Segunda-feira, 12 de Março de 2012
Tug of war incentiva a agressão nos cães?
“Jogar tug-of-war incentiva a agressividade nos cães.”
“Jogar tug of war faz os cães dominantes. “
“Jogar tug of war faz os cães bons cães de guarda.”
“Quando jogamos ao tug of war, temos que ganhar senão descemos na hierarquia e o cão fica a pensar que manda em nós”
“Tug of war é um jogo para ser feito apenas por alguns profissionais muito experientes em treino de protecção”
Se perguntarem às pessoas que dizem esta frase, o porquê de ser assim? Ou de onde tiraram esta informação, a maioria não sabe explicar. Como a grande maioria das coisas no mundo dos cães, esta é mais uma daquelas que “sempre se ouviu dizer” e por isso deve ser verdade.
Muitas pessoas começam a descrever experiências pessoais de como o seu cão quis comer a vizinha do lado depois de ter puxado numa corda durante 5 mnts. Cómico? Nem tanto, muitas pessoas vão jurar de pés juntos que é assim mesmo. Mas é, ou não é?
Tug of war o que é?
Ao contrário do cabo-de-guerra (tug of war) praticado pelos humanos que tem como intuito um jogo competitivo cujo objectivo é ver quem ganha e tem mais força, o tug of war praticado com os nossos cães não assenta no mesmo princípio.
Não faz sentido pensar que um homem adulto que puxa numa corda com um Yorkshire Terrier está a tentar estabelecer quem tem mais força ou quem ganha. Da mesma forma que pensar que um BullMastif puxa num pau que uma criança segura “para lhe mostrar que domina uma estrutura hierárquica qualquer”.
Estes antropomorfismos distorcidos levam a um sem fim de tonterias profanadas por aqueles que se munem de autoridade baseada no “diz que dissse porque sempre foi dito”.
O que faz um cão pegar numa corda e puxar ao mesmo tempo que outro cão ou pessoa que puxa do outro lado, não é um desejo de saber quem tem mais força, muito menos um desejo secreto de querer subir numa hierarquia social e ser o que agora manda e vai ter que ir ao supermercado comprar a ração diária. O que faz um cão pegar num pedaço de corda e puxar é uma das partes é um comportamento que assenta na cooperação.
SÃO PRECISOS DOIS PARA DANÇAR
Começamos pelo raciocínio mais básico. O Tug of war só funciona se estiverem dois a puxar. Se alguma vez ensinou ou viu um cão a brincar ao Tug of War de forma apropriada, irá entender que o jogo só funciona e só é divertido se dois estiverem a puxar. Se por acaso você largar o brinquedo, este deixa de ter interesse.
Aqueles cães que aprenderam que o brinquedo só funciona quando alguém segura do outro lado mas ninguém perdeu tempo a ensinar “as regras”, tentam todo o tipo de estratégia para conseguir que você interaja e entre no jogo novamente. Passam por você a correr a passar tangentes pelas suas pernas, envergando o brinquedo orgulhosamente na boca como que a dizer “vem cá puxar anda estou aqui!”. Outros largam o brinquedo perto das pernas dos donos, apenas para no último segundo o agarrarem e fugirem com ele - e lembre-se que correr atrás uns dos outros antes de iniciar um bom jogo de tug faz parte da diversão – e outros chegam mesmo a dar marradas nas pernas e braços dos donos com os brinquedos e a colocarem aqueles olhos de carneiro mal morto para ver se conseguem a vossa cooperação.
Seja qual for a estratégia são tudo comportamentos normais e saudáveis nos cães, que só se tornam problemáticos aos olhos dos donos que visionam um comportamento específico e não entendem porque é que o cão não sabe fazê-lo (apesar de nunca terem ensinado ao cão o que pretendem dele).
Mas o que é que tudo isto tem a ver com agressão está para lá de qualquer raciocinio lógico.
A excepção à regra
Se o seu cão é um que apresenta comportamentos de agressão por possessão, não se admire se ele não só não lhe devolve o brinquedo como lhe mostra os dentes quando você se aproxima do mesmo. Mas isto continua a não estar relacionado com o jogo do tug of war em si. O cão que tem agressão por possessão também fará o mesmo com a taça da comida ou com o seu sofá favorito por exemplo. O problema do cão que não lhe demonstra agressão quando você vai buscar o brinquedo do Tug não está relacionado com o jogo do Tug em si, está relacionado com o instinto de possessão inato a todos os cães e que no seu não foi devidamente controlado e colocado sob auto controlo.
Então a regra para esses cães é, primeiro ensine o cão a deixar de ser agressivo e possessivo com os seus objectos e só depois pense que este jogo é adequado ao seu cão. Esta é a única excepção a jogar-se tug com um cão.
Regras
As regras são simples:
O cão só pode pegar na corda do tug quando o dono dá sinal, mesmo que o brinquedo esteja ali distraidamente na mão ao alcance do cão
Sempre que o dono dá um sinal específico o cão deve imediatamente largar o brinquedo
Portanto se pensar bem, precisa apenas de duas coisas. Ensinar o cão o “pega” sinal que usará para que o cão saiba que agora sim posso agarrar e puxar no brinquedo. E o “larga” que usará quando quer que o cão pare de puxar no brinquedo e o largue.
Eu até costumo ensinar um outro sinal. O “chega” que basicamente diz aos meus cães que acabou a brincadeira e que o brinquedo vai ser arrumado.
E sim, é muito importante que reserve um brinquedo específico para jogar ao Tug e que este esteja guardado e que saia só quando for hora de brincar ao Tug, faz-se isso por variados motivos, entre eles: ensinar o cão controlo, motivar o cão, e poder usar o brinquedo como recompensa para treino e ensino de comportamentos adequados.
Muitos treinadores extrapolam nos motivos pelos quais o dono “tem que manter controlo” do brinquedo. “Senão o cão pensa que ganha”. Mas issso é uma grande patetice que não faz sentido nenhum. Os cães como as crianças, se têm um brinquedo à disposição o tempo todo, das duas uma, ou aprendem a requisitar que o jogo começe sempre que o dono esteja presente (pegam no brinquedo e vão “chatear” o dono) ou ignoram o brinquedo porque este perde o interesse e passa a ser um objecto inanimado que está para ali atirado.
Se o cão aprende ele mesmo a pedir que o jogo comece fica difícil ele perceber quando o pode fazer. O dono não lhe ensina nenhum sinal específico e logo o cão vai tentanto começar o jogo em diversas ocasiões, contextos, locais e com diversas pessoas. Isso pode-se tornar complicado porque as pessoas têm tendência para reforçar os comportamentos intermitententemente, ou seja, de vez em quando estão com paciência e até acham piada à insistência do cão e respondem brincando com o cão, outras vezes estão cansados e consideram o comportamento irritante e problemático e não respondem, muitas vezes até punindo o cão.
Esta inconsistente pode gerar muitos outros problemas coletarais. Por isso é que é importante manter as regras do jogo claras, e ensiná-las de forma concisa e precisa ao seu cão ANTES de exigir seja o que for ao mesmo.
Vocalização
Quando vejo o meu pai assistir a um jogo de futebol em conjunto com os amigos no sofá lá de casa, por vezes dá-me a sensação que vão começar todos à bulha uns com os outros, com a tv e com quem passar perto. Desde urros, a berros, insultos, palmas e manifestações de alegria ou indignação o visionamento de um jogo de futebol se retirado fora do contexto pode ser entendido como uma guerra prestes a começar.
O mesmo se passa com o jogo do tug. Alguns cães quando jogam o Tug sentem-se extremamente excitados ( no bom sentido ) e adoram o jogo e exprimem-no com vocalizações. Rosnam, ladram, fazem todo o tipo de barulho. Punir um cão por vocalizar a alegria que sente quando joga Tug seria o mesmo que desatar à chapada ao meu pai sempre que ele gritasse golo durante um jogo de futebol. Sim claro que um cão agressivo rosna, mas se você acha que rosnar significa uma coisa apenas (que um ataque está iminente) então nunca observou dois cães a brincar….
