo que se faz com o cão e nunca AO cão.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Os cães não sentem culpa

antropomorfizarão é o fenómeno que nos leva a ver “culpa” no comportamento dos nossos cães. Esta perspectiva é extremamente prejudicial para um bom entendimento daquilo que os nossos cães nos tentam comunicar, e da interpretação que fazemos desses sinais comunicativos.
Um exemplo ocorre quando adquirimos um cachorro pela primeira vez. Por norma, a maioria das pessoas vai buscar o cão ao fim-de-semana para ter tempo para dedicar ao novo companheiro. Passados os primeiros dias de atenção constante, o cão é deixado em casa por um período entre 7 e 9 horas sozinho. Isto pode é difícil para o cachorro, que não entende porque é que está só. Durante esse tempo, ele vai tentar encontrar algo com que se distrair, e, normalmente, acaba por descobrir o ambiente que o rodeia através da boca e dos dentes, roendo e explorando. Durante o dia, também terá necessidade de ir à casa de banho, e escolhe sempre os locais que mais se assemelham a uma casa de banho para eliminar, como os tapetes.
Quando o tutor finalmente chega a casa, o cachorro corre para a porta, feliz por reaver a sua família. O tutor, por sua vez, da porta de casa, observa o espetáculo medonho que o espera – de tapetes com xixi, fezes por todo o lado, móveis roídos, etc. Imediatamente, começam os castigos e reprimendas. Desde fechar o cachorro sozinho (após já ter passado 9 horas sozinho), a dar uma palmada, ou agarrar no cachaço, a gritar, etc. No dia seguinte o mesmo repete-se. O cão é deixado só, volta a ter os mesmos comportamentos e o tutor volta a chegar a casa e a punir o cão pelo seu “mau comportamento”. Ao terceiro dia deste ciclo, quando o tutor chega a casa, a primeira coisa que vê é o cão cabisbaixo. Muitos escondem-se debaixo de mesas ou sofás, outros oferecem a barriga ao dono, outros urinam. Estes comportamentos são imediatamente interpretados como culpabilidade na antecipação das asneiras que os tutores podem encontrar.
É nesta altura que os tutores afirmam que o cão sabe que fez mal. Ele tem que saber, senão porque é que viria com aquele ar de culpa, quando entro em casa? Porque é que se esconde debaixo da mesa, mesmo quando não fez nada?
O que o seu cão está a fazer, é oferecer sinais de apaziguamento, ou seja, o seu cão aprendeu que, quando você entra por aquela porta, existe uma enorme probabilidade de ele ser castigado.
Os sinais de apaziguamento englobam comportamentos como: urinar, virar a barriga para o ar, lamber os lábios, caminhar com o corpo rente ao chão, virar a cabeça, baixar a cabeça, esconder-se, colocar o rabo entre as pernas, etc. e são sinais que os cães enviam para comunicar calma e evitar confrontos. Não significam, de modo nenhum, que ele sabe que fez mal, porque aliás ele não fez nada mal, ele apenas se comportou como um cão. Ele não faz ideia do que fez mal, se soubesse, bastaria um castigo, para o cão aprender a não repetir a façanha, de forma a evitar novos castigos no futuro. Tudo o que você faz ao seu cachorro, se o castigar por algo que ele fez há algumas horas atrás, é ensiná-lo que você é imprevisível, e associar a punição à sua chegada.

Da próxima vez que você levantar o tom de voz ao seu cão, e ele se desfizer no que lhe parecem desculpas, pense bem que ele apenas está, ao jeito canino, a tentar evitar confrontos. Poupe o seu companheiro destas situações, que em nada beneficiam a vossa convivência. Foque-se em ensinar ao seu cão o que ele pode fazer. Restrinja os locais a que ele tem acesso em casa, quando está só, retire os tapetes do chão, e outro tipo de objectos, que possam ser alvo dos dentes do seu cachorro. Deixe vários brinquedos recheados de ração para ele se ocupar e poder roer saudavelmente. Prepare tudo para que o seu cachorro tenha excelentes oportunidades de fazer aquilo que você quer. Acima de tudo, chegue a casa e ofereça muitos mimos e carinhos ao seu cão. Ele passou um dia inteiro à sua espera, e o que mais quer é estar consigo e partilhar consigo a alegria de o ver.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

São só 2 minutos!

O carinho e a vontade de estar com os nossos patudos é sem dúvida cada vez maior. Num mundo que nos obriga a deixar o cão em casa durante horas a fio enquanto trabalhamos e nos dedicamos à rotina diária da vida, são os momentos de lazer que nos restam em casa para podermos deleitar-nos e apreciarmos a companhia destes animais tão especiais.

Quem tem amigos de 4 patas sofre com a distância e falta de tempo para lhes dedicar e tenta colmatar isso nos tempos livres. Grandes passeios na praia no Inverno, grandes caminhadas na serra, ir à esplanada apanhar sol, relaxar e ver o mar, só se o patudo for connosco!

O mundo dos tutores dos cães muda à medida que melhoramos através do treino e educação a forma como lidamos com eles e eles cada mais adaptam-se melhor à nossa forma de estar e viver e às nossas sociedades com todas as regras rígidas e inóspitas que desenhamos para eles.

