Onde a ciência conta para um melhor relacionamento com os nossos cães
Subscrever este blogue
Follow by Email
Como apresentar um gato aos cães lá de casa?
Obter link
Facebook
Twitter
Pinterest
Email
Outras aplicações
Esta pergunta é muito frequente,
muitas pessoas que têm cães adorariam ter um gato, mas temem que o
relacionamento entre ambos seja difícil no mínimo e até perigoso no máximo.
Estes medos não são de todo infundados. Um cão que nunca foi sociabilizado a gatos
antes e gatos que nunca antes tenham sido sociabilizados a cães podem
demonstrar comportamentos problemáticos e reactivos quando vêem um pela
primeira vez.
Lembre-se portanto, quando
adquirir um cão ou um gato que deverá sempre tentar sociabiliza-lo a esses
animais, para no futuro ter a vida facilitada. Mas agora tem o cão, e quer o
gato e não sabem como fazer.
O maior erro que as pessoas
cometem é terem pressa.
As pessoas querem que o cão e o
gato se dêem bem logo à primeira ou rapidamente. Por vezes isso
surpreendentemente acontece, no entanto, essas excepções não ditam a regra, e a
regra diz que a segurança de ambos os animais está nas nossas mãos, e como tal
devemos fazer tudo com calma, segurança e paciência dando a oportunidade a
ambos os animais de se sentirem seguros, confiantes e imprimirem o seu ritmo.
Vamos então por passos:
Primeiro leve o gato para sua casa e mantenha-o
num local seguro, de onde ele não possa ver os cães, nem vice-versa. Neste
local deve ter a caixa de areia sempre limpa diariamente, uma cama confortável
de preferência num local mais alto (mas suficientemente baixo para o gato
conseguir chegar à mesma, dependendo da idade do gato), comida e água. Deve dar
tempo ao gato para se ambientar ao local, não apresente o gato a todos os
locais da casa de uma só vez, eles ficam intimidados e estranham com
facilidade. Deixe que ele se acostume a um dos locais primeiro, que será o
local primário onde ele passará mais tempo e depois à medida que os dias passam
e que o gato fica mais confortável deixe-o explorar outro cómodo, depois outro,
etc.. um de cada vez.
Durante este tempo, leve mantas, cobertas ou
simplesmente quando estiver com o gato, vá depois ter com os cães e vice-versa.
Levar objectos com o cheiro específico ou deixá-los ambos gatos e cães
absorverem o cheiro, ajuda bastante a um encontro posterior. O cheiro é muito
importante para estes animais adquirirem informações específicas acerca uns dos
outros.
Quando o gato estiver ambientado e os cães já
tiverem tido tempo de se aperceberem que existe em casa um novo membro, pode
preparar para que se vejam em segurança. A melhor forma de fazer isto, será
através de um vidro, varanda, janela, etc. Lembre-se, no entanto, que é muito
importante não deixar os cães ladrarem ou agitarem-se quando veem o gato,
portanto vá munido de salsicha, frango cozido ou algo muito apetitoso como
queijo, e vá dando ao seu cão assim que ele vir o gato, e de forma a mantê-lo
calmo entregue a comida num ritmo bastante alto. Estas pequenas sessões em que
o cão vê o gato e vice-versa e são recompensados com comida apetitosa devem ser
curtas e muito bem reforçadas (muita comida apetitosa e única aparece quando um
vê o outro). Pode repetir este exercício várias vezes durante um dia, sempre da
mesma forma.
Não se esqueça que durante esse exercício e se
possível dê também ao gato algo extremamente apetitoso. Pode ser comida húmida,
ou queijo ou fiambre ou algo que eles gostem muito mas que, tal como os cães,
só têm direito a comer na presença um do outro. O intuito é criar uma
associação positiva entre os dois animais. Queremos que o cão pense “Boa! Está
ali o gato vou comer galinha! Eu gosto de ver o gato” e o gato pense “Boa! Está
ali aquele cão, vou comer queijo! Eu gosto de ver o cão”.