Portanto o facto de o cão rosnar quando joga ao tug não quer de todo dizer que está a ficar agressivo quer apenas dizer que está a festejar um golo, partilhe dessa alegria e experimente fazer barulho ao mesmo tempo que brinca ao tug com o seu cão e verá como ele fica contente com a partilha!
Resumindo e Brincando
O jogo do tug é usado muito no treino de cães polícia por exemplo e sabia que os cães de busca e salvamento são na sua grande maioria (para não dizer todos) treinados com base nesse jogo? E sabia que o tug é usado para treinar cães de assistência, cães para cegos e cães que detectam bombas? Os desportistas de agility são fãs de um bom jogo de tug e os grandes campeões de obediência usam o jogo de tug com a trela para recompensar performances excelentes.
O tug quando bem usado é não só uma recompensa fenomenal e muito valiosa que pode ser usada com bastante frequência em qualquer lugar, como se bem aplicada pode ajudar no treino de comportamentos complexos e/ou cadeias de comportamentos.
O Tug bem aplicado também ensina o cão a auto controlar-se, a aprender comportamentos muitos importantes como “pega”, “larga” e “chega”. É uma forma de construir um relacionamento saudável e duradouro com o seu amigo de quatro patas, uma forma magnífica de dispender energias e de exercitar o cão fisica e mentalmente.
Se por acaso alguém lhe descrever o jogo do tug de outra forma, é porque não sabe usar o jogo apropriadamente e não é porque o jogo em si tem algo de “mau” inerente ao mesmo. Lá porque alguém não sabe condicionar e ensinar apropriadamente cães a jogarem tug de forma controlada e colocar esse controlo ao serviço da obediência e educação do cão, não quer dizer que não é possível, apenas quer dizer que essa pessoa não o sabe fazer.
Agora que sabe os factos, porque não experimenta?
Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Fight ou Flight
Este conceito foi primeiramente descrito por Walter Cannon na sua teoria chamada de Teoria de Cannon em 1929. Baseado na sua teoria, na presença de um estímulo ameaçador, uma parte do cérebro regula as funções metabólicas e autonómicas de forma a preparar os musculos para qualquer acção violente subsequente, isto é, para ou fugir ou lutar. Um exemplo de uma reacçao autonómica é a libertação de adrenalina no corpo e algumas das manifestações fisiológicas incluem aumento da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco (em resultado da concentração de adrenalina no corpo).
Se por algum motivo, fugir se revelar ineficaz ou impossível o animal muito provavelmente irá lutar para se defender. No entanto lutar, implica um esforço muito grande a nível energético e um risco ainda maior (o animal pode sair gravemente ferido) por isso é usualmente a última resposta fisiológica a operar.
É muito importante sabermos isto, porque quando muitas vezes assistimos a um cão a ser agressivo, assumimos imediatamente que ele está a ter uma reacção ofensiva, quando na realidade podemos estar a observar uma resposta fisiológica de fuga [flight].
Pode ser que aquele cão no passado, tenha tentado fugir e esta estratégia tenha sido ineficaz. Pode ser que tenha aprendido que a agressão ou o ataque é uma resposta mais eficaz no aumenta da distância entre ele e o estímulo percebido como uma ameaça. Pode ser que fugir fosse uma estratégia que não estivesse disponível (estar preso, de trela ou num canto sem saída por exemplo) e a resposta fisiologica de luta foi accionada. Existe muitas variantes a ter em conta, mas acima de tudo é muito importante sabermos que estas resposta fisiológicas são naturais, importantes para a sobrevivência da espécie e do indivíduo e incontroláveis pelo mesmo, isto é, não são executadas “de propósito” nem com segundas intenções.
Lembre-se que fight ou flight é a resposta ou reacção de um animal a uma situação percebida pelo mesmo como uma ameaça à sua sobrevivência, isto é, não somos nós que determinamos se é aceitável que o cão considere um determinado estímulo ou acção uma ameaça, mas sim o animal em questão e a resposta que esse estímulo gera.
A explicação para muita coisa
Vamos supor que o Bobby tem pavor da água. O João tinha por hábito agarrar na coleira dele e arrastá-lo para a banheira para o seu banho ocasional. Esta situação ocorreu diversas vezes e apesar as lutas constantes e da crescente resistência, o João conseguia sempre arrastar o Bobby para a banheira segurando-o pela coleira e usando a sua força considerável. Através de gritos, esperneios e algumas ameaças o João sempre conseguiu que o Bobby fosse parar à banheira.
Um dia estava o João sentado a ler o jornal na sala e o Bobby deitou-se aos seus pés. A filha do João entrou na casa de banho e ligou o chuveiro ao mesmo tempo o João agachou-se para fazer uma festa no pescoço do Bobby. O Bobby apanhado de surpresa quando viu a mão a aproximar-se de si reagiu mordendo a mão do João.
O que aconteceu aqui foi um caso de condicionamento clássico (aproximação da mão + som do chuveiro = vou tomar banho) e a resposta agressiva adveio do historial passado no qual o cão tentou escapar várias vezes à situação sem sucesso. Aqui temos uma situação clássica em que o comportamento escalou de uma situação de fuga para luta (defesa).
“Mas eu só queria fazer festinhas!” – diz o João
Naquela circunstância específica dada a combinação de factores o Bobby reagiu ao resultado mais provável. Não somos nós, que estabelecemos se a situação é uma ameaça ou não (e para nós nenhuma das situações é uma ameaça, nem ir ao banho nem fazer festas) mas obviamente que para o Bobby especificamente é porque a aproximação da mão foi associada com o barulho da água na casa de banho e a ida para o banho. Toda essa situação aversiva o Bobby sabe que não pode escapar e reage defensivamente.
Se entendermos o comportamento do cão desta forma analítica, conseguimos detectar mais rapidamente o problema, e consequentemente resolvê-lo de forma mais rápida e eficaz.
É muito importante portanto, retirar um historial exaustivo das interacções do cão, determinar com exactidão os estímulos presentes na altura do incidente e as consequências deste. Se abordamos um caso de agressão de forma leviana e com preconceitos, vamos não só falhar redondamente em resolver o problema como podemos inadvertidamente gerar outros.
Em suma, o entendimento de como estamos programados a responder a determinadas situações vai-nos permitir analisar de forma eficaz e precisa o comportamento do animal. O comportamento é algo fluente e complexo não é um bloco de cimento onde podemos carvar letras que aí permanecem indefenidamente. É necessário analisar todas as variantes que influenciam o comportamento e ter me conta todos os estímulos e condicionantes se queremos ser precisos e justos e os cães não merecem menos do que tudo isso.
Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
Marcas de Não Recompensa
Acho que já era tempo de falar acerca do uso, abuso, mau uso e incompreensão do que são as MNR (Marcas de Não Recompensa) no treino de cães.
Uma MNR é usualmente uma palavra ou frase que quando dita ao seu cão, indica-lhe que ele não vai obter nenhuma recompensa para aquela resposta em particular. O sinal MNR deve ser dado sem emoção ou culpa. O cão não é “mau” ele apenas ainda não aprendeu e precisa de voltar a tentar.
A primeira vez que ouvi falar de MNR foi pela boca de Gary Wilkes e da Karen Pryor em 1990. Frases tais como “errado!”, “oops”. “oh não!” são as mais populares hoje em dia. O mais engraçado é que acabamos por usar muitas MNR no dia-a-dia com os nossos cães e são os próprios cães que no-las ensinam.