Está a resultar. Cada vez vejo mais cães serem passeados pelos seus tutores, cada vez se vê mais tutores a brincarem com eles, a apreciarem o tempo juntos a aprenderem a ter o cão como verdadeiro companheiro que é, e não apenas uma coisa que está ali.

O que me leva a escrever este texto prende-se, no entanto, com um fenómeno que felizmente para mim não vejo com frequência, visto morar num local rural, mas vi muitas vezes em grandes cidades, que é ver cães atados a um poste à porta de um local qualquer (banco, mercearia, farmácia, etc…).

Perigos invisíveis

Sempre que eu vejo um cão nessa situação eu estremeço.

Aí está uma situação que eu nunca vou entender, e que justificada pelo facto da pessoa querer levar o cão a todo o lado, esbarra com uma realidade franca no nosso país, é que não pode.

Não podemos levar nos nossos cães a todo o lado, porque é proibido entrar com eles na grande maioria dos espaços. Esta é, ainda, a nossa realidade e mudando (e acredito que isso acontecerá) irá mudar muito lentamente, correspondente com a mudança de mentalidades em relação ao que significa sermos tutores responsáveis.

Até podermos entrar com os nossos cães em todos os locais, a alternativa de deixar o cão atado a um poste ou qualquer outro local, é inaceitável aos meus olhos e felizmente sou acompanhada pela esmagadora maioria de profissionais qualificados quando dizemos “não faça isso”.

Os riscos aos deixar o seu amigo patudo sem supervisão activa nem que seja por 2 mnts suplantam grandemente qualquer benefício que possa advir de o ter trazido consigo.

Muitas coisas podem acontecer em segundos, quanto mais em alguns minutos. Ao deixarmos um cão sozinho sem supervisão em plena via pública estamos a jogar com a sorte e não estamos a tomar uma decisão informada sobre o que é melhor para o cão.

Muitas coisas podem acontecer quando o seu cão fica preso num local na rua sem supervisão, seja responsável e não pense que consigo ou com o seu cão nunca vai acontecer. Pensar que só acontece aos outros é perigoso, todas as situações faladas abaixo já aconteceram a cães deixados nessas situações.

  •              Alguém pode roubar o seu cão (fácil de fazer e nada fora do comum)
  •       Alguém pode provocar indevidamente o seu cão que estando preso pode assustar-se e não ter escolha mas morder ou defender-se (isto pode acontecer até com cães que nunca tiveram nenhum tipo de episódio com estranhos ou pessoas)
  •        Crianças podem correr e agarrar o cão assustando-o e podendo causar um acidente
  •      Os cães podem assustar-se com algum estímulo exterior, como um som ou algo e tentar fugir (conseguindo) ou magoar-se no processo ou magoar alguém que se aproxime
  •        Pode conseguir escapar-se e fugir
  •        Pode vir um cão solto ter com o seu que está amarrado e criar um problema sério
  •    Alguma pessoa pode vir com a melhor das intenções e tocar no cão que se pode sentir incomodado e reagir
  •       Alguém pode magoar o seu cão


Existem muitos cenários que podem acontecer e aqui não estão todos, e se considera que para tal precisaria do cão estar sem supervisão muito tempo engana-se. Qualquer uma destas situações pode ocorrer em muito menos de 2 mnts. Mesmo que você esteja dentro da loja o tempo todo a olhar para o seu cão (algo que não vai acontecer, porque em alguma altura você terá que virar a cara e atenção para outro local) à distância você não conseguiria evitar o incidente. Todos estes cenários podem acontecer em questão de segundos.

Mas o meu cão é amigável

É óptimo quando um cão é sociável e bem-disposto, quando adora estranhos e receber carinhos dos mesmos, no entanto, quando colocamos um cão preso a um local e sozinho não é realista pensarmos que podemos com toda a certeza antecipar o comportamento do mesmo. Um cão preso não tem possibilidade de fugir caso se sinta ameaçado, com medo ou assustado. Segundo o comportamento biológico dos animais, cães incluídos, estes quando se sentem ameaçados, fazem uma de duas coisas, ou fogem ou atacam. Se a estratégia de fugir lhes for impossibilitada ou ineficaz, atacar é sempre a estratégia seguinte.

Neste caso quando atamos um cão a um local, este está imediatamente impossibilitado de fugir, caso aconteça algo que o assuste, o intimide ou o coloque em perigo ele vai atacar para se defender. Por mais que controlemos o comportamento do cão, nunca podemos controlar o ambiente ao seu redor, e é este que verdadeiramente dita como o animal se comporta. O facto de o cão estar sozinho, deixa a maioria dos mesmos mais ansiosos e predispostos a sentirem-se inseguros. Dito isto, se alguém se aproxima, e faz algo ou tem alguma reacção que o cão interprete como ameaçadora ou que ele considere como perigosa, ele irá defender-se.