Depois de vários dias, ou semanas conforme o
caso, a fazer este exercício começar a perceber que tanto o cão como o gato já
entenderam que quando se veem um ao outro coisas boas acontecem – como acesso a
comida especial – pode começar a fazer com que o gato se movimente. Lembre-se que
usualmente o que provoca as maiores reacções no cão é exactamente o movimento
dos gatos. A maioria dos cães aprendem por erro e tentativa que quando ladram
em direcção a gatos, estes tendem a começar a correr que nem loucos e que isto
instiga o instinto de presa no cão e é uma óptima forma de brincar. Muitos cães
veem gatos como brinquedos activados a voz. Como tal vamos treinar também o
movimento e como queremos que o cão reaja quando o gato se move.
Comece por colocar a comida do gato dois ou três
passos à frente dele e deixe que ele se mexa. Enquanto antes estaria a dar a
comida na boca do gato, assim como na boca do cão, agora comece a atirar a
comida a dois ou três passos do gato. O cão deverá manter-se quieto e
alimentado à boca. Se conseguir manter o seu cão deitado melhor, já que é uma
posição mais estável e menos invasiva para o gato. Treine e repita este
exercício várias vezes até ter o gato a caminhar de um lado para o outro, 4 a 6
passos de cada vez e devagar.
A seguinte etapa pode começar a movimentar mais
o gato, brincando com ele com algum brinquedo que o gato goste. Uma bolinha,
uma caninha de pesca, algo que faça com que ele se movimente mais. Enquanto
isto acontece, alguém está com o seu cão a dar-lhe comida por observar o gato a
movimentar-se cada vez mais. Pode ser que nesta fase tenha que aumentar
novamente o ritmo com que dá comida ao cão para o manter calmo e atento, mas se
fizer tudo com calma, sessões curtas e ao ritmo de ambos, o cão deverá mesmo
que fique curioso, calmo e deverá ser relativamente fácil mantê-lo calmo.
Se chegou a esta etapa e consegue mover o gato e
manter o seu cão quieto, passe à fase seguinte, retire a barreira (abra a
janela, varanda, etc…) e recomece o exercício de dar comida ao gato e ao cão
enquanto o gato se aproxima. No início é boa ideia manter o cão quieto e deixar
o gato movimentar-se. Lembre-se que se o cão se mover subitamente ou algo
acontecer e o gato estiver inseguro ele pode subitamente correr, e isso pode
provocar uma reacção no cão, portanto tente preparar bem o ambiente onde vai
fazer isto e esteja preparado para dar comida ao cão e segurar na trela dele
caso ele se levante.
Quando após várias repetições da fase anterior,
tanto o gato como o cão se mostrarem calmos, pode deixar que ambos se cheirem
ou se aproximem. Esta fase deve ser feita com muita calma, não deixe o cão dar
focinhadas ou meter a pata em cima do gato porque isto pode assustar o gato ou
fazer com que ele tenha movimentos bruscos ou queria fugir. Não segure o gato,
para evitar que ele não tenha como fugir. Ambos o cão e o gato podem estar
seguros (com trela, dentro de transportadora, etc..) mas esteja constantemente
atenta à linguagem de ambos os animais, se eles mostrarem algum desconforto,
pare imediatamente e aumente a distância ou tire o animal da situação.
Este processo é lento mas garante
resultados imbatíveis. No meu caso com uma X de Pitbull que persegue gatos e
procura gatos debaixo dos carros e com um Border Collie que adora perseguir e
pastorear tudo, foi um desafio, mas desde que os tenho, que os acostumei ao
Jaime, depois à Emília e agora ao Mancha Moe Joe Puminha.