Isso funciona porque somos criaturas de hábito. Quando começamos a ficar frustrados,
preocupados ou mesmo zangados o mais provável é recairmos na nosa costumeira postura corporal e “fraseologia” – independentemente de o fazermos conscientemente ou não. Os nossos cães aprendem isto com extrema facilidade. Os sinais detectados podem ir de um suspiro a um berro alto. Assim que os seus cães identificam os sinais que prevêm o nosso estado emocional menos favorável eles irão responder da forma mais adequada, que pode ir desde cair numa rotina de sinais de apaziguamento (andarem á nossa volta de corpo rente ao chão e a lamberem-nos as mãos), a ficarem stressados e fugirem, ficarem excitados e fazerem patetices para aliviar a tensão ou fazerem algo que é único e próprio desse cão.
Infelizmente para muitos cães o seu próprio nome torna-se uma MNR. Na tentativa de impedirmos que um cão faça algo, no calor do momento um treinador decide chamar o cão (fazer um chamamento). Por exemplo enquanto treinamos os weaves em agility se o cão entrar incorrectamente usualmente o seu dono simplesmente o chama para que ele volte para trás. Isto pode criar um circulo conflituoso com o cão durante o treino porque o seu nome fica associado com uma constante falta de reforço.
Algumas MNR aprendi com o meus cães. Estas são aquelas que eu uso quando eles começam a brincar de forma tão exuberante e pateta que me fazem rir e eu muitas vezes digo coisas como: “olha para vocês” ou “não me parece..” ou “nem pensem..” enquanto me rio.
Eu diria que de forma geral as MNR são mal entendidas e pior que isso aplicadas de forma errada. Para que fique claro, uma MNR não deve estar relacionada com os “ah aaaaah!” punitivos usados no treino tradicional. Infelizmente quando as pessoas passam de usar correções para aplicarem o treino positivo, estas correções verbais são aquelas que demoram mais tempo a sairem do sistema.
Estou a falar das frases ou sons guturais como “ah aaaaaah!” ou “errrr” ou “NÃO!” ou “HEY!” gritados ou até mesmo rosnados ao cão ou até mesmo o som “Pssssst” usado por Cesar Millan. Estas palavras estão sempre condicionadas com o que eu chamo o factor “I” (intimidação).
O objectivo (quer as pessoas que usam estas punições queiram admitir ou não) é condicionar o factor “I” no seu rosno, frase ou palavra usada que mais tarde poderão usar para impedir qe o cão faça algo que elas não querem sem ter que ser fisicamente corrigido.
Não faz qualquer diferença se você disser “ah aaaaah!” num tom de voz baixo. Se alguma vez você seguiu esse “ah aaaaah!” suave com algum tipo de “correção” ou “ajuda” para que VOCÊ possa mudar a resposta do cão ao invés do cão mudar a sua própria resposta, então irei agrupar tudo isto na mesma família do factor “I”.
Pessoalmente fui educada inicialmene na escolar de treino para ser uma experiente usuária de punidores agrupados na família do Factor “I”. No entanto, fui perdendo todos esses durante os anos 90 e sugiro que vocês façam o mesmo. Ok as palavras
e expressões até podem permanecer, mas livrem-se da conotação a que estão associados, ok?
Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Existem muitos riscos e perigos que incorrem quando ponderamos o uso de aversivos (dor, medo, intimidação, punições físicas ou outras) para treinar e/ou educar cães. Talvez o perigo maior resida na falta de conhecimento ou negação dessa falha por parte das pessoas.
Ela continuou o relato dizendo que agora tinha um Beagle que “era o cão mais
desobediente que alguma vez tinha tido”. – usualmente as pessoas fazem questão de afirmar como os cães são desobedientes e raramente param para pensar se o problema reside na forma como ensinaram os cães, ou sequer se ensinaram os cães. Infelizmente para os cães, muitas pessoas assumem que estes devem vir ensinados, já com algum tipo de conhecimento adquirido geneticamente. Se olharmos livros generalistas das raças vemos, como a raça X ou Y é obediente ou responde bem à chamada – sempre achei isto curioso, é o equivalente a dizer que uma criança que nasce no Japão já vem a saber matemática aplicada ou que uma criança brasileira deve saber certamente dançar capoeira e samba desde a nascença é típico da raça.
Depois continuou a contar como uma vez ia a sair de casa, abriu o portão da propriedade para sair com o carro mas antes foi ter com o seu cão e disse-lhe “não te atrevas a sair daqui”. Entrou no carro, abriu o portão e para choque e surpresa dela o cão saiu disparado. Ela conta como correu atrás do cão mas este continuava a fugir então ela voltou para trás entrou no carro e foi a seguir o cão com o carro. “Ele eventualmente parou num descampado e pôs-se a uivar e a fazer montes de barulho, quem ouvia até parecia que eu espancava o cão” contava ela. Depois seguiu dizendo “ele primeiro que entrasse no carro foi um castigo, mas depois eu disse-lhe – “entra no carro agora senão a surra que levas depois vai ser pior” – e ele entrou todo cabisbaixo mas enquanto eu dava a volta ao carro ele aproveitou e patinhou o carro todo com lama para se vingar”.
“Nunca tive um cão tão desobediente como este, e ainda por cima rói tudo o que apanha,
o que é que se faz com um cão assim? A mim custa-me mete-lo numa escola de treino afinal de contas sempre consegui educar os meus cães não preciso que agora terceiros venham educar os meus cães.”
consequências deste tipo de situações.
quer, só porque sim. Sem ensinar nada, sem esforço, apenas por ela disse. Esta guerra de vontades e necessidade de provar superioridade por simples osmose é um dos obstáculos a uma convivência saudável livre de problemas com os nossos cães.
Colocar um cão numa situação que sabemos que ele vai falhar e depois puni-lo por apresentar um comportamento perfeitamente natural e expectável é para mim incompreensível e inaceitável. A generalidade das pessoas estão tão condicionadas pela sociedade, a sua vida e as influências externas em punirem o que está mal, que lhes parece impossível a ideia de que não é necessário punir, muito menos punir duma forma agressiva, para se ensinar alguma coisa. Para mim, por exemplo, foi muito fácil entender que aprendizagem não ocorre num ambiente
de medo ou intimidação.
aos comportamentos indesejados diminui a frequência destes, então estamos no bom caminho.
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Interacções entre cães, devo intervir ou não? - Parte II
Quando um cachorro não consegue ver-se livre do outro – Se você vê que o seu cachorro está com dificuldade em afastar-se daquele cachorro persistente e alegre que o persegue para brincar está na hora de intervir. Se o seu cachorro foge para baixo da mesa, se refugia por trás das suas pernas, foge para baixo das cadeiras e não consegue ver-se livre do alegre pateta que o persegue, está na hora de intervir. A importância de intervir nesse momento vai reflectir grandemente no comportamento futuro de ambos os cachorros. Ao impedir que o seu cachorro seja perseguido evita que ele tenha que escalar o comportamento de forma a alcançar o seu objectivo. Vamos ver isto como uma sequência de comportamentos:
Comportamento Cachorro 1 Comportamento Cachorro 2
Cachorro
foge para baixo da mesa O outro persegue-o
Cachorro
foge para trás das suas pernas O outro persegue-o
Cachorro
corre para se afastar O outro persegue-o
Nesta sequência de eventos o seu cachorro está a aprender que fugir não é uma forma eficaz de aumentar a distância e manter-se seguro quando se sente ameaçado ou invadido pela presença de outro cão.
Portanto o cachorro adopta uma nova medida
Comportamento Cachorro 1 Comportamento Cachorro 2
Cachorro
rosna enquanto foge O outro persegue-o
Cachorro
ladra e abocanha o ar O outro persegue-o
Cachorro
morde o outro O outro pára de o perseguir
Nesta última sequência de eventos o que aconteceu foi que o seu cachorro 1 aprendeu que a forma mais eficaz de afastar cães que o incomodam e de se proteger é “morder o outro cão”. As probabilidades de no futuro o cachorro 1 usar agressão para lidar com uma situação idêntica
aumentaram significativamente. Por outro lado, o cachorro 2 aprendeu a ignorar todos os outros sinais dos cães, ele está a aprender a assediar os cães para conseguir brincar com os mesmos. Aprendeu também que quando tenta brincar com os cães estes mordem e sai magoado de um relacionamento que tinha como intenção primária ser um saudável. As probabilidades no futuro do cachorro 2 usar agressão durante as brincadeiras como forma de defesa, aumentaram grandemente. É por estes motivos que é tão importante intervir durante os relacionamentos dos cachorros, para evitar que no futuro os comportamentos antagonisticos sejam os preferidos. Desentendimentos destes nas interacções entre os cachorros podem levar a cães adultos ansiosos e que constantemente se juntam em brigas.