E assim temos centenas de histórias de cães presos a portas de algum local, que mordem crianças, adultos ou qualquer outra pessoa que se aproxime ou que simplesmente passe perto dos mesmos. Na maioria destes casos os tutores, juram de pés juntos que o cão é amigável e nunca teve essa reacção antes, mas o que eu vejo é que a pessoa colocou responsabilidade no cão e esperou deste demais.

Se queremos proteger os nossos cães, deixá-los sem supervisão atados a um local por mais rápido que seja e por mais “habituado” que ele esteja não é, nem nunca será sinónimo de um acto consciente e responsável.

Extremismo

Quando me ligam e perguntam quanto custa ensinar o cão a andar na rua sem trela e ficar junto do tutor, a resposta é sempre a mesma. Não fazemos esse serviço. Para além de ilegal, não existe nenhuma vantagem em ter um cão circular na via pública sem trela. A trela existe para segurança do cão especialmente e para que o possamos proteger nas diversas e variadas situações que podem surgir.

Muitas pessoas consideram isto extremismo, mas no fundo é bom senso. Eu não posso obrigar ninguém a andar sempre de trela na via pública com o seu cão (embora a polícia possa) e também não posso impedir ninguém de atar um cão a um poste enquanto vai só ali 2 mnts rapidamente.

Mas o que posso fazer é informar as pessoas dos perigos que este acto incorre e adverti-las de que realmente não faz sentido e que os acidentes acontecem e não é só aos outros. Para quê correr o risco? Certamente que a última coisa que queremos é ver os nossos cães magoados, ou termos problemas com outros.

Sendo assim pense cuidadosamente se realmente é no melhor interesse do cão ser atado nem que por escassos minutos a um local sem supervisão.

Se quer sair com o seu cão, saia. Passear é saudável, divertido e extremamente necessário para todos os cães. Mas se precisa de ir a um local onde o cão não pode entrar tem duas opções, ou vai depois ou vai alguém consigo que possa esperar com o seu cão.

Usar a desculpa de que o cão não vai sair de casa tanto porque você vai deixar de o levar consigo quando for fazer uma determinada tarefa à rua, é apenas isso, uma desculpa. Vá fazer tudo o que tem a fazer e depois leve o cão a passear. Os dois não se complementam, nem se anulam, fazer um ou outro porquê?

Os casos não falados

Pessoalmente tenho um grande problema com este tipo de situações, precisamente por ter assistido em Inglaterra a uma criança ser mordida na porta de um 7/11 (seven eleven), ou seja, uma loja de conveniência.

O cão estava atado ao corrimão de entrada, deitado no chão. A minha colega entrou na loja e eu fiquei de fora na parte de baixo da loja. Eu observei o cão e senti-me desconfortável com a situação. Quem me conhece sabe que adoro fazer carinhos aos cães, e faço sempre uma festa quando vejo um, mas quando estão assim atados e presos sozinhos nem me passa pela cabeça aproximar. Felizmente todas as pessoas que iam entrando na loja e que passavam bem perto dele, não interagiram com o cão. No entanto tudo mudou quando um senhor de bengala sobe a rampa e se vira para entrar na loja. Quando já de costas para o cão, este num ápice levanta-se e agarra a beira das calças do senhor. Este virou-se para trás assustado e imediatamente levantou a bengala e acertou no cão. Eu gritei e fui para perto deles, entretanto o tutor do cão saiu pegou no cão e fugiu rapidamente, insultando o senhor. O cão estava assustadíssimo, o senhor igualmente e resmungava que tinha medo de cães e que nem se podia entrar numa loja em paz.

Eu fiquei muito perturbada com tudo aquilo, a única coisa que pensei foi tudo poderia ter sido muito pior mas mais ainda, como seria fácil evitar tudo aquilo. O cão certamente ficou traumatizado com a situação, a reacção do senhor exagerada e agressiva não pode ser punida. O único responsável por este cenário foi de facto o tutor. Para quê correr este risco. Tudo pode correr mal, tantas coisas podem acontecer que realmente me parece que quem ata cães a postes não pensa em tudo o que pode acontecer.

A realidade

Em baixo deixo alguns links dentro das centenas que podem encontrar de cães que sofreram tragédias nesta situação específica. Vamos ser responsáveis pelos nossos cães, afinal de contas eles precisam de nós para se safarem neste mundo tão dos homens e das suas acções.


http://www.cambridge-news.co.uk/Cambridge-dog-attack-dramatic-scenes-outside/story-26053514-detail/story.html - Cão preso à porta de uma loja é violentamente atacado por dois cães soltos

http://www.plymouthherald.co.uk/dog-mauled-daughter-s-face-says-Plymouth-mum/story-24434603-detail/story.html - Criança sofre danos severos quando atacado por cão preso à porta de uma loja

Informar é ajudar

Espero que com este artigo, reconsiderem, pensem bem em tudo o que implica deixar o vosso cão sem supervisão em plena via pública e evitem acidentes catastróficos, graves e perigosos. Pensem que as pessoas na via pública não são responsáveis pelo que podem e não podem fazer com um cão que está ali. Na verdade todas as pessoas imediatamente assumem que se alguém deixa o seu cão preso a um local sem supervisão é porque este deve ser amigável.