Todos passaram por este processo e fomos
sempre bem sucedidos e até hoje conseguimos ter os 4 numa sala juntos e a
dormir juntos sem problemas. O gato mais
velho o Jaime, inclusive diz olá aos meus dois cães roçando-se neles e
oferecendo comportamentos de conforto e bem-estar perto deles. A Emília ignora
a Safira mas cheira e diz muitas vezes olá ao Joel.
A lentidão do processo garante
que tudo corre bem, com segurança e que os resultados são para sempre. Requer
paciência e trabalho e algum conhecimento e todos os cães e gatos são diferentes,
pelo que se estiver com dificuldades entre em contacto com um dos nossos
treinadores para que possamos ajudar. Mas se estiver preparado para colocar o
trabalho em prático que é necessário os resultados são inconstestáveis.
Veja o vídeo de um pouco do processo
que temos feito.
Dominância ainda é hoje em dia um meme que perdura no mundo dos cães. O motivo para a subsistência de um meme, é desconhecida, mas certamente que no mundo do treino e comportamento de cães, este perdura porque “se ouve falar disso” e porque “toda a gente diz”. A grande maioria das pessoas que fala da dominância dos seus cães, ou de cães dominantes, não sabe ao certo de onde essa informação veio, nem reflectiu activamente sobre a veracidade deste conceito. Felizmente, hoje em dia já sabemos que este conceito é completamente errado e inútil, não tem expressão nenhuma no relacionamento que temos com os nossos cães nem existe de acordo com a ciência do comportamento canino. De onde vem o conceito de dominância?
A ideia de que o cão é dominante vem da extrapolação de um conceito que foi primariamente estruturado no estudo dos lobos – que hoje em dia está em desuso para estes animais. Na altura em que estudaram lobos á dezenas de anos atrás, o conceito de lobo dominante ou alfa foi aprese…
Alguns treinadores (os tradicionais, que usam os mesmos métodos usados há 50 anos atrás, sem mudar nem uma vírgula) insistem em “inventar” as desculpas mais estranhas para justificar o porquê é que o treino positivo “não presta”. Ao invés de se fazerem valer das explicações de como as técnicas que usam são eficazes e boas, insistem em fazer desacreditar o método positivo. Hoje decidi analisar algumas das falácias que ouço, num discurso livre.
“Usar uma estranguladora não dói, nem faz mal ao cão” – Quando alguém diz isto eu penso se para essa pessoa a frase “uma picada de agulha não pica” terá o mesmo sentido. A coleira chama-se ESTRANGULADORA ou ENFORCADORA. Não é preciso ser um génio para perceber qual é a sua função! Talvez o conceito de dor varie de pessoa para pessoa, mas todos podemos concordar que cortar o acesso do ar aos pulmões se não fôr considerado doloroso, deve ser no mínimo extremamente incomodativo. Mas e se a pessoa está só a dar um puxãozinho? Será que dói assim “tanto”…
As pessoas adquirem uma certa raça ou um
certo cão porque acreditam que eles serão bons “cães de guarda” ou porque
querem um “cão de guarda”. Mas o que é afinal um cão de guarda? Ao longo dos anos tenho ouvido as
perspetivas de diferentes pessoas acerca do que acreditam ser um cão de guarda.
Algumas descrevem o cão de guarda, como um que vai atacar os ladrões ou pessoas
que queiram fazer mal à família humana. Outros esperam que o cão adquira um sentido
humano de moralidade e valorize objectos e que saiba protege-los. Outros
descrevem um cão de guarda como um cão “mau” para todos os que se aproximem,
menos as pessoas que são da família. Um cão de guarda é, em geral, muitas
vezes entendido como um cão que sabe a quem e quando demonstrar comportamentos
agressivos – enquanto sabe também ser o cão mais sociável e amigável com todas
as outras pessoas. Aquilo que chamo cães de alerta, são a
grande maioria dos cães que temos connosco. A maioria dos cães, ladram quando
ouvem um barulho fora do nor…
Comentários