Quando Intervir
A intervenção desse ser atempada. Intervir demasiado tarde ou cedo demais pode ter os resultados opostos daqueles desejados.
No caso explicado acima por exemplo a intervenção deve ser a seguinte:
Comportamento Cachorro 1 Comportamento Cachorro 2
Cachorro
foge para baixo da mesa O outro persegue-o
Cachorro foge para trás das suas pernas O outro persegue-o
Cachorro corre para se afastar O outro persegue-o
INTERVIR
Pode inclusivé intervir mais cedo. A questão é que existem caes que fogem durante muito tempo antes de escalar o comportamento. Outros, no entanto, ao fim de 2 ou 3 tentativas mudam
automaticamente de estratégia. Em caso de não saber muito bem o que o seu cachorro poderá fazer, previna-se e intervenha mais cedo. Se já conhecer o seu cachorro e souber que ele é por exemplo paciente, intervenha à 3ª ou 4ª tentativa de afastamento.
Como Intervir
A forma de intervir deve uma apoiada no julgamento e avaliação lógica da situação, executada com calma e neutralidade. Não deve alimentar a ansiedade ou stress que muitas vezes surge nestas situações. Lembre-se que ambos os cães têm as melhores intenções e cabe-nos a
nós guiá-los para que possam adequadamente aprender como comunica-las evitando ao máximo conflitos graves que serão transportados para interacções futuras.
Assim quando souber quando intervir, a intervençao deve ser calma. Agarrar na coleira do cão deve ser feito, só e apenas se o cão tiver uma dessensibilização ou estiver completamente relaxado em que o segurem pela mesma. Lembre-se que ao impedir que um cachorro continue
a perseguir outro segurando pela coleira vai criar ansiedade por isso deve focar-se em criar uma associação positiva a esta acção. Dê várias recompensas de alto valor enquanto segura na coleira do cão e mantenha-o interessado em si.
Afaste-se do local e quebre o contacto visual entre os dois cachorros. Após a intervenção aguarde uns momentos. Pode inclusivé se o cachorro estiver focado em si, dar algums recompensas pela
atenção que este lhe está a dar durante uns 3 a 5 minutos e inclusivé incluir alguns exercícios de senta e deita. Quando vir que o cachorro está mais calmo pode voltar a deixar a interacção ocorrer (avaliando as intenções do outro cachorro ou se devem terminar de vez a interacção) ou então pode ausentar-se do local.
Pontos a reter:
- Nunca se deve zangar com os cachorros
- Nunca deve agir emotivamente - afaste os cachorros uns dos outros de forma calma e
controlada com movimentos calmos, sem berrar ou se irritar - Associe o afastamento a algo agradável (senão torna-se uma punição) - dando várias recompensas de alto valor (carne, ou brincando ao tug, etc…)
- Aumente a distância entre os dois cachorros - por vezes é necessário afastar-se
bastante do outro cão para conseguir que o seu lhe preste atenção ou se interesse pelo que lhe tem para oferecer e para conseguir que se acalme - Afaste os cachorros ou cães - especialmente se um deles estiver a mostrar claros sinais de stress ou de querer aumentar a distância entre os dois (fugindo ou demonstrando irritação). Se um dos cachorros rosnar ou mostrar os dentes, afaste-os imediatamente
- Não deixe que cães de porte diferente interajam sem supervisão – se um dos
cachorros for bastante maior do que o outro, ensine o cachorro de porte grande
a permanecer deitado e não saltar para cima do mais pequeno. Para tal segure o
cachorro grande se este se tentar saltar para cima do outro, conte até 10 e volte a soltar sempre prestando atenção para evitar que se atropelem. - Intervenha as vezes que forem necessárias, mas se ambos os cachorros estiverem a interagir bem a duma forma saudável deixe o relacionamento decorrer
- Nunca punir ou castigar os cachorros por interacções que NÓS consideramos inadequadas
- interacções inadequadas devem ser controladas e não suprimidas. A nossa responsabilidade é ensinar formas mais eficazes de comunicar e interagir. Punição ensina o cachorro a suprimir sinais comunicativos e a recear o que as suas interacções desencadeiam no ambiente ao ser redor. - Afaste-se de julgamentos humanos acerca das interacções – mais do que perder tempo a
assumir que determinados comportamentos são originários de teimosia, dominância
ou típicos da raça, limite-se a ter uma intervenção neutra e eficaz. Se você assumir que um cão age ou comunica determinado comportamento “porque é dominante” irá recair no erro de estar a transpor a sua interpretação pessoal do que vê e pode inadvertidamente promover comportamentos que trarão problemas graves no futuro.
O que nunca deve fazer…
- Nunca mas nunca deve punir um cão por uma interacção. Lembre-se que a punição SUPRIME o sinal comunicativo mas não resolve o que o despoleta, nem ensina ao cão uma alternativa para lidar com a situação. O cão que vê o seu sinal comunicativo suprimido pelas pessoas que o deviam proteger, aprende que na presença dessas pessoas não pode comunicar adequadamente para evitar a punição. Vejamos então o que pode acontecer:
Comportamento Cachorro 1 Comportamento Cachorro 2
Cachorro foge para baixo da mesa O outro persegue-o
Cachorro foge para trás das suas pernas O outro persegue-o
Cachorro corre para se afastar O outro persegue-o
Cachorro rosna enquanto foge PUNIÇÃO POR ROSNAR O outro persegue-o
Com a punição o que ensinamos ao cão é que rosnar origina uma punição e para evitar futuras punições o cão vai evitar rosnar, no entanto agora o cão não sabe o que fazer para evitar ser perseguido pelo outro cão. O que provavelmente acontecerá é isto:
Comportamento Cachorro 1 Comportamento Cachorro 2
Cachorro
suprime o sinal comunicativo
Cachorro
morde com severidade Cachorro sente-se atacado e é desencadeada uma luta
A supressão do sinal comunicativo leva a que o cachorro passe automaticamente para um comportamento altamente antagónico e agressivo como forma de defesa o que por seu lado desencadeia uma posição de defesa por parte do outro cão que dada a severidade do ataque. Como o cão aprendeu a suprimir o sinal comunicativo o outro cão na ausência de sinais
investe com mais rapidez despoletando confusões e ataques mais graves e sérios.
Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
Interacções entre cães, devo intervir ou não? - Parte I
ESTÃO SÓ A BRINCAR…
Uma das minhas actividades favoritas inclui observar cães. Se estiver na presença de cães, posso passar muito tempo simplesmente a observa-los, ver a sua linguagem, a forma como interagem, a dinâmica e fluência dos seus relacionamentos, como a personalidade de cada um se demonstra nas variadas interacções. Nunca é demais observar os cães e a forma como interagem, aprende-se sempre muito através dessa observação passiva, mas a questão surge, deveremos intervir quando dois cães interagem um com o outro? E se sim quando? E porquê?
A resposta é sim.
Existe lugar para uma intervenção activa e essas intervenções podem ser cruciais a muitos níveis, ao intervirmos na altura correcta e da forma adequada, podemos evitar problemas imediatos, o desenvolvimento de problemas futuros e ao mesmo tempo promover e ensinar interacções saudáveis.
