O castigo resulta?



O castigo pode ser eficaz em casos específicos, mas deverá ser usado com cuidado dadas as dificuldades que existem em pô-lo na prática, comparado com técnicas de reforço positivo e dados os potenciais efeitos adversos. O que se segue é uma descrição das dificuldades e efeitos adversos que podemos esperar aquando do uso de castigo (aversivos).

É muito difícil exercer o castigo na altura correcta. De modo a que o animal compreenda o que é que está a fazer de errado, o castigo deverá ser efectuado: enquanto o comportamento ainda está a ocorrer, ou no segundo a seguir.
O castigo pode reforçar comportamentos indesejados. De modo a que o castigo exerca uma mudança a longo prazo, deverá ocorrer sempre que o comportamento indesejado é demonstrado. Se o animal não écastigado às vezes e outras vezes não, está de facto a ser reforçado. Estes reforços estão também num esquema de reforço intermitente (ou seja, castigo inconsistente) que pode na realidade tornar o comportamento mais forte. O reforço intermitente é uma variável de reforço extremamente poderosa usada para manter comportamentos ensinados com métodos de treino positivos. Os animais sabem que a recompensa é dada algumas vezes, mas como não sabem quando, e como tal continuam a exercer o comportamento na expectativa dessa recompensa. Os animais transformam-se em jogadores nas máquinas dos casinos.
A intensidade do castigo deverá ser suficientemente forte.para que este seja eficaz. Se a intensidade não é suficientemente forte, o animal poderá habituar-se ao mesmo, sendo que a mesma intensidade não irá mais resultar. Depois o dono terá que mudar a intensidade do castigo (torná-lo mais forte ainda) para que o castigo seja eficaz. Independentemente de quando é administrado o castigo pode causar dano físico ou medo, quando usado à intensidade adequada para que aprendizagem ocorra.
O castigo pode causar dano físico quando administrado a intensidades altas. Muitos castigos podem causar danos físicos aos animal. Coleiras de engasgo danificam a traqueia, especialmente nos muitos cães com traqueias hipoplásticas ou colapsadas. Também pode ocasionalmente causar o sindrome de Horner (dano no nervo do olho). Alguns cães, especialmente as raças bracicefálicas, desenvolvem edemas pulmonares possivelmente dada à obstrução da caixa de ar superior e à pressão intratorácica. Os cães que têm tendência a terem galucomas podem estar também maus susceptíveis a esta desordem uma vez que estes colare sá volta dos seus pescoços podem aumentar a pressão introcular.

Independentemente da força usada, o castigo pode levar a que certos cães se tornem extremamente medrosos e este medo pode generalizar-se para outros contextos. Por exemplo, alguns cães nos quais são usados colares de citronella ou coleiras de choque com um tom precedente, podem reair com medo a alarmes, detectores de fumo,etc...
O castigo pode facilitar ou até mesmo ser a causa de comportamentos agressivos. O castigo aumenta a probabilidade do aumento de agressão em muitas espécies. Animais nos quais o castigo não suprime o comportamento imediatamente, pode levar a esforços pelo cão de evitar o castigo, ao ponto de se tornarem agressivos. Aqueles que já demonstram comportamentos agressivos, podem exibir comportamentos agressivos mais intensos.
O castigo pode suprimir comportamentos, incluindo aqueles comportamentos que avisam que o cão pode morder. Quando usado eficazmente, o castigo pode suprimir o comportamento medroso ou agressivo em animais, mas não modifica o comportamento que origina esses comportamentos. Por exemplo se um animal é medroso e rosna e é usado o castigo, este pode suprimir o comportamento de rosnar, mas tornar o cão mais medroso e capaz de morder semaviso prévio.

O castigo pode levar a associações erradas. Independentemente da força do castigo, este pode levar a que o animal desenvolva uma associação negativa com a pessoa que está a exercer o castigo ou ao ambiente no qual o castigo é efectuado. Por exemplo, quando o castigo é usado para chamar os cães, os animais podem aprender a vir caminhando rápido ou até mesmo agachar-se quando se aproximam na vez de voltarem ao dono o mais rápido possível e a apreciar voltar para junto dos donos. Ou quando o castigo é usado durante competições de obediência ou treinos de agilidade, os cães podem efectuar os exercícios com falta de entusiasmo. Esta associação negativa é particularmente clara quando o cão se torna imediatamente energético quando o exercício termina.

Os animais de estimação não são os únicos que criam associações negativas deste processo. Os donos dos cães podem também criar uma associação negativa. Quando os donos usam castigos, estão muitas vezes zangados, e como tala o castigo ao oferecer uma forma de libertar essa raiva, torna-se um reforço para eles mesmos. Eles podem desenvolver o hábito de frequentemente se zangarem com os seus animais porque se “portam mal” apesar dos castigos. Isto é extremamente prejudicial para o relacionamento com os seus animais.

O castigo não ensina comportamentos apropriados. Um dos maiores problemas com o castigo é que não considera o facto de que um comportamento indesejado está a ocorrer porque foi reforçado – intencionalmente ou não. O dono pode castigar o comportamento indesejado algumas vezes, enquanto outras vezes sem querer estáa reforça-lo. Da perspectiva do cão o dono é inconsistente e imprevisivelmente coercivo. Estas características danificam o relacionamento humano/canino. Uma outra forma de se resolver problemas comportamentais é focarmo-nos em reforçar comportamentos adequados. Os donos devem determinar o que é que está a reforçar o comportamento indesejado, remover esse reforço e refoçar comportamentos alternativos. Isto leva a um melhor entendimento de porque é que os animias se comportam da forma que o fazem e leva a um melhor relacionamento com o animal.


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