Interacções Inadequadas
Existe um balanço entre nunca intervir e deixar que os cães “se entendam entre eles” e ser interventivo demais e não permitir que as interacções fluam. Nenhum dos extremos é útil porque é importante que os cães aprendam a relacionar-se uns como os outros e isso consegue-se sem interferências constantes, como também é importante que aprendam a fazê-lo de forma saudável e não pratiquem comportamentos inadequados e isso consegue-se através duma intervenção activa da nossa parte.
Esse balanço de que falo, não é adquirido de um dia para o outro e exige capacidades e experiência que são ainda mais importante quando falamos de interacções entre cães adolescentes ou adultos que já tenham manifestado comportamentos inadequados ou cujos relacionamentos com outros cães pareçam originar em problemas. Este tipo de situações deve ser gerida e supervisionada pelos donos com a ajuda constante de um profissional – treinador positivo especialista em comportamento canino – que detenha
um conhecimento e experiência aprofundada.
Mas quando falamos de cachorros os donos devem saber quando e como intervir principalmente porque os cachorros estão extremamente susceptiveis a aprender e é muito importante que a intervenção seja adequada.
O meu cachorro é tão sociável!
Falemos daqueles cachorros que são tão sociáveis, tão sociáveis que todos os outros cachorros fogem quando os vêem chegar. O dono não entende porque é que outros cães fogem do seu cachorro. Afinal de contas “ele só quer brincar” ou “só quer dizer olá”.
Não é no gostar de interagir muito com outros cães que reside o problema, mas sim na forma como essa interacção acontece.
Se um dos cães quer brincar a maioria das pessoas não entende porque é que o outro não quer. Comportamentos normais dos cães são muitas vezes criticados pelos donos e os cães que não querem interagir são vistos como pouco sociáveis, solitários e até mesmo muitas vezes problemáticos.
Já imaginou se o obrigassem a interagir e gostar de todas as pessoas com quem se cruza?
Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Maus-tratos debaixo do seu nariz! da Emmanuelle Morais
Alertas que os cães nos dão sobre as pessoas envolvidas no seu manejo
Atualmente, os animais de estimação são um mercado promissor que não para de crescer. Uma gama de serviços especializados em atendimentos de toda espécie são cada vez mais comuns no mercado pet, e por isto são alvo de pessoas que só pensam no lucro e que não possuem nenhum envolvimento emocional e verdadeiro com bichos.
Quem tem um cão acaba delegando alguns de seus cuidados a terceiros, e é ai que devemos canalizar boa parte da nossa atenção.
Como passo a maior parte do meu dia em meio aos cães, pessoas que trabalham no ramo, ou que convivem com os meus alunos, e como nem sempre vejo comprometimento por parte das pessoas envolvidas resolvi escrever este post para alertar os tutores de cães sobre um perigo que pode estar bem embaixo do próprio nariz.
Quem são as pessoas envolvidas nos cuidados do seu cão (animais em geral)? Já parou para observar que o seu amigo peludo demonstra sinais a respeito de cada uma delas?
Como ele se comporta diante da possibilidade de ter que ir a um determinado lugar?
Banho & Tosa
Reparo muito este serviço. E o que vejo, em grande parte dos lugares, são pessoas que não possuem envolvimento algum executando serviços tão minuciosos e que na minha opinião não deveriam estar ali.
“Cães e gatos manuseados como se fosse uma boneca de plástico descabelada.”
Já vi cães sendo puxados para um lado e para o outro por uma só pata, tendo seus longos pelos embaraçados escovados com muita força e nenhum cuidado. Olhos assustados, orelhas para trás e rabo, quando permitido, entre as pernas.
Como dói quando a escova pega um “nozinho” no meu cabelo!
Imagina como um cão sente dor quando escovado com brutalidade!
Comece a notar os sinais que o seu cão lhe dá quando está indo levá-lo ao banho. Repare como se comporta no momento em que vai para o colo da pessoa que o recebe no Pet Shop e como esta pessoa o recebe. Tire algumas horas do seu dia para observar o banho do seu cão pelo vidro da loja, ou então repare outros cães sendo lavados e escovados no mesmo local.
Quando notar ações que não aprova, fale com o veterinário ou o proprietário do local, que pode não saber do que ocorre ali.
Você está pagando pelo serviço e tem o direito de reclamar e o dever de denunciar qualquer ato de maus - tratos que o seu cão sofra!
É possível dar um belo banho, secar e escovar um cão sem que este seja tratado com um objeto. Basta capacitar os profissionais e escolhê-los dentre os que realmente gostam de cães e gatos. Quando o trabalho não é feito em “série”, mas de forma personalizada, o tempo não precisa ser tão curto para o grooming de um cão. Também é possível fazer associações positivas aos cuidados que o cão necessita de maneira que ele goste de ir ao local, tomar o banho e ser cuidado. Além de que, se for bem tratado e receber carinho irá gostar de voltar ao lugar.
Conheço lugares excelentes para banho e tosa. Não são a maioria, mas acreditem: Eles existem!!
Opte por lugares onde os animais são entregues em casa logo após o banho.
Quando o pêlo do cão estiver com “nós”, peça para cortar ou tosar e não desembaraçar a qualquer custo. Não se prenda a estética, mas a higiene e bem-estar do seu peludo.
Secretárias do Lar
Ah! Aqui reside um grande problema!
Embora recebam para organizar e limpar a casa um número significativo delas detesta os “causadores de sujeira”. E embora em frente aos empregadores diga que esta tudo bem, podendo até fazer mimos nos cães, quando os tutores viram as costas podem cometer todo tipo de maus-tratos.
Opte por uma funcionária que realmente goste de cães, instale câmeras de filmagem de forma a ter registrado o que ocorre na sua casa durante a sua ausência. Deixe claro que o bem-estar do cão é a sua prioridade e não apenas o serviço dela bem feito. E mais, note os comportamentos que o seu cão tem perto da sua secretária.
“Cães são como crianças, e podem demonstrar gostar de uns e temem a outros.”
Tenho uma grande amiga que por muito tempo trabalhou na casa da minha família. Sempre adorou os cães e atualmente é protetora independente de animais. Existem muitas pessoas que trabalham na função de doméstica e que adoram bichos!
Adestradores, Educadores Caninos, Babás e Passeadores
Quanta responsabilidade possui tais profissionais!
Já vi adestradores dando murro na cabeça do cachorro, dando trancos capazes de quebrar um pescoço, chutes na barriga, deixando o cão preso dentro do carro no sol enquanto dava uma aula...
Sobre as pessoas que ensinam algo ao seu animal de estimação, é fundamental compreender que não é possível estipular quantidade de aulas para que algo seja ensinado e ou modificado no comportamento do seu cão. Cada cão responde de uma maneira, dentro do seu tempo. Além de que a dedicação dos tutores aos treinos e o comprometimento de todas as pessoas envolvidas na rotina do cão são “peças chaves” no andamento dos treinos.
Treinos com uso de punição são mais rápidos e mais precisos, porem não são justificáveis!
Acompanhe as aulas, e quando precisar se ausentar, escolha outra pessoa para estar presente. Fique atento para a reação do seu cão quando o profissional chegar a casa. Note como ele se comporta depois das aulas. Não permita que uma pessoa sob a alegação de ensinar algo ao seu amigo uso um enforcador. Aqui também vale a dica de manter uma filmagem da sua casa quando está ausente, ou seguir vez ou outra, o passeador sem que ele perceba.
Converse com os vizinhos para estarem atentos ao passeador enquanto anda na rua com o seu cão. Peça referências da babá, combine com algum parente para chegar na casa enquanto o profissional está fazendo a manutenção, filme...
Embora eu tenha salientado algumas das profissões ligadas ao manejo de cães, existem outras tantas. O que importa é notar o comportamento do se cão em relação a tais pessoas.
Veterinários NÃO estão fora destas dicas de observação, devem SIM ser incluídos!
Fique atento aos seguintes comportamentos no seu cão:
Rabo entre as pernas, orelhas para trás ou para baixo,
Urinar quando a pessoa se aproxima ou chega no lugar,
Deitar no chão com a barriga para cima quando a pessoa se aproxima ou fala com ele,
Respiração ofegante,
Salivação,
Esquivar-se sem justificativa quando terceiros ou você levanta o braço ou se aproxima,
Agressividade,
Apatia, depressão,
Tentativa de fulga...
Nem todos os cães mostram sinais perceptíveis aos olhos de um leigo, por isto fique muito atento.
É claro que os sinais acima podem derivar de outros motivos e situações, mas se começar a notá-los depois de que o seu animal freqüenta algum lugar, ou quando fica aos cuidados de terceiro, pode ser um indício de algo maior está ocorrendo!
Um exemplo bem prático que posso dar é o caso dos meus cães que se estiverem deitados no chão e alguém se aproximar com uma vassoura, nenhum deles irá correr e sair de lá. São indiferentes ao objeto, sabe por que? Porque nunca apanharam de vassoura ou foram enxotados de um lugar com a ameaça de uma vassoura, portanto não associam o objeto a algo que possa fazer-lhes mal.
Tanto quanto o profissional que comete violência com o seu cão é culpado, o tutor que não atenta para tais fatos acaba sendo também.
Reclame com os responsáveis!
Denuncie!
Exija que o seu amigo peludo seja tratado com o respeito que ele merece!
“O seu silêncio é tudo que um criminoso precisa para continuar maltratando animais! (www.eobicho.org)”
Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
Treinadores positivo ou não?
Positivo ou não, eis a questão
Por todo o mundo da cinófilia e treino canino positivo e reforço positivo tornaram-se duas palavras populares e muito procuradas.
Já sabemos que o reforço positivo é a técnica mais procurada pelos donos de cães, simplesmente porque se alguém consegue educar e treinar o seu cão de forma divertida e cooperante não existe justificação para procurar outras formas mais invasivas. Muitas pessoas fogem de métodos aversivos que incluem medo e dor para treinar os seus companheiros.
A crescente variedade de técnicas de treino que se baseiam no reforço positivo, a facilidade na aplicação dessas mesmas técnicas, os resultados rápidos e duradouros, fazem deste método o preferencial e mais procurado.
Como tal e infelizmente o chamariz do treino positivo é usado por muitos treinadores para atrair clientes. Para além de uma falta de ética profissional inexplicável usar o chamariz do treino positivo para atrair clientes e depois aplicar métodos aversivos, muitas pessoas ficam depois com uma ideia totalmente errada acerca do que são técnicas baseadas no reforço positivo.
A Emily Larlham recentemente cunhou o termo treinador de reforço progressivo ela diz no mesmo:
“Este tipo de treino não-violento já teve muitos nomes: “treino de clicker”, “treino positivo”, “treino com reforço positivo” e “treino com recompensas” entre outros.
Os termos acima mencionados foram usados de forma tão displicente nos últimos anos que perderam o seu significado original. Como é que isto aconteceu? Treinadores que usam métodos compulsivos podem incorporar um clicker no seu treino (um marcador de comportamento) e auto nomearem-se “treinadores de clicker”. Treinadores que usam métodos dolorosos ou intimidativos podem incluir comida ou brinquedos como recompensas no treino e referirem-se como “Treinadores com recompensas” ou “Treinadores de reforço positivo”. É possível hoje em dia, que um membro do público procure a ajuda de um treinador que se diz “Positivo”, apenas para descobrir que este usa regularmente violência física com animais.”
Conheça o positivo
O que determina se um treinador é versado em técnicas de reforço positivo não é o facto de você entrar numa aula e ver comida, clicker ou bolas. Muitos treinadores usam comida, bolas, festinhas, carinhos e palavras da moda como positivo, reforço ou clicker para se identificarem como treinadores positivos, mas o que distingue o treinador versado em técnicas baseadas no reforço positivo do treinador que usa a palavra positivo para se vender está nas entrelinhas.
Vou enumerar algumas das coisas que um treinador versado em técnicas de reforço positivo NUNCA faz:
Nunca usa ou aconselha usar estranguladoras, coleiras de bicos ou coleiras de choque
Nunca manuseia fisicamente o cão (empurra o rabo para o chão para ensinar o senta, ou puxa da coleira para ensinar o deita, por exemplo)
Nunca empurra, “dá toques” com os pés, “chama a atenção” com as mãos, dá palmadas, grita ou berra
Não culpa o cão (seja pelo que for) por ex: “O cão é dominante, burro, teimoso, da raça x, distraido, energético, etc..”
Nunca se recusa treinar cães de determinadas raças, tamanhos, pesos ou proveniências. Por exe: “Só treinamos cães acima do joelho”, “Só treinamos cães de x raça”, “Não treinamos Pit Bulls ou Beagles porque são impossíveis de treinar”, “Sò treinamos cães a sério(??)”
Não usa, promove ou aplica a teoria da dominância esta usualmente é usada apenas como justificação para uso de técnicas aversivas
Nunca usa as palavras, dominante, dominância, alpha, rollovers.
Sabe que uma coleira de citronella (coleira anti latido) é aversiva e nunca usa ou recomenda o seu uso
Nunca arranja desculpas para que as pessoas usem punições. O trabalho do treinador positivo é precisamente educar as pessoas no sentido de obterem os resultados usando técnicas baseadas em reforço positivo e não arranjar desculpas para que as pessoas possam usar punições
Negam ao cão o acesso a outros cães ou pessoas. Os treinadores positivos entendem a importância de ter um cão bem sociabilizado e valorizam isso. Saber a diferença entre um cão treinado para efectuar um comportamento específico (como morder sob comando) e um cão que é agressivo com pessoas é essencial.
Nunca promete curar o cão. O treinador positivo entende que modificação comportamental é um processo complexo que admite muitas fases e que depende de muitas variantes. Um psicólogo nunca diz ao paciente que o vai curar tanto quanto um treinador lhe pode garantir a cura para os problemas de agressão do seu cão.
Treinadores positivos usualmente:
Oferecem técnicas que todos na família possa aplicar, desde ao homem, à criança ao idoso
Adaptam as técnicas de treino às necessidades da família e aos interesses de todos aqueles que lidam com o cão
Sabem responder adequadamente a todas as questões colocadas de forma coerente, lógica e simples numa linguagem que todos possam entender.
Distinguem as suas áreas de competência e direccionam os clientes para outras escolas ou treinadores quando o que lhes pedem não é a sua especialidade
Treinam fora do local da escola. Um bom treinador positivo percebe a importância do que chamamos de generalização isto é, da necessidade de ensinar ao cão os exercícios que aprendme na escola em cenários da vida real.
Ensinam os donos a usar todo o tipo de recompensas, como ir á rua, acesso a outros cães, brincar, cheirar um arbusto, etc.
Explica aos clientes que o comportamento é fluente e obedece a mudanças que advêm das diversas variantes que influenciam o comportamento. O treinador positivo NUNCA perde tempo a culpar os donos, ao invés oferece soluções alternativas.
Comida NÃO É sinónimo de treino Positivo
Uma vez uma pessoa disse-me que o treino positivo não resultava. Eu questionei se a pessoa já alguma vez tinha aplicado técnicas de reforço positivo com os cães dela, a resposta foi “sim claro, eu treinei um pouco de agility e o treinador ensinou-me a correr com a salsicha na mão e o cão vinha atrás”.
Se perguntarmos a alguém o que é reforço positivo, obtemos respostas que variam de: “treinar com comida”, “dar ao cão alguma coisa que ele gosta”, “petiscos” ou “clicker”. No entanto, nenhuma destas palavras descreve o reforço positivo.
Uma das formas mais comuns de vender o título de positivo é aliar o treino à comida precisamente porque existe a ideia errada de que comida é reforço positivo. A comida é um reforço primário que pode nas circunstâncias correctas ser usada para reforçar comportamentos.
Muitos treinadores anunciados como positivos ensinam os donos a segurar no pedaço de comida na mão enquanto o cão a segue. Fazer um cão seguir a comida não é igual a usar reforço positivo. Um bom treinador positivo dir-lhe-á que deve tirar a comida da mão o quanto antes e ensina-o a obter os comportamentos sem ter comida na mão. Se você nas aulas vê as pessoas a fazerem tudo com comida na mão à vista do cão então não está a assistir a reforço positivo.
É muito fácil colocar um pedaço de salsicha e fazer o cão segui-la (uma técnica chamada Luring). Através do Luring conseguimos fazer com que o cão demonstre os comportamentos que queremos recompensar sem termos que os manusear fisicamente. No entanto um treinador competente, após ter obtido e reforçado o comportamento algumas vezes imediatamente introduz o comando gestual e elimina o engodo da comida.
Nas minhas aulas as pessoas são ensinadas a usar Luring para obter o comportamento desejado e na mesma aula é-lhes dito que devem obrigatoriamente tirar a comida da mão.
Só sei que nada sei
Muitos treinadores usam comida e bolas para ensinar cães a sentar e a deitar mas no momento em que o dono lhe coloca uma questão comportamental revertem imediatamente para métodos aversivos.
O ditado já diz “o uso de agressão começa onde acaba o conhecimento”.
Um treinador versado no ensino de “comandos” de obediência ou num outro desporto como agility por exemplo não é necessariamente um especialista em comportamento e vice versa. É importante que o cliente entenda que um bom treinador de agility pode não ser um bom treinador de mondioring, da mesma forma que um bom treinador de mondioring pode não ser a pessoa indicada para ajudá-lo a resolver o problema de agressão do seu cão.
Muitas vezes enviei pessoas para colegas espalhados por todo o país quando considerei que aquilo que procuravam estava fora das minhas competências. Eu reconheço que a minha área de interesse reside no ensino de obediência básica, freestyle e resolução de problemas de comportamento. Quando me me perguntam acerca de treino de cães de guarda, protecção, agility ou busca e salvamento, por exemplo, envio para outras escolas ou treinadores, visto estas não serem as minhas área de competência.
Infelizmente são poucos os treinadores que têm este tipo de pensamento. Uma treinadora muito conceituada em Portugal escreveu no fórum da Its All About Dogs
“...ser treinador é treinar cães sejam quais forem os problemas, e não manda-los para outro sitio quando não conseguimos ou quando as nossas tecnicas e ideais não se aplicam a esse cão, porque em nada vão resolver o problema.”
Este tipo de afirmação denigre a profissão de treinador. Quando “não conseguimos ou quando as nossas técnicas e ideiais não se aplicam ao cão” a nossa obrigação como profissionais é precisamente indicar outros colegas e não fazer como esta senhora defende que é “não mandar para outro sítio”.
A mentalidade de que enviar um cliente a outro colega é declarar incompetência leva a que os treinadores quando não sabem o que fazer inventem ou experimentem.
É duma arrogância extrema pensar-se que se sabe tudo acerca de tudo.
Tentar resolver um problema comportamental quando se percebe pouco ou nada de comportamento canino é não só irresponsável como perigoso. O uso de técnicas aversivas na modificação comportamental leva à supressão temporária de sinais comunicativos e a médio prazo ao piorar do comportamento.
Usualmente são os donos e os cães que pagam caro esta arrogância.
A Matilde foi uma cadela que chegou às minhas mãos pela mão dos seus donos desesperados. A agressão dela que começou por ser uma rosnar aleatório aos donos em determinadas ocasiões tinha escalado duma forma astronómica para morder (de forma grave) e rosnar aos donos e a todos os estranhos que entravam ou saiam de casa e/ou tentavam tocar nela. O treinador anterior, contaram-me, tinha-lhes explicado que o problema dela era dominância. Por entre alpha rollovers, rosnar à cadela, atirá-la ao chão e outras “delícias” mais, o comportamento dela não só melhorava como piorava. No final daquela viagem de pesadelo a culpa foi atirada para os donos que eram tidos como “incapazes de se imporem à cadela”. Á minha frente estava uma cadela e os seus donos destroçados.
Esta história é mais comum do que podem imaginar e o problema reside precisamente na incapacidade de admitir onde estão as nossas competências e onde reside o nosso conhecimento.
Aos clientes eu aconselho a que procurem muito bem antes de pagarem a alguém para “curar” o cão. Informem-se junto de vários treinadores. Ouça as suas opiniões, pergunte, questione. Se o treinador fizer algo que você não consegue, sabe ou faria, não prossiga. Você está a pagar a essa pessoa tem todo o direito de ser exigente.
Problema de agressão
Se o seu cão tem um problema de agressão o treinador positivo e versado em técnicas de modificação comportamental baseadas no reforço positivo falará de termos como:
- Dessensibilização
- Contra condicionamento
- BAT
- LAT
- Ensino de comportamentos alternativos
- Reforço de comportamentos incompatíveis
- Reforço positivo
- Não praticar os comportamentos problemáticos
- Preparar o cão para ser bem sucedido e poder ser reforçado (se o cão rosna às motas o treinador não sugere levá-lo para perto duma mota e depois puni-lo por reagir)
O que um treinador positivo nunca sugere:
- Flooding – por exemplo se o cão tem medo de pessoas, leva-lo para locais com muitas pessoas. Consiste em submeter o cão ao estímulo que o assusta sem lhe dar hipótese de escapea até que ele pare de reagir (entra em estado de desamparo aprendido ou learned helplessness)
- Dominar o cão
- Suprimir sinais comunicativos – se o cão ladra é punido. Se a punição for suficientemente forte faz com que o cão pare de ladrar mas não vai à raíz do problema (o cão ladra por medo? Ansiedade? Frustração?)
- Punições ou formas de intimidar o cão
Escolha de cada um!
Cada um deve em consciência escolher a que treinador recorrer e quais as capacidades que valoriza.
Algumas pessoas querem um treinador com muitos títulos e medalhas. Outros procuram treinadores com formação comprovada. Outros procuram treinadores que sejam conhecidos e referidos por pessoas de confiança. Outros procuram treinadores que sejam bons a um determinado desporto por exemplo. Também conheço pessoas que procuram treinadores que ofereçam resultados independentemente de como os obtêm. Algumas pessoas não se preocupam em aprender a treinar o seu cão e apenas querem o cão treinado. Cada um tem a sua exigência.
Essa escolha é de cada um, no entanto, se você procura um treinador versado nas técnicas de reforço positivo está no seu direito de não ser enganado e iludido e está no seu direito de certificar-se que o treinador realmente é positivo e não só aparenta ser.
Para tal peça para ver as aulas, fale com outros alunos, observe a linguagem dos cães. Decida o que é importante para si e acima de tudo se achar que afinal não gosta do treinador ou da técnica seja ela qual for, então mude, não se sinta forçado a permanecer com um determinado treinador seja porque motivo for. Peça opiniões de outras pessoas, converse e fale. Acima de tudo decida em consciência.
Em Portugal existem excelentes treinadores experientes e capazes em muitas áreas e é muito importante treinar o seu cão não só porque é uma forma de estimular a mente do mesmo, como exercita-lo fisicamente e aprender a comunicar eficazmente com o seu cão.
O cão é seu, lembre-se que o treino é algo que se faz COM o cão e nunca algo que se faz AO cão!
Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
O QUE FAZER SE VIER UM CÃO SEM TRELA A CORRER NA DIRECÇÃO DO MEU
Muitas vezes as pessoas assumem erradamente que se o seu cão é geralmente amigável com outros cães e pessoas que não haverá problema se este for a correr de encontro a elas.
O que falha neste tipo de pensamento é o mais importante. Talvez a outra pessoa ou o outro cão não sejam amigáveis, ou talvez não estejam com vontade de brincar, ou não estejam confortáveis em serem recebidos com aquele tipo de exuberância.
O vídeo feito pela Emily demonstra o que pode correr mal quando deixamos que os nossos cães circulem sem trela e sob os quais não temos controlo
http://youtu.be/51ohcISwQJ4
Com ou Sem Trela?
Todos devemos seguir as regras e leis que dizem que em locais públicos os cães devem estar sempre de trela. Isso é normal e expectável de qualquer dono responsável, no entanto também temos que pensar que faz parte do bem-estar dos cães que estes possam correr, buscar bolas, brincar com outros cães e exercer todos os comportamentos típicos da espécie.
O que um dono responsável deve fazer é encontrar um meio termo e estabelecer que existem locais seguros e adequados para tal. Fico impressionada quando vejo alguém “passear” o cão sem trela no meio das cidades. Apesar da confiança cega dos donos que “já há anos que fazem aquilo” não é de todo seguro nem aconselhável e uma demonstração de falta de responsabilidade que pode ter consequências graves e sérias.
Praias isoladas (ou praias no inverno por exemplo), matas, serras, locais vedados (parques de futebol por exemplo) etc podem ser usados para o propósito específico de deixar os cães correrem livremente.
O cão está sem trela
Só deveremos tirar a trela ao nosso cão em duas circunstâncias que por ordem de importância são:
- O local é seguro ou vedado e adequado para o cão poder circular sem trela
- O nosso cão tem um chamemento fiável e bem generalizado
Os dois pontos estão interligados, visto que mesmo com um bom chamamento não se devem tirar as trelas aos cães em locais perigosos e inadequados. Mesmo que encontre um local adequado e seguro não deve nunca tirar a trela a um cão que não tem um excelente chamamento, senão teremos a situação que vimos em cima no vídeo.
Chamamento
Um excelente chamamento inclui termos a certeza absoluta que independentemente das circunstâncias, distracções ou tentações se chamarmos o nosso cão ele vem. Se acha que o cão tem uma boa chamada, “excepto quando vê (preencha o espaço)” então não solte o cão até ter essa certeza. Chamamento pratica-se, treina-se e é dos comportamentos que requer mais prática e generalização. Infelizmente as pessoas têm pressa e nãso entendem que requer dedicação e tempo para poderem afirmar que tem realmente um bom chamamento treinado no cão. A maioria das pessoas treina alguns chamamentos e após algumas tentativas bem sucedidas considera que “o cão já sabe”. Mas o cão que vem quando vê um outro cão preto e velhote lá ao fundo, pode não vir quando vir três labradores aos pulos a brincar. São duas coisas completamente diferentes. Pratique, generalize e reforçe com MUITA frequência com recompensas de ALTO valor de quer realmente ter a certeza que consegue um chamemento infalível.
O que fazer?
E agora? Você é um dono responsável tem o seu cão de trela e aparece um outro cão a correr desenfreado na sua direcção.
Você sabe que o seu cão não vai achar piada nenhuma a estar de trela e se recebido por outro cão naqueles termos. Você observa o dono que lá à distância berra “não faz mal ele é meiguinho!”.
Treinadoras experientes como Patricia Macconell e Trish King já demonstraram algumas formas de reagir a esta situação tão comum. Por experiência é extremamente eficaz se for feita no timing correcto.
Sempre que for passear o seu cão leve consigo alguns pedaços de comida de alto valor. Por exemplo alguns pedaços de galinha cozida num saquinho, fígado congelado (é óptimo e não suja) ou pedaços de queijo ou fiambre. Estes pedaços de comida apetitosa podem ser usados para treinar o seu cão obviamente mas o propósito é estar preparado para atirá-los ao cão que vem a correr desenfreadamente na sua direcção.
Encurte a trela do seu cão e coloque-se um passo à frente dele e quando o outro cão estiver a 4 ou 5 passos de distância atira na cara dele um punhado da comida apetitosa. O que acontece em 95% dos casos é que o cão é apanhado de surpresa e pára imediatamente para procurar a comida no chão. Isto dar-lhe-á tempo suficiente para “sair de cena” ou para que o dono do cão se aproxime e segure finalmente no seu cão.
O resultado deve ser algo idêntico a isto (vídeo da Dra Patricia Macconnell feito acerca deste mesmo tema).
http://youtu.be/XjEZnrM63Ks
Se o cão não parar?
Se o cão não parar, lembre-se que quanto mais pressão exercer na trela do seu cão pior será. Se colocar tensão e mantiver a trela do seu cão esticada e tensa as probabilidades do seu cão reagir aumentarão significativamente porque ele sentirá essa tensão na trela e coleira. Segure a trela o mais laça possível (segurando com a mão para cima), tente manter o seu cão em movimento circular (cães que se aproximam directamente de frente é sempre pior) se conseguir começar a circular numa roda gigante será mais fácil. Tente não gritar ou entrar em pânico, porque se o fizer o seu cão pode reagir de acordo e entrar ele mesmo em pânico desencadeando uma briga. É necessário algum auto controlo para conseguir isto, no entanto, lembre-se que o que você faz tem efeito imediato na reacção do seu cão.
Flight or Fight
É este o instinto primário de todos os cães. Fugir ou lutar. Um cão quando perante um estímulo que desconhece, é perigoso ou suspeito o seu sistema entra em modo de fight ou flight, no qual o cão está programado (nós também já agora) para fugir em primeiro lugar e se isso for impossível ou ineficaz o cão atacará para se defender ou tentar afastar o outro cão.
É muito importante considerar isto na situação do cão que está de trela e é aproximado por outro sem trela. Se acontece não estar preparada com recompensas de comida na mão (visto usar mais a bola do que comida para treinar) e um cão se aproxima dos meus, e faço questão de pousar a trela no chão e fastar-me para o lado.
O meu afastamento tem duas funções:
- Permitirá aos meus cães aperceberem-se que estão “soltos” e que se quiserem afastar-se podem fazê-lo. Saberem que podem fugir evita muitas vezes a reacção negativa.
- Permite que o meu estado emocional não interfira na reacção do meu cão
- Permite que chame o Joel e tente afastá-lo da situação sem causar tensão na trela
Claro que existem situações nas quais isto é impossível de ser feito. Por exemplo se estiver perto duma estrada é desaconselhável fazer isto porque o seu cão pode assustar-se e fugir para o meio da estrada, use o seu bom senso na aplicação destes conselhos.
STOP!
Colocar-se entre o seu cão e o outro cão usualmente é também eficaz para dissuadir a aproximação do outro cão, se você colocar o seu corpo para a frente com uma mão esticada como num sinal de stop o mais provável é o outro cão accionar os travões e desviar-se de si.
A sua linguagem corporal é muito importante e os cães (todos eles) sabem lê-la perfeitamente. Se usar o seu corpo para comunicar um stop com um cão muitas vezes consegue. No entanto lembre-se que o ideal é parar o cão solto e mantê-lo distraído pelo que a solução dada acima de atirar comida para o chão continua a ser a mais eficaz.
O meu cão não é agressivo!
É fantástico ver cães sociáveis. Mas o facto do seu cão ser uma borboleta social não lhe confere um direito especial de ter o seu cão sem trela e a aproximar-se indiscriminadamente de outros. Não estará a zelar pela segurança do seu cão se permitir que ele circule sem trela e dê de focinho com um cão agressivo de trela. Se o seu cão sair magoado de um encontro inesperado desses, a responsabilidade será inquestionavelmente sua.
Se quer que o seu cão brinque com outros pergunte primeiro ao dono se pode ser. Observe o seu e o outro cão cuidadosamente. Seja cuidadoso e faça tudo de forma controlada. Essa é a nossa responsabilidade.
Acima de tudo lembre-se que o mais importante é sem sombra de dúvidas não tirar o seu cão de trela em locais inapropriados. Se você tem um bom controlo no seu cão, pode soltá-lo mas esteja atento ao ambiente à sua volta e se vir alguém com um cão de trela, seja responsável e coloque o seu de trela também.
É MUITO importante este respeito mútuo e responsabilidade dos donos de cães, principalmente de forma a salvaguardar o bem-estar e segurança de todos os